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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

#AFORISMO 104/PELO LIMITE DO GRITO: ESSE NÃO-EU** - GRAÇA FONTIS: ESCULTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


"O vento ermo no campo traz a inteligência no bolso." (Manoel Ferreira Neto)


Idéia louca de ser lua cheia. Ou crescente. Ou não ser lua. Ou não ser nada. Apenas uma coisa de alguém. Que esquece em casa. Deixa na gaveta. Junto com as camisas cheirosas. Sem ser dada ou tomada. Basta que de vez em quando abra a gaveta. Olhe-me. De soslaiou ou de banda. De modo algum.


Súbito, a frieza da solidão nos ossos. Na posse do apelo mudo. Na negligência da morte. No con-sentimento do surgir do nada, retornar ao nada, só se atinge a eternidade para trás, em cujas trilhas passos foram dados. Plana, rica. Imunda. De modo que o próprio desequilíbrio teria esquecimento daí. Ocorre-me que recuperaria o rosto e a expressão de inocente hipocrisia, ingênua aparência, inocente farsa. Resgataria a face, fisionomia circunspecta, semblante entre introspectivo e sinistro. Se o impalpável brilho da areia esguinchasse o sono. Ansioso. Lamento. Clamor. A alternância egoísta reluz aos olhos extremunhados do peito. E ronda, no fim da noite, a estranha mão de fogo. Sonoridade de asas de pano. Entranhas chacoalham o vazio, chocalham o nada.


Não poder tocar a alma sem perdê-la - próprio dos naturalistas desastrados. Nem tanto o devaneio, nem tanto o despautério. Gotículas de lágrimas vertidas não re-presentam idílios não cor-res-pondidos


Meto outro cigarro na boca. Palavras borbulham quentes. Debatem-se sobre tábuas ásperas. O móvel oscila um pouco. Enérgica distância do que há-de ser apagado em silêncios. Inútil, a incompreensão excitada.


Ilusões imergem.


Desvario passageiro, entre as mãos, reduzido ao destino que precede mal ao pescoço que o puxa sempre mais para baixo. Esgares sem palavras. Recorrem com um zelo arrebatado à carniça dialética e à vontade dos carrascos, o mau cheiro das contradições e as volúpias dos algozes.
O eco significa bastante. Indica que a humanidade se renega e os homens não podem sair nem atingir os limites, as limítrofes linhas entre o inconsciente e o consciente. O sussurro fornica todos os dons para cacarejar liberdades.
Olho um papel amassado no chão. Estou bem só. Virado para o futuro. Não dou por mim que enxugo mal os sonos no ouvido. Enxergo mal ao longe. Miopia. Às portas das tabacarias, não sou nada, não quero ser nada. Atiro navalhas aos fingimentos. Se me sentisse apenas feliz até ao absurdo e aos viscosos. Dúvidas. A descrença cobrir-me-ia de vergonha.


O excesso do louco reside no meu prazer. O paradoxo do desvairado... inexistente. Mãos ecoam no movimento de dedos. Traço linhas gerais. Facas cortam o osso temporal. Espalham cinzas ao comprido de ausências. Impregnado entendimento de sonhos esgotados.


Irrisórias in-verdades de instantes-limites do verbo de tempos pretéritos - angústias, tristezas, acompanhadas de insônia, medos, inseguranças do porvir. O que era sonho tornou-se pesadelo, originando desespero, era outro e nem imaginava, quaisquer noções. Ad-verso aos preceitos, dogmas, princípios. Andar solitário por entre os homens, sem os lenços, documentos quotidianos, triviais de con-sentimento das idéias, pensamentos, valores e virtudes mundanos, à busca de quê, desejando o quê, esperança em quê.


Feto, aeiou. Feto, aeiou.
Feto. Féretro. Falta-me afeto. Falta-me alento. Faltam-me as idéias encadeadas, concatenadas. Falta-me redescobri-lo. Descentralizá-lo. Distribuí-lo. Entregá-lo.
Estou um feto. Molhado por dentro e por fora. De dentro para fora. Esse branco.
Esse sol.
Esse reflexo.
Esse eu.
Esse não-eu.
Misturo. Tudo. Faço nada. Sensação. Portão. Plutão.
E Platão degusta o sabor das idéias, à soleira da caverna é madrugada silenciosa.


Este muro já devia ter caído. Todos caem. Esse entre nós. Entre eu e eu. Entre mim e o si-mesmo.
A noite cerra as pálpebras com um olhar morto. A interminável madrugada instaura-se – reconheço a sedução do pecado. Só e nu. Por dentro, o cancro da indiferença a comer-me. Sentar-me à beira da vida é o suicídio mais covarde, por manter a aparência de desejar existir, ser sensível.


Só... O manto verde e amarelo vem e corta-me pelo limite do grito. O sobretudo branco e azul some e resgata-me pelo absurdo da audição. O boné de lã de carneiro protege-me do sol. Arde-me no corpo a angústia do exílio, queima-me. No sangue, a vertigem. Ser inteiro na consciência. Igual a mim e tão abandonado. A serpente da tarde ergue-se, insanamente, do fosso.


Ah, se pudesse ser, nas mãos, só o símbolo das dialécticas e do silêncio. O vento ermo no campo traz a inteligência no bolso.


(**RIO DE JANEIRO**, 17 DE AGOSTO DE 2017)


#AFORISMO 103/AQUÉNS PLEN-IFICADOS DE ALÉNS# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Desde o orbe, as arribas do que expande o há-de efemerizar a pres-ença pres-"ent"-ersejada de pretéritos do genesis, molduras retro-gradas da verdade ab-soluta , em cujas pers do "clique", originando a imagem, habita a sorrelfa estética da beleza; o há-de nad-ificar a aus-ência aus-"ent"-ificada no re-verso in-verso de gerúndios do apo-calipse do sublime eterno, salmos da heresia e proscrição, em cujas pectivas do ângulo de visão no instante-limite do "clique, re-pres-"ent"-ando na face sentimentos e emoções a perpassarem o íntimo no átimo de tempo de id-"ent"-ificarem as utopias sensíveis plen-ificadas de êxtases e clímax paráclitos do ser-para a longínqua distância do inaudito; a ausência aus-"ent"-auditada de dogmas e preceitos dos pecados capitais a originarem a cons-ciência doa gratuito nas tessituras do mal, nas trevas do abismo sem limites, nas tecituras dos equívocos e nonsenses, o inconsciente sin-estético do divino nos passos a passos con-tingentes desde o nascimento ao perpétuo da vida, perpetuidade de perfecções e defecções dos sonhos da pres-ença do bem pres-"ent"-emplando as efígies trans-lúcidas dos querubins da pureza in-inteligível e in-expressável.


Desde as arribas aos confins do que esplende as linguísticas de mistérios, fraturas humanas e os jogos de hipocrisias sociais, no dia a dia fazemos questão de escondê-las, ritualizando horizontes de crenças no não-ser con-cebendo ao longo dos tempos seculares pedras de toques às milenares esperanças do espírito seivando-se do orvalho paradisíaco do sem-fim, mistificando universos de utopias no nada luminando as trevas semânticas ao longo das metáforas poiéticas da redenção e ressurreição da carne e ossos reencarnados de cinzas frias de suavidades que ventos não trans-elevam aos auspícios da montanha onde galhos de oliveiras não sentem as folhas de viçoso verso balançarem livremente à mercê das luzes do cosmos na distância longínqua onde as águas azuis do mar se encontram com as nuvens brancas a deslizarem no espaço. A terra é outra vez virgem - tudo em nós e de nós principia. Protagonizar sem agonizar.


Inverno de tempo en-si-mesmado, quiçá as melancolias das quimeras de defectivos in-fin-itivos não sejam fontes oriiginárias de outros tempos no alforje da continuidade do re-fazimento do ser que se re-vela atrás da imagem na superfície do espelho emoldurado de dialéticas, contradições, nonsenses, na algibeira da liberdade "quae sera tamem" dos eidos das divin-iscências do espírito subterrâneo, na maleta da idade da razão "cogito ergo non sum". Poderia até ser "aeternita quae sera tamem", se o superego da ignorância lácia latina não advertisse dos escandulos do que não tem sentido ou transgressão máxima da erudição latina, que resulte em polêmicas ingratas, jamais o bom senso é capaz de ser compassivo.


Aquéns plen-ificados de aléns, as imagens re-fletem no vazio sub-lingual dos desejos, e com a alma das metáforas de águas límpidas e cristalinas re-pres-"ent"-am no ziguezague dos sentidos e significados a língua sedenta de a-nunciar os verbos pré-"eterno" e "efêmero", "imortal", e ads-tringentes ao caos vivo da morte em pleno delírio de sua consumação.


Liberte-me de suas mãos, oh dilúvios de mares marítimos nos portos do in-efável, in-audito, do in-descritível, inspire-me às idades-etern re-versas, in-versas ao viver pleno e absoluto da vida-essência do sempre-há-de-ser.


Ribalta das luzes Trapézio das iluminações. Amanhã há-de ser a liberdade plena ao outro do ser que verbaliza os sentimentos da verdade.


(**RIO DE JANEIRO**, 16 DE AGOSTO DE 2017)


#AFORISMO 102/ PROSTRADO ÀS MÃOS AUSENTES# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO/SÁTIRA AO INTELECTO


Epígrafes:


"Digo qualquer mistério ser pedaço do vazio que o tempo algema na eternidade, e que só cabe às mãos ausentes conjugar viver no infiito da primeira pessoa."


"A coisa mais linda do mundo seja um lindo cachorrinho de pulgas" (Manoel Ferreira Neto)


"Aquando as impossibilidades do aquém-tempo deixam de ser validadas à luz de novas perspectivas." (Graça Fontis)


Pasmo do sarcasmo com que rio dos ossos sempre cobertos de água, aliás, de imediato, devendo ressaltar e enfatizar a fim de não haver qualquer dúvida de que sem os ossos a carne não seria possível, ainda mais em se tratando do sarcasmo, não poderá existir sem que haja a ração humana, o que ela sempre soube aguar no sentido de a ver florescer dia após dia, até parecendo um elogio às palavras de modo e estilo diferentes, não sendo verdade, pois nada há que justifique ou explique de modo chinfrim ser uma apologia à palavra, um elogio como o disse antes. Só fogo do inferno merece ser apologizado: queima eternamente e não tosta ou torra as almas penadas.


Nada mais faço senão me envenenar da sensatez das formas mais abstratas, relatando o ponteiro do relógio que de um lado para outro vai deixando os seus traços e passos a cada instante ou momento que se queira, decidindo por um ou outro, não sendo possível, creio na parca condição de estar mergulhando nestes abismos que se revelam a mim, deixando os gestos eumanizando-se a todo instante, o que, às vezes, há de se pensar não ser não apenas sarcasmo, dizendo a respeito de eumanizar a brevidade dos segundos e fumaças.
Dizem ser muito importante a platéia. Platéia? Por que estou ad-mirado com o termo, conheço-o bem, aliás, qualquer pessoa sabe o significado deste termo, estivera em tantas e presenciaram tantos arrasta-pés em salões de música, eventos sociais. Todo circo tem palhaço. Ao circo, o dom dos risos e das galhofas das mazelas e pitis dos grandes, dos homens. A essência do que é essencial.


Há-de pensar ser sim um elogio, embora não definido ainda, a semente começa a se abrir, devendo aguar para que algo se revele, não importando o quê, haverá o seu momento, e lento e calmo vou construindo outras oportunidades e experiências, percebendo o amor ser coisa para quem ama ou já amou. O "estar bem na vida" requer e merece platéia, ouvir os aplausos eufóricos de todos.


Não sendo um elogio, é de se supor ser um espetáculo, palavras, sabidas ou mesmo inventadas, servindo de deleite quando curtindo o olhar. Muito mais do que alcanço na imensidão das criações do pouco que transformo, chamando de muito mais, desejando ainda muito mais.


Faço um riso, ou melhor, riso não se faz, nasce, e me alegro pelo retorno dos versos que se manifestam de modo diferente, às vezes dando ainda mais ênfase a intuição das entrelinhas e da suavidade que poeticamente residem no homem, discordando sim que a coisa mais triste do mundo seja um lindo cachorrinho de pulgas.


Esperava mais brilho de estrelas, não que arrependido esteja de escolher como residência a terra, contemplá-las acima, sonhar os sonhos mais lindos e esplendorosos e magníficos.


Quem sabe se não colocar os espelhos, ao invés de lona, cobrindo, o início do espetáculo de risos e galhofas, e serras, cercando, presenciando a insanidade deslavada e tantas vezes ridícula, mostrando os contornos da estrela doada à lua em serenata, enquanto se glorifica com o gosto suave de vinho e mel misturados a gosto e paladar.


Séculos e milênios, disso não tenho qualquer dúvida, e quem as tiver, creio ser necessário um mergulho profundo nos interstícios da alma, revelando o que está escondido, a aparência se desgatou vez por todas, fizeram a moldura e o retrato guardião do riso ingênuo, e agora, não sei como fui isto intuir quando estava interessado em outras imagens, acenar às descobertas, ao som de um suave ruído, que reconheço ao longe, imaginando desde já ser alguns seresteiros, deixando que a música abra as janelas às bougainvillaes do portão, a noite brincar de aquarela.


A força deste sustento, quem sabe, se revelasse mais nítida noutras vigas mais fortes senão esta de alterar fases ou de fazer história sob a revisão de outros tempos, para compreender o desafio era-me necessário ter medo de não conseguir chegar ao fim, mantendo, claro, a nitidez das esperanças e utopias que perpassam o espírito, embora não entendo os mistérios que se revelam em imagens que se revelam na água, advindas da luz, até compreender o desafio de a arte ser obra do espírito, apesar da ironia do erro, o cinismo dos enganos, o sarcasmo dos problemas, e da angustiante certeza do estágio de limitações.


As linhas de minha mão traçam no espaço a água que tomo limpa. Os traços da minha mão desconhecem nomes, enquanto línguas me atormentam. O barulho não quer descansar a prece que alima os relógios que não dormem. Descubro-me ouvir o mundo, ignorando contextos e até possibilidades.


A recolhida das chuvas – ah, dias e dias chovendo, a umidade, é bom sim se recolherem as águas, encenando o culto das flores que, sem prima alguma, rogam benção às folhas, fechando-se a evidência, sendo apenas e tão-só pureza matinal.


Impõe-se o enigma do ajuste de minérios, de sínteses de diamantes e pedras cristalinas, das palavras não ditas, não vividas, não experienciadas, assistindo aos projetos superpostos no tempo, tencionado a preencher o vazio da resposta ás perguntas que perpassam a alma.


Se ainda não houve a oportunidade de isto ou aquilo revelar, não me ponho a entristecer e obscurecer outras oportunidades que se mostram e, não tendo a curiosidade para me despertar, como posso senti-las, sabe-las, pondo-me sim a outras venturas e utopias à luz de útero às palavras. Digo qualquer mistério ser pedaço do vazio que o tempo algema na eternidade, e que só cabe às mãos ausentes conjugar viver no in-finitivo da primeira pessoa.


Ainda não tive esta oportunidade, e, aproveitando, sim, a que se me revela agora, ainda mais sinto alegrias e saltitâncias, é isto de saber que ainda é possível continuar, nada estar se envelhecendo, as imagens se desgatando, a ruína plena e absoluta.


Sigo a jornada deixando-me descobrir que o efêmero é também do eterno. Quem sabe por não fazer sucumbir a palavra ao fosso onde enterrei a carne. Dizem que os pedaços combinam a ordem mesma do ser. Seria este o melhor dos cais: Esconderam os portos. Não dissenso em poros fechados às sombras da vida que sublimam a luz.


São imagens que se revelam ao espírito, e com arte e engenhosidade permitir que as vaidades arraigadas sustentem o mundo de idéias. As molduras na parede marcam o tempo suspenso no caos.


Às vezes, sinto-me perdido no meio de um sorriso. Escrevendo, surge uma luz, gozo, repouso. Infiltro na prosa o que a areia do mar não faz afundar.


Pasmo do fracasso com que riem dos ossos sempre cobertos de carne. Às vezes, faço de um raio de luz e da minha paixão o silêncio, e o porque deixei de figurar nas repostas e ganhei face interrogativa.


(**RIO DE JANEIRO**, 17 DE AGOSTO DE 2017)


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

#AFORISMO 101/NOS CONFINS DO ORBE?** - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Epígrafe:


"Na viagem itinerante através do tempo à pigmentação deslumbrante da beleza universal." (Graça Fontis)


Sublimíssima fragrância
De flores que se despetalam
À mercê da neblina matutina
Trinados de pássaros
Sibilo de vento
Sons de acalentar segredos
Ritmo de alentar mistérios místicos,
Melodia de acariciar enigmas do crepúsculo,
E de re-fletir sonhos e esperas
E de observar as esperanças
Nos recônditos da solidão,
Nos interstícios do silêncio.


Pers de ilusões perpassando o íntimo re-genciado de memórias distantes, lembranças longínquas, re-cord-ações indizíveis re-colhidas e a-colhidas no tempo efemerizado de inocências e ingenuidades, no verbo esvaecido de angústias e náuseas, no in-fin-itivo esquecido de utopias e prazeres, fantasias de ideais, retalhos de utopias conjugados na jornada de longas extensões de areia, gaivotas sobrevoando o mar, nos verbos do tempo e do ser.


Res de pectivas de fantasias cor-res-pondidas com as criações extraordinárias, conúbios do belo e do absurdo, síntese da beleza e da facticidade... Onde as circunscrições? Os limites? As fronteiras? Nos confins do Orbe? Nas arribas do Cócito? Aqui? Ou somente em mim? No tempo, nas águas, nos homens? Peripléias - na estrada ouvindo um canto, canto único na solidão do mundo, canto primevo no eterno uni-versal do tempo, "tudo que começa bem eterniza-se", cântico ancestral no silêncio do ser e não-ser no con-templar as árvores estão povoadas de cigarras que cantam a beleza do crepúsculo, amanhã os pássaros virão cedo aos seus galhos para trinarem a madrugada, agora é hora de imaginar a coruja em silêncio perscrutando o mistério insondável, o segredo invisível, o enigma in-inteligível da lua sendo a lâmpada de muitos caminhos, das margens de riachos de águas cristalinas, de extensos campos floridos, as estrelas sendo inspirações de cantos dolentes por trilhas estreitas e sinuosas, liberdade total, absoluta, trans-cendente, abstrata. Bailado sereno de fogo místico consumindo velas.


Reluzindo
Brilhando
Estrelando
Constelando pelos campos, pelos vales, pelas florestas, pelos mares,
Universando o in-fin-ito de asas livres, con-templando os horizontes,
Perpetuando o celeste de silêncios claustrais.


Retro de cedências aos riscos nas trilhas de con-templar inter-ditos e inauditos, vontades de in-finitivos a preencherem nonadas, nonadas de imperfeição, nonadas de instantes-limites, verbos anômalos e defectivos a fundamentarem as ausências, falhas, faltas, verbos regulares e irregulares que nos seus pretéritos id-ent-ificam segredos e enigmas, indecifráveis, desejos do in-finito, vontades do universo, do panorama e paisagens "biorkinas" a esplenderem de sonhos e utopias as inspirações e intuições de verdades, inda que efêmeras e fugazes... com sentimentos e emoções voluptuosos pelo encontro e des-encontro, cânticos silentes por mergulhos nas percuciências do ser e não-ser.


A vida é breve,
O tempo, voraz,
E o mistério das montanhas, volátil...
E o enigma das cavernas, susceptível às intempéries dos ideais e verdades...
E o segredo das grutas de estalactites que pingam suas gotas de água no lago, inspiração de encontros e des-encontros...
E o in-audito do silêncio e da solidão, que são húmus e sêmens de outras canções do vento, intuições de sentimentos e emoções, percepções das ad-jacências de cafundós, miríades de in-finitivos de ancestrais querências e desejâncias...


(**RIO DE JANEIRO**, 16 DE AGOSTO DE 2017)


INTRODUÇÃO AO LIVRO DE AFORISMO "CREPÚSCULO E ALVORECER DA VERDADE" - Manoel Ferreira Neto


POS-FÁCIO:


Nada comum, perdoem-me os leitores pela empáfia, autor de uma obra publicar a sua Introdução ao livro virtualmente ou por qualquer outra mídia. Aliás, fascina-me o inédito e, além disso, o Brasil e o mundo, através de grupos e páginas, do Blog BO-TEKO DE POESIAS, em cujas linhas mostro a minha criação literária-filosófica, como ser sensível e agradecido a todos os amigos, críticos, comentadores, curtidores virtuais, quem incentivaram esta arduíssima tarefa, uma obra de aforismos. Quem não compreenderia a transgressão deste princípio e dogma de publicações, alfim todos contribuíram para esta estrada estar sendo seguida? Amo ser agradecido a quem contribui para o Verbo Sonho Letras.


Alvorecer de outras ilusões que se me apres-entam lúcidas e cônscias, perscruto as ondas do mar aproximando-se da praia. Não me é dado saber se o pulsar do cor-ação condiz com as emoções de prazer, sentimentos de alegria perpassam-me os recônditos da alma, diante de tal espetáculo da natureza, o mar e seus "its", conforme a minha escritora tão querida, Clarice Lispector, alfim trans-cendem quaisquer razões, motivos, não fora Shakespeare quem dissera existem mistérios que a vã filosofia não pode saber? É o coração quem responde por tais mistérios, só ele os conhece e sabe-lhes com excelência. Fica a seu critério o além de suas pulsações de vida.


Ancestrais instantes de líricas e sons em que acreditava sonhos se tornassem realidades sem quaisquer enigmas, tão fácil quanto verter lágrimas diante de fortes sentimentos. Inda cedo demais para compreender e entender em primeira instância são as ilusões que abrem as asas para o voo dos sonhos, as esperanças abrem os braços para a-colher e re-colher as utopias que residem nos interstícios dos sonhos.


Sem verbos, declinações de ideais aos recônditos da sensibilidade, desejando seivas para alimentarem sentimentos de perfeição, beleza e estética, emoções e idéias da visão-de-mundo, entrelaçadas às inspirações, nada disso se re-vela, nem por alento da imperfeição se a-nunciam à distância. Sem verbos, lácias conjugações de seus tempos, somente angústias, tristezas, desolações se manifestando continuamente, oh, o que falta, o que me está ausente, carece-me?, nada disso se mostrando ao menos por caridade da razão, do intelecto, em fiapos de pensamentos, questionamentos, nada é possível sem os verbos, devia crer impiamente. Sem os verbos, onde o in-finitivo que ilumina os campos de liberdade por onde trilhar passos, onde o gerúndio que con-templa as raias do espaço, para alguns, uma gotinha de veneno para esquentar o clima da choupana, onde o particípio que empreende sua longa viagem inconsciente a fora, com todos os seus jogos, tramóias, trambiques, subterfúgios, inverdades, conflitos, dramas e dramaticismos, traumas à busca da volúpia do Tempo e do Ser? Onde? Apenas vislumbrações nos ancestrais instantes de líricas e sons? E onde, sendo isto, tornando-se de condição sine qua non, sons, líricas, acordes, musicalidade, melodia, ritmo, seguir-me-iam à busca do que nem tinha noção, nesta estrada de longínquas poeiras o que me carecia se manifestando nítida e nulamente. "Quê bela justificativa esta minha...!", diria, pronunciando as palavras enfaticamente, naqueles ancestrais tempos: "Não seria melhor dizer, egrégia fuga de enfincar os pés na jornada." Em primeira instância, referente à exclamação primeira, sem verbo. Em última com verbo bem enfáticos, assumindo iria fazê-lo sim. Ancestrais instantes de líricas e sons!


Verbos de poesia conjugados de in-versos e re-versos de fiapos de filosofias esplendendo aromas de indagações, retrato de profundos ideais das etern-itudes, inda acompanhado da mesma música de ancestrais tempos, Feelin´ Blue, Creedence Clearwater Revival, banda de rock americano, anos 60. "Quê viagem, digo eu, solene e enfaticamente, pós tantas milhas percorridas, o encontro de tantos verbos que originaram sonhos, e o verdadeiro caminho, conjugações, comunhões, aderências, sínteses, sem aforismos, onde os verbos se conjugariam em todos os tempos, as realizações da pretensão da eternidade, sendo ora futurais instantes de líricas, sons, verbos que defectivam manque-d-êtres, mauvaises-foi, "Quê nó górdio na garganta isto de me embrenhar no bosque das pretensões da verdade!...", digo-o, contudo, sentindo o coração pulsar comedidamente, tenho todo o tempo do mundo, na mente o espelho re-fletido para a pre-fundas do universo, as bordas das infinitas luzes a iluminarem o crepúsculo e o alvorecer, os cafundós do in-audito, a imagem só podendo ser re-velada pelos dons e talentos da arte-plástica de minha Companheira das Artes, Graça Fontis, por presente especial das letras, um obséquio, as suas longínquas a-nunciações, planto sim em tempos que são de queimada, as pretensões da verdade do belo, na sua a-nunciação primeva, que abre os braços para futurais esperanças da beleza. Além do belo, a beleza do belo, não é verdade, re-versas esperanças do verbo à luz das in-versas angústias e náuseas da imperfeição, avessas utopias a verbos de sonhos que não tragam em si mesmos o riso e o ouro das vontades de CREPÚSCULO E ALVORECER DA VERDADE.


(**RIO DE JANEIRO**, 16 DE AGOSTO DE 2017)


#"REALIZAR OS SONHOS É O MAIS IMPORTANTE"# - Manoel Ferreira


Saudoso Amigo  e Poeta, "Delém", Marcos Matias, dissera uma frase inconteste em todas as dimensões: "O mais importante não é sonhar, sim realizar os sonhos".
Acabo de realizar um sonho, o de preparar um livro de meus Aforismos. São 100(cem) aforismos. Tarefa arduíssima, diante do pro-jecto de este livro ser enviado para Editoras de "Renome" no país, no sentido de avaliação para futura publicação. 
Há 17(dezessete) anos enviei a minha novela ÓPERA DO SILÊNCIO à Editora mineira, Belo Horizonte, ARMAZÉM DE IDÉIAS, para avaliação. Felizmente, fora aceite em julho de 2000,  e aos 28 de setembro do mesmo ano a Edição estava concluída. Não mais enviei qualquer obra minha para avaliação de editoras. Chegou o instante de outra vez colocar os pés nesta estrada.
Enviar obra para Editora para avaliação não significa que será aceite, pode ser recusada. GRANDE SERTÃO: VEREDAS, Guimarães Rosa, fora recusado por Editora. Se Guimarães Rosa fora recusado, por que não seria eu? Recusado este livro, sentir-me-ei tão orgulhoso quanto se fosse aceite. São os ossos do ofício.
Desejo agradecer em especial à minha Esposa e Companheira das Artes, Graça Fontis, por sua presença, seu amor, sua dedicação, seu carinho neste ano de nossas vidas juntos, em especial na confecção desta obra, CREPÚSCULO E ALVORECER DA VERDADE, será dedicado a ela, a foto de capa também será dela, a foto do AFORISMO 100. Desejo também agradecer de coração e espírito às minhas críticas, Graça Fontis, Sonia Gonçalves, Ana Júlia Machado, Maria Isabel Cunha, críticas que me incentivaram, deram-me forças para este empreendimento, aos comentários e curtições de amigos. Muchas gracias a todos que participaram desta empreitada com suas curtições e comentários, críticas.
Passarei a formatar a obra a partir de 26 de agosto para ser confeccionada numa Copiadora para o envio às Editoras, que será realizado no início de setembro.


(Manoel Ferreira Neto - 16 DE AGOSTO DE 2017)

#AFORISMO 100/SUBLIME SENSIBILIDADE DA INSPIRAÇÃO DO SER# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


À minha doce Esposa e Companheira das Artes, Graça Fontis com todo o meu amor e carinho.


Ouço uma música
Serena, suave
Quem será esse músico
Que toca tão magistralmente
No alvorecer de uma nova manhã?
Quiçá, neste acorde tão vibrante,
Esteja executando-a no piano?
É uma música dentro do espírito
Da natureza numa fria e nublada manhã
À beira-mar, ondas se espalhando na areia,
Gaivotas ciscando, pássaros sobrevoando as águas.


Música do coração que sente os seus recônditos sensíveis, sentimento de liberdade que aflora e flui ideais e utopias da felicidade inominável, da alegria indescritível, do amor no in-fin-itivo verbo in-fin-ito; sentimento de espiritualidade que des-vela e re-vela místicos rituais da plen-itude, re-colhendo e a-colhendo as dimensões eternas do sublime que serão sêmens da beleza do belo, que serão sementes das sin-estesias da verdade, que serão húmus da uni-versal-idade do ser na continuidade dos sonhos e esperanças, no tempo in-finito dos desejos e vontades; sentimento de entrega e doação aos sinistros segredos da alma, sabendo e conhecendo com perfeição e maestria habitar, ser parte constituinte deles, inerente a eles, o gênesis do silêncio que concebe e gera a poesia, eivada de versos e estrofes da palavra no lácio simbólico da poiésis, da sublime sensibilidade da inspiração do Ser comungada à divina subjetividade das iríasis das ilusões e fantasias que voam livres no além à busca das etern-itudes da divina verdade.


Misteriosa música dentro do espírito
Da natureza nu´a fria e nublada manhã
Música da alma que nasce livre
Música da inconsciência que se liberta
De seus enigmas e in-auditos
O músico a executa com o talento da inspiração
São notas,
São ritmos,
São melodias suaves, serenas
Que se esplendem na leveza do ser...


(**RIO DE JANEIRO**, 16 DE AGOSTO DE 2017)