Total de visualizações de página

domingo, 30 de abril de 2017

**EURÍTISES DO RESPLENDOR** - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


A-núncio eivado de nunci-essências cintilantes à luz do in-verno de ausências de lembranças, recordações que flanavam ao vento presentificando sentimentos, emoções, sensações, apenas desejos in-auditos "criando novas paisagens", "retirando as pedras do caminho", tocando de leve e suavemente o espinho das flores, "rimas e versos na longa estrada, nas curvas retas-inversas, sobe e desce...", sentindo presente o in-audito das eurítises do resplendor, amando ser livre e voando, voando, voando, "conhecendo novas paisagens", "ilustrando as viagens da imaginação" no seio da floresta de árvores de copas frondosas, de flores silvestres, entre serras com o vento sibilando altissonante, presenciando as ondas do mar sob o brilho da lua, nas estradas de poeira as marcas do tempo no íngreme do solo, a grama ressequida, esturricada, e sempre os horizontes adiante a serem des-bravados, a serem des-vendados, des-envelados, na plen-itude sentir o êxtase do que é etéreo de con-figurações e performances, o climáx do que é éter de espaço e uni-verso, o gozo do que é eterno o sublime, o ab-soluto sensível e trans-lúcido, o prazer orvalhado de estrelas que cintilam na poiésis do coração à luz de todos os aléns, de todos os longínquos habitados de arribas e confins, eurítises do resplendor da "raiz da arte" dos sentimentos, volos da memória sedenta de re-colher e a-colher em si o sêmen uni-versal da beleza, concebendo sonhos dentro de outros sonhos, dentro de outros sonhos do amor, da entrega, do espírito da alma, em cujas profundezas abissais habitam a esperança do perene, em cujas linhas do sensível residem as asas para o voo perpétuo através da etern-idade, voo de conquistas e glórias, voo de realizações e alegrias, "alheio o além-mundo", retratando dons e talentos, a arte da con-tingência à trans-cendência.
A-núncio eivado de nunci-eidéticas brilhantes ao silêncio in-audito da madrugada de frio preliminar do in-verno, música no ar, "quero saber o que é o amor", quero sentir o que é o prazer de degustar o sabor do amor, eurítises do resplendor do belo, da beleza, eurítises do esplendor do coração sob as chamas ardentes da felicidade, às quiçás dos anjos que performam a dança do in-fin-itivo verbo do divino, dos passarinhos que trinam por todos os horizontes o hino do espírito... madrugada de segundos e minutos de solidão, pensamentos solitários, emoções e sentimentos sozinhos na imensidão do tempo, pre-liminares eurítises da magia de sonhar o sonho de "ser" as entrelinhas da poesia do amor, de "ser" o interdito dos desejos e vontades do pleno, da compl-etude... música na madrugada, ritmos, acordes, melodias do que trans-cende a solidão, do que trans-cende o estar só no meio das coisas, dos objetos, do mundo, criando, re-criando a música eterna da vida, som que trans-eleva idílios, quimeras, fantasias, volúpias voluptuosas da verdade, trans-literalizando dores e sofrimentos, angústias e náuseas em líricas metrificadas e ritmadas de euritmia do sensível que se inspira do in-finito e concebe a luz sonora de notas verbais, miríades de silêncios brilhantes sin-cronizados, sin-tonizados no uni-verso. harmonizados no espaço celeste...


Eurítises do resplendor... Eurítises do resplendor... Eurítises do resplendor...


(**RIO DE JANEIRO**, 30 DE ABRIL DE 2017)


#POETISA E ESCRITORA PORTUGUESA MARIA FERNANDES COMENTA O POEMA-AFORISMO #UM CORPO EM CHAMAS/AMAR: SENTIR O IN-AUDITO DO SER#


O Amor nunca se contenta, pois é um procurar incessante de completude, de delícias de corpo e alma num só amplexo de "in" finitude. Os dois, Manoel Ferreira Neto e Graça Fontis, amantes dar artes se completam e complementam. O poema e prosa num delírio de êxtase, de declaração de Amor. A pintura excelsa remata em apoteose a "Confissão dos Amantes" Belíssimo. Parabéns.


Maria Isabel Cunha


#UM CORPO EM CHAMAS/AMAR: SENTIR O IN-AUDITO DO SER#
GRAÇA FONTIS: PINTURA
GRAÇA FONTIS/Manoel Ferreira Neto: POEMA/AFORISMO


Este fogo ardente
Chamas que mais aumentam.
Fome incontrolável e inconsequente
Se apossando desta forma
De uma simples e feliz mortal.


