Total de visualizações de página

domingo, 23 de abril de 2017

#O COSTUME É O TEMPERAMENTO DOS PATETAS# (Ana Júlia Machado) - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Se em algumas almas, singularmente dotadas e de percepção sensível, visão de lince sobre as coisas do mundo, sobre o eterno, sobre a plen-itude, se levanta a doce suspeita de sua composição múltipla, e, como ocorre aos gênios, ah, gênios!..., rompem a ilusão da unidade personalística e percebem que o ser se compõe de uma pluralidade de seres como um feixe de eus, e chegam a exprimir essa idéia, então imediatamente a maioria se prende, chama a ciência em seu auxílio, ciência que a tudo responde com excelência, aquela "excelência" tão peculiar aos portugueses, um conhecimento primoroso, diagnostica esquizofrenia e protege a Humanidade que não ouça um grito de verdade dos lábios desses infelizes, proscritos.
Para que perder aqui palavras, são tão difíceis, encontrá-las viçosas e banhadas de orvalho, quê parafernália da mente, por que expressar coisas que todos aqueles que pensam conhecem por si mesmos, quando sua simples enunciação é uma nota de mau gosto, uma voz desafinada? Assim, se um homem se aventura a converter numa dualidade a pretendida unidade do eu, se não é um gênio, é em todo caso uma rara e interessante exceção. Na realidade, não há nenhum eu, nem mesmo no mais simples, não há uma unidade, mas um mundo plural, um pequeno firmamento, um caos de formas, de matizes, de situações, de heranças e possibilidades. Cada indivíduo isolado vive sujeito a considerar esse caos como uma unidade e fala de seu eu como se fora um ente simples, bem formado, claramente definido.
Nada mais mágico e esplendoroso que, ao abrir os olhos no alvorecer, espreguiçar, depois de brincar com o cônjuge a noite inteira, noite de prazer e êxtases os mais sublimes, mergulhar nas pre-fundas da alma, acenar o bom dia, dizendo: "Eis-me aqui, seus presunçosos... Vou mais uma vez arrasar com todas as gerações de ascendentes e descendentes de vocês. Pernósticos... Então, é a união de todos vocês que fazem o eu? Para cima de "moi" não, Girulika!" Ouvir-lhes o guincho das risadinhas, ver-lhes os olhares de esguelha, aquele arzinho de "Acordou com a macaca hoje..." Virar-lhes as costas, cuidar dos interesses prioritários, à noite fumar um cachimbo e olhar para um ponto fixo no céu coberto de estrelas, procurar o nome escrito numa delas, sentir-se orgulhoso por estar escrito para sempre. Tudo são cretinices de por baixo das estrelas, um feixe de quimeras e ilusões.
Acordar com a macaca e dormir com os jegues na coxia. O que há de irônico, sarcástico, cínico nisto? Eis a condição da vida de um indivíduo isolado na sua mais suprema expressão!


(**RIO DE JANEIRO**, 24 DE ABRIL DE 2017)


Ana Júlia Machado POETISA E ESCRITORA PORTUGUESA COMENTA O AFORISMO /**OMNISABEDORIA DA ARTE E VERBO**/



A este seu belo texto respondo assim........

A poesia exibe muitas coincidências
E se eventualmente, você descobrir-se
em determinadas realidades dessas inspirações,
e se identificar como figura fulcral de tais versos,
ou mesmo, se você consentir mágoa,
tortura, sensação, nostalgias...
Se ensaiar a alma latejar,o espírito vibrar,
o espírito flutuar,
ou conjecturar uma anamnesia súbita
de um instante que você residiu,
de alguém que você não olvidou,..
Não se apavore.
Você tão-somente encontra-se sendo atingido
Pelo indescritível deslumbramento
do domínio dos verbos
inseridos no poema…


