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sábado, 22 de abril de 2017

#DA CON-TINGÊNCIA E DA MORTE# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Há um equilíbrio difícil a estabelecer entre a extensão de nós para quando já não há “nós”, "eu" e "outro", nem solipsismos, e desse “quando”, síntese do tempo e das sorrelfas do "ser", do vento e dos sibilos dos abismos da "verdade", para o instante em que nos pro-jectamos. É nessa corda tensa, batida de uma luz cega, surrada de uma sombra luminosa, que uma vida perfei-{c}-ta se pode equilibrar.
Inabitável esse meu lugar de origem, essa rarefação de mim, ar condicionado de nada e vazio do "me", é aí que se anuncia ou se gera quanto interminável problema que interminavelmente resolvo, quanta verdade última deles, face primeira, iluminado início, fulgor primordial. Eis pois que, nessa dimensão absoluta, me é possível aflorar a eternidade para lá do tempo, a pura memória para lá da recordação e até da evocação, a liberdade inteira para lá do que me determina, o sagrado para lá da religião, puro para além da ciência, a necessidade de estar vivo para lá da contingência e da morte.
Só então pois entenderei que a imortalidade se me levante como exigência inexorável e que o Mundo se erga enfim como a final justificação de tudo isso.


(**RIO DE JANEIRO**, 22 DE ABRIL DE 2017)


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