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quarta-feira, 31 de maio de 2017

#BRECHA ENTRE O "EU" E O MUNDO# - Graça Fontis: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Revolvo-me inquieto e perspicaz, incongruente de ideais e percuciente de questionamentos, como se intencionasse uma posição para viver o sono, sonhar os sonhos. Amplio o significado dos gestos, detalhes, nuances, palavras, e a lucidez é a própria nitidez crua pela vida.
A ironia, resultado da antítese do indivíduo versus o mundo e como atributo da irreverência. Na ironia, o homem afirma para negar e nega para afirmar, encomia para satirizar e satiriza para encomiar, cria um objeto positivo, cuja essência é o nada. Estágio do pensamento dialéctico a ser desenvolvido.
A música interrompe-se, o silêncio é aspirado numa curiosidade. Se a ironia é um modo precário de enfrentar a brecha entre o eu e o mundo. Curiosidade metafísica. Tanto mais o pensamento se torna metafísico (e menos irônico), mais ele amadurece a dialéctica a ser desenvolvida. Eu e o mundo se formam no mesmo composto lírico.
E as relações com a luz como se tecem?
Pressinto, com alegria e serenidade, como sou novo, inexperiente, indecifrável. E o coração quente de uns instantes: o branco da neve dos sentimentos polidos deambula pelo espaço da verdade.
- O que é isso, o tempo? O dia se embranquece, irá se desenrolar até a noite, um indivíduo inteiro sente outra formação.
- O que é isso? Tempo? As horas lentamente processam-se e um deslocar-se (ser), consciente e inconstante, forma o real sútil e a realidade emola-se e outra surge límpida.


Metamemória.


(**RIO DE JANEIRO**, 01 DE JUNHO DE 2017)


#TEMPLUM VAZIO# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Só alguém muito fino, de uma finesse sem igual e medida, pode entrar no templum vazio onde há um pensamento vazio, e com tal leveza, com tal ausência de si mesma, que a paixão não marca, o desvario não cristaliza, o devaneio não personaliza, espera a completude ansiosa e aberta para seguir pensando e buscando intuir onde o espírito deverá estar.
Perturba-me o mistério daquele compromisso com os tempos futuros, com os tempos para lá da velhice, para aquém da morte, em que serei tão nada como era antes de haver nascido num lugar onde, se as palavras não são mesquinhas, os espíritos são medíocres, para frutificar e dar sombra, daí a uma infinitude, a uma eternidade.
Eis-me, vez outra, e não me é dado saber quando irei, alfim, deixar de buscar a sua plenitude, perder-me e encontrar-me nele, perceber com muita clareza a afinidade que existem entre o sibilo de vento entre serras e a volúpia despautérios de origem e genesis.


(**RIO DE JANEIRO**, 31 DE MAIO DE 2017)


