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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

#AFORISMO 391/VEREDAS DE CHAMA E INTELECÇÃO# - PINTURA: GRAÇA FONTIS/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Transo a agreste açuda de verificação, laborando aqui e ali, cobiçando o que aprazivelmente me reside; enfim, quem não se acha a si defronte de homem dividido em dois que intenta unir as duas sémis, da sorte ao cálido de malícia, ao agre maldizente caminham as concepções de acepções, vis-à-vis, entendimentos acerca do futuro?


Isto sem interceder na construção, representações, pensamentos, quimeras, a partir de escutá-las falarem as realidades, ascultá-las pulsando as con-tingências, e vede o fundamento de, enquanto concebo, escutar melodias sei espertam sensibilidades e sensações penetrantes, mesmo não os divisando, a hegemonia da intelecção intervém.


Abalo rápido pelos locais de passagens e confortáveis de veredas de chama e intelecção, anelos e intenções, excessivamente enorme sob o mirar dos homens, indivíduos, cidadãos, isto é, sob o examinar do distinto.


O livro, alegação e comparsa de anseios e devaneios, - que sabe ele do que será, ele que não sabe o que é? Ser o que pensa? Ser o que fora inspirado a ser, projectado a ser? Pode ser tanta coisa - seria o confrade de todos os instantes. A prática da aliciação, atualmente, está em decurso: relaciona-se de erudição se subsiste uma apenas postura neste universo adulterado de que consiga falar serenamente: fui eu que o fiz.


Admito as atuações, incumbência, ambição de independência e escrúpulo? Mas não se converterão distintos ao concretizarem-se? Não existirá distintos que os procedam em minha vez? Outros que me são mais prediletos do que eu e que se nutrirão de minha seiva. Experimentar-me-ia legitimado se ao menos mourejasse genuíno, inédito, não carregasse exclusiva situação além da probidade.


Esse forasteiro, na consciência, sentenciou a conduta, rotinas, princípios, escuta os berros do bando que lhe reside, agrilhoas e cadeia de argolas aguilhoam nas ossadas. Não prevejo outro jeito de atuação, por quem sentenceia a presteza e contesta pronunciando somente me responsabilizar mais e mais – magnífico, não se pretende outro facto salvo cerrar as entradas, as chaves arrumo-as em mão - salvo presentear as costas, escanganhava as apreciações em cantos, tascas, sacrários. Competem-lhe o panegírico de suas conveniências e idealismo, a crítica aos distintos.


O arco da velha acaba sendo incapaz de explicar condutas e atitudes do homem. Termina por ser ridículo, imbecil, objeto de chacota. O arco da velha que significa o absurdo perde a hegemonia da absurdidade diante de alguns homens, ultrapassam todos os limites do absurdo.


Imaginação fértil... Quê esplendor! De se lhe tirar o chapéu, com aquela pompa de reverência! Grandes obras podem ser feitas com ela, obras que servem à humanidade por sempre, realizam a pessoa em todos os níveis.


(**RIO DE JANEIRO**, 17 DE NOVEMBRO DE 2017)


#AFORISMO 390/ AMANHÃ SOU EU NO SER-DE MIM HOJE# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Ideia de eternidade,
Vivida no Hoje.
Ec-sistida no Hoje.
Con-templada no Hoje.
Viver o "hoje" é eternizar-se.


Todos os Amanhãs são o Hoje
Que se sente, que se vive...
Que se utopiza, que se sonha,
Que se pro-jeta, que se lança...
Que se artificia, que se aforisma...
Tudo é a-temporal,
No afluir-a-ser a-temporal,
No vir-a-ser a-temporal:
“Contemplando as cintilâncias estrelares...”


O Amanhã
É o estado d´alma do Hoje, do agora...


O futuro nele existe nos instantes do Hoje;
Traz o Amanhã para a alma enternecida,
Traz o Amanhã para a sensibilidade
Carente do Outro,
Dialogando com o Silêncio,
Discorrendo sobre o Silêncio
Entabulando dedos de prosa sobre a Solidão
Que vagueia no Tempo:
O Tempo é Silêncio que permeia o Ser.