Sinto a carne gemer de dor
O corpo clamando amor
Delírios de faz de conta,
Histórias alucinantes,
Fantasias e ilusões provocam noites inteiras.


Deito-me pensando assim...
Caminho sentindo-me assim
Nesse intenso calor
Rubor chamado desejo
Certo brilho no olhar...
Onde esteja me acompanha.
Voz trêmula,
Mãos úmidas e o corpo a pedir mais...
Mais que não satisfaz.


Com o sol, novo amanhecer...
E nada mudou.
Assim vou caminhando
Sempre com ardor procurando,
Não importa, desde que esteja amando
O coração sempre vibrando
Na expectativa e na espera
De beijos...sob luz de velas.


Graça Fontis


**AMAR: SENTIR O IN-AUDITO DO SER**


Amar: o verbo de sentir os abismos de desejos amplia-se no âmago da alma, acaricia as dimensões dos sonhos, sonhos dentro de outros sonhos, dentro de outros sonhos, a-nuncia-se o êxtase do pleno da entrega, re-vela-se o clímax do prazer, manhã de chuvinha fina e suave na floresta, os pensamentos voam, querências da presença, corpos usufruindo prazeres, toques, carícias, verdades límpidas no riste das palavras, palavras que pronunciam verdades, cor-simbolizando o espírito de sentimentos da leveza do ser em harmonia com a suavidade do inaudito, cor-significando, sor-signiversejando o que trans-cende o espírito, a essência do genesis-vida, a sublim-itude do além-verso, além-estrofe, o soneto-divo do absoluto encontro com o infinitivo-ser das peren-itudes do uni-verso, amor puro, pureza de amar, amor verdadeiro, verdade antes de quaisquer verdades, trans-preterizadas de quimeras e fantasias do antes da vida, nonadas da criação, nonadas artífices da vida-amar que são a vocação ec-sistencial para a felicidade.
Poeta poetiza a poesia. A poesia poematiza a vida. A vida, antes de quaisquer belo sentimento do verbo "Ser, compõe a liberdade na lírica da poiética das desej-âncias do amor. Amar é a vida do eterno na continuidade do tempo que se essencializa no ser de buscas, no não-ser de contingências que trans-elevam o que dói sem doer, o que sofre sem os pretéritos do há-de vir...
Amor...


(**RIO DE JANEIRO**, 30 DE ABRIL DE 2017)


#HABITAR EM ERA DESACERTADA/CASA-DO-SER# - PINTURA: GRAÇA FONTIS/Ana Júlia Machado-POEMA/Manoel Ferreira Neto-AFORISMO


Habitar em era desacertada


Ser Vate ou outro tipo de arte é como habitar
em uma quadra desacertada,
Incessantemente em demanda de tamponar
o orifício oco da alma,
que chora muito ou ri demasiado.
É na harmonia onde abdicámos nosso bem-querer e aspereza.
É povoar sempre à aguarda de um local
que alvitra ser extasiado, impensável.
É aguardar que as veredas conduzam
a criatura que experiência
da mesma maneira o que vivenciámos
Só que não existe consonância e sim semelhanças.
Nesse caso os aljôfares deslizam por ser sensitivo à condição
de perceber que residimos solitários no planeta...
Por isso, quando a pluviosidade abate-se tocando na ventana.
Em meu intelecto cogito um local, uma palhoça,
ou um borralho e os tentáculos daquele
que não questione ninharia nesse instante,
tão-somente experimente que na existência encontra-se
muito mais do que o palpável e sim o sensível, incorpóreo...
Nesse caso apodera-se a nostalgia desse loco que sem elucidação, apenas o conhecimento que permanece...
E que diligenciamos infatigavelmente
e por não descobrir, lacrimejamos.
Mesmo encontrando-me rindo exteriormente ainda sim,
pelo âmago propaga o oco que não silencia, somente
agita-se com a agitação enérgica oscilando as folhagens ..
Constantemente importando aquela representação
que é conhecida e que entendo
que já assisti a isso em algum local distante daqui
em diferente existência em diferente época.
Em qualquer era do ano...
As claridades são eternamente afins...
A não ser quando redigimos, ai sim transbordamos o intelecto,
a sensibilidade e nos acarretamos para esse espaço
onde apelidamos do lar de nossa querença.