#ÍMPETO ALADO DO CAMINHO PARA O SER, SEM PALAVRAS DIVIDIDAS# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Caminhando em silêncio, revolvo um sentimento que se me apresenta.
Encolho os ombros, cerro os olhos, como um homem que aprendeu à custa de duras, duras penas, a linguagem da renúncia, o estilo da refutação, da renúncia e refutação à cor-agem de tecer as contingências com a linha da consciência. Toda a sorte de idéias de liberdade, de devoção absoluta, de sacrifício, invade-me deliciosamente – enquanto os olhos se esquecem, se perdem, enlevados na reliosa solenidade deste princípio de noite de início de inverno.
Com uma voz dolente, sob a frente fria deste início de junho, permaneço deserto e desconsolado. O olhar alegre com que sou envolvido, resultado do amor pelo inverno, sentindo no seu brilho ameno, no sorrir suave, quando está em mim. A respiração leve, serena, comedida, creio eu, re-vela sentimentos e emoções que completam, abrem leques para a felicidade, mãos entrelaçadas, utopias e querências, o amor se faz continuamente.
A bruma de prata flutuando, pela manhã, sobre os mangues inda sonolentos... É o vestido da intimidade. A intimidade, nua, sente as sensações singulares - interação do gozo e prazer. Sou a mesma abertura de silêncio... Brilha mais puramente a brancura da claridade. Lá das profundezas da solidão, não devolvo as coisas nem as mortifico. Um vento brando reflete no coração.
Anteontens de idéias, ideais, sonhos, utopias performando os passos, ritmo e melodia de viagem, quase dançando uma balada, deixar o tempo se suceder, o que houver-de ser sê-lo-á, é seguir a estrada. Imagens, perspectivas. Hoje de pensamentos, consciência de que tudo passa, tudo passa, é seguir as veredas e sendas. Constelações atrás da lua.
Anúncio, do que jamais foi, na pálida auréola do ar, das casas silenciosas, da copa das árvores de perto, raiadas de pingos de chuva, aquando o silêncio é tão profundo que me ouço ser, as ondas do mar espraiando-se.
Não é absoluto preciso, nem mesmo imaginável e desejável, tomar partido de meus interesses e achaques pernósticos: ao contrário, uma dose de curiosidade e bestialidade, hostilidade e irreverência, insolência e hospitalidade, como diante de um oponente frágil e taciturno, com uma resistência irônica de não assinar ou endossar a nota promissória que me apresenta, juiz que insiste e persiste em não conceder a liberdade de expressão no município, não aceita que a liberdade de expressão é a expressão da liberdade, me pareceria um comportamento e postura incomparavelmente mais sutil e inteligente em relação a mim.
Anteontens de existia a viagem desde sempre; anda em mim algo indescrítivel, "impeto alado do caminho para o Ser". Encoimo a consciência perspicaz, por vezes a empreender-se a favor do singular, e é a sensibilidade a colchetear os pensamentos. Sou uma alegria, tristeza a caminhar na linha tênue da lembrança e do esquecimento. Postergam-se as emanações contingentes do absurdo e encontradas as ideias de sossego e silêncio - extravio as sensações da perda.
Degustáveis os instantes, instantes-limites, Idéia, em princípio, simples, simplória, gerando questionamentos, indagações, causando polêmica. A comunicação com as coisas é impossível, não tem subjetividade, a comunicação com as pessoas é impossível, tem subjetividade. Falando sozinho
Atrás da esperança não há senão a esperança. No silêncio absoluto, as palavras de outrora estremecem de insanidade.
Um vento surge ininterrupto, procurando-se. Contudo, criando margens a contradições de toda ordem, ambiguidade de toda natureza, sinto exigir de mim
um comportamento, atitude.


Há um instante em todo esse sentimento em que devem estar todas as coisas nascendo – há um momento não sei quando.


(**RIO DE JANEIRO**, 31 DE MAIO DE 2017)


