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quinta-feira, 25 de maio de 2017

#A ESCULTURA É O VERBO DA GOIVA, A IMAGEM ESCULPIDA, A CARNE DA ARTE# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Até concorda que nem sempre pela metáfora se exprime espiritualmente, o que lhe custa algumas pequenas depressões e angústias, pensando que, enfim, havia encontrado um limite para as criações, as recriações, e isto nunca pode acontecer, pois que, se houver, com certeza, não será tão agradável de conviver com a idéia de que encontrou um limite, as suas forças todas reunidas não conseguirão isto vencer. As insinuações, as alegorias, as imagens são um vasto campo de pensamentos engenhosos, de idéias artísticas, de sentimentos humanos e divinos, de emoções transcendentes, enfim, das águas límpidas do rio que correm sem cessar, sabendo de antemão e revezes o seu destino, a sua aspiração, a sua vontade, o seu desejo, muito embora estas águas deem muita importância ao destino, à aspiração, à vontade, ao desejo, e não como desejam alguns que a natureza pouca importância dá aos homens, os seres humanos, embora nisto exista até verdade inconteste, a insistência em com-preender a vida a partir da razão e do intelecto, quando ela é a vida a partir da sensibilidade, da fragilidade, enfim, de sua verdade.
Após sair do restaurante e churrascaria Espaço Livre, andava o escultor de cabeça erguida, retornando a casa, olhando os movimentos de pessoas e automóveis, sem nada enxergar, perdido nos seus pensamentos.
Os efeitos da natureza, a fábula, a história, presentes na memória, fornecem à imaginação bem-dotada frases de espírito que ela emprega na ocasião conveniente. Se existem espíritos, inteligências, sabedorias que isto podem captar, intuir na fonte originária, crê que o espírito seja algo difícil de definir, é uma qualidade do dis-curso que se considera re-veladora de uma qualidade da alma, isto se pensa em uma luz, algo que ilumina a idéia, o pensamento, re-velando a sua essência, a luz. O espírito afirma a possibilidade de produzir o novo, a partir do feito de caminhar, sem nada mudar na ordem antiga; a escolha de uma estética leve e enxuta, límpida e clara, o contrário da pesada pompa que acompanha a influência sensual da razão, a influência corporal do intelecto, se assim pode dizer, e alguns doutos podem com isto não concordar, enfim, de definir uma vida cuja excelência se defina pelo saber, pela experiência, pelo sonho e utopia.
Tal como as raízes do passado - não é um homem alto, mas suas sombras estão compridas -, as radiações para o futuro estabelecem quando ocorre a des-coberta do presente em Sentimento do Mundo. Com a "pros-pectiva do futuro" mais a retros-pectiva do passado", a consciência temporal se trans-forma numa equação cujo equilíbrio é a somatória da intuição (presente), mais a memória (passado) e a expectação (futuro). Como será capaz de re-presentar todas estas idéias em sua escultura do "deus pagão", tornar-lhes realidade. Engraçado é, quanta vez não se admirou, que, após idéias surgidas em fluxo, não conseguiu representá-las noutras esculturas, novos trabalhos esculturais. Teve de deixar de tentar esta façanha, esculpir livremente.
Alguns galgam paciente e prudentemente, um a um, os degraus da criação, que costumam corresponder mais ou menos aos da fortuna. São degraus que exigiram sim o movimento das pernas para que os pés os alcançassem, sentissem no solado do pé, se isto não é uma imagem bem vulgar, mas não conhece da linguagem própria do corpo, em termos científicos. Primeiro, é mister que se conscientize de um dom divino, um dom gratuito, algo que trans-cenda aos limites todos, que os homens normais enfrentam a todo momento...
Qualquer nível da Arte requer e exige o artista em sua plen-itude ec-sistencial. Lembra-se de quando, para receber seu certificado na Escola de Escultura, o professor disse-lhe que teria de esculpir no Parque Municipal, no domingo, horário de passeio das pessoas, especialmente de turistas. Auto-esculpiu-se.
O homem-escultor sobre os movimentos da criação.
Também se não houvesse falhas no esforço e no talento, não seria algo verdadeiro, estaria negando o que possibilita sim a luta, a busca, a tensão entre o sim e o não, mas que exige uma atenção e uma perspicácia de intuição e inteligência para compreender e entender as estratégias do destino e dos sonhos.
Abre o portão de sua residência. A rampa esta coberta de flores amarelas do ipê.


A escultura, opinião sua, é o verbo da goiva, a imagem esculpida é a carne da arte, a partir da qual o homem-escultor se estabelece, liberta-se da história e se "refestela ao sol feliz".


(**RIO DE JANEIRO**, 15 DE MAIO DE 2017)


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