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segunda-feira, 15 de maio de 2017

#FUTURISMO DE CORES ULTRA DILACERANTES AD-JACENTES AO IN-VERNO# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


É no silêncio que ec-sisto, aprenderei outra linguagem? É na solidão que prolongo os dias, aprenderei outro estilo? Não há palavras ainda para inv-"ent"-ar o mundo novo. Não há inda metáforas ou metafísica para abranger os interstícios do novo homem. Não há sentidos ainda para re-velar o outro dos sonhos, utopias, dos verbos que hão-de ser. Estou só, horrivelmente povoado de mim. Existir é simplesmente estar pres-"ente"? Pres-"ente" a que? Os entes permitem que os encontre, mas não se pode deduzi-los.
Silêncio de morte perpassando instantes de vida. A morte do silêncio não cabe nos raios de luz da solidão. A luz da solidão não é prosa da ausência, forclusion. Não é poesia do ato falho, do manque-d´être. Não é prenúncio do infortúnio. O deserto do tempo na poesia do verbo concebe a regência do sublime. Solidão do silêncio pres-en-ifica movimentos de ideais.
Protelem-se as melancolias, posterguem-se as nostalgias, suprassumem-se as saudades. Crepitem as achas de lenhas na lareira das etern-itudes. Incinerem-se as páginas vazias de razões e sentimentos do ad-vir. Des-amarrem os corações do romantismo do amor não correspondido, e mesmo do romantismo do amor plenamente correspondido. Des-algemem as almas do subjetivismo da liberdade de vislumbrar o horizonte de costas para o universo da beleza do belo, do esplendor da magia da pureza.
Prosa de solidão silenciando a música da luz, sonorizando os rituais místicos e míticos, erudição que epigrafa de letras góticas o símbolo, signos supremos do absoluto, linguística de sons e silêncio que epitetam o expressionismo e o simbolismo, acordando de notas altissonantes o último vernáculo de lácias sin-estesias, metáforas que cintilam inter-ditas de volos, querências, desejâncias da esperança primeva do apocalipse incongruente de raios cintilantes de sombras, brumas, trevas. Poema de pura música da luz não se escreve no crepúsculo povoado de memórias do ad-vir, lembranças do além, recordações do absoluto que des-velam in totum mistérios, enigmas e segredos do verbo sob a luz da carne que se arde de volúpias, êxtases, prazeres, gozos, clímax. Prosa de singela luz da música não se epitafia na madrugada de solidão, do silêncio, presentes todas as carências. Simbolo de sin-estesias sin-crônicas com o realismo das desesperanças da liberdade, da alma na morte das ilusões, quimeras e sorrelfas da plen-itude in-fin-itiva da felicidade suprema. O nada morre, morre nas defectivas sinuosidade do abismo pleno de ressonância da vacuidade. Erudição sensitiva ao conhecimento lógico para aniquilar o raciocínio presente, erigindo-o a um raciocínio não só da mente, mas do Ser por completo. Última letra do vernáculo de erudição. Derradeira palavra do classicismo de perfeições estéticas. Signo de metafísicas sin-tônicas com o futurismo de cores ultra dilacerantes ad-jacentes ao in-verno que re-versa a carência do amor.
Ontem de quem me fui carente de silêncio, solidão. Ontem de quem me pres-ent-ificavam poemas, prosas, vislumbrando o nonsense de tudo que é perfeito, essência.
Tirando as vestes, nu diante do tempo e dos universos. Conservando os óculos escuros, o chapéu branco de malandro.


(**RIO DE JANEIRO**, 15 DE MAIO DE 2017)


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