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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

*ASSIM DIZIA NADA LAREDO DE OLIVEIRA** - Manoel Ferreira


Vós que ledes uma obra, poema ou prosa, sentindo neles as sincronias, sintonias, harmonias da linguagem, estilo, semântica, linguística, perfeitas, obras-primas, recitando, peito arfando, olhos brilhando, o soneto do Belo, da Beleza, tecendo todos os encômios ao artífice da obra, não vos esqueçais o Belo de hoje não o será amanhã, é na continuidade do tempo que o Belo vai se re-velando, vai se mostrando, e mesmo assim há-de se in-vestigar o tempo do momento, o que era Belo na obra deixa de sê-lo, mister procurar nela outras dimensões que abram os leques para novas buscas. Cristalizar valores é negligenciar a vida que precisa sempre de outros verbos para a jornada.
Vós que, num instante, arrancardes, de dentro de vossas almas, uma idéia esplendorosa, mágica, tal idéia será o húmus de outros princípios morais e éticos, serão os grãos de outros sentimentos e emoções, sementes da espiritualidade, não vos esqueçais de que idéias nascem sob a égide das conjunturas do tempo, servem ao momento, são paliativos das dores e sofrimentos, a vida dirá se esta idéia é ou não húmus de outros princípios morais e éticos.
Vós que trazeis no mais recôndito de vosso ser estes três pilares, sonho, esperança, fé, pilares da continuidade da vida, não vos esqueçais de que podem ser ilusão de ótica, podem ser alpiste para as incapacidades, inutilidades; sonho, esperança e fé são pilares, quando a autoestima pres-ent-ifica-se nos instantes-limites, quando se sabe o que realmente se deseja, o ad-vir que desejam desfrutar. Sem a autoestima, nenhum sonho, esperança , fé tem qualquer valor. Mister estar disposto a morrer por um projeto, caso contrário, sonho, esperança, fé são leis do menor esforço.
Vós que engolistes a seco o Nada, ele é a chave do encontro da verdade, e por esta concepção e crença saís pela vida a fora nadificando morais, éticas, condutas e posturas emocionais, comportamentos existenciais pré-estabelecidos, não vos esqueçais de que o Nada mesmo é a sabedoria de que a ação, aquilo mesmo de colocar a mão na massa, é a Vida. Nadificar as coisas em nome de uma crença nada significa, é construir com o Nada o vir-a-ser do eterno.
Vós que pensais o ir acumulando experiências, vivências, conhecimentos ao longo da caminhada proporciona tranquilidade, serenidade, estar de bem com a vida, estais eminentemente equivocados porque acumular conhecimentos não é existir, sim arrastar-se no mundo. Fazer das experiências, vivências conhecimentos tabernáculo da esperança, isto sim, é existir, estar à busca da plenitude. Conhecimento não é sabedoria. Sabedoria é sentir a carência da vida, afagá-la com obras.
Vós que sentis as carências dos homens, a solidão que lhes habita, as necessidades de que prescindem, dando-lhes as mãos para a superação das dores e sofrimentos, para a suprassunção dos medos, não vos esqueçais de que os vossos pensamentos, vossos ideais, vossas utopias não são os mesmos deles, indicar um caminho não é impor regras e normas, princípios, sim ajudar a cada um a se encontrar no mundo, isso com a presença do respeito e do reconhecimento.
Vós que profetizais com o "nada" de vossas vidas, desejando vossas vidas sejam diferentes, não vos esqueçais de que as verdades que possam ad-vir da profecia só se realizam com o con-sentimento da vida e suas dimensões trans-cendentais. Ademais o "nada" de vossas vidas não é o Nada nas suas dimensões de busca. O "nada" de vossas vidas não serve nem a vós próprios.



Manoel Ferreira Neto.

(29 de fevereiro de 2016)

domingo, 28 de fevereiro de 2016

**ÓPERA DA CON-TING-ÊNCIA - NADA E NINGUÉM** - Manoel Ferreira


Re-cônditos inter-stícios do nada re-fletem de con-ting-ências ab-surdos que semeiam grãos de ipseidades no limiar da razão, jamais o nonsense será pensado à luz do sensível, será visto como labirinto de vazios, vazio da subjetividade, vazio da sensibilidade, nunca as nonadas da hipocrisia e falsidade serão julgadas à mercê dos sensos de virtudes, serão sempre incólumes princípios da mauvaise-foi que garantem os interesses e ideologias do estar no mundo desfrutando da deliciosa ração dos rebanhos.
Re-fletir tais con-ting-ências? Pres-ent-ificam-se a todo instante, são integrantes dos valores insofismáveis que sustentam a sobrevivência, não sendo mais necessário qualquer inteligência e juízo para projetar a vida.
Nada disso. Re-fletir o óbvio é brincar com a passagem do tempo, tripudiar com a sua demora em mostrar o re-verso das ruminâncias do desprazer, da infelicidade, das angústias, o sibilo de vento entre as montanhas.
Os sinos da igreja ressoam, convidam os fiéis para a fé, colocarem Jesus no coração, serem a efígie do bem. Poucos assistirão à missa, noite de chuva, nada mais delicioso que o sono, mesmo sob as intempéries do pesadelo.
Nada a refletir, nada a meditar, nada a pensar, ser o nada, nada solitário, nada silencioso, nada introspectivo, nada sorumbático e macambúzio, nada circunspecto, pervagar nas trilhas do efêmero. As verdades estão escritas no In-finito e desenhadas nas estrelas, tudo o mais são falácias e verborréias no tempo das con-ting-ências, a heresia muleta do não-ser, bengala dos desvalidos, a fé complemento do vazio, o nada esperança dos peregrinos, sendeiros, sábios e gênios.
Por ser isento de pecados, Jesus viu os pecados humanos, artificiou os caminhos do bem e do amor como redenção. A consciência do nada e as suas benesses não seriam a liberdade, não seriam o reino no mundo? As ovelhas perdidas des-velaram, des-vendaram o nada, a cada passo novas esperanças, novos desejos.
São dois, são cem, é o mundo chegando e ninguém. Os mortos não voltam para dizerem da ressurreição, se houve o Juízo Final, se o paraíso existe, se o inferno existe, se lá as almas penam nas chamas, para os russos o inferno é gelado.
A chuva continua caindo fininha e lenta. O nada que sou sei que estiará, o sol brilhará amanhã, brilhará forte. O mundo e ninguém. Todos... Ninguém. Se o Ninguém não existisse, seria necessário inventá-lo. O interessante é que o Ninguém corre do Nada como Deus de Mefistófeles. Diga com quem anda, direi quem é. É Nada Ninguém. Se Ninguém, no regaço da alma habitam as hipocrisias e falsidades de todos os naipes, imagino as mesmas no Nada Ninguém, divinas e absolutas. Antes Ninguém do que Nada. Antes Ninguém do que Nada Ninguém. No seio do Nada não há leito de flores para as hipocrisias.



Manoel Ferreira Neto.
(28 de fevereiro de 2016)


**NA RELVA DOS OÁSIS** - Manoel Ferreira


Quem sou, o que sou? Quiçá isto não tenha o mínimo sentido, menor valor. Se sei quem sou ou o que a criação de quem sou faz-me ser, leva-me ao ser. Terei respostas para quem sou? Se hoje sou o verbo de meu ser, amanhã serei o nada do verbo.
Talvez um dia eu venha a saber quem sou, o ser de mim se me revele trans-parente e límpido. O que a minha razão insolente, inquieta e ao mesmo tempo meiga e perspicaz sabe é que nada sei de mim. Sou o quê? Não sei. Não sei se sou.
Como os grandes valores do ser e do não ser são difíceis de situar! O silêncio, onde está sua raiz, é uma glória do não-ser ou uma dominação do ser? Ele é "profundo". Mas onde está a raiz de sua profundeza? No universo onde rezam suas preces as fontes que vão nascer, ou no coração de um homem que sofreu? Em que altura do ser devem aguçar-se os ouvidos que escutam? Ah, de que silêncios precisamos nos lembrar na vida que passa!
Sou separado, sou pai, sou divorciado, sou amante, sou amigo, sou namorado, sou filho, sou irmão, sou ex-professor, escritor, poeta, sou dócil e grosseiro, sou disperso, sou perspicaz. Sou tudo isto e nada sou. O ser é, alternativamente, condensação que se dispersa explodindo e dispersão que retorna até um centro. Um mundo imenso ainda me escuta, mas não existo mais, transformado somente e unicamente em um ruído, que vai rolar séculos ainda, mas destinado a apagar-se completamente, como se nunca houvesse existido.
Na relva dos oásis o silêncio do "sou", de quem "sou", me faz repousar, dirige-me às águas do repouso, no repouso me faz repousar... Ah, ah, no repouso me faz repousar. Meu ser ele restaura e conduz-me nas sendas do amor, nas veredas dos sonhos.



Manoel Ferreira Neto.
(28 de fevereiro de 2016)


**ONTOLOGIA DO PRESSENTIMENTO** - Manoel Ferreira


Agora começou a chover. Venta e faz frio. Meu corpo molhado treme e a tristeza é ainda maior. Nem percebi a tristeza chegando; quando vi, estava triste. Nunca manda um bilhete, um aviso de quando vai chegar. Caminho por ruas esburacadas e, por vezes, enfio o pé em poças d´água, com certeza contaminadas pelos dejectos que os transeuntes jogam. Minha alma está triste até à morte - a tristeza mergulha profundo no meu coração, consome-o. Meu eu agora é esquálido, magro, quase um nada e a tristeza não deixa de corroê-lo, daqui a átimos de segundos não mais existirá e como a tristeza é insaciável, em pouco tempo, tempinho de nada, consumirá a si mesma, como as chamas ardentes do fogo sem nada onde se aderir; dar-se-á a metamorfose; serei uma águia, livre, leve, bom, e voarei para além desse chão lamacento, para além dessas nuvens escuras, e me fundirei, num amplexo de amor e carinho, com o azul infinito deste céu diáfano que meus olhos cegos já começam a ver.
Queria escrever versos gritados, ferozes, versos selvagens, versos rebeldes, versos revoltados, versos que explodissem em mil sons, versos gargalhadas terríveis, versos risos amareliçados com aquela pontinha de cinismo, ironia, versos em voz rouca, versos realisticamente fantásticos, versos que confudissem o coração e ferissem a inteligência, versos ecos em abismo e labirintos, versos mistérios de fundo de mar, queria escrever vida em versos. Não queria escrever versos de tristezas tristes, estes versos corróem as palavras, são ácidos. Vou garatujando letras nas linhas da página sob o feitiço da tristeza, daqui a pouco, quiçá, estarei livre, estarei alegre e contente. Não escreverei versos, escreverei prosa. Os mistérios da prosa insinuam-se, convocam. É e está. Nas cordas interiores vibram os dedos da mão. Versos vertem lágrimas pujantes, prosa revela brilhos no olhar, nesta me entrego.
Não estou triste e nem alegre agora. Estou. Não vou investigar o que estou, não vou obter resposta plausível. Deixo-me estar. Deixo-me estar sentado aqui na mesa do restaurante, olhando a chuvinha que cai lá fora. Deixo-me estar garatujando estas letras.
O vento incoerente prepara o caos das coisas. Murmúrios e estrondos estão lado a lado. O que me ensina? Ensina-me a ontologia do pressentimento. Enleva-me na pré-audição. Pedem-me que tenha consciência dos mais débeis indícios. Tudo é indício antes de ser fenômeno nesse cosmos de limites. Quanto mais débil é o indício, mas tem sentido, pois que indica uma origem.
Triste tristeza. Tristeza triste. Triste tristeza triste. Brinco com as palavras. Estão elas abertas para mim, consentem plenamente que eu as registre nas linhas da página, mas eu, tomado desta triste tristeza triste não estou conseguindo mergulhar em mim.
Deixo-me. Deixo a triste tristeza triste. Recolho-me em mim.



Manoel Ferreira Neto.
(28 de fevereiro de 2016)


**TU - QUEM ÉS? - REVISADO** - Manoel Ferreira


Tu – quem és? Quem és – tu? És tu – quem? Quem tu – és? Quem és – quem? O que é isso – ser tu? O que é tu – ser isso? Tu – quem isso ser? Isso – quem é o ser?
És a esperança de fé que perpassa os tempos de amanhã, do infinito, dos horizontes, do uni-verso, de confins, de arribas, do mundo, da terra; és a fé que suprassume as controvérsias dos desejos e vontades do eterno e imortal, as contradições do efêmero e eterno da desejância do ser sublime; és a utopia da consciência-estética-ética, da cristianidade, da transcendência, da divinidade, trans-elevância do absoluto; és o desejo do belo e da beleza, de sonhos de encontro do ser, de ser o verbo do sublime e eterno de ser a carne do perpétuo, da cáritas, ossos do manque-d´être, das ipseidades; és a consciência-ética-estética que re-cria e cria outros uni-versos de sonhos e quimeras, de fantasias e vontades da beleza resplandecente do amor e da felicidade, da alegria e da saltitância.
És tu – quem? Tu - quem és? Quem és – tu? És – tu quem?
És o verbo que perpassa o sonho de esperança do amor que fecunda o desejo de conhecer, concebe a sede de compreender o inaudito do espírito de luz, o desconhecido da alma de crepúsculo e alvorecer; és a poiésis nos interstícios das querências de alegrias que preencham o vazio do ser, a nonada do não-ser; és a vontade que habita o sonho de fecundar o verbo do amor, o verbo do ser e das quimeras, conjugando temas e temáticas nas raízes do tempo, nas sementes dos re-versos, in-versos, avessos das querências, contramãos das tristezas, baldio das desolações e desconsolos; és o amor da esperança de conhecer o que é o divino em ti, em nós, nos homens, o que é a perfeição em nós, nos homens. 
Quem – somos nós? Nós – quem somos? Somos quem – nós? Nós – quem somos?
A ausência de nós, a querência do múltiplo, o instinto do obtuso, a busca do pleno, a vontade do absoluto, a perda, o des-encontro, o vazio, o vácuo, o nada, as sorrelfas, os idílios, as nonadas, travessias, os olhos voltados para o infinito, a alma no compasso do quotidiano e do real em busca da presença das alegrias, prazeres, do eterno e imortal, mesmo no vai-e-vem do efêmero e etéreo, mesmo na rede do sim e do não, na gangorra das semânticas do simples, linguísticas do hermético, mesmo na dança escalafobética da contradição e das ambigüidades da consciência do presente entrelaçada à consciência histórica. 
Somos nós – quem? Somos quem – nós? Nós quem – somos?
Somos os braços para a-colher, envolver, afagar e dar o colinho do peito ao outro, aos humildes, aos pobres, aos simples, aos carentes; somos o coração para amar, somos o espírito para sensibilizar, somos a alma para desejar, somos a vontade da paz, da felicidade, de nos encontrarmos, de nos encontrarmos em Deus, nas emoções verdadeiras, nos sentimentos de compaixão, solidariedade, somos a verdade à busca do Espírito Santo de nossos pecados e culpas.
Que cantamos – nós? Nós – o que cantamos? Cantamos o quê – nós?
A graça de sermos vocacionados à felicidade, à paz, ao conhecimento de sermos quem somos; o espírito no ritmo das buscas do bem e da compaixão, nos acordes do tempo e vivências, da solidariedade e da amizade, a alma na musicalidade dos desejos de ser, da verdade, no ritmo da solidão e silêncio, na melodia do ser-no-mundo e estar-no-mundo.
De quem cantamos – a graça? A graça de quem - cantamos? Cantamos a graça – de quem?
De quem mais soube a poética do Ser, a poiésis do espírito, a palavra que entranha e des-entranha o mistério da fé, da esperança, o soneto de rimas que deseja a chave-de-ouro do verbo que encarna a vida no tempo de viver, da carne que verbaliza o tempo na vida de todas as utopias e quimeras. 
A graça – de quem cantamos? De quem – cantamos a graça? Cantamos – de quem a graça? 
De quem sentiu nos interstícios do espírito O que é isto – a busca do Ser? De quem buscou no inconsciente divino a fé que alimenta a vida, a esperança que pro-jeta os sonhos e fantasias, o amor que nos embala no vai-e-vem dos tempos e das utopias. De quem construiu a vida com o suor das lutas e labutas, com a fé das virtudes éticas e morais. 
Que cantaste – tu? Tu – que cantaste? Cantaste tu – o quê?
O conhecimento do ser nas dialéticas da ec-sistência, o vazio do não-ser na profundidade ausente/presente, na superficialidade dos interesses/ideologias, nos desejos forclusivos da psique e mente; a fé no ser que des-vela a floresta silvestre do sentimento, o abismo profundo da alma nas fontes metafísicas do divino, na teologia imanente da transcendência.
Cantaste o quê – tu? Quê – cantaste tu? Cantaste – tu, o quê?
O amor que só vive de entrega e doações, o carinho que só ec-siste de toques e re-toques. A ternura que só alimenta o sensível e a sensibilidade de sorrelfas do sentimento e emoções. A compreensão que fecunda o coração dos homens, o entendimento que rega o espírito, a solidariedade que comunga o eu e o outro e condu-los ao desejo da conquista e real-ização. A paz de saber a vida, koinonia do sonho e verbo.
De que modo - cantastes? Cantastes – de que modo? De quê – cantastes o modo?
Na melodia simples de versos profundos, que ascendem ao numinoso os verbos do eterno, na eternidade da memória, na lembrança do espírito subterrâneo, na re-cordação do inconsciente da alma; na musicalidade ingênua e inocente de estrofes que rogam a intuição pura da vida, a percepção singela das veredas que ao ser da floresta nos envia para con-templarmos a suavidade do uni-verso, a tern-idade do infinito, a sublimidade do horizonte no crepúsculo da sensibilidade, a éter(idade) do cristal-vida na dialética do ser no não-ser da dialética; no ritmo sensível de palavras poiéticas, de poiéticos significados nos significantes do verbo que precede a carne, de poéticos inter-ditos na significância dos sentidos não revelados.
A quem amastes – tu? Tu – amastes a quem? A quem tu – amastes? 
À doce esposa e companheira, aos filhos, aos alunos a quem desejastes no coração o encontro da vida, da realização, aos homens, a quem desejastes a plenitude da fé, o verbo do amor, entre-vírgulas o adjetivo do divino, advérbio do espírito maligno; a Deus amou na divin-idade de seu Ser, no Ser da divin-idade do amor; a Cristo rogou e implorou, contemplando a Salvação, redenção, a liberdade humanística da Vida/Ser, o Ser humanístico da Liberdade/Vida, a Vida humanística do Ser-Liberdade. 
Nobremente sofreste – tu? Sofreste tu – nobremente? Tu – sofreste nobremente?
Como homem de fé, esperanças, quem com-preendeu, sentiu, viveu, vivenciou, experimentou os atos-falhos, a forclusividade, a ausência, o vazio, mas no espírito, ainda que a alma des-esperançada abisma-se nas cataratas de fontes abissais, cantaste a canção do espírito, os cânticos do amor e do verbo, cantastes a solidariedade, compaixão, num mundo de sofrimento, dores, angústias; sofreste nobremente, a nobreza da esperança da fé, do amor sofrestes em busca do Espírito/Ser. 
Foste tu – homem forte? Homem forte foste – tu? Tu, homem – fostes forte?
Sinto a tua força nestas palavras, nesta linguagem de meus sentimentos, neste estilo de elaborar as emoções que revelam a tua ausência no mundo, no coração de todos os que receberam tuas lições, teus conselhos, teus desejos de liberdade, fé, esperança; no espírito de tua família que alimentou de sua alma compassiva e solidária o amor de teu verbo-conhecer o simples, os versos, estrofes de sensibilidade, as notas, ritmo, musicalidade. Mas a tua presença sensível e intelectual em todos os séculos e milênios de nossa vida, de todos nós que contigo convivemos, aprendemos a amar o belo, a beleza, a desejar o que liberta, será Estrela Polar que nos guiará, mostrar-nos as veredas dos campos silvestres por onde trilhar e querer o amor... A esperança... A fé.... 
Voz aberta ao insondável, eis que, porém, reconheço agora que se abre apenas ao insondável de mim. Regresso a mim, ao meu corpo distinto e classificável onde todo o milagre aconteceu. E pergunto-me, suspenso, como foi possível, como é que uma breve semente abriu assim até essa Voz, até ao silêncio donde essa Voz se re-velou, donde essa Voz falo, donde essa voz gritou a todos os ventos os seus medos e esperanças. Frente ao grande sono dos homens que o esqueceram, na atenção inexorável ao sem limite de mim, a minha vigília arde como um fogo assassino. Lume breve na minha intimidade, na brevidade de um pequeno ser, eu, anônimo e avulso, ocasional e frágil – eu. E todavia, esse lume vibra de vigor, brilha único e intenso contra o assalto da noite, contra o salto do sono ao sonho, contra a travessia do sono à vigília. 
Trago em mim a força monstruosa de interrogar, mais força que a força de uma pergunta. Porque a pergunta é uma interrogação segunda ou acidental e a resposta, a espera para que a vida continue a sua jornada sem limites em busca do “Ser”, em busca de suas águas límpidas e cristalinas

Manoel Ferreira Neto.
(28 de fevereiro de 2016)



sábado, 27 de fevereiro de 2016

TEMPLO DE PERCUCIÊNCIA E VIVACIDADE** - Manoel Ferreira


Se há algo que me não entra no cérebro, a menos que seja acéfalo e não sabia, mesmo que me abra a cabeça a machadada, é a retórica. Sinto mui abismático a presença do "espírito malígno" nela. Não adianta qualquer meio de consegui-lo, tudo será em vão, mesmo sendo um gênio a ensinar-me as lições, desde o b+a=ba, com toda a paciência e finesse. Sei lá se se trata de minha natureza ou se alguma resistência latente que tenho, medo de as dimensões sensíveis escafederem-se, tornar-me um poste de cimento armado, um endeusado "em-si", um racionalóide de paletó e gravata.
Diante de tudo o que é perfeito, frente de todas as perfeições dos homens, estamos acostumados - juro por Deus que eu mais que todos os homens de todos os tempos - a omitir a questão do vir a ser e desfrutar sua presença como se aquilo houvesse desabrochado, tivesse brotado magicamente do chão, divinamente das nuvens claras e escuras, nos temporais e chuvinhas finas. Acredito estejamos os homens sob o efeito de um sentimento mitológico arcaico, sob o encantamento de uma sensação lendária erudita. Por um triz sentimos que certa manhã um deus,por brincadeira ingênua ou por sarcasmo deliberado, Zeus era mestre nesta brincadeira, construir morada em blocos imensos, ou que subitamente uma alma se encontrou por encanto numa pedra, e agora deseja falar por seu inter-médio.
Como na perfeição as dimensões sensíveis dos valores e virtudes estão bem organizadas, em comunhão plena, geralmente o homem perfeito é aquele que jamais pecou, nunca pecou, jamais cometeu qualquer deslize de caráter e personalidade, só praticou o bem, seguiu à risca mesmo os Dez Mandamentos, louvou os dogmas do cristianismo,não há modo de me não sentir encantado com a humanidade.
Escrevendo sobre os autores da atualidade, buscando re-conhecer-lhes os valores com sinceridade, dignidade e honra, posso dizer que são difíceis os caminhos das letras, sente-se com facilidade as angústias, tensões, medos que todos sentem bem profundo, aquela dor profunda que é isto o desejo da imortalidade e as situações não serem nada fáceis. Sinto isto todas as vezes que tomo da pena para escrever crítica sobre obras e autores.
Dentre todas as experiências que já vivi retratando-lhes e ás suas obras, pude sentir mais de perto, presente e forte o que é isto divulgar o homem e a obra, o que isto significa para ele. Deve-se ser o mais digno, o mais honrado, o mais virtuoso, para não cair no lago das piranhas, ser boi(vaca) de piranhas, servir aos ideais do outro, a felicidade é que ele mesmo se sirva de seus ideais, faça deles o Pórtico para o Impossível.
Diante de tudo o que é perfeito, frente de todas as perfeições dos homens, estamos acostumados - juro por Deus que eu mais que todos os homens de todos os tempos a omitir a questão do vir a ser e desfrutar sua presença como se aquilo houvesse desabrochado, tivesse brotado magicamente do chão. Acredito estejamos os homens sob o efeito de um sentimento mitológico arcaico, sob o encantamento de uma sensação lendária erudita. Por um triz sentimos que certa manhã um deus,por brincadeira ingênua ou por sarcasmo deliberado, Zeus era mestre nesta brincadeira, construir morada em blocos imensos, ou que subitamente uma alma se encontrou por en-canto numa pedra, e agora deseja falar por seu inter-médio.
Outra senda no silvestre da floresta...o sol incide os raios no uno verso do infinito, no ser e não-ser das estrofes do poema de con-templar as nuanças do horizonte as perspectivas do universo nas pers dos desejos e sonhos da plen-itude da vida, nas pectivas da sensibilidade, do espírito de viver em comunhão com o arco-íris que se estende ao longo das soleiras e confins da verdade das Verdades e Verbos do que há-de vir, do que há-de perecer no tempo das buscas, desejos do Amor e da Paz entre os homens, humanidade.
Fácil é pensar que o mundo se abre aos meus olhos, quando trato das coisas graves, quando me entrego por inteiro ao mergulho nelas em busca da felicidade, riqueza, a inconcebível grandeza da vida; é quando me sinto perdido, tudo se me afigura criação, tudo se me afigura representação, são elas coisas efêmeras, criei-as unicamente para justificar ou explicar alguma dor ou sofrimento que pululam em mim dentro, que me corroem, deixam-me confuso, sem saber como é que se dará um encontro sério e digno com elas, talvez nunca. Em verdade, a felicidade, riqueza, a inconcebível grandeza da vida, sinto-as presentes e fortes em mim, quando me entrego às ironias e deboches. Acredito, desacreditando, desacredito, acreditando que são de minhas origens de neto de palhaço, correm em minhas veias até mais que o próprio sangue. Vivo neles um momento, aprendo neles o que me parece digno de ser aprendido, assimilado, ajudam-me a olhar as coisas do mundo com maior amplitude, com maior vivacidade, é quando entendo e compreendo mais a vida, sinto-lhe o verbo e o espírito, mas antes de tudo é amor que sinto pelo deboche, pela ironia, amor sem cancela e fronteiras. Este amor ser-me-á retribuído milhares de vezes, se me disponho a ler as suas linhas e entrelinhas, pois que a finura e delicadeza do humor me tocam bem fundo, deixam-me em estado de êxtase e as volúpias todas me tomam, e, como quer que se torne a minha vida, eles passaram a fazer parte, estou não apenas convencido ou persuadido disto, estou em verdade certo, do tecido de meu ser, como uma das fibras mais importantes, no meio das experiências, vivências, no meio das desilusões e alegrias, das incertezas e contentamentos, das dúvidas e felicidades.
Em pensando nestas questões de primordial importância, ainda que de modo sarcástico e irônico, o modo melhor encontrado, não me é dado saber se para não haver-de espremer os miolos, não é tão simples explicar ou res-ponder, não tornar complexo a quem deseja compartilhar o questionamento, decido trilhar com esmerada finesse outra senda no silvestre dessa floresta íngreme, cuidando de con-templar as nuanças do horizonte, as perspectivas do universo em comunhão com o sol que incide os seus raios em todas as coisas, deixando sombras em todos os lugares,desde o amanhecer até ao entardecer, o uno do verso do in-finito em contraste e harmonia com as estrofes do poema do ser e não-ser.



Manoel Ferreira Neto.
(27 de fevereiro de 2016)


**DA PEDRA O DEUS INCONTESTE** - Manoel Ferreira


Re-fazer as labutas, bungas-bungas, in-tens-ificar os esforços, à busca da plen-itude, sublime. Verbos dos princípios, querências e versos do saber primeiro, verdadeiro sentimento de olhar com fé, esperança, para o esplendor e magia do conhecimento e sabedoria, da consciência e espiritualidade, imagens se a-nunciam na distância do tempo, átimos de segundos e minutos.
O sistema de ensino da Literatura nos tempos do curso de Magistério era diferente do tradicional. Com constância a professora dava temas de redações, valendo nota. As melhores eram comentadas, restando uma que era a melhor redação. Lembra-me que houve o comentário de algumas redações, a que se despontara fora a minha. Perguntou-me ela se fora quem escrevera a redação, não por haver desconfiado, mas que todos soubessem de meus talentos e dons. Um dos melhores amigos tomou a minha frente e disse: "Não sei o que ele escreveu, mas posso garantir que ele escreve assim mesmo". Também confirme. Outra coisa diferente: a melhor redação tinha de ser lida pelo aluno frente a todos. Lembra-e que de quando em vez, no decurso da leitura, deparei-me com inúmeras surpresas, queixos caindo, um silêncio enorme, nem mosquitos haviam para se ouvir. E a professora após a leitura dissera: "Estão vendo o que é um talento e dom natos para a Literatura, para as letras. Com efeito, será um grande escritor no futuro".
Instâncias e estâncias das pers e pectivas dos mistérios, a ilusão de encontro da verdade, a quimera de o sentido da vida se elevar aos auspícios do brilho e esplendor do in-compreensível dos verbos pré-{s}-entes, das palavras vagando por ruas, alamedas, becos, à busca de sentidos outros da fé, con-templando por quês e quês viáveis, plausíveis, possíveis das esperanças.
Em tempos verdadeiros de travessias de nonadas ao antes era o mistério, depois o desejo da luz, ao antes era o nada, depois a vontade de tudo ser, ao antes era o verbo, depois o verbo se tornou carne, ao antes da bonança, a tempestade, ao antes da tempestade, a bonança, roda-viva de sentidos, pá-lavras, cata-ventos de metáforas, signos, símbolos na lingüística das raízes imanentes e trans-cendentes
Do ser e do verbo, do verbo e verso.
Há instantes que estão muito profundos na memória, por mais que se tente lembrá-los é quase impossível. Lembrou-me quando a professora se referiu aos dons e talentos que trago em mim, lembrei-me, na infância, estava representando uma peça de teatro na época de 07 de setembro, Fugiu-me uma fala em plena peça e não me lembrava de modo algum, até que a professora mesma me sussurrara, estava perto dela.Os colegas riam de mim. Na aula próxima, comentara sobre o acontecido, dizendo não nestas palavras, mas o sentido é o mesmo: "Saibam vocês que ele é neto de palhaço, no sangue dele corre a veia de artista. E vocês riram porque ele esqueceu a fala. Saibam também que isto no teatro é bastante comum." Fiquei em silêncio.
O que me foi, a mim, foram bestas prostituídas, prostitutas bestificadas; a mim foram bezerros de ouro venerados e re-verenciados; penas exaurindo mil primaveras, incomensuráveis invernos; tintas re-fazendo as flores secas caindo livres no solo, húmus de outras que embelezarão a aurora do novo dia; o que me foi a mim foram barcos naufragados; faias redemoinhando águas, fráguas des-cortinando, desvelando o des-brilho dos olhos, o silêncio da língua,confusão, perdição na mente.
Escrever as redações era um suplício para mim. Levava três, quatro dias. Desejava escrever algo que tivesse valores literários e não como os colegas faziam, desde que escrevessem para entregar a professora, se ruim, péssimo, médio, bom, excelente, pouco se lhes dizia isto. Muitas dificuldades, escrevia, re-escrevia, tornava a escrever até ficar pronta.
Dizer ou afirmar com prepotência, mesmo sem ela, de modo simples e humilde, a vida são mistérios, os mistérios são sementes da vida, são raízes abstratas do que há-de se a-nunciar, e até sentir-me extasiado por conhecer e saber o que ela é, exultante por nada com-preender à luz do encanto e re-encontro/re-encanto dos abraços e compassos, os réquiens às felicidades e alegrias, às flores morenas que mandam no coração, que moram no paraíso de mim, que me tiram da solidão, nada entender sob a imagem da nova consciência e juventude do outro que se a-nunciará no campo de flores secas que caem e serão húmus de outras a re-novarem as forças do espírito para as novas razões, desejos e vontades, todas as alegrias e felicidades habitam-me, por assim ser, ser o que me habita a essência da vida e contingências dos tempos, despertando-me para a busca de esclarecê-los e torná-los transparentes e re-luz-entes, não é está-la definindo de modo absoluto, não é estar conceituando e categorizando os raios luminosos que moram no coração e espírito delas, seja verdade eterna e imortal, não o seja, tanto pior, jamais haverá quem isso conteste ou diga que nas situações e circunstâncias do tempo essa era a definição que se poderia obter, era o que se poderia considerar e reconhecer sublime e esplendoroso, as luzes plenas não haviam sido acendidas ainda, na continuidade das relações sociais, políticas e econômicas é que seriam acesas, iluminadas, abençoadas, ungidas, haver-se-á de esperar novos tempos, mudanças e transformações, até que fora iluminado para assim definir com toda propriedade, categoria, fora muito feliz, mas a mesm-idade do tempo continua, as sanidades prolongam-se, as idéias vãs são conservadas em nome de preservar os princípios da salafrariedade, para o esquife ser acompanhado com lágrimas verdadeiras e de crocodilo pelas cumplicidades, capachidades, alibiedades dos súcias, sem os benefícios todos das dúvidas extensas e cogitanas, só os súcias se amam mutuamente sem quaisquer dúvidas e desconfianças, sem quaisquer interesses obtusos ou chinfrins, completam-se, aderem-se, comungam-se, e tais palavras já não têm o menor sentido, pode-se conservá-las, preservá-las, atribuindo-lhes outros sentidos à mercê das pedras que rolam serra abaixo, da rocha que é levada com esforço sobre-humano ao cume dela, já nem se explica por que razão serem pró-nunciadas, por que motivo serem ditas com ênfase e euforia, até deixando a baba escorrer queixo abaixo, as ciências, tecnologia, informática e o conhecimento se desenvolveram, progrediram, não existem mais mistérios, a vida é livro aberto, é página límpida e nítida de letras claras, mostrando todas as sílabas que podem ser lidas livre e espontaneamente, com olhos de lince ou simplesmente retinados de vazio e volúpias, pupilados de abismos e êxtases – quê imagem de quem se encontra à soleira de seu alpendre, sentado no toco de madeira, no crepúsculo, olha de modo re-flexivo a passagem do efêmero e passageiro, do nada e obtuso, do eterno e in-cont-ingencial, e com a leitura re-verenciar o que há de vir, espalhando coisas sobre um chão de giz, o que há de ser, jogando na colcha de retalhos os confetes do gozo dos acorrentamentos no calcanhar das explicações freudianas, dos enforcamentos nos pescoços das idéias analíticas das neuroses e psicoses da psicanálise moderna, con-templar a águia que voa de um extremo ao outro do uni-verso, em busca de seu in-finito, do horizonte onde pousará e olhará tudo de frente, baterá suas asas alegremente para mostrar e id-ent-ificar que os seus projetos foram sim concretizados, poderá atravessar o que há para além do bem e do mal, do eterno e efêmero, inspirando a humanidade para a esperança e fé de que Maria Santíssima abençoa a todos com as graças de seus raios de luz que inspiram e iluminam o encontro do Ser Divino e da Verdade Espiritual. Esperança e fé são ou deixam de ser, não há meio termo – só há uma coisa que não se pode chegar a essa conclusão: acredita-se ou não em Deus, não há meio termo, porque não acreditar em Deus não existe, é atitude de jerico, é fantasia de imbecil, é nonsense de otário, mesmo que o deus seja a pedra no meio do caminho, no meio do caminho haver uma pedra, para que a esperança de a pedra se movimentar, andar, no meio da estrada ou na sua margem se real-ize, noutras palavras, não existe qualquer cultura sem um deus, na Pedra lascada o deus era o lascado da pedra, à luz de dúvidas e desconfianças, na Pedra Polida era o polido da pedra o deus inconteste e verdadeiro.



Manoel Ferreira Neto
(27 de fevereiro de 2016)


**À LUZ DE QUEM SOU - ALÉM-LINHAS DO ORGASMO, MAGIA** - Manoel Ferreira


Ilusões de antanhas esperanças e sonhos, ondas de verbos deslizam suaves e serenas, versos de pensamentos, estrofes questionamentos singelos do vir-a-ser de horizontes que respinga de dimensões de verdades os volos da inspiração, intuo na imagem das idéias a sensibilidade do ser, e sinto que a poesia é eidos da filosofia, percebo o verbo dos sonhos de amar na dimensão da verdade de ser a semente do prazer que se encontra na emoção de refletir, meditar, pensar, in-vestigando os vestígios das fantasias, fertilidade da imaginação, carência abismal da arte e das perspicácias do estar no mundo. 
Poesia da filosofia - e a coruja canta no silêncio da noite a linguística das querenças do belo sublime, a semântica das desejâncias do In-finito da pureza do divino, da suave beleza da sabedoria que sacia a sede do pleno plenificado de outros uni-versos do verbo que à lareira verseja as chamas dos idílios do silvestre porvir da floresta de místicos mistérios do eterno, gorjeia no seu ser-de pássaro para a gnose da Vida, para a sabedoria da con-ting-ência de existir no mundo, versifica o olhar do lenhador no tronco da árvore com os toques com a lâmina do machado nele, objetivo aquele tronco seja o objeto das chamas do fogão, a lenha para fazer o alimento da vida. Filosofia da poesia - no alvorecer o canto dos pássaros saudando os raios numinosos do sol, a natureza que diviniza o panorama de estesia simples e inocente, a estética do sublime. Ser e verbos... Na amplidão de longínquos pretéritos presentes na memória, o prazer de re-versos desejos, o clímax de in-versas vontades, a extasia de ad-versas visões-do-espírito, "Ah, look at all the lonely people...", a idiossincrasia do eterno esquecida no tempo, a flor de cactus presenciada nos alvores de outro ser do verbo, que me alimente de outros subjuntivos e gerúndios do saber-verbo-uno, das buscas e querências, a miríade de luz de minh´alma resplende de nonadas a luz das travessias, assim vou perfilando ou performando as poeiras das estradas à luz do picadeiro de gargalhadas, do palco de desejâncias da leveza do ser.
Nos pretéritos tempos de estudante de Filosofia, aquele desejo da glória, ser filósofo, fazer a humanidade pensar, refletir e meditar, e num botequim de bairro simples, na companhia de meu mestre Jaime França, professor da Escola de Letras, Teoria da Literatura II, disse-lhe após um gole de pinga e um fisgar de traíra frita: "O verbo da prosa é o reverso do absoluto das idéias e pensamentos e o verbo da poesia é o inverso dos sentimentos da eternidade". e ele de prontidão segurando o copo francês de pinguinha: "O Hegel da Atualidade.". Mas, antes, no carro, dirigindo-nos ao botequim, conversávamos sobre as frases de efeito, são a-núncios profundos do espírito da vida, a questão era que a linguagem e o estilo com que são escritos são muitas vezes vulgares, há-de se encontrar a estética destas a-nunciações. E no tempo das letras Hegel tornou-se apenas críticas do Absoluto, segui as sendas e veredas dos Caminhos do Campo, de Heidegger. Pensamento e ideais de cá, vivenciário e vivencial da caminhada na floresta de mistérios e enigmas do "Ser", o sentimento, a sensibilidade de lá, projetos do ser no ser-sendo das contingências dos desejos do eidos da verdade. Não é uma mochila delicada esta nas costas, "in ela" desejos da verdade, quando se sabe a única verdade no mundo é a transcendência do Eu, a trans-cendência das contingências das labutas pela vida ao além, à busca do Verbo da Verdade, com ele seguir as linhas do uni-verso. 
Segui estes passos, mas sempre buscando estarem à luz de quem sou, quem represento nas estradas de poeiras metafísicas, e no além das trilhas a roda-viva das dialéticas e contradições do não-ser e ser, tentando equilibrar-me nas linhas do condenado ao rés-do-chão e na liberdade de perambular pelo reino dos vôos, deixo-me voar não importando as intelectualoidices de o filósofo não pode poetizar, isto são sorrelfas do manque-d´etre. 
Ritmo de músicas trans-cende a vida e a morte, trans-eleva o sonho e as esperanças, trans-passa travessias e pontes partidas, regendo linguagens do dito, inter-dito estilo da saudade e melancolia, além-ditas formas e estruturas da alegria e tristeza, querência e ilusões do ter sido no ambíguo ato de jogar sobre a mesa as leis naturais do sentido e significado, metáforas, símbolos, signos, re-presentações de linhas em góticas letras, magnífico retrato dos sentimentos comungados à poiésis da metafísica, às idéias re-colhidas e a-colhidas nos horizontes pretéritos das experiências, nos uni-versos mais-que-perfeitos das desilusões, aos sonhos e utopias do belo con-tingente, da beleza trans-cendente, no silêncio eloqüente da floresta silvestre, con-templar as águas brancas do Infinito, no seio des-encarnado de senso, contra-senso, comungar linhas e entre-linhas nas além-linhas do orgasmo, da magia.


Manoel Ferreira Neto.
(27 de fevereiro de 2016)



COMENTÁRIO CRÍTICO DA AMIGA MARIA FERNANDES AO TEXTO AUTOBIOGRÁFICO /**TESTEMUNHO DE UMA IDENTIDADE*/ - Manoel Ferreira


O autor na busca da verdade, da perfeição, na liberdade da vida, em conformidade com ela, sempre insatisfeito na sua pesquisa, mas consciente do lugar que ocupa "artista das letras"! Quer espalha-las por todos os cantos e procura dar-lhes brilho mais e mais e, nesta procura, esgota seu empenho até consegui-lo qual girândola em esplendor. Adorei ler este trecho riquíssimo não só pela arte literária, mas pelo conteúdo semântico. Uma obra prima. Parabéns, meu amigo escritor Manoel Ferreira Neto. Linda tarde.



Maria Fernandes.



**TESTEMUNHO DE UMA IDENT-IDADE**



Quase em paz com o mundo, embora sem esperanças, nem sonhos, nem mesmo tristeza, muito menos nostalgia e melancólia - querem-me por vezes nostálgico, por vezes melancólico, não o sou; ninguém gosta de nostalgia, melancolia, correm delas léguas, mas quando alguém garatuja alguns vernáculos eruditos na folha de papel, identificam-se, os velhos tempos românticos jamais esquecidos e nunca olvidados - apenas com o gosto de estar andando, só, ouvindo o barulho dos autos, os pedacitos de conversas que ouço das pessoas com quem ombreio, quase esquecido de respirar.
É verdade que o sol me arrancou brutal e agressivamente às hesitações, incertezas, escrúpulos, o calor esta intenso; não aprecio nem um pouco, amo o frio, sinto emoções outras; resplandecem a minha personalidade, arrebatamento e a exaltação, dentre outras características que revelam alguém quem colocou sua liberdade em questão, são em absoluto necessárias, posso não realizar as coisas que desejo in totum, mas ficarão o espelho e as perpectivas.
Sob a minha pena tudo vibra, palpita, estremece; tudo flameja, até as próprias estrelas e astros, então e a minha alma eleva-se à medida que este fogo penetra em mim, deixando-lhe eu livre, perpasse por mim inteiro, ilumine-me para arrancar de dentro de mim o que trago nas algibeiras e alforjes. Com certeza, há instantes que sinto bem presente e forte uma necessidade cada vez maior de explodir a bomba do tempo - bum, explodiu a bomba do tempo! -, rasgar todos os verbos, sem colocar os advérbios entre vírgulas, mas não encontro engenho e arte, a carência deles é imensa, crio, artifício com a iluminação, mas chegará o instante que acontecerá; sinto-me insatisfeito, sempre pronto a inovar, a ultrapassar-me e trabalho como um burro de carga, apertando sempre a cela para nada cair ao chão, cinchadito no más com a determinação de des-nudar-me, mostrar-me às avessas. Cabe-me a alma da vida, levo-a com dignidade.
Só em face desta alucinante di-vergência entre quem fui eu, como fui eu, é possível divisar os limites desde onde, posso sonhar a construção do meu reino sobre a terra, este direito de sonhar a construção do reino sobre a terra, é dever construí-lo, seja qual o reino na terra que os homens construírem é gostoso deambular e perambular no lugar criado por eles. Só cuidando do orgulho, este tudo destrói, o que era reino torna-se lamaçal. E é porque é difícil estabelecer esta di-vergência, Ter a aparição de mim a mim próprio, que os homens podem construir uma redenção com uma aparência de segurança que os ilude e os escarnece, que eu possa artificiar as in-fin-itiv-idades do verbo de mim, dos homens, de todos, mas a aparência é isenta de qualquer permanência, não é nem espelho e nem perspectiva. Não construo e nem construirei algo sob a efígie de redenção, sim sob a luz da liberdade do Eu, construir e ser construída para a realização do prazer de estar-no-mundo, curtindo o que as mãos fizeram.
Imagine, então, andando eu pelas alamedas, calçadas de ruas, algumas pessoas e dizendo: "Estou precisando deste E, vou levá-lo", respondendo-lhe: "Leve quantas letras forem de seu desejo. Não se esgotam". Isto porque construí-me a mim artífice das letras. Para isto mesmo o Eu, construído, tempo de semeá-lo pelas trilhas.
As letras sem sombra, as linhas nítidas e transparentes, o brilho do estilo, de uma extraordinária intensidade, impõem-me uma leitura completamente renovada da Vida, muito próxima, pela sua simplicidade, à dos alucinados e pervertidos, alucinação e perversão fazem as batidas fortes do coração, "bora" a entrega ainda mais plena. É na luz radiosa dos primeiros dias de Primavera que descubro o sentido de meu novo rumo, o caminho a seguir daí em diante.
O homem é tão efêmero que, mesmo onde está verdadeiramente seguro da sua existência, no único lugar em que sua presença produz uma impressão real, ou seja na melancolia, no coração daqueles que lhe são caros, mesmo aí deve apagar-se e sumir o mais depressa possível!...



Manoel Ferreira Neto.

(27 de fevereiro de 2016)

**TESTEMUNHO DE UMA IDENT-IDADE** - Manoel Ferreira


Quase em paz com o mundo, embora sem esperanças, nem sonhos, nem mesmo tristeza, muito menos nostalgia e melancólia - querem-me por vezes nostálgico, por vezes melancólico, não o sou; ninguém gosta de nostalgia, melancolia, correm delas léguas, mas quando alguém garatuja alguns vernáculos eruditos na folha de papel, identificam-se, os velhos tempos românticos jamais esquecidos e nunca olvidados - apenas com o gosto de estar andando, só, ouvindo o barulho dos autos, os pedacitos de conversas que ouço das pessoas com quem ombreio, quase esquecido de respirar.
É verdade que o sol me arrancou brutal e agressivamente às hesitações, incertezas, escrúpulos, o calor esta intenso; não aprecio nem um pouco, amo o frio, sinto emoções outras; resplandecem a minha personalidade, arrebatamento e a exaltação, dentre outras características que revelam alguém quem colocou sua liberdade em questão, são em absoluto necessárias, posso não realizar as coisas que desejo in totum, mas ficarão o espelho e as perpectivas.
Sob a minha pena tudo vibra, palpita, estremece; tudo flameja, até as próprias estrelas e astros, então e a minha alma eleva-se à medida que este fogo penetra em mim, deixando-lhe eu livre, perpasse por mim inteiro, ilumine-me para arrancar de dentro de mim o que trago nas algibeiras e alforjes. Com certeza, há instantes que sinto bem presente e forte uma necessidade cada vez maior de explodir a bomba do tempo - bum, explodiu a bomba do tempo! -, rasgar todos os verbos, sem colocar os advérbios entre vírgulas, mas não encontro engenho e arte, a carência deles é imensa, crio, artifício com a iluminação, mas chegará o instante que acontecerá; sinto-me insatisfeito, sempre pronto a inovar, a ultrapassar-me e trabalho como um burro de carga, apertando sempre a cela para nada cair ao chão, cinchadito no más com a determinação de des-nudar-me, mostrar-me às avessas. Cabe-me a alma da vida, levo-a com dignidade.
Só em face desta alucinante di-vergência entre quem fui eu, como fui eu, é possível divisar os limites desde onde, posso sonhar a construção do meu reino sobre a terra, este direito de sonhar a construção do reino sobre a terra, é dever construí-lo, seja qual o reino na terra que os homens construírem é gostoso deambular e perambular no lugar criado por eles. Só cuidando do orgulho, este tudo destrói, o que era reino torna-se lamaçal. E é porque é difícil estabelecer esta di-vergência, Ter a aparição de mim a mim próprio, que os homens podem construir uma redenção com uma aparência de segurança que os ilude e os escarnece, que eu possa artificiar as in-fin-itiv-idades do verbo de mim, dos homens, de todos, mas a aparência é isenta de qualquer permanência, não é nem espelho e nem perspectiva. Não construo e nem construirei algo sob a efígie de redenção, sim sob a luz da liberdade do Eu, construir e ser construída para a realização do prazer de estar-no-mundo, curtindo o que as mãos fizeram.
Imagine, então, andando eu pelas alamedas, calçadas de ruas, algumas pessoas e dizendo: "Estou precisando deste E, vou levá-lo", respondendo-lhe: "Leve quantas letras forem de seu desejo. Não se esgotam". Isto porque construí-me a mim artífice das letras. Para isto mesmo o Eu, construído, tempo de semeá-lo pelas trilhas.
As letras sem sombra, as linhas nítidas e transparentes, o brilho do estilo, de uma extraordinária intensidade, impõem-me uma leitura completamente renovada da Vida, muito próxima, pela sua simplicidade, à dos alucinados e pervertidos, alucinação e perversão fazem as batidas fortes do coração, "bora" a entrega ainda mais plena. É na luz radiosa dos primeiros dias de Primavera que descubro o sentido de meu novo rumo, o caminho a seguir daí em diante.
O homem é tão efêmero que, mesmo onde está verdadeiramente seguro da sua existência, no único lugar em que sua presença produz uma impressão real, ou seja na melancolia, no coração daqueles que lhe são caros, mesmo aí deve apagar-se e sumir o mais depressa possível!...



Manoel Ferreira Neto.
(27 de fevereiro de 2016)


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

**TESTEMUNHO DE UM ESCRITOR POETA** - Manoel Ferreira


Nuvens que conheço, sombras que me perpassam. horizontes e uni-versos que me pervagam, rios de águas cristalinas que em mim per-correm, correm, de-correm, escuridões que me perscrutam: antípodas... Antinomias, paradoxos, hipérboles do sentimentos - não seja, quiça, modo e estilo de envelar algo íntimo?, requer tranquilidade para refletir, não é o instante, desejava saber o que é isto de tripudiar com o con-ting-ente, sentimentos dispersos para tripudiar com o pensar circunstâncias que estão arrancando do mais íntimo dores e sofrimentos, angústias. Reflexos de imagens pairando lívidos, transparentes, trans-extasiados, trans-excitados, seduzindo desejos, vontades, conúbio de luzes, madrigal de sons ritmando emoções, espectros a tornarem-se inspiração de linguagens e estilos, sons, ritmos, acordes, melodias, interditos da esperança da beleza, nas palavras versáteis do lúdico, verbos outros do in-verso sonho do pleno, re-versa sorrelfa do sublime, ad-versa quimera do puro, do verbo em sinfonia com a lírica do In-finito.
Talvez, suspenso no limite do inaudito e mistérios, não haja com-templado na metáfora dos pretéritos latentes as perspectivas de élans que incidem no além, na querença da verdade que se multiplica ao longo da composição das éresis do espírito aberto às cintilâncias do ser, aceno de soslaio para lua minguante, não me esquecesse do brilho, apenas a-nunciação que acende o pisca-pisca da alma que anseia o alvorecer do ser à bessa do a-temporal que ludica de miríades da harmonia, sintonia, sincronia os anti-verbos do poema, anti-poema do além-verbos.
Na lousa do imperfeito pretérito os sentimentos encalacrados aos ideais.
Manhã ensimesmada, nublada, nalgum sítio de mim a melancolia do infinitivo.



Confio a vós o meu paradoxo, o meu re-verso, o meu in-verso, o avesso de mim, o íntimo uni-verso de mim, os interstícios de meu horizonte, o meu excesso, o meu absurdo de dialéticas do sensível, do espírito e da razão que me empresto a imagem vária, as perspectivas inúmeras, a linguagem sem precedentes, o estilo sem igual, os hífens do intelecto e da sensibilidade que me dei, que inventei, que criei, que re-criei, que literalizei.
Diziam-me de imaginação fértil para as esperanças, sonhos, verbos da existência. Ser reprovado em Literatura, porque me não era possível assimilar os ensinamentos, afiguravam-se falsos, porque a Hora e Vez de Augusto Matraga era o tempo, sim era, mas o que era o tempo estava errado conforme os ensinamentos. Que gafe! De imaginação fértil e não poder saber o tempo de Augusto Matraga. Só podia dizer: “Não, não serei reprovado. A senhora pode escrever no seu caderninho, todos sabemos que o tem, alunos a quem persegue, que serei aprovado com distinção”. A promessa, os estudos. Precisava engolir todos os despautérios para não ser reprovado, objeto de chacota dos colegas. Chegaria o instante de saber o tempo de Augusto Matraga. Aprovado fui com distinção. Segui outros rumos, Matraga ficou para trás. Trouxe comigo o tempo, nele aproveitei seguindo as sendas, veredas dos verbos das experiências, vivências, da imaginação fértil, da capacidade de re-fletir, pensar.



Viajo terras distantes de mim, peregrino por florestas e mares, campos de flores silvestres, caminho bem longe de mim, do que sou, do que re-presento, além de meus sustos, espantos, surpresas, surpreenalém de meus questionamentos, buscas, além de meus desejos, vontades, além de meus sonhos, utopias, aquém de meus idílios e sorrelfas, confins de minhas fantasias e imaginações. O porto onde repouso é de vista para o Pórtico para o Impossível, além das águas do mar, bem além, ilusão de ótica dizer que no infinito as águas se unem com as nuvens, sim águas e nuvens se unem além do universo e horizonte, as veredas que sigo é esta. Longo caminho, a esperança do encontro, tão agradável quanto a brisa das manhãs no cume de uma serra.



Levo o meu rosto, a minha face, levo as minhas rugas, a minha seteira japonesa, Os meus olhos inquietos. Deixo o espelho e seu re-flexo. Deixo as perspectivas e suas cintilâncias alçarem voos nas asas dos verbos.



Em vosso rosto, oh poiésis de veredas e sendas, deposito o assombro de minha alma, de meu ser.



Manoel Ferreira Neto.

(26 de fevereiro de 2016)