A alma em mergulho metafísico,
A-colhendo e re-colhendo seus silêncios no infinito,
No uni-verso, no horizonte, atrás das constelações,
Construindo imagens e depurando sentimentos, emoções
Delineando desejâncias, burilando sorrelfas,
Trabalhando quimeras e fantasias,
Num indo e vindo na criação da obra literária,
Num vice-versa do sonho da poesia,
Num vis-à-vis da utopia do aforismo,
Num vis-à-vis da esperança do ser-poético,
Do eu-poético.


Absoluto estado de con-templação,
Soluta-ab fase de vislumbração
Das paisagens silvestres...
Dos panoramas espaciais...
Essa contemplação trans-cende as águas límpidas do rio,
Trans-cende a luz,
Remetendo o eu poético a um estado divino,
A um estado de êxtase trans-cendente
A partir dessa possibilidade
De co-existência entre o Ser e o Belo.


Num átimo de instante a revelação:
O Ser e o Belo são um só e existem
Desde o aquém ao além,
Desde a eternidade à eternidade...
O silêncio mora na eternidade das paisagens -
justamente aqui nasce a imensurável
contribuição da Pintura ao uni-verso literário, poético -;
As imagens, paisagens inspiram para o Além do Arco-Iris.


Entre contemplação e silêncio,
O Ser e o Belo dialogam sobre suas existências:
O Belo existe para enternecer o Ser que,
Por sua vez,
Admirando-o, transforma-se Nele (Belo).


Tudo, no agora, está, divinamente,
Maravilhoso,
Porque está maravilhado!
“Do silêncio aos linces da visão trans-lúdica,
Trans-lud-ente da etern-idade no verbo das in-fin-iríases...”


A construção vai evoluindo
Porque a alma sobe aos Céus,
Con-templando o Cosmos, num Silêncio divinizado.
Puro Êxtase!
Puro Clímax!
Puro Gozo!


O lirismo trans-pira no agora,
Tal como o faria no Amanhã...
Tudo é o presente em movimento,
Gerundiando os Amanhãs à Eternidade do Hoje:
“Amanhã sou eu no ser-de mim hoje”


(**RIO DE JANEIRO**, 17 DE NOVEMBRO DE 2017)


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

#AFORISMO 389/VERBO E SILÊNCIO... VERSO-UNO DO SER# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Por onde anda o nada?
Era-me a luz que iluminava as trevas; era-me a vela que sarapalhava as chamas no vazio da noite, olhando-as sentia-me aberto às con-tingências do mundo? Re-encontrá-lo fez-se mister mudar de rumo, itinerário. Re-encontrá-lo fez-se sine qua non rasgar sentimentos e emoções, jogá-los ao léu quais confetes, e com grande amor e alegria re-fi-lo nuncamente com tanta originalidade, autenticamente, sou-lhe, é-me ele.


- Duas águias voaram por longos anos lado a lado. Certo dia, uma delas seguiu em direção a outros in-finitos.
- Mas isto é tão simples assim?
- Não podia ser mais simples que isso. O nada é para ser e--xis-tido com volúpias. O vazio é para ser vivido com êxtases.
- E é só?
- Solamente!...


Verbo e silêncio... Verso-Uno do Ser...


Re-versos atrás de éritas pectivas retros de imagens res-plandecendo na superfície lisa do espelho, inda que ínfimas e minúsculas, nos átimos do tempo, pre-nunciando mistérios do além, aqueles tais de in-consc-ientes que velam medos e tremeliques do há-de ser, des-velam fugas e outras condutas de má-fé, perambular pelos baldios dos becos, sob a cintilância das estrelas, brilho da lua - que romantismo sem precedentes! -, cantando "não estou com sono/não há para onde ir..." tempos de outrora: restaurante vazio, mesa na calçada, gim com limão e gelo, solidão, nem viv´alma na avenida: que fim levaram todas aquelas idéias, ideais? -, madrugada não custa a passar, o orvalho continua a cobrir as flores do jardim, o alvorecer será apenas um fenômeno da natureza, morrer ou viver não é a questão, a questão é deslizar no vazio, nada se há-de re-colher, nada se há-de a-colher, nalgum canto aquém de alhures o epitáfio escrito com as gotículas de garoa do tempo nos devaneios de paulicéias do verbo e do nada, que os in-fin-itivos de arriba olvidaram as fin-itudes em uníssono recitando os pleonasmos, vícios do eterno, os cacófatos do ab-soluto...