#APOCALIPSE DO VERBO** - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Pers do sublime, retros de pretéritos do eterno postergando de luzes as diáfanas nuvens que transpassam o azul celeste - pectivas do absoluto. Cáritas de subjuntivos do verbo conjugam o ad-vir com os temas da esperança de o uni-verso ser o efêmero das estéticas do belo, da estesia de plen-itudes, sublim-itudes, além arribas os sols dos sonhos, esperanças alumiam o taos das veredas que perpassam o tempo tecendo de travessias os movimentos da peren-itude, o amor da verdade resplandece ao aquém de confins salpicado de angústias, tristezas, melancolias e nostalgias, o perene das in-verdades esplende na cintilância das estrelas o intransitivo do verbo "ser", e a vida pulsa de sorrelfas que se tornarão a incólume felicidade do silvestre do silêncio nas sedas da solidão.
Verbos no imperfeito do indicativo, no imperfeito do subjuntivo, modo verbal para o hipotético e imponderável se ajuntam à indeterminação da presença e da ausência. Noite lá fora, luz no quarto.
Amor pleno de miríades do numinoso espectro do nada que pro-jeta a alma no espelho das contingências de buscas e encontros... Nas estradas de pós, eiras e beiras das in-vest-igações do ser que é ser, vers-ifiquei e vers-ejei crepúsculos ad-vindos de alvoreceres de brotos de rosas que des-abrocham perfumando a poética do espaço, alvoreceres ad-vindos da madrugada plena de silêncios à luz da solidão carente de raios de alegria...
Sem tempo de figurar imagens a perspectivarem de cores as ilusões da estesia, do belo a conceber de miríades a Vida, do eterno a gerar de cintilâncias o versejar de esperanças...
Sem tempo de elaborar de arrebiques e ornamentos das bordas de palavras, nas sílabas separadas hifen-izar os sentimentos, emoções do íntimo plen-ificado de glórias, conquistas, do deserto na solidão de re-fletir nos raios de sol a areia que metaf-oriza o ser do silêncio, do abismo na percuciente profundidade que supere e suprime as longitudes do fim, eterna neblina a cobrir o sudário limítrofe do além ao inaudito de todas as virtuais distâncias...
O homem traz consigo mais da existência sentida e pensada de quem está na aparência para depois, aparecendo, declinar. Riqueza sobrante a toda pérola. Ciência sublime e formidável, mas hermética. A existência como chave e caminho, como um cofre que se abre quando se lhe justapõe a imagem de seu segredo.
Sem tempo de burilar de utopias e sorrelfas do APOCALIPSE DO VERBO temas e temáticas do passado, da libertação de algemas e correntes do "pecado da escravidão, no ritmo e melodia de violões as nostalgias, melancolias do desejo Libertas Quae Sera Tamem do Amor mistificado de virtuais sensações ao vôo absoluto-eterno da realidade literalizada, superfície lisa de espelho em cuja imagem verdadeira esplende o rosto do tempo, ipsis-serzado de aléns-em-aquéns, de con-tingências-em-trans-cendências, de solidões-silêncios, em interação de vozes que re-velam as palavras da etern-itude divina do toque da nostalgia do tempo moderno, cujas luzes são de trevas e escuridões...
Sem tempo... Sem tempo de degustar o sabor delicioso dos cânticos sublimes das raízes, interpretados por liras, harpas e violinos, violões, guitarras, ópera da divin-idade às percuciências da alma, olimpo do espírito, mas dedilho nas cordas dos instrumentos a poesia da luz no íntimo trans-cendente de letras e páginas, em entrelaçamento de mãos com os amigos, em sentimentos que suprassumem do amor-amizade, concebem, criam, geram dão a luz ao Verbo do Apocalipse do Paraíso Eterno da Vida.
Y, x, z... Letras do tempo, palavras poucas, sou elas no re-nascimento, re-fazenda de tantos desejos, projetos, ilusões do tempo na etern-itude da carne, querendo o verbo, na fin-itude dos ossos, querendo o além-divino, recriando de palavras do Lácio as montanh-ites dos chapadões, pampas...


(**RIO DE JANEIRO**, 31 DE MAIO DE 2017)


terça-feira, 30 de maio de 2017

#POETISA ESCRITORA MARIA FERNANDES COMENTA O AFORISMO /**POESIA É AMOR IN-CONDICIONAL#


"Poesia é amor incondicional." Na verdade a poesia como fulcro do Belo, do bem-querer, do íntimo do Ser, das artes, das instâncias da Vida, poesia é Amor Incondicional. Fenomenal aforismo que revela o elevado conceito que o autor tem pela poesia, porque prosa também é poesia e traduzi-la é tarefa só de poetas e artistas que a sintam em plenitude e primazia. Parabéns, meu Amigo Manoel Ferreira Neto.