Ana Júlia Machado


#OMNISABEDORIA DA ARTE E VERBO#
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Silêncio... Num ritmo de fascínio, pulsam corações no ossuário da terra, apaixonados com o brilho das estrelas, lua, lua crua, sempre lua nua, sagrada hóstia de querubins e serafins emanados pelo in-efável trans-cender da contingência e forma.
O coração da Arte oferece o peito à vida. A vida da Arte entrega o peito ao pulsar do coração. A alma da Arte empresta a carne ao belo. O espírito do sonho da Arte doa o desejo à esperança do Ser. Ser sendo ao sabor do silêncio sereniza as sombras re-fletidas aos raios do sol.
Se hoje é a inspiração do belo que reduz o horizonte de límpidos raios do Ser, a vida metaforiza, literaliza o momento de divin-itudes.
Se hoje é a verdade do amor paixão que seduz o celeste de nítidos nulos do absoluto, prazeres, alegrias entrelaçam-se nas rodas-vivas de sabedorias e sapiências, catavento de gnoses, atingindo o supremo.
Silêncio..., essência-eidos do espírito sereno e suave que vislumbra, visualiza o inconsciente de sinagogas à luz brilhante de genesis dedilhada nas cordas do violino, recitando o cântico dos cânticos, poetizando o amor paulino.
Se hoje é o templo imperfeito de mim que recebe a iluminação do verbo e fonte de águas, o abismo que anuncia o perene alvorece na soleira da montanha, amanhece no limite dos pampas, desperta no limiar do sertão e sou o absoluto do nada à luz de todos os sonhos, esperanças que em mim trago dentro.
Se hoje é a inspiração do amor paixão, alimento nos interstícios de minh´alma, da seiva da estética dos desejos, vontades, e plenifico a querência da omnisabedoria nos braços abertos da volúpia lúdica do ser verbo.


(**RIO DE JANEIRO**, 23 DE ABRIL DE 2017)🏜️


Ana Júlia Machado ESCRITORA E POETISA PORTUGUESA COMENTA O AFORISMO /**ARTE NÃO É APENAS PARA LOUCOS**/


A arte instruí-se na quietude, o temperamento no alvoroço da existência.
O costume é o temperamento dos patetas. E COMO NÃO gosto do trivial, inventar com verdade…criar…poetar…essa é a minha vida…pode ter custos elevados…mas sem riscos ninguém vaia aldo alguém….aos eruditos…poetas, no fundo às pessoas das arte, existe o hábito de apelidarem como loucos…sendo assim quero ser louca…não vivo do que os outros dizem…uma louca saudável…que arrisca e tenta viver….
Amigo e grande escritor Manoel adorei seu texto…somos loucos, óptimo. Mas felizmente, não corruptos, como os copinhos de leite que não sabem o que é a vida…e portanto são os grandes parasitas da nossa sociedade….os verdadeiros alienados enfermos. Se é loucura que se vê na arte de um grande pintor como Van gogh...que seja...pois eu só vejo ensinamentos e beleza...se tinha problemas...é natural...como qualquer ser humano. Magnifico texto e grande lição.


Ana Júlia Machado


#ARTE NÃO É APENAS PARA LOUCOS**
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Não é a loucura que vejo e observo num quadro de Van Gogh, a sua esquizofrenia, ou a epilepsia num romance do mestre Dostoiévski - o único que me administrou as lições das máximas mínimas da contingência, ipseidade, facticidade, em termos e perspectivas o símbolo, o signo da alma humana, mas a expressão livre de um homem, o dizer espontâneo de um indivíduo, a expressão livre de seu ser – só assim numa obra de arte me re-conheço, pro-jecto-me a outras visões e consciências do que sou, de quem sou, só assim numa obra de arte sou capaz de trans-cender e ver além de minha contingência, dores e sofrimentos, alegrias e felicidades, de meu estar-no-mundo, de sonhos e esperanças da eternidade, do eterno da morte e de cinzas, só assim numa obra de arte posso sentir que a criatividade me eleva e me real-iza, transforma-me, torna-me outro na outridade de meu íntimo e de todas as suas dimensões de êxtases e prazeres, na alteridade dos recônditos e regaços dos instintos ávidos de poder e liberdade, desejos e vontades, querências outras. Além de que nem todo o louco ou epiléptico, esquizofrênico é artista, a arte não é apenas para loucos, epilépticos, esquizofrênicos, esquizóides, hipócritas e imbecis, bufões; na arte, porque na escrita qualquer um deles pode fazê-lo, os hipócritas e os imbecis são os que mais têm livros nas estantes das livrarias, os esquizofrênicos mais se ajuízam os imortais, os que mais se aproximam da verdade, embora se lembrem de que o real só exista na imaginação fértil.
Toda a real-ização, por superior, implica o estar-no-mundo, ou seja a presença de um corpo nele. Pobre bocado de carne tão perecível, tão degradado na miséria que a cada instante o corrói ou ameaça.


