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sábado, 17 de junho de 2017

#MEU RITO É PURIFICADOR DE IMAGENS E DE ESPÍRITO, DE FORÇAS SENSÍVEIS E TRANSCENDENTES/CORTINADO OPACO# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira e Ana Júlia Machado: AFORISMO


Não conto os fatos de minha vida. Com que objetivo? Não saberia a hipotenusa das situações, circunstâncias e inevitáveis, nada salvaria de mistérios, multiplicando ao quadrado.
Fatos são objetos, estes não me dizem quaisquer respeito e considerações, em mim a subjetividade, em mim o subjetivo, eis as minhas veredas; se não encontrarem a sim-patia do leitor, encontrará a sua simpatia por buscar caminhos, distantes de minhas verdades.
As palavras não exprimem as idéias. O pensamento condiciona a emoção.
Se vós me con-cedêsseis mínimo de prosa, nos dedos que, em câmara lenta, insinuam dígitos que são sentimentos nas almas brancas de páginas passadas! Se vós me con-sentísseis a destreza das penas, com quem sobrevoais mares, lagos e desertos, florestas e abismos!
Se vós con-sentísseis a perspicácia das asas, com que pairais bosques e desertos, vales e chapadões.
Se vós me désseis o privilégio de um só segundo de anunciação divina eterna e verdadeira, de saborear o gosto da água que sacia a sede da eternidade, imortalidade, os dígitos teriam sido apenas modo de imprimir os sentimentos e emoções que me habitam. Do vôo, mostro-lhe as nuanças, detalhes não digo, são efêmeros, perpassam fios de outono nos anéis da medula, pormenores tão menos são cobras que se autodevoram pelo rabo, nuanças de dores e sofrimentos adentro longas noites de insônia, vigília de letras e sons, de vozes que ecoam nos lamentos os cânticos de melancolias, nuances de verdades e vazios que se entrecruzam.
É a superior audácia. A superior perspicácia. Se à dianteira dos calcantes encontra-se um opaco véu de um urdido compacto que não cede avistar o que depara-se do distinto lugar.
E porém a repleção da erudição desenfreia o desejo pelo conhecimento, especialmente quando a erudição é conhecimento de causar interpelações, por elementar suspeita que do diferente surge o amanhã em sua dissemelhança.
O cortinado opaco é o cruel que incumbe a avidez da ciência às tenebrosidades de despovoado algum.
Conseguem determinados seres, com a audácia dos compelidos
que vão à face do marruá, aclamar que de ninharia possuem temor. E que seriam escrupulosos se esbarrassem nas galerias escurecidas pela meia-luz que tão-somente cede à exibição uns semblantes deformados. Conseguem sacar o esplendor à audácia inepta, que entre as galerias escuras somente observam o nentes que é refervo das tenebrosidades.
Quiçá não interessem-se de carregarem uma existência sombria na ignorância. Quiçá lhes seja mais provocante a ostentação de reputação de quem ingressou no negro dédalo e dele escapou ileso.
São os que declinam transitar ligações, pois cimentam os calcantes no sítio que conceituam ser sua propriedade e condenam o distinto lugar que deslinda-se quando o físico ataca pela ligação.
Audácia desta casta é serva da inópia. Os mentores, especialmente os que montam na vacilante condição de intranquilidade inerente, não molestam-se com as trevas. Possivelmente aprovariam extensos obscurecimentos. No mínimo a multidão seria serena, pois na ignorância eleger repousar o físico na infâmia da inércia.
Possuir temor do sombrio é coerência. É quando a súplica de reclamação, ainda que emudecida no âmago do ser, é o superior repto aos influentes do intelecto de parceira limitada. Possuir temor de possuir receio da negrura hedionda não é instintivo ensinado. É quando arrecada-se a superior das audácias, não da audácia hipotética dos destemidos que só entendem a causa da energia e nem apercebem-se como a sua suposta sublimidade é a mais medíocre pequenez.
Futuro é outro presente na esguelha de olhos noturnos, à janela da Maria-Fumaça que segue desbravando o vale, nos soslaios dos olhares vespertinos, das visões matutinas às revezes do crepúsculo. Presente serão ontens esquecidos e latentes. Sentimento de busca e sublimidade. Da sublimidade ao sentimento de busca, esplendores e desejos de pássaros, que cruzam o céu, entoam suas líricas nas grimpas de árvores frondosas e folhas viçosas, expressam-se em seus instintos diversos, habitam as silveirinhas dos lamentos e silêncios. Ontens serão subterrâneos do espírito em cujas veredas, culpas de desatinos, e os desatinos de culpas e pecados, as ansiedades clamam por outros uni-versos, em cujas trilhas, a-núncios e revelações se espelham. Outroras serão do espírito, em cujas profundidades, as angústias de sonhos e decepções, as luzes que iluminarão os caminhos.
Longos dias, longas noites, em busca da luz plena e absoluta, contemplando a lua em todas as suas manifestações, as estrelas em todas as suas revelações.


De desejos que refletem nos espelhos, os ritmos de nostalgias, pormenores de fantasias e angústias que se distanciam nas curvas dos tempos e relógios, nalgum instante a esperança se me extasia os delírios.


(**RIO DE JANEIRO**, 17 DE JUNHO DE 2017)


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