Vernáculo de solidão nad-ificado de éritos resquícios das melancolias do in-fin-itivo querendo as sorrelfas do genesis deixadas ao léu nas bordas das im-perfeições perfeitas das perfect-itudes, das nostalgias do gerúndio, desejando com excelência da sensibilidade e do espírito, nas margens invisíveis dos horizontes de perfeitas im-perfeições das nad-itudes em cujas fáceis visíveis do in-visível alumia o semblante do abismo abismático de abissais sensações, a continuidade que se faz continuamente, a morte é a última esperança, saudades do particípio naquela fissura mais que compulsiva do apocalipse do Tudo, do Eterno, do Ab-soluto, projetadas, melhor ainda, jogadas a esmo qual confetes na soleira das pectivas intro que re-nunciam, nunciam desde o caos no instante do ser cosmos, a mostragem na moldura dos núncios do vir-a-ser em nome, sobrenome, nome completo do "Eu", silêncio e infra-silêncio nada mais são que sombras da linguagem, penumbras do estilo, brumas do dis-curso.


No crepúsculo do nada, sempre as cintilâncias da luz que, re-versas e in-versas de ad-versas vers-itudes, redimensionam as iríases do verbo e ritmam melodicamente as éresis da con-ting-ência da etern-idade, das etern-itudes e, por além dos tempos e ventos, aquela balalaika dos ventos soprando os tempos para adiante, os tempos movendo os ventos para trás, alfim os tempos requerem liberdade para jornadearem ao longo dos interstícios do nada oculto de poeiras da estrada, do nada à luz do rio cristalino de per-curso, de-curso, sem fonte, sem margem, entregue livre às forclusions e furtividades das sendas e veredas à mercê dos passos a passos em direção à vida do viver, à existência do existir...


Nada é luz do silêncio. Nada é luz do infra-silêncio. Nada é luz da verdade, também das in-verdades.


(**RIO DE JANEIRO**, 16 DE NOVEMBRO DE 2017)


Sonia Gonçalves CRÍTICA LITERÁRIA ESCRITORA E POETISA COMENTA E INTERPRETA O AFORISMO 382 /**CARTA AO VULGO: PONTEIO DA PARTIDA#


Bem, Manu dizer o que? Parece que a bruxa anda solta rsrsr Publiquei algo semelhante no pensamento é claro, justamente dizendo isso, a literatura é aberta e grátis, leia quem o quiser e dê a interpretação que quiser também... Mas não pense que críticas sejam capaz de podar a literatura, demover alguém do seu estilo pessoal e jeito de postar suas inspirações, porque não é! Quem assim o pensa está desperdiçando seu latim e saliva porque não é.porque uma pessoa expressa opinião desfavorável que vai conseguir fazer a gente mudar toda uma estrutura, uma tendência literal. Ora veja se meus textos que nem são eruditos quais os teus causam tais "achismos" imagine os teus, que são providos de um vocabulário riquíssimo e diferente.Está no sangue enraizado. Não adianta lutar contra Manu, não sabia era por isso estava afastado, contudo todo poeta, médico, escritor ou pintor etc...têm certa dúvida em determinado momento. Eu concordo contigo quase no total... Acho que sua literatura é difícil sim, mas não impossível traduzir. Acho que depende muito da vontade, mas também da disponibilidade de tempo para ler, pois é preciso concentração, seus textos são os chamados textão e o valor do palavreado que faz uso é de infinda inspiração.. Não devemos usar palavras apenas corriqueiras por ser popular e de auto entendimento... Quem quer vender um poema? Um poema não se vende, se tece com fios de seda e depois de rendado fica lá no varal balançando ás lufadas, até que alguma boa fada lance a magia e espalhe esta poesia pelo mundo... Não se prenda a isso. A Música clássica nem todos apreciam e ela é de fácil entendimento, e valorizada justamente por ser para poucos...o problema é que têm coisas que não é para todo mundo mesmo, e pronto... Cada um gosta porque gosta, ouve ou lê porque quer, e pronto.Quanto aos comentários idem, não me prendo também a isso, mesmo porque alguns nem escreve nada, você sabe, mas são carismáticos amigos e tal... Vamos deixar isso no passado e seguir adiante, que atrás vem gente, comemoração do blog, natal, ano novo e por aí vai... Bjos pra você, pra Graça, e para Ana Julia que meu face não quer marcar o nome, ele está de birra comigo , parabéns pra Julinha que escreveu a linda crítica...Até Manu...