(**RIO DE JANEIRO**, 22 DE ABRIL DE 2017)


#Ana Júlia Machado ESCRITORA E POETISA PORTUGUESA COMENTA O AFORISMO /**IMAGEM DOS RE-CÔNDITOS DA IN-CONSCIÊNCIA#


Orifícios que se atingem
Físicos que se requestam
Assinalando a cadência de um tango
Numa alienação plenamente arrebatadora
Compartindo o mesmo lugar
Melodia vertiginosa
O briol coopera
Ateando anelos
Sigilos obscenos
Na meia-luz do recinto
Sob a luminosidade de círios
Quimeras de Chama
Briol colorido para saudar
No anelo da Aliciação
A rendição concebe-se
Genuíno enlevo, Cicios e vagidos
No pico do prazer em perfeita amalgamação...
Detonação de vividos em completo desabrochamento
Vive na pinga realidade que não consigo aclarar,
mas que o causa desigual
de qualquer distinta pinga.
É um mesclado de pigmentação, gustação,
Excentricidade, sentimentalismo e lascívia
e luxúria...
A evocada poção das Divindades...Nada mais sublime que a eventualidade de mágoas, padecimentos delineando-se no ádito reflexo dos anseios perfeitos.....Belíssimo escrito como sempre...a paixão querença....Ninharia mais entusiasta que a Graça gentileza- bem-querer. Nada mais resplandecente que o brilho da alma
- eloquência do ser…..


Ana Júlia Machado


#IMAGEM DOS RE-CÔNDITOS DA IN-CONSCIÊNCIA#
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira: AFORISMO


Simples gesto de carinho, ternura vers-"eid"-ejando o espírito do delírio da querença da compl-etude, experienciado no volo do clímax completar a sensibilidade de esperança do ser-para a felicidade, linguística do olhar o interior re-colhido de só alegrias, vers-"re"-citando a alma do devaneio da des-ejância da plen-essência, vivenciada na volúpia do sêmen pre-encher a subjetividade de fé do ser-com a alegria, semântica da retina re-colher a imagem do re-côndito da inconsciência de só etéreos sorrisos.
A carne vers-eja o corpo de versos e estrofes, inter-ditando o espírito de fonemas do mistério lúdico, entre-linhavando o verbo do ser de vernáculos eruditos do enigma místico.
Sublime... Antes de quaisquer sublimes que precedem os volos do eidos-essência do espírito leve do ser, a luz brilhante de piscas-piscas vagalumiéticas das volúpias trans-pirando as loucuras do sendo não-ser des-iluminando o brilho da luz e pré-iluminando a cintilância do des-eterno, do des-etéreo, nobre imortalidade do espírito e da alma.
Nada mais sonhador que meu coração. Sonha amar, a verdade amor que lhe habita, entregar e receber sentimentos, emoções,
correspondência sensível, reciprocidades do espírito. Nada mais re-verso que meus pensamentos, pensam pensar o conhecimento das intempéries, pensam pensar a consciência da gnose, pensam pensar o cogito dos verbos e da sabedoria.
Amar é sensível, amor é sensibilizar a sensibilidade, viver o abraço terno, carinhoso, afetuoso. Amor não é sentir o desejo, a vontade da entrega, amor é a entrega, e o meu coração é entrega, está se entregando às volúpias e êxtases de meu ser,
sinto-o, não o verbalizo, não o analiso. Sinto-o em mim, sinto-o presente no mais profundo de meu íntimo. O peito arfa convulsivamente, idéias e pensamentos neste instante são puros sonhos, esperanças, aquele sonho da felicidade, felicidade de sentir a verdade mais pura de minha alma, aquela esperança de comunhão, aderência ao ser amado, o verso-uno, sermos um só ser em nós.
Nada mais intenso que o amor paixão. Nada mais inspirador que a graça-amor. Nada mais esplendente que a cintilância do espírito
- verbo-de-ser.
Nada mais revelador que a dimensão do divino, iluminando o baldio das sinagogas do eterno. Nada mais po-ético que o sentimento da cáritas vers-ificando de sensibilidade o in-finito do Ser. Nada mais sublime que o espírito da po-iésis concebendo de orvalhos a verdade da entrega. Nada mais perfeito que a imperfeição contingente da felicidade delineando de cores vivas as buscas do paráclito de prazeres, êxtases, volúpias, estesias.
Nada mais estético que o amor à verdade do verbo uno e Verso que se projetam no outro de carências e solidão. Nada mais trans-cendente que a contingência de dores, sofrimentos projetando-se no limiar espelho dos desejos absolutos.


