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sábado, 27 de maio de 2017

#TERRENOS BALDIOS ESPALHADOS POR RUAS, AVENIDAS, ALAMEDAS# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


A questão é ser quem ama tanto a morte quanto a vida, como toda gente, uma e outra constituem a parte que nos cabe. A experiência deste amor é prolongada por fraqueza; se gira o cata-vento no cume da serra, ótimo, aliás, isto fora desde a eternidade desejado; caso contrário, se se ouve as correntes arrastando-se nas ruas, este é o destino que nos cabe a cada um.
Admira-me a idéia, precisão das palavras, as artes e a história constituem a parte que nos cabe. Ímpeto alado do caminho para o Ser. Impulso chamado vital a que não pode evitar, e que leva a buscar a luz na mais funda treva, ou o simplesmente prosseguir, ainda que ignore a rota.
Sêmitas in-fin-itiva de pret-éritos in-auditos ad-jacentes às luminâncias ao sol regenciadas de particípios solstícios cintiliantes do eterno re-versos de semânticas da solidão.
Númens de particípios in-dizíveis ao orvalho da noite quiçá gerundiados.
Esse estrangeiro, no íntimo, decidiu o comportamento, hábitos, valores, ouve os gritos da multidão que lhe habita, algemas e correntes doem nos ossos. Não intuo outro modo de ação, por quem condena a iniciativa e protesta dizendo apenas me comprometer mais e mais – ótimo, não se deseja outra coisa senão fechar as portas, as chaves coloco-as em mão - senão dar as costas, esbagoar as críticas em esquinas, tabernas, tabernáculos. Cabem-lhe o encômio de seus interesses e ideologias, a censura aos outros.
Onde tanto se oculta o canto, eu aqui sem alento? Onde tanto se mergulha a canção, eu aqui sem ritmo e melodia? Onde tanto se ouve a balada do vento, eu aqui atento?
Raio de sol irisando a poeira suspensa na metafísica das misérias e pobrezas, no abstrato das fomes e sedes seculares, no solipsismo das angústias e tragédias fugazes e eternas, no in-audito das ilusões, des-conhecido das fantasias e verdade, inimaginável das sorrelfas, são a súbita re-velação de uma realidade perdida, de um tempo perdido, e jamais reencontrados ou referenciados, porque são só apelos, vozes inaudíveis, derradeira origem do mundo original, profundeza sem fundo, abertura ao vazio, limite do ilimitado índice que está para lá de todos os índices, de todas as cláusulas e parágrafos ilícitos, de todas as constituições ilícitas e jurídicas, de todas as instituições proscritas e per-vertidas, se a-nunciam em mim pela pura suspensão, um ouvido atento e nenhum rumor, olhar incerto que procura o que não há, o que não ec-siste nem algures, nem nenhures, recuo brusco para além de tudo o que é re-ferenciável, re-presentável, in-teligível, questionamento que não duvida de sua razão, cegueira trans-lúcida de uns olhos opacos e abertos, interrogação que não interroga, encantamento de nada, ad-vertência, aviso de nada.
Travessias às semiologias do deserto templado de nuvens brancas re-vestidas de símbolos e signos da nitidez nula dos instantes-limites do efêmero ex-tase do verbo de in-trans-itivas met-áforas do pleno, sin-estesiando a beleza do belo
Sastre do uni-verso trans-cendido de efígies que ornamentam o além sastre da etern-itude da verdade trans-elevada de faces que, de faustos em faustos semblantes e fisionomias, manque-detram forclusions da solidão. Sastre de lâminas de orvalho do alvorecer que pre-figuram o etéreo, às quiças voláteis e volúveis do absoluto absurdo, de versos son-éticos poietizando o espírito do ser com alma do sonho...
Já não viso o além.
Já não viso o aquém.
Já não viso o eterno.
Já não viso o efêmero.
Já não viso a dialética do tempo, do vento.
Além da contingência, sem a menor hesitação, sorrindo de tranqüilidade, apenas curtindo a natureza, e mesmo os inúmeros terrenos baldios espalhados por toda a cidade, apenas sentindo as sensações de prazer por estar vivo, por ser vida, por sonhar com a esplendidade das esperanças e fé mística.
Quem sabe?!...
Trêmulo a-núncio fala nas origens do meu ser, de minha obra, de meus desejos e vontades de realizá-los com perfeição e apreço, no que os trans-cende e assoma no ilimitado de mim. Voz obscura de alegria enigmática, vértice de um encontro comigo, ó realidade perdida, imagem desvanecida no horizonte dos horizontes, voz submersa a todas as vozes, e que fala ainda quando elas se calam e eu ouço sem ouvir, escuto sem escutar, e se a-nuncia quando tudo se esgotou, e bate obliquamente como pancada leve no ombro, como uma tapa terna no rosto de alguém, e que se abre além da hora mais longínqua como uma varanda, e que irradia ainda de impossível para além de todos os possíveis, e que recusa todas as razões para ser e é ainda, e que inicia a minha vida onde ainda não há início, memória de um tempo antes do tempo, de um começo antes de seu verdadeiro início na origem dos segundos e milésimos deles, do lugar do meu nascimento verdadeiro, sede e princípio de divindade que ainda não se corroeu, que não foi corroída pelos instintos primevos do homem.
Já não viso a nonada.
Já não viso o infinito.
Já não viso a travessia.
Apelo que vem de além do mundo, e além de todas as possibilidades de sua ec-sistência, do aquém de todas as alternativas, ambivalências, ambiguidades, dubiedades.


(**RIO DE JANEIRO**, 27 DE MAIO DE 2017)


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