Sonia Gonçalves


En passant, Sonia Gonçalves: Só a verdadeira Arte eterniza-se. Sigo eternizando a minha Arte das Letras. Muchas gracias, Soninha Son, pelas críticas sempre de excelência, por seu incentivo, por sua amizade.
Beijos, nossa querida!


#AFORISMO 382/


CARTA AO VULGO: PONTEIO DA PARTIDA#
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Epígrafe:


"Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer" (Geraldo Vandré)


Quem me dera agora houvesse já partido para as terras do bem-virá e não compondo a nota derradeira desta carta ao vulgo!!!


Amanhã será outro dia...
Pontear derradeiras letras inter-virtuais no ápode deste instante-limite, no calor do ato criativo que perscruta noutras ad-jacências da con-tingência outros sons que possam compor a lírica do que me fez cantador. Ponteei de vernáculos as letras de sentimentos do sublime, por vezes sublimes e puros, por vezes obtusos e ambíguos, esgotei-lhes a fonte, na tentativa agonizante de os meus "ii" serem pingados de excelência, longe dos "ii", sem mesmo a imaginação dos pingos, que são características deste vulgo presente, é preciso partir para atingir, alcançar outras orlas do mar de aspirações, outras sendas do vale, não planto em tempo que é de queimada, não semeio sementes em lotes vagos, terrenos baldios, não componho sons no vácuo... Pontear ainda algumas letras com os seus devidos acentos ortográficos, para serem bem pronunciadas, emitindo-lhes a música do inter-dito, enquanto reúno as que foram ponteadas, colocando-as na mala, noutras ad-jacências virão outros vernáculos, outros sons, outras letras.
Amanhã será outro dia...
Pontear de baldios do absoluto, no frontispício da página de dimensões do vir-a-ser, outras pers, retros de pectivas do silêncio que concebe o som místico do in-audito que pre-nuncia, a-nuncia constelações que a-lumiam as soleiras de cavernas e grutas, inspirando a sentir o que lhes habita o interior.


Amanhã será outro dia...
De ponta cabeça o efêmero sacia sua sede paráclita do destino que, de travessias em travessias, inscreve nas tábuas de veredas do perene as á-gonias da liberdade, sursis da alma-com as sinas badalando no domus de sinos das igrejas heréticas, proscritas, templos demoníacos, marginais, que, de nonadas em nonadas, do verbo de morrer a vida da morte, epitafia os mistérios místicos, míticos, legendários, lendários das sendas do inolvidável lúdico e sensual sibilo da efemeridade que suprassume a poética do espaço através e por inter-médio da estesia das brás-cubianas memórias das páginas fenecidas de linhas e margens, o aquém da trans-cendência nutrindo e alimentando o além-nada das nadificações do ser, estratificações do não-ser, sub-stratos do verbo, in-stratos dos verbos à luz pálida do crepúsculo de ocasos, o nada é miríade da vida, a miríade do nada são os espectros-luz que são as palavras à sensibilidade do não-ser atrás dos ossos que, destrinçados, mostrarão a carne do tempo, tempo do filet mignon que só reconhece o gosto quem no paladar sonha sentir o prazer da vida.