(**RIO DE JANEIRO**, 23 DE ABRIL DE 2017)🏆


#IMAGEM DOS RE-CÔNDITOS DA IN-CONSCIÊNCIA# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira: AFORISMO


Simples gesto de carinho, ternura vers-"eid"-ejando o espírito do delírio da querença da compl-etude, experienciado no volo do clímax completar a sensibilidade de esperança do ser-para a felicidade, linguística do olhar o interior re-colhido de só alegrias, vers-"re"-citando a alma do devaneio da des-ejância da plen-essência, vivenciada na volúpia do sêmen pre-encher a subjetividade de fé do ser-com a alegria, semântica da retina re-colher a imagem do re-côndito da inconsciência de só etéreos sorrisos.
A carne vers-eja o corpo de versos e estrofes, inter-ditando o espírito de fonemas do mistério lúdico, entre-linhavando o verbo do ser de vernáculos eruditos do enigma místico.
Sublime... Antes de quaisquer sublimes que precedem os volos do eidos-essência do espírito leve do ser, a luz brilhante de piscas-piscas vagalumiéticas das volúpias trans-pirando as loucuras do sendo não-ser des-iluminando o brilho da luz e pré-iluminando a cintilância do des-eterno, do des-etéreo, nobre imortalidade do espírito e da alma.
Nada mais sonhador que meu coração. Sonha amar, a verdade amor que lhe habita, entregar e receber sentimentos, emoções,
correspondência sensível, reciprocidades do espírito. Nada mais re-verso que meus pensamentos, pensam pensar o conhecimento das intempéries, pensam pensar a consciência da gnose, pensam pensar o cogito dos verbos e da sabedoria.
Amar é sensível, amor é sensibilizar a sensibilidade, viver o abraço terno, carinhoso, afetuoso. Amor não é sentir o desejo, a vontade da entrega, amor é a entrega, e o meu coração é entrega, está se entregando às volúpias e êxtases de meu ser,
sinto-o, não o verbalizo, não o analiso. Sinto-o em mim, sinto-o presente no mais profundo de meu íntimo. O peito arfa convulsivamente, idéias e pensamentos neste instante são puros sonhos, esperanças, aquele sonho da felicidade, felicidade de sentir a verdade mais pura de minha alma, aquela esperança de comunhão, aderência ao ser amado, o verso-uno, sermos um só ser em nós.
Nada mais intenso que o amor paixão. Nada mais inspirador que a graça-amor. Nada mais esplendente que a cintilância do espírito
- verbo-de-ser.
Nada mais revelador que a dimensão do divino, iluminando o baldio das sinagogas do eterno. Nada mais po-ético que o sentimento da cáritas vers-ificando de sensibilidade o in-finito do Ser. Nada mais sublime que o espírito da po-iésis concebendo de orvalhos a verdade da entrega. Nada mais perfeito que a imperfeição contingente da felicidade delineando de cores vivas as buscas do paráclito de prazeres, êxtases, volúpias, estesias.
Nada mais estético que o amor à verdade do verbo uno e Verso que se projetam no outro de carências e solidão. Nada mais trans-cendente que a contingência de dores, sofrimentos projetando-se no limiar espelho dos desejos absolutos.


(**RIO DE JANEIRO**, 23 DE ABRIL DE 2017)🏆


#OMNISABEDORIA DA ARTE E VERBO# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Silêncio... Num ritmo de fascínio, pulsam corações no ossuário da terra, apaixonados com o brilho das estrelas, lua, lua crua, sempre lua nua, sagrada hóstia de querubins e serafins emanados pelo in-efável trans-cender da contingência e forma.
O coração da Arte oferece o peito à vida. A vida da Arte entrega o peito ao pulsar do coração. A alma da Arte empresta a carne ao belo. O espírito do sonho da Arte doa o desejo à esperança do Ser. Ser sendo ao sabor do silêncio sereniza as sombras re-fletidas aos raios do sol.
Se hoje é a inspiração do belo que reduz o horizonte de límpidos raios do Ser, a vida metaforiza, literaliza o momento de divin-itudes.
Se hoje é a verdade do amor paixão que seduz o celeste de nítidos nulos do absoluto, prazeres, alegrias entrelaçam-se nas rodas-vivas de sabedorias e sapiências, catavento de gnoses, atingindo o supremo.
Silêncio..., essência-eidos do espírito sereno e suave que vislumbra, visualiza o inconsciente de sinagogas à luz brilhante de genesis dedilhada nas cordas do violino, recitando o cântico dos cânticos, poetizando o amor paulino.
Se hoje é o templo imperfeito de mim que recebe a iluminação do verbo e fonte de águas, o abismo que anuncia o perene alvorece na soleira da montanha, amanhece no limite dos pampas, desperta no limiar do sertão e sou o absoluto do nada à luz de todos os sonhos, esperanças que em mim trago dentro.
Se hoje é a inspiração do amor paixão, alimento nos interstícios de minh´alma, da seiva da estética dos desejos, vontades, e plenifico a querência da omnisabedoria nos braços abertos da volúpia lúdica do ser verbo.


(**RIO DE JANEIRO**, 23 DE ABRIL DE 2017)


sábado, 22 de abril de 2017

#POETISA E ARTISTA-PLÁSTICA Graça Fontis COMENTA O AFORISMO /**ARTE NÃO É APENAS PARA LOUCOS**/


Esplêndido, amado Escritor!... vemos aqui a perfeição com que delineou a intensidade das emoções no momento da criação tornando os artistas por vezes no limiar da insanidade e dessa aparente loucura surgem belíssimas obras a tornarem-se imortalizadas para o deleite das futuras gerações e referências a novos loucos artistas! Parabéns sempre.


Graça Fontis


#ARTE NÃO É APENAS PARA LOUCOS**
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Não é a loucura que vejo e observo num quadro de Van Gogh, a sua esquizofrenia, ou a epilepsia num romance do mestre Dostoiévski - o único que me administrou as lições das máximas mínimas da contingência, ipseidade, facticidade, em termos e perspectivas o símbolo, o signo da alma humana, mas a expressão livre de um homem, o dizer espontâneo de um indivíduo, a expressão livre de seu ser – só assim numa obra de arte me re-conheço, pro-jecto-me a outras visões e consciências do que sou, de quem sou, só assim numa obra de arte sou capaz de trans-cender e ver além de minha contingência, dores e sofrimentos, alegrias e felicidades, de meu estar-no-mundo, de sonhos e esperanças da eternidade, do eterno da morte e de cinzas, só assim numa obra de arte posso sentir que a criatividade me eleva e me real-iza, transforma-me, torna-me outro na outridade de meu íntimo e de todas as suas dimensões de êxtases e prazeres, na alteridade dos recônditos e regaços dos instintos ávidos de poder e liberdade, desejos e vontades, querências outras. Além de que nem todo o louco ou epiléptico, esquizofrênico é artista, a arte não é apenas para loucos, epilépticos, esquizofrênicos, esquizóides, hipócritas e imbecis, bufões; na arte, porque na escrita qualquer um deles pode fazê-lo, os hipócritas e os imbecis são os que mais têm livros nas estantes das livrarias, os esquizofrênicos mais se ajuízam os imortais, os que mais se aproximam da verdade, embora se lembrem de que o real só exista na imaginação fértil.
Toda a real-ização, por superior, implica o estar-no-mundo, ou seja a presença de um corpo nele. Pobre bocado de carne tão perecível, tão degradado na miséria que a cada instante o corrói ou ameaça.


(**RIO DE JANEIRO**, 22 DE ABRIL DE 2017)🕵️