Ana Júlia Machado.😰


CASA-DO-SER


Somente habitando na casa-do-ser, dançando, re-presentando gestos e performances, con-sonantes à música do espírito de desejar, semelhantes à alma de sonhar, sei falar em imagens das coisas mais elevadas, querer dançar para além de todos os céus, como ainda não dancei nunca; e, assim, fica-me silenciada nos membros a minha mais elevada imagem, "que alvitra ser extasiada, impensável." Fica-me a mais elevada esperança.
"Em meu intelecto cogito um local...", uma casa-do-ser, pouco importando que a ondas de luz e do mar revolto, ao romperem-se, espumejem e, furiosas, se oponham à quilha. Inesgotável e geradora vontade de viver. Tudo o que inquietante há no vir-a-ser, inquietância que in-troniza as perspectivas do além na imagem do Ser, e tudo o que um dia fez tremer pintassilgos, cabeças-de-fogo, curiós, aves perdidas é ainda, em verdade, em verdade, mais familiar e tranquilizador "que a oscilação enérgica oscilando as folhagens". Para onde ainda deverei subir, agora, com o meu anseio, com as minhas expectativas? De todas as colinas, olho em redor à procura de pátrias. Errante sou eu em todas as cidades e um decampar de diante de todas as portas de cidades. Sou expulso de todas as terras pátrias e mátrias.
Todos falam de mim, borrifam ideias e ideais que em mim afloram e fluem, quando, à noite, estão sentados em torno do fogo, olhando, observando, perscrutando a luz da clareira; falam de mim, mas ninguém pensa - em mim!, "nesse caso apodera-se a nostalgia desse loco que sem elucidação, apenas o conhecimento que permanece...", isto se deve à minha doutrina da felicidade e da virtude que são eternamente afins.


Manoel Ferreira Neto


(**RIO DE JANEIRO**, 30 DE ABRIL DE 2017)


**SUBLIMES EURÍTISES ORVALHADAS** - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


A beleza tem seus espínhos. Para que então a beleza? Por que não, ao invés dela, a grandeza, o sublime? A imagem tem suas perspectivas de estesia e beleza.
Miríades de idéias de beleza afluindo-a-ser idéia da sensibilidade, uma emoção, emoções que fluem no instante-con-templação do des-petalar das rosas, exalando inebriante perfume, in-fin-itivos do verbo esperanças esvoaçam na imensidão do espaço, ipsis de peren-itudes etéreas de luzes em cujos raios a presença de sublimes eurítises da imagem, imagens respingadas de gotículas de orvalhos, e vem o vento nas asas do tempo sibilando ex-tases de neblina colhidas no in-finito, vão-se as peren-itudes etéreas, des-abrocham os dons do Espírito, da graça, da beleza, da simplicicade de um ser que em si traz dentro encanto e des-encanto, alma que trans-cende outra beleza da metafísica do ir além do tempo, os volos do verbo de amar voam e à toa vão tecendo o vir-a-ser de querências e desejâncias, além êxtases e volúpias do eterno-in-fin-itivo, além clímaces e prazeres efêmeros, além glórias e alegrias,
ain´t no begining,
ain´t no end,
adiante níveas paisagens res-plandecidas de cores vivas do arco-íris mostram as sendas e veredas do horizonte,
ain´t no worry in mind,
ain´t no tears within the heart,
adiante límpido e trans-lúdico panorama do in-finito a esplender goticulas de sublimes eurítises orvalhadas de plen-itudes-silêncio em cuja poética do uni-verso sons in-audíveis da trans-cendência do espírito dedilham o violino vers-ificando o espaço de cânticos cancioneiros do divino.
Sublimes eurítises orvalhadas
Eterno-infin-itivo de volos
Encanto, des-encanto, plen-itudes-silêncio
Além do tempo sendas e veredas do horizonte
Sublimes eurítises orvalhadas
De verbos amando o amor de ser dimensão da felicidade,
Êxtases e volúpias de plen-itudes-silêncio,
Metafísica
Ir além do tempo...


(**RIO DE JANEIRO**, 30 DE ABRIL DE 2017)


**PERGUNTAS ANTES DE QUAISQUER PERGUNTAS** - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


O que é silêncio sem a solidão? O que é o verbo sem o infinitivo? O que é o ser sem o tempo? O que é o não-ser sem o nada? O que é a vida sem o amor? O que é o homem sem a luz? O que é o fim sem a esperança? O que é o arrebique sem o ornamento? O que é o cafundós sem as pre-fundas? O que é o sentimento sem a música que o ritma e sonoriza? O que é o amor sem o sonho do verbo? O que é o olhar sem o horizonte a ser visto? O que sou sem você para me orientar nos caminhos para o infinito? O que sou sem as letras que me literalizam, trans-literalizam? O que é o alvorecer sem os primeiros raios de luz? O que é o verso sem a poesia do amor? O que é a morte sem a vida? O que é o desejo sem o prazer de senti-lo? O que é o sibilo do vento sem o olhar para o uni-verso do som? O que é fumar sem con-templar a brasa e a cinza? O que é a razão do homem sem a sensibilidade da mulher? O que é o útero da palavra sem a concepção do verbo? O que é Ana Júlia Machado sem a sua espiritualidade que mostra ao mundo a alma da vida? O que é Graça Fontis sem a imagem da eternidade dos sentimentos e a alma dos desejos e sonhos? O que é a pintura sem a poesia? O que é a canção sem o ritmo? O que é a água sem a sede?
Abro a porta da sala de estar e con-templo a manhã que está alvorecendo, imagino-me passeando num campo de lírios e orquídeas. Deito-me na rede da varanda.


(**RIO DE JANEIRO**, 30 DE ABRIL DE 2017)


#UM CORPO EM CHAMAS/AMAR: SENTIR O IN-AUDITO DO SER# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/GRAÇA FONTIS/Manoel Ferreira Neto: POEMA/AFORISMO/


Este fogo ardente
Chamas que mais aumentam.
Fome incontrolável e inconsequente
Se apossando desta forma
De uma simples e feliz mortal.


Sinto a carne gemer de dor
O corpo clamando amor
Delírios de faz de conta,
Histórias alucinantes,
Fantasias e ilusões provocam noites inteiras.


Deito-me pensando assim...
Caminho sentindo-me assim
Nesse intenso calor
Rubor chamado desejo
Certo brilho no olhar...
Onde esteja me acompanha.
Voz trêmula,
Mãos úmidas e o corpo a pedir mais...
Mais que não satisfaz.


Com o sol, novo amanhecer...
E nada mudou.
Assim vou caminhando
Sempre com ardor procurando,
Não importa, desde que esteja amando
O coração sempre vibrando
Na expectativa e na espera
De beijos...sob luz de velas.


Graça Fontis


**AMAR: SENTIR O IN-AUDITO DO SER**


Amar: o verbo de sentir os abismos de desejos amplia-se no âmago da alma, acaricia as dimensões dos sonhos, sonhos dentro de outros sonhos, dentro de outros sonhos, a-nuncia-se o êxtase do pleno da entrega, re-vela-se o clímax do prazer, manhã de chuvinha fina e suave na floresta, os pensamentos voam, querências da presença, corpos usufruindo prazeres, toques, carícias, verdades límpidas no riste das palavras, palavras que pronunciam verdades, cor-simbolizando o espírito de sentimentos da leveza do ser em harmonia com a suavidade do inaudito, cor-significando, sor-signiversejando o que trans-cende o espírito, a essência do genesis-vida, a sublim-itude do além-verso, além-estrofe, o soneto-divo do absoluto encontro com o infinitivo-ser das peren-itudes do uni-verso, amor puro, pureza de amar, amor verdadeiro, verdade antes de quaisquer verdades, trans-preterizadas de quimeras e fantasias do antes da vida, nonadas da criação, nonadas artífices da vida-amar que são a vocação ec-sistencial para a felicidade.
Poeta poetiza a poesia. A poesia poematiza a vida. A vida, antes de quaisquer belo sentimento do verbo "Ser, compõe a liberdade na lírica da poiética das desej-âncias do amor. Amar é a vida do eterno na continuidade do tempo que se essencializa no ser de buscas, no não-ser de contingências que trans-elevam o que dói sem doer, o que sofre sem os pretéritos do há-de vir...
Amor...


(**RIO DE JANEIRO**, 30 DE ABRIL DE 2017)


sábado, 29 de abril de 2017

**PERGUNTAS ANTES DE QUAISQUER PERGUNTAS** - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


O que é silêncio sem a solidão? O que é o verbo sem o infinitivo? O que é o ser sem o tempo? O que é o não-ser sem o nada? O que é a vida sem o amor? O que é o homem sem a luz? O que é o fim sem a esperança? O que é o arrebique sem o ornamento? O que é o cafundós sem as pre-fundas? O que é o sentimento sem a música que o ritma e sonoriza? O que é o amor sem o sonho do verbo? O que é o olhar sem o horizonte a ser visto? O que sou sem você para me orientar nos caminhos para o infinito? O que sou sem as letras que me literalizam, trans-literalizam? O que é o alvorecer sem os primeiros raios de luz? O que é o verso sem a poesia do amor? O que é a morte sem a vida? O que é o desejo sem o prazer de senti-lo? O que é o sibilo do vento sem o olhar para o uni-verso do som? O que é fumar sem con-templar a brasa e a cinza? O que é a razão do homem sem a sensibilidade da mulher? O que é o útero da palavra sem a concepção do verbo? O que é Ana Júlia Machado sem a sua espiritualidade que mostra ao mundo a alma da vida? O que é Graça Fontis sem a imagem da eternidade dos sentimentos e a alma dos desejos e sonhos? O que é a pintura sem a poesia? O que é a canção sem o ritmo? O que é a água sem a sede?
Abro a porta da sala de estar e con-templo a manhã que está alvorecendo, imagino-me passeando num campo de lírios e orquídeas. Deito-me na rede da varanda.


(**RIO DE JANEIRO**, 30 DE ABRIL DE 2017)


Ana Júlia Machado ESCRITORA E POETISA ESCREVE O POEMA /**O PROTELAR**/, PENSANDO NO AFORISMO /**A ARTE NÃO É APENAS PARA LOUCOS**/


O Protelar…


Ambiciono raciocinar que tudo sou idónea,
desejo velejar em uma imensidão serena ,
eleger a superior entoada.
Presentemente observo meu espírito isento,
desejo repousar plácida essa escuridão,
meditar no pináculo dos feitos.
Essa minha melíflua e antinómica existência.
Equivoca-se quem verbalizar que entender-te é um agrado
Os verbos por ocasiões alvitram felicidade no arejo,
insinuado que já não devo manifestar, não consigo conceber ,
Tão -só remanesce meditarem!
E quando desligo-me, posso adejar elevado...
no pináculo da mais elevada serrania .
o que hei a desaproveitar?
Nesse caso arruíno-me nas reentrâncias
da minha alma fragmentada,
no interminável do meu intelecto,
esbanjo-me galgando meu “eu”
e afagando minha demência.
Profiro que é preferível ser alienada
do que não avizinhar a local algum,
não habitar integralmente.
E assim caminho, assim sou usufruindo
os exíguos momentos de deleite
e aventurando protelar o que concebe-me padecer…


Ana Júlia Machado.


#ARTE NÃO É APENAS PARA LOUCOS**
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Não é a loucura que vejo e observo num quadro de Van Gogh, a sua esquizofrenia, ou a epilepsia num romance do mestre Dostoiévski - o único que me administrou as lições das máximas mínimas da contingência, ipseidade, facticidade, em termos e perspectivas o símbolo, o signo da alma humana, mas a expressão livre de um homem, o dizer espontâneo de um indivíduo, a expressão livre de seu ser – só assim numa obra de arte me re-conheço, pro-jecto-me a outras visões e consciências do que sou, de quem sou, só assim numa obra de arte sou capaz de trans-cender e ver além de minha contingência, dores e sofrimentos, alegrias e felicidades, de meu estar-no-mundo, de sonhos e esperanças da eternidade, do eterno da morte e de cinzas, só assim numa obra de arte posso sentir que a criatividade me eleva e me real-iza, transforma-me, torna-me outro na outridade de meu íntimo e de todas as suas dimensões de êxtases e prazeres, na alteridade dos recônditos e regaços dos instintos ávidos de poder e liberdade, desejos e vontades, querências outras. Além de que nem todo o louco ou epiléptico, esquizofrênico é artista, a arte não é apenas para loucos, epilépticos, esquizofrênicos, esquizóides, hipócritas e imbecis, bufões; na arte, porque na escrita qualquer um deles pode fazê-lo, os hipócritas e os imbecis são os que mais têm livros nas estantes das livrarias, os esquizofrênicos mais se ajuízam os imortais, os que mais se aproximam da verdade, embora se lembrem de que o real só exista na imaginação fértil.
Toda a real-ização, por superior, implica o estar-no-mundo, ou seja a presença de um corpo nele. Pobre bocado de carne tão perecível, tão degradado na miséria que a cada instante o corrói ou ameaça.


(**RIO DE JANEIRO**, 22 DE ABRIL DE 2017)