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segunda-feira, 26 de junho de 2017

#SER O SILÊNCIO NO SILÊNCIO DO SER/À COMPANHEIRA DAS ARTES, Graça Fontis# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


É o silêncio na alma. É viver com o silêncio na alma. É simplesmente deixar que este silêncio se revele, se manifeste livre, espontâneo, sem qualquer muleta da razão, sem qualquer bengala da intelectualidade, sem quaisquer esperanças de sua revelação, a-nunciação... Assumi-lo plenamente. Vivê-lo. Quem o deixa perpassar todas as dimensões do ser, do espírito e da alma, com certeza, sente o além, sem a presença da imortalidade, da eternidade. Nem poetas ou escritores são capazes de vivê-lo na sua essência, pois que sempre têm os utensílios da pureza da inspiração.
Silêncio é silêncio no silêncio. No silêncio do silêncio, o silêncio é a voz suprema do saber a vida na roda-viva das dialéticas do ser e não-ser, no catavento das contradições do efêmero e eterno, no redemoinho das ambiguidades da morte e dubiedade do nada. Nos re-cônditos do silêncio, o silêncio é o vernáculo do espírito sem a metáfora do sublime, sem a sin-estesia da leveza, sem a poiética da pureza. Nos interstícios do silêncio, o silêncio é a erudição da alma que perscruta a semântica linguística da solidão do ser, a linguística semântica das melancolias e nostalgias pretéritas das angústias e tristezas, à busca do solstício do alvorecer para lhe guiar, orientar no ser-para a consumação da verdade.
Silêncio não se verseja de versos e estrofes, trovas, sonetos, poemas livres. Habita-lhe na poética do ser. Silêncio não se prosa, proseia, não é prosa que racionaliza a gnose das experiências, vivências, pre-núncio do saber. Silêncio não se vers-ifica das suas reflexões do deserto, meditações do porto. Não se diz o silêncio, não se metaforiza o silêncio, o silêncio se versifica no silêncio que afagamos com as verdades do sonho, das esperanças, das utopias, à busca das palavras sagradas no livro do Ser.
O elemento principal no bem-estar de um indivíduo — de fato, de todo o seu modo de existir, de ser-no-mundo — é aquilo que o constitui, que ocorre dentro dele próprio. Pois isso constitui a fonte imediata de sua satisfação ou insatisfação íntima, que resulta de todo o seu sentir, desejar e pensar. Tudo que o cerca exerce somente uma influência indireta; por esse motivo, os mesmos eventos ou circunstâncias afetam diferentemente cada um de nós; e até com ambientes exatamente iguais, cada qual vive em seu próprio mundo. Pois um homem apenas preocupa-se diretamente com suas próprias ideias, sentimentos e volições; o mundo exterior somente pode influenciá-lo na medida em que traz vida a esses. O mundo em que cada qual vive depende principalmente de sua própria interpretação desse e, assim, mostra-se diferentemente a homens diferentes; para um é pobre, insípido e monótono, para outro é rico, interessante e importante.
Fica mal com Deus quem não alça vôo nas asas do condor de esperanças, real-izando os clímaces voláteis do gozo da estirpe. Fica mal comigo quem não trans-eleva a fé no divino eterno aos auspícios da liberdade que exala suas nuanças de desejos de compl-etude com os termos acessórios do nada e efêmero, como o pássaro de fogo que choca os ovos das chamas perenes a aquecerem o inverno das espécies susceptíveis às caliências do nunca antes de quaisquer jamais, carências do sempre antes de quaisquer pretéritos perfeitos ou imperfeitos. Fica mal com a vida na sua vocação de ser o absoluto perfeito, inda que tardio o perfeito, inda que in-ec-sistente as ruminâncias de ouro e risos a satirizarem com veemência e re-verência o surrealismo das laias côncavas e convexas das viperinidades da natureza humana, quando o perfeito, desde a eternidade, encontra-se refestelando-se às margens sinuosas do cócito inaudito de vozes que permeiam a noite de lua cheia e centenas de estrelas cadentes...


Oh, centelhas que brilham momentaneamente, onde faíscam o silêncio da liberdade e a liberdade do silêncio?
Pelo meu caminho vou, vou como quem pisa com toda delicadeza e acuidade os ovos da "garnisé", grávidos de réquiens para as ipseidades do pretérito iluminando as trevas e sombras da terra do bem-virá. Vou como quem saltita nas brasas de lenhas da lareira, incandescendo a sola dos pés para sentir o prazer e volúpia das estradas na jornada sem limites, fronteiras, obstáculos, enfim sem o instante-limite do zero a prenunciar o "um" dos solilóquios e colóquios da aritmética dos "noves fora um". A linguagem é condenada pelos princípios, o estilo é indecente pelas lógicas, mas antes sendo do que dar com as mulas no mata-burro, com os jegues no abismo.


