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sexta-feira, 5 de maio de 2017

#AFORISMO NOS TEMPOS ATUAIS# - MANOEL FERREIRA NETO: "CONSIDERAÇÃO"




Quem nunca ouviu dizer a fala popular: "O que não mata engorda"? Se in-vestigarmos com critério, des-cobrimos tratar-se de uma re-criação do Aforismo Nietzscheano: "O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte."
Por que esta introdução tão categórica? Por ser mister, sine qua non, questionar sobre o Aforismo. A verdade aliena, o conservadorismo fecha todas as portas e janelas para a luz de novas des-cobertas, novas linguagens e estilos, novas idéias. Para elucidar esta posição, cito outro Aforismo de Nietzsche: "Temos a Arte para não morrer da Verdade".
O Aforismo remonta os primórdios da Filosofia com os filósofos gregos. O Aforismo, re-presentando a Verdade, tinha como estrutura a Máxima. As Máximas não morrem, servem à humanidade desde a eternidade à eternidade.
Séculos e séculos são passados, desde os Aforismos dos gregos, embora não deixando de alevantar questionamentos e indagações, mas os tempos são outros, a realidade muitíssimo diferente daqueles tempos, outros questionamentos devem vir à luz. E o Aforismo volta à cena com o filósofo alemão Friederich Nietzsche, articulando a Filosofia e a Arte, a Literatura, a Poesia. Para entender Nietzsche é obrigatório conhecer a Literatura, a Poesia, a sua obra completa foi construída de Aforismos, e até o presente momento carece de estudos e mais estudos para conhecê-la, sabê-la com distinção. Os tempos atuais trazem nas algibeiras outras necessidades, outras buscas, des-questionar as verdades incólumes, aprender outros questionamentos sobre as verdades.
Desde Nietzsche, Machado de Assis e mais recentemente Carlos Drummond de Andrade, os Aforismos saíram das cenas da Literatura, Filosofia, estão em extinção. Entraram em cena as "frases de efeito", se se quiser, "frases feitas", que em nada trazem de Arte e Filosofia, Idéias, Pensamentos, nem servem a questionamentos profundos.
A estrutura do Aforismo não deve ser deixada de mão, nem mesmo conservá-la, mas re-criá-la, servindo às carências e ausências do ser.
Imagine-se o escritor escrevendo Aforismo seguindo Nietzsche, Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade. Onde ficaria a Arte? Onde ficaria o princípio básico dela: a criação? Seria apenas cristalizarem inda mais o Conservadorismo, a Tradição. Seria melhor então plagiá-los. A Arte cairia por terra, o escritor se enterraria numa cova bem funda.
Não tenho rabo preso com a estrutura dos Aforismos de Carlos Drummond, Nietzsche, Machado de Assis e os gregos. Servem-me de inspiração, servem-me de questionamento, querer des-cobrir outras verdades que coloquem em cheque as tradicionais, as conservadoras, a articulação da Filosofia e a Arte no concernente aos tempos atuais, novas posturas e condutas diante da Vida e do Mundo.
Se querem relacionar a minha obra com o Barroco Moderno, esteja eu modernizando o Barroco, conforme o crítico Paulo Ursine Krettli faz-se obrigação ter consciência de que o Barroco é pura subjetividade, é subjetivo. Ademais, lembrar-se de que a Arte é subjetividade, criatividade, subjetiva. E tendo isto como pedra de toque, os aforismos de minha criação partem da subjetividade artística, visão-de-mundo, à procura da Consciência-Estética-Ética. Dizendo o crítico que "... o aforismo do Barroco Moderno é o contraponto, é o contraste da “sentença moral breve, conceituosa; apotegma, máxima”, não confiro nestes dizeres algo básico: os meus aforismos se fundamentam na crítica ao racionalismo, especificamente ao racionalismo kantiano, do que propriamente ao Barroco. O Aforismo visto aos olhos do Barroco, do Barroco Moderno, tergi-versaria os princípios da Filosofia que são essencialmente o questionamento, as perguntas sobre o Ser e Não-Ser. A intenção é primordialmente crítica ao racionalismo, ele que se tornou responsável pela cristalização do pensamento, das idéias. A articulação da Arte e da Filosofia na constituição do Aforismo é a criatividade para novos questionamentos.
E para elucidar inda mais esta "consideração" acerca da dialética entre o Aforismo Clássico e o Aforismo dos tempos atuais, digo com um Aforismo Nietzscheano: "Só se pode alcançar um grande êxito quando nos mantemos fiéis a nós mesmos." A minha fidelidade a mim próprio é a visão-de-arte, a visão-de-filosofia, a visão-do-mundo, a minha própria existência. Portanto, o escrever Aforismo é a minha consciência-estética-ética, que nenhum tradicionalismo, conservadorismo é capaz de atingir.


(**RIO DE JANEIRO**, 05 DE MAIO DE 2017)


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