Aleluia... Tese...
Pontear de estrofes da verdade, no atrás do convexo do espelho, a imagem do efêmero sed-uzindo a carência da etern-itude com o veneno paradisíaco da árvore dos prazeres as miríades do tempo de esperanças do volo eidos da vida plena de éresis da leveza do ser.
Pontear de versos da contingência de sartreanas náuseas, camuseanas do deserto inaudito, gideanas concupiscências do imortal, belo da estética do sensível, os sonhos oníricos da vigília, genesis dos três pilares ou das três estalactites da gruta do verbo que pingam de água cristalina o inaudito da inspiração.
É preciso partir para con-templar outras passagens do vento, outras paragens da caravana para o porto solitário, outras paisagens com a presença do arco-íris, outros panoramas do caminho que é também do caminhar, estar sempre à altura do poder de transcender o vulgo, ir além do tempo sem chuva, sem vento, sem neblina, sem neve, sem orvalho, tempo seco de tudo, de nada, sentar na praia do grande mar e visualizar ao longe a gaivota sobrevoando as águas.


Aleluia... Antítese...
Sons de raízes dedilhados nas cordas frágeis dos sentimentos manifestos e latentes, raízes de árvores frondosas, folhas tocadas de brilhos numinosos, no peito sensações de leveza nos sonhos de amanhã, nas esperanças futurais, e vou tocando as ovelhas de palavras, ovelhas-palavras, de letras, ovelhas-letras, com o cajado das utopias de ritmos e melodias, linguísticas e semânticas, das dialécticas de in-auditos e silêncios, coisas que não faço cá, coisas que não componho cá, canto a vida porque sou forte e tenho razão, boêmio de volta ao lar, cabisbaixo, trilhando os caminhos com passos comedidos, lentos, na vagareza do tempo, pensamentos ao longe, sentindo na intimidade do íntimo os recônditos das andanças de sonhos dentro de outros sonhos, dentro de outros sonhos. sabendo nada saber de sabedorias, sempre o sentimento do longínquo criar-se, conceber-se a presença da verdade do ec-sistir à luz de compor a história, cítara e harpa em uníssono de notas e ressonâncias de ritmos re-compondo de fantasias e ilusões a cor-agem e ousadia de pro-jectar a liberdade para pulsar desejos e vontades do Verbo, nonadências de sensações e inspirações, pontes partidas de intuições, mister a leveza do olhar os horizontes e universos, íris e linces em con-sonância com o re-velar-se, en-velar-se, des-velar-se da natureza, da perfecção da chuva, do vento, da maresia do mar, em cujos interstícios do Ser e do Tempo residem os orvalhos e neblinas do pleno.


Aleluia... Síntese...
Os primeiros raios de sol do alvorecer brilham atrás da nonada de espectros fosforescentes, no horizonte distante a neblina esvaece-se, ponteio o lince do olhar e vou fundo no abismo do universo buscar o som da cítara que ritma os acordes de sentimentos inda a-nunciados nos interstícios da alma que, quiça à revelia do nada, serpenteiam o vazio da inspiração, tomam a vida no cálice de vinho da morte, serão a luz a bordar de miríades do sublime as notas do volo desejo do perpétuo, a eternidade além da consumação dos tempos.


Amanhã será outro dia...
É preciso partir...
É preciso o adeus acenar...
Amanhã será outro dia...
É preciso partir...
É preciso cortar caminho...


Amanhã será outro dia...
Esta carta o vento saberá entregar aos destinatários...


(**RIO DE JANEIRO**, 15 DE NOVEMBRO DE 2017)


ESCRITOR MANOEL FERREIRA NETO ANALISA E CRITICA O POEMA /**COMETENDO POEMA**, DE SONIA SON DOS POEM GONÇALVES


O verbo "COMETER" é pura censura, as penas variam: "cometer um crime", "cometer uma gafe", "cometer um pecado capital", "cometer injúria", etc., etc. E sob os olhos desse verbo mister cautela, atenção. Só mesmo poetas, com a sua criatividade, espiritualidade, para darem outra visão às coisas, para transgredirem os dogmas, preceitos, para mudar as "cositas" da Língua Portuguesa, alias, foram eles e os escritores que fizeram a Gramática.


