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sábado, 10 de junho de 2017

#VENENO QUE NÃO MATA CONCEBE MAIS VIDA# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Con-vexas pinturas ornamentam as nuvens azuis celestiais - digam, estou-me nas tintas, que "nuvens celestiais" é pleonasmo vicioso, pois só no céu existem nuvens azuis; dizem que lá em cima tudo é ilusão de ótica, não existem nuvens, um vazio sem limites -, quem dera houvesse alguma possibilidade de re-presentá-las em si mesmas nas letras.
Góticas imagens anunciam-se-me nos interstícios da alma, sin-estesiando-me de ternura, afeto, afeição, e digo com toda a pompa, envaidecido: "Amar é in-fin-itivar os verbos dos sentimentos que perpassam os abissais bálsamos do ser..." Ainda pensando e sentindo que não abordo o amor que em mim mora, habita-me a "casa do ser", digo: "Amar é sin-estesiar os sonhos do por vir, ad-vir-, vir-a-ser, de modo que o "eu" e o "outro" se pres-ent-ifiquem, o nós se humanize, sonhe a etern-idade".
Nada mais egoísta que ser eterno sozinho, nada mais solipsista que a etern-idade sem amar, chato passear pelo in-finito, universo, horizonte sem uma companheira, "companheiros até na etern-idade". Sou eterno no mundo, sozinho não sou, o amor que aqui descrevo é a minha verdade. Vivo-o plenamente com a companheira, mas ainda não é completo, quero com ela a eternidade - tranquilos e serenos, longe das con-tingências da vida, vamos viver de piqueniques pelos elísios campos da eternidade, passeios de mãos dadas, elo silvestre in-fin-itivo do além. Assim penso e sinto: o amor que alcança, atinge a eternidade as portas e janelas do além se abrem insofisticamente - também é óbvio: um casal de amados ficar só pela eternidade acaba em tédio, o além, a diversão que sin-estesia inda mais o amor.
Trocar de oxigênio. Amar não é o único supremo sentimento do homem. Há outro: o verbo do ser. Amar e verbo do ser são os supremos sentimentos. Mas só se conhece o verbo do ser, vive-o em absoluto, se se amar com o amor do sonho da eternidade.
Con-vexas pinturas, góticas imagens. O mundo é pequeno demais para mergulhar profundo nelas, mas sinto-as no mais abissal de mim, são as minhas "meninas veneno".


Veneno que não mata, concebe mais vida.


(**RIO DE JANEIRO**, 11 DE JUNHO DE 2017)


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