Maria Isabel Cunha


**POESIA É AMOR IN-CONDICIONAL**
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Poesia é amor in-condicional por versejar a intimidade do in-fin-itivo dos sentimentos na desejância íntima do espírito da verdade do ser, na querência recôndita da consciência.
Poesia é amor in-condicional por po-etizar os verbos da travessia para o eterno, trans-lúdicas sensações do prazer, alegria, gozo.
Poesia é amor in-condicional por po-ematizar o silêncio que concebe a estilística das emoções em harmonia, sin-cronia, sin-tonia com os ex-tases do sublime sonho do Ser.
Poesia é amor in-condicional por po-esiar as gotículas de neve que deslizam na vidraça da janela voltada para a lua atrás da montanha.
Poesia é amor in-condicional por trans-literalizar a memória do tempo, trans-parência do ser atrás do verbo da semiologia do desejo.
Poesia é amor in-condicional por ser ritmo, melodia dos ventos por sobre as colinas veladas pelas cintilâncias do in-finito em conúbio com o verso-uno dos horizontes do eterno e os uni-versos do absoluto.
Poesia é amor in-condicional por pronunciar a sílaba do lácio vernáculo das esperanças da vida que é vida, da vida que é o vir-a-ser do espírito da vida.
Poesia é amor in-condicional por evangelizar as metáforas do amor sonetizadas dos edênicos caminhos para o silvestre da verdade.
Poesia é amor in-condicional por entre-laçar sons do in-audito do espírito e os sons da magia da alma que busca eternamente as iríasis do in-finito uni-versal que consagra o Bem.
Poesia é amor in-condicional por ser a simples re-velação do que vela e en-vela os mistérios do verbo.
Poesia é amor in-condicional pela solidão metafísica, a poesia está no uni-verso do poeta, mas se sente solitário se não a revela em prosa, o seu caminho para a consciência-estética-ética.


(**RIO DE JANEIRO**, 30 DE MAIO DE 2017)


#POESIA E AMOR: LINGUÍSTICA DA ENTREGA E METAFÍSICA DA SOLIDÃO DO SER# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


POST-SCRIPTUM:


Com a minha amada e querida esposa e companheira das Artes, Graça Fontis, aprendo a cada instância dos momentos da vida o que é isto - Amar, o que é isto - Amor entre dois "homens", "homem e mulher", o que intencionam viver, O Amor. Com ela aprendi, aprendo ao longo de nossas relações a síntese das Artes e da Vida.
A minha Amada e Querida Esposa e Companheira das Artes, entrego em mãos este Aforismo, uma homenagem e agradecimento por nossas vidas juntos.