E a Escritora e Poetisa Sonia Son dos Poem Gonçalves entra em cena para corromper o sentido dicionarizado do Verbo "Cometer" com a sua sensibilidade, criatividade. "Cometer um poema perfeito". Poema perfeito saiu de cena desde os tempos do Zagaia, está mais velho que a Cidade de Braga. Hoje é crime o "poema perfeito". Poemas imperfeitos, insossos, ridículos estão nas Galerias, estão nas prateleiras das Livrarias, estão nas páginas do Facebook, e as pessoas aplaudindo, louvando, jubilando, concedendo Medalha de Ouro aos autores, e as Editoras se refestelando com os lucros. Mas Soninha Son - seja-me permitido o tratamento íntimo - queria cometer este crime, figurar na Galeria dos Proscritos, nas prateleiras marginais da Livraria. E cometeu, poetizando, crime perfeito, não deixando o mínimo vestígio para prisão preventiva, para prisão oficial. Cometeu o "Poema Perfeito", desde então os "poemas imperfeitos" estarão para sempre sob os olhos do poema perfeito. Resta aos poetas cometerem poemas perfeitos ou serem discriminados pela imperfeição.


Cometer um poema cujo tema sonhar é con-templar o inter-dito de amar o sonho de poetizar o mar do "amor" é ondear as ondas dos sentimentos e emoções, sensibilidade e espiritualidade, banhando a Praia dos Desejos, Utopias, Esperanças com as águas serenas e suaves da alma e do espírito, é realizar o intransitivo da Vida: "Vida é...".


Neste "Poema Perfeito", Soninha Son, você, magistral e excelentemente, re-vela a Poetisa do Sonhar o Amor, e sei que este sonho ultrapassa os limites da contingência, atingindo e alcançando o SON PLENO E ETERNO DA ENTREGA E DOAÇÃO. Todos falam, cantam, decantam, recitam, declamam o Amor, a entrega, a doação, definem e conceituam o Amor, mas nada dizem do Amor, são versos do "Amar é...", são estrofes do "Amor é...", e o Amor vai se perdendo nas estradas sinuosas da vida humana.


Seu Poema Perfeito nasce justamente para salvar do Amor, mostrar-lhe outras sendas e veredas, retirar-lhe das línguas imperfeitas dos poetas, que só a-nunciam e re-velam palavras e nada mais. Tudo o que os homens precisam é do Amor, do Poema Perfeito do Verbo Amar, e só poetas e poetisas como você para realizar esta missão: trazer o Amor à cena da Vida Humana.


Hoje, você é reconhecida, aplaudida, jubilada por suas palavras de Amor, por sua POESIA-CARITAS, mas Amanhã não serão apenas reconhecimento e aplausos, mas um Abraço no Silêncio de sua Alma. Será lembrada por transgredir a Lei dos Poemas Imperfeitos, por re-nascer na sensibilidade e espiritualidade humanas o Amor na sua real dimensão da Entrega e da Doação.


Beijos, querida, e CONTINUE ESSA JORNADA TÃO MARAVILHOSA, que me ensina, ensina-nos aos escritores e poetas sempre a OLHAR OS INTERSTÍCIOS DO VERBO AMAR.


Manoel Ferreira Neto


Cometendo Poema


Imaginei cometer um poema perfeito
Aconcheguei-me feito um passarinho
Em tantos fios fiz tecitura de linho
Devagarinho fiz ninho em teu peito


Escalei teu corpo absorto extasiado
Galguei teus lábios explorei teus pecados
Invadi tua alma penetrei teus pensamentos
Plantei-me pra sempre em ti meu amado


Foste meu Sol poente por de ocaso
Lusco fusco no beijo derradeiro de adeus
O desejo persistente dos sonhos meus
Amanhecer e crepúsculo meu por acaso


Os versos mais ardentes lhe inspirei
Recebi tantas rosas de teu olhar âmbar
Vi um mar de amor em teu amar sonhar...
Hoje cometi um poema cujo tema sonhei...


Son Dos Poemas * Sonia M.Gonçalves