A vida consiste de movimento e nisso reside sua própria essência. O constante movimento interno requer auxílio parcial por parte do exterior. Essa falta de proporção é análoga ao caso onde, em consequência de alguma emoção, irrompe dentro de nós algo que somos obrigados a suprimir. Até as árvores, para florescer, precisam ser agitadas pelo vento. Aqui se aplica uma regra que pode ser anunciada de forma mais concisa em latim: omnis motus, quo celerior, eo magis motus [quanto mais rápido é um movimento, tanto mais é movimento].


Silêncio é silêncio, vive de suas vozes íntimas e trans-cendentais da espiritualidade, da divin-idade. Não se alimenta dos pães e trigos do vir-a-ser, alimenta-se da plen-itude de seu ser. No inaudito de si, revela sentimentos e emoções que lhe habitam e são os sonhos da sabedoria, da verdade, as estesias do eterno, no deserto onde se re-colhe para a reflexão do verbo-de ser ser cristalino, puro, são os desejos vontade de tern-itudes.


Buscar o silêncio - não se lhe encontra. Desejar o silêncio - não se lhe vive. Sentir o silêncio - mergulho profundo no que trans-cende os verbos da con-tingência, quais sejam a suprassunção dos valores imanentes, a superação dos estados de alma, redenção dos pecados, ressurreição.


O tolo em trajes finos suspira sob o fardo de sua própria individualidade miserável, da qual não pode se livrar, enquanto o homem de grandes dotes povoa e anima com seus pensamentos a região mais deserta e desolada. Há, pois, muita verdade no que Sêneca diz: omnis stultitia laborat fastidio sui [toda estultice sofre o fastio de si mesma.


Ser o silêncio no silêncio do ser.


(**RIO DE JANEIRO**, 26 DE JUNHO DE 2017)


**AFORISMO DOS CANTOS ORFEÔNICOS DA SOLIDÃO/AO POETA CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE** - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Vagas sorrelfas de idílios compactos à luz da neblina que cobre a superfície do abismo, que envela montanhas, chapadões, vales, qualquer fantasia de pensar e sentir a sua proximidade esvaecida por algum tempo e qualquer pensamento sobre o que além de onde a neblina pode ter pés estão, desde antemãos, as revezes são invisíveis, vagos idílios de sorrelfas ads-tringentes às asas da águia que mudou o seu caminho, segue a sensibilidade outras quimeras do longínquo e distante, mas pousada nalguma doca esplenderá seu olhar à imensidão do mar por onde sobrevoou inúmeras vezes, sonhos e esperanças outros, perpassando longínquos e distantes, é a sua mística jornada, mas nalgum dia desaparecerá na neblina, atrás tudo se tornou lenda, mito, causos dela, a sendeira do infinito...


A minha pena não basta para pintar como devia o baile que a extraordinária gentileza dos convivas da casa improvisaram.


Interessante a coruja cantar nalguma galha de árvore pela noite e madrugada a fora, e durante o dia a águia sobrevoa os lugares da terra e do mundo, sempre adiante, adiante, e avançando segue. Sem pensamentos, sem idéias, sem ideais, perscrutando o mar e as nuvens se comungando à distância, gaivotas se alimentando à beira-mar, algumas pessoas passeiam com os cachorrinhos de estimação. A águia e a coruja, vagos devaneios vagueiam, as cores do arco-íris dissipam-se num lance de lince, o entardecer e o anoitecer se comungam, a lua e as estrelas, cantos orfeônicos da solidão, do sempre in-vestigar as trilhas percorridas, com ímpeto e coragem, sentir carências, faltas, falhas, continuar no amanhecer outros vôos entre as coisas e os objetos, entre os homens, perscrutar a longitude dos mares, desertos, con-templando a distância, meiguices, ternuras, afetos, afeições, entregas, amor, amizade, alvorecer de novo dia, se o Ser se faz continuamente, a continuidade é também o Ser, e o tempo segue tocando a sua gaita de foles, e os éritos atrás, a viola, o orfeão, haverá a curva a ser trilhada, e não mais a visão dele...


Como poderia eu, aliás modesto escrevinhador das aventuras de um caminho do campo, como poderia eu exprimir esta amálgama surpreendente de beleza, de brilho, de elegância, de alegria, de amabilidade e de júbilo?