Poesia é amor in-condicional por versejar a intimidade do in-fin-itivo dos sentimentos na desejância íntima do espírito da verdade do ser, na querência recôndita da consciência que se intenciona "ser da liberdade".
Amor verseja o verso de versejar o sublime.
Amor trans-literaliza a trans-literação de trans-literalizar o eterno da magia mística do ser.
Poesia é amor in-condicional por po-etizar os verbos da travessia para o eterno, trans-lúdicas sensações do prazer, alegria, gozo.
Poesia é amor in-condicional por po-ematizar o silêncio que concebe a estilística das emoções em harmonia, sin-cronia, sin-tonia com os ex-tases do sublime sonho do Ser.
Poesia é amor in-condicional por po-esiar as gotículas de neve que deslizam na vidraça da janela voltada para a lua atrás da montanha.
Amor poematiza a poematização de poematizar a linguística da entrega e a semântica da esperança.
Amor metaforiza a metáfora de metaforizar o espírito do desejo seduzindo a alma do verbo de ser plen-itude, compl-etude, etern-itude, bolinando os instintos do verbo de ser efemer-itude, fugac-idade, eter-itude.
Poesia é amor in-condicional por trans-literalizar a memória do tempo, trans-parência do ser atrás do verbo da semiologia do desejo.
Poesia é amor in-condicional por ser ritmo, melodia dos ventos por sobre as colinas veladas pelas cintilâncias do in-finito em conúbio com o verso-uno dos horizontes do eterno e os uni-versos do absoluto.
Poesia é amor in-condicional por pronunciar a sílaba do lácio vernáculo das esperanças da vida que é vida, da vida que é o vir-a-ser do espírito da vida.
Amor silencia o silêncio de silenciar a palavra-poesia no vernáculo íntimo da verdade, na erudição re-côndita das utopias da beleza e do belo, beleza do belo.
Amor sin-estesia a ex-tase das volúpias do eros e do lúdico.
Amor son-etiza a fon-ética de fon-etizar os sons rítmicos e melod-iosos da felicidade.
Poesia é amor in-condicional por evangelizar as metáforas do amor sonetizadas dos edênicos caminhos para o silvestre da verdade.
Poesia é amor in-condicional por entre-laçar sons do in-audito do espírito e os sons da magia da alma que busca eternamente as iríasis do in-finito uni-versal que consagra o Bem.
Poesia é amor in-condicional por ser a simples re-velação do que vela e en-vela os mistérios do verbo.
Amor in-fin-itiva o in-finito de in-fin-itivar a travessia in-trans-itiva do além ao eterno.
Amor sublimiza a sublimidade de sublimar a verdade da fé no eterno dos desejos de compl-etude.
Amor ritma o ritmo de ritmar a música das emoções e o cântico da solidão.
Amor musicaliza a música de musicalizar os sons da harpa do uni-versal, os sons da cítara do mundano, os sons do violino da travessia do contingente ao trans-cendente.
Amor dança, baila as sinuosidades do sentimento manifesto e o desejo da verdade latente, envolvido com a claridade das luzes e a neblina, raios de belezas e imagens, vindas de "mucho profundis" de todos os infinitos.
Poesia é amor in-condicional pela solidão metafísica, a poesia está no uni-verso do poeta, mas se sente solitário se não a revela em prosa, o seu caminho para a consciência-estética-ética.
Amor semantiza a semântica de semantizar o ser e a palavra do verbo amar.
Amor semiologiza a semiologia de semiologizar o infinito da verdade e o sonho do divino.
Amor plen-ifica a plen-itude de plen-izar, plen-itizar a beleza do belo e a cintilância do sublime...


(**RIO DE JANEIRO**, 30 DE MAIO DE 2017)


ESCRITORA POETISA CRÍTICA LITERÁRIA Ana Júlia Machado ANALISA E INTERPRETA O AFORISMO /**A FELICIDADE BROCHA**/


Mais um texto de Manoel Ferreira Neto ambíguo e complicado. O passar por uma crise existencial, o que não é estranho num filósofo e erudito Manoel Ferreira Neto. Pois de tanta sabedoria tudo coloca em causa... Como refere no início do seu texto… Em realidade, ninharia habita, habita o ser-da-existência, cursa a planície de trilhos tortuosos de sinuosidades e caracóis, ou querendo apaixonadamente a elocução do ser-amor, ora contestando todas as sensibilidades e emoções, ou enjeitando todas as númenes do estético e da realidade, ora arrastando-se nas valetas sebentas do dia-a-dia das condições e eventualidades, ora sensivelmente esmolando nos quiosques de todas as ermas, tascas, entradas de habitações, basílicas, bares, vendas.
Com insignificância residir…. Concebe parte da vida… pode é não habitar na totalidade...mas habita
E o isolamento suplica permissão, sinais rotulados, pois que caminha muito mais de si próprio o que se aponta, e, se suplica permissão, é que ali não encontra-se. As obscuridades se apartam à gálica, vão escoltar outros que delas encontram-se carecendo.


No seu caso, é algo que lhe verbaliza no seu intimo e que o fere de alguma forma, seja uma realidade ou não… algo que o concebe cogitar… uma alma que não pára de o fazer.
Esse é um instante relevante para si… um instante de reexame de si próprio!
Actualmente atravessa por um instante assim e afirma que perto abateu-se na cilada… podia desmoronar-se…. o transacto apoquentou-o.
Muitas ocasiões na existência, adquirirmos resoluções que diferentes seres não estimarão, proferiremos realidades que as criaturas não estimarão de escutar, seremos o que as criaturas não aguardam que sejamos, enfim…desiludiremos!
Até aí tudo bem, porque não se está neste mundo para deliciar todo planeta!
O risco acha-se no fato de que as criaturas avaliam somente por uma acontecimento separado, por aquilo que você causou e não encontrava-se de pacto com as esperanças delas, e tudo, absolutamente tudo o que você edificou a respeito de si próprio…suas qualidades, suas marcas, seu lado benéfico são sacudidos no cisco!
Ditosos aqueles que entendem isso a tempo de não admitirem isso como realidade, e se grudam rigorosamente ao seu superior para perfilhar em vanguarda. Conhecemos o que somos mas não o podemos conseguir saber o que viremos a ser…
O acometimento ou seja a crise transita, porque compreende que ser como é, não o concebe inferior, nem superior do que ninguém. Concebe-lhe somente confiar que sempre vai conceber o que ele topar real e cada um elege um lado!
Não possui dificuldade, se não elegerem o seu


Na escuridade das suas ladeiras,
E nesse tempo por ele já sentido,
Contempla lá aquém, o que remanesceu dos
seus desacertos nessas digressões...
Aflui a obscuridade de dubiedades que
Arruína o que ele já possuía amargado,
Vomitando corjas para os seus
Letargos de almas apregoadas!


A polpa áspera lhe pesa num gemido,
Que destas inocuidades a nutre,
arremessando-as nas reminiscências
De um demo..., sina que agora sou!


As claridades em si jamais alvorecem,
Não contempla as claridades dos seus indultos...
Remorso cicatriza-lhe essa mágoa,


Na energia da labareda que tanto demanda,
Pujante, vem sem começos a norma dos bem-quereres
Que nos momentos embacia
Sempre obstinado e audaz,


E esse ardor que o patrulha..., até contínuo,
Tem denominação, não era. Ao chamado constante...
É ela, meu benéfico espírito,
Que imprimo seu semblante!


Mas, ela se entrega sem possuir temor e crueldades;
Acarreta-lhe a comparência da existência, gracejando, tateando,
E assimilando as realidades,
abrangendo-se em anseios,
No assim, tudo querendo!


Vai distante como uma ave, adeja sem velocidade...
Triunfadora, neste testemunho
De cada escuridão tão pulcra!


Cada deleite em aljôfares, o seu espírito habita...
Ah, seu coração que adeja…ele está finalmente ver
A felicidade desabrochar com sua bela Graça….


A dita não é uma inexistência de enigmas;
mas a idoneidade de pelejar com eles….


E Manoel Ferreira Neto, embora com suas crises existenciais, que de vez em quando o cercam ou deixam desorientado….Mas, chegou ao seu juízo final… E mais crises terá….A vida é mesmo assim…


Quem foi que disse que a existência é só ornatos?
Quem foi que articulou que seria só dita?
Quem cedeu em você essa sensação de luminosidades imortais?
Quem foi que asseverou que bem-querer é só júbilo e concórdia?
Onde foi que você avistou uma via sem ascensões ou descensões?
A imensidão é concebida apenas de bonança?
As rosas não possuem mais aguilhões?
Será que os valentes volveram animais de consideração?


Ana Júlia Machado


#A FELICIDADE BROCHA#
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Não vivo a travessia de nonadas, não vivo o passar nas pontes partidas, não vivo o pisar nos mata-burros de estradas poeirentas e trincadas de raios numinosos do sol ardente, não vivo o alvorecer de veredas perpassando os uni-versos do não-ser... Em verdade, em verdade, nada vivo, vivencio o ser-da-vida, sendo-em-sendo-do-ser-da-vida sigo o campo de caminhos sinuosos de curvas e ziguezagues, ora amando apaixonadamente o verbo do ser-amor, ora negando todos os sentimentos e emoções, ora recusando todas as inspirações do belo e da verdade, ora rastejando nas sarjetas imundas do quotidiano das situações e circunstâncias, ora quase mendigando nas tabacarias de todas as solidões, tabernas, portas de casas, igrejas, botequins, mercearias.
Com ninharia habitar…. faz parte dela… pode é não viver na íntegra.
E a solidão pede licença, gestos etiquetados, pois que vai muito além de si mesma o que se mostra, e, se pede licença, é que ali não está. As sombras se retiram à francesa, vão acompanhar outros que delas estão necessitando.
Só em face desta alucinante di-vergência entre quem fui eu, como fui eu, é possível divisar os limites desde onde posso sonhar a construção do meu reino sobre a terra. E é porque é difícil estabelecer esta di-vergência, ter a aparição de mim a mim próprio, que os homens podem construir uma redenção com uma aparência de segurança que os ilude e os escarnece.
Nada vivo... Ah, quem dera vivesse, a vida se me contemplasse no espelho das imagens perpétuas!..., se me perscrutasse nas perspectivas do rosto ou da face. E nas perspectivas e ângulos re-versos às cavalitas das lusitanas jornadas por mares desconhecidos, inversas às carioquicéias do crepúsculo à beira-mar, respiro a serenidade do inferno nas lareiras chamejantes da perpétua morte ou da morte na perpetuidade da vida...
Apreciar de tudo na existência é benéfico? As realidades nefastas corrigem-nos a habitar? Os factos, benéficos, conserva-nos viventes?! Assim, as boas e más experiências são elementares na vida…nada é nada…
Face a estas paisagens irradiantes de luz, a estes cenários de puro resplendor de verde, em que, como um viajante da redenção e da ressurreição, caminho ao sol, às vezes à chuva, a vida das coisas nas suas mais humildes parcelas se me impõe, descubro as palpitações secretas da natureza nas amendoeiras em flor, nos campos de lírios, nos pomares, nas searas, nas aldeias de telhas castanhas que se apertam à volta da igreja, nas ruas trepidantes e coloridas ou no respirar lento. O que o outono me tem prometido é-me confirmado pelo Inverno e satisfaz o meu desejo; à minha volta tudo brilha e se tinge de muitas cores, transcende o meu delírio, alucina-me e me possui.
Verbaliza, que realidade, ninharia reside, adota uma posição valorizante, sintética, que não é unicamente inerte e emocionante, pois abarca igualmente um recado intelectivo activo. O ser-da-vida, sendo-em-sendo-do-ser-da-vida perfilha o chão de trilhos tortuosos de dobras , ou adorando enamoradamente a eloquência do ser-amor, ora contestando todas as sensibilidades e agitações, ou declinando todas as númenes do sublime e da realidade, ora arrastando-se nos escoadouros repugnantes do dia-a-dia das condições e conjunturas, ou sensivelmente esmolando nas tabacarias de todos os isolamentos.
Muitas flores são recolhidas prematuramente. Algumas, mesmo ainda sem rebento. Há sêmenes que jamais desabrocharam e há aquelas flores que habitam a existência completa, até que pétala por pétala, pacíficas, experientes, restituem-se ao vendaval. Mas o ser não sabe acertar por quanto tempo residirá ornamentando de arrebiques e contornos esse Paraíso e sequer aquelas que foram cultivadas ao nosso redor.
Sou um homem tão estranho que a felicidade no de-curso, per-curso, trans-curso do tempo acaba por me nausear, angustiar, sentir-me entediado, mergulhado e refestelado no abismo.


A felicidade brocha.


(**RIO DE JANEIRO**, 29 DE MAIO DE 2017)