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sábado, 15 de abril de 2017

**O QUE TROPEÇA NO CÉU É UMA LUA ATÔNITA** - PINTURA: Graça Fontis/AFORISMO: Manoel Ferreira Neto


A coisa não é tão fácil como se possa imaginar, a dificuldade trans-cende todos os esforços, capacidades sensíveis e racionais, porém não é de minha índole abaixar a cabeça, entregar-me, ir catar favas no asfalto que é bem mais fácil e tranqüilo, mesmo que tudo tenha sido vão, os resultados adquiridos re-velem nitidamente ingenuidades e fantasias, até mesmo tolice desvairada, quem não admite o óbvio é que algumas cartas extras e escusas pretende jogar sobre a mesa. As leis naturais do imutável regem toda a história humana, regem as linguagens do dito e do inter-dito. No memorial registro do ser há descobertas em cada era e tempo, em cada passo e traço das marcas de frustração e impotência, das cicatrizes da saudade e melancolia, das feridas abertas das querências e das ilusões do ser no não-ser das quimeras e fantasias. Na tela iluminada de arco-íris, o magnífico retrato das diferenças, novidades e inéditos, ostenta no brilho toda a imagem, desde as perspectivas aos ângulos, no belo encarnado de poesia, no feio des-encarnado de senso e contra-senso.
Seria que ou não seria que fora da terra, longe dos olhos, perto do coração, o que zanza no céu é uma lua tonta com tantas lembranças dobrando esquinas, “no fundo azul na noite da floresta/a lua iluminou a dança, a roda, a festa...”, recordações contornando curvas, entornando soluços nas encruzilhadas. Fora da terra, ausente de mim, o que tropeça no céu é uma lua atônita com íntimos passos em volta da pracinha de fonte luminosa e moças-memórias na poça dos olhos. Fora da terra, explodindo em mim, o que desmorona no céu é uma lua em pane cavando meu peito com seus clarões.


(**RIO DE JANEIRO**, 14 DE ABRIL DE 2017)🏹


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