Sonhos, idílios compactos, furtivas sorrelfas, volúveis quimeras, voláteis fantasias não sejam o menu de sobremesa após o banquete de churrasco regado a vinho, à luz dos sons dos mares. O velho e o mar, José, e agora? Remar contra a correnteza, contra as ondas, ou deixar o mar levar o barco? Na calçada, o poeta pensa, perscruta, investiga, contempla o tempo e o mar, um abraço, no peito, a lembrança, re-cordação, na moldura a imagem dos éritos caminhos percorridos de ideais, sonhos, idéias outras, sentimentos e emoções, entregas, andando a passos de bicho-preguiça, mão segurando o braço, cabeça baixa, passeando no calçadão da praia, na longa estrada de terra e buracos da Ilha de Itaoca, nas ruas de pedras gauches, numa mesa de restaurante com os amigos, os velhos e surrados causos. As risadas de quando os jornalistas tresloucados invadiram a suite só para perguntar o porquê de a coruja renascer de seu canto, num momento indevido, instante de intimidade, quinze dias numa pequena ilha até passarem as euforias, fantasiado com um belo chapéu mexicano, abas mais que largas, um ponche...
Se a coruja nasce de seu canto, não poderia responder, grande mistério e enigma, mas que o canto da coruja inspira o re-nascer, disto não haja duvidar.




As palavras reperticuram solenes e calientes. Estava apenas brincando com os vernáculos.


(**RIO DE JANEIRO**, 26 DE JUNHO DE 2017)


domingo, 25 de junho de 2017

#AFORISMO DA MORTE: DE PRETÉRITOS AD-JACENTES À SOLEIRA DOS VERBOS PERCUCIENTES?# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Caos na metafísica do inferno. Inferno na metafísica do caos. Metafísica no inferno do caos. Só, solidão, sozinho andando por entre os homens. Por um lado, isto é o que é, por outro é a terra. Terra de vazios, terra de nadas, terra de cinzas. Mundo de forclusions, manque-d´êtres, mauvaises-foi. Inverno, "templo" nublado, frio à luz do espírito, o além re-vestido de sonhos, utopias do trans-cendente pre-figurando os lírios do campo, con-figurando as orquídeas da serra, re-presentando o éden de sorrelfas, o templo de utopias - inspiração, sensibilidade, verbo da plen-ítude compondo desejos do ad-vir -, na alma perpassam angústias, tristezas, desconsolo, desolação. Quiçá, transcendendo-me, inda qualquer a-nunciação, sonhos dentro de utopias, dentro de ideais e idéias.


Inter-ditos da morte
E o des-conhecido de morrer
Náuseas da verdade absoluta
Perspectiva que é continuidade no tempo
Verbo da plen-itude, compondo desejos do ad-vir.


Amanhã será o ontem de hoje, ontem será o hoje de amanhã, hoje será o ontem de amanhã? Nada. Nonada, Instante-limite. Travessia. A re-velação do porvir é impossível porque a alma vagueia na lua cheia, pervaga nas trevas, quiçá medievais, de pretéritos ad-jacentes, ad-stringentes às contingências, náuseas da verdade absoluta. Quem fui ontem o presente diz haver sido único e apenas o olhar as perspectivas da vida que é continuidade no tempo, o verbo do ser se compõe ou compõe sua lírica na esperança do eterno e o eterno se compõe na esperança do verbo.


A alma vagueia na lua cheia
O eterno se compõe
Trans-cendentes pre-figurando os lírios do campo
Além re-vestido de sonhos, utopias.
Idílios sorrelfam as magn-itudes do uni-verso
Às sara-palhas dos ideais a res-posta à não-resposta
"DE PRETÉRITOS AD-JACENTES À SOLEIRA DOS VERBOS PERCUCIENTES?", o que é isto?,
Gerundiando os partícipios de trevas e cosmos
Metafísica da des-plen-itude, poeira de ads-emeritudes.


Se é que se possa acreditar, inda que se entregando às fantasias do limite, o eterno se compõe, quais versos, estrofes, ritmos, sinfonias, óperas, serestas, serenatas, acordes e musicalidade, na esperança do verbo, tudo são medos da vida que são infinitivos do tempo. E quem tem medo do sonho de amar o verbo verbaliza o absurdo de viver unicamente os inter-ditos da morte e o desconhecido de morrer, tudo são justificativas, explicações de um orgulho da espécie e da raça, estirpe e laia.


(**RIO DE JANEIRO**, 26 DE JUNHO DE 2017)


ESCRITORA E POETISA SONINHA SON Sonia Gonçalves COMENTA O AFORISMO /**ENTRE O ONÍRICO E A VIGÍLIA, O VERBO EIDÉTICO DO TEMPO**/


Belíssimas letras Manoel Ferreira Neto, uma sincronia perfeita entre você e o som de cada verso.Sua constatação de que tudo gira em torno dos universos, mas tudo passa, e passa mesmo. Girar-giras, cata-ventos, e os sorrisos também passam, a lágrima, as estrelas.... Perfeita sua poesia juntamente com o trabalho da artista Graça Fontis...Tudo perfeito... Bjos Manuel.


Sonia Gonçalves


interessantíssimo o seu comentário no que diz respeito a "GIRAR-GIRAS", é isto mesmo o que intencionei re-velar, é girar as giras, "giras", contra-tempos, dialécticas, contradições, as três dimensões da con-tingência. Girar os cata-ventos, as utopias, sonhos, esperanças "... e os sorrisos também passