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domingo, 4 de junho de 2017

#NÃO É QUALQUER COISA QUE PREENCHE A ERUDIÇÃO. O MAR SIM# - Graça Fontis: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


O sino da igreja badala. Meio-dia. Revisto-me, com olhar furtivo. Sentimento de paz invade-me. Emoção de ser livre toma-me por inteiro. À noite, recolhido ao leito, deslizo-me por sombras.
Águas entre mortais conhecidas. Somos para elas coisa estagnada, ficamos para aqui exilados. Olho-as fascinado, olho-as sempre e uma interrogação milenar na minha garganta.
Águas entre-cortadas. O milagre está em ti. Tu abristes os olhos num grande susto e deitastes fora a tristeza toda. Diante de ti pensava em fugir. Tu não me vias. Olho-te e sei que estás longe.
Caminhada no caminho da convicção de desfechar caves e voltar a descobrir, em cada inovado amanhecer, o sabido paladar inicial
abjurou-se na idade, dissolveu-se na extensão, concebeu-se rosa, só para entender que os acúleos no tronco são degraus
para conquistar o adorno.
Vomita o que sofres, mas lega para que outro consiga cogitar e decifrar… Passas a vida a massacrar-te atrás do ser... da paixão… do êxtase.. não te flageles mais… a tua escrita é mais que guarnecida de luz e fascinação, que tanto te pode orgulhar…desafias e desabafas com ela.. eu sei…. e quem melhor do que tu ó grande escritor o concebe? Esse é o teu verdadeiro clímax e arrebatamento…. indagas… indagas…. diz-me ó escritor… achas que vais partir a saber quem és e quem é o homem? Melhor do que ninguém sabes a réplica. A luz já está em ti…. e o amor sucederá.. já muitos ocorreram… se não ficaram é porque não te serviam. Como Grande que és…. És exigente… e não é qualquer coisa que preenche a tua erudição……. e com certeza com razão…. Estás atrás do ser. Estão em marcha as origens do cavaquear, e igualmente agora e para eternamente e para o qual constantemente de novo não acham ingresso … pois não…. que é a leveza? A leveza pode ser tanta coisa… mas superior a tudo que pode ser… é possuirmos a leveza da alma, escritor.
Fostes concebido a correr....
O que me foi - proximidade com a fluidez universal. Sensações. O que me foi - silêncio dos sons presentes. O que me foi - uni-versalidade do verbo trans-crito de regências de sin-estésicos sentimentos. O que me é - vida.
O desespero enfraquecido. A angústia fracassada. A agonia frustrada. O que me foi - linguagem separada, a língua reunida. A civilização abandonada a esperar o reencontro. O que me foi - ritmo alterável. (Imagem instável e desordenada do nada). Revelando a lucidez sem memória. O que me foi - o olhar perdido no chapadão, nos campos secos, íngremes, árvores mortas. O que havia para além. Quiçá o mar.
Vou esgoelar. Confessar que o silêncio foi um incenso. Um enigma a par. À beira-mar, crio nome, id-ent-idade. Asas do condor. Claridade. O que me foi - distanciamento da frieza. Loucura domina quem sou.
Emocionado. O badalar dos sinos. Reveste de lisura o universal. O passado diverte-me. O rio silencia-se, caindo a noite. Espectro, abismo. Retenho as poeiras de ser quem sou. Exausto. De ser banido. De ser expulso. De ser companheiro. De ser cassado.


(**RIO DE JANEIRO**, 04 DE JUNHO DE 2017)


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