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segunda-feira, 24 de abril de 2017

#DOS AUSPÍCIOS DAS ALTAS MONTANHAS BANHADAS DAS ÁGUAS DO MAR# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Lutas, labutas, esforços e sonhos que neste estar-no-mundo todo homem, cidadão, indivíduo, moralmente bem intencionado, provido de imaginação, arte, deve sustentar, fundar sob a orientação do princípio bom contra as in-vestidas do mau não pode, qualquer que seja sua utopia, proporcionar-lhe maior privilégio do que libertá-lo da denominação deste último. Tornar-se livre, esse é o benefício incólume e egrégio que pode adquirir. Não fica menos exposto e sempre às in-diretas, aos ataques, aos acintes do princípio do mau e, para assegurar sua liberdade continuamente atacada, ceifada, negligenciada, subestimada, deve necessariamente permanecer armado para o confronto, embate, combate. Por conseguinte, é obrigado a entregar-se, empenhar-se, pelo menos o quanto for capaz, o que puder, para se libertar dessa situação.
Essa é a minha doutrina: quem quiser, algum dia, aprender a alçar voo, a voar, deverá, em primeira instância, saber ficar em pé e engatinhar e arrastar e caminhar e correr e subir e dançar. Não se voa à primeira como se não escreve obra de arte apenas com palavras, como se não compõe música apenas com notas.
Essa é a minha doutrina: subir nos degraus mais altos de uma escada com ágeis pernas não se realiza apenas com os pés, faz-se necessário o instinto do topo, do cume, o desejo da altura, de alcançar as nuvens; estar nos auspícios das altas montanhas, colinas, picos do conhecimento não me parece pequena felicidade, é a grande felicidade pois que interroguei, questionei, experimentei os próprios caminhos.
Essa é a minha doutrina: respeito as línguas, os estômagos irreverentes, insolentes, exigentes, que aprenderam a in-vestigar os mistérios da in-consciência, aprenderam a dizer "eu", aprenderam a des-confiar das verdades instantâneas, aprenderam a abominar as mentiras, hipocrisias e farsas.
Essa é a minha doutrina: construir o próprio espaço para dar largueza aos mais simples movimentos, gestos de seda e algodão, re-descobrir o sorriso e re-fazer o campo de pouso, um grande útero gerando sóis.
Essa é a minha doutrina: vencido pelos signos, declarar a dor, deixando re-nascer a paixão, sua própria máscara (insensível), denunciar o rosto sequioso de amor.
Essa é a minha doutrina: a flexibilidade sonora capaz de exprimir as imagens vividas; no vaivém da dança, tangenciar o corpo da Vida, co-tangenciar a carne do Ser.
Essa é a minha doutrina: não perder o rumo, imigrar, emigrar, permanecer, conhecer a liberdade, registrar em mim o espírito da cor, da luz, do som, da paisagem fundindo-se num acorde.


(**RIO DE JANEIRO**, 24 DE ABRIL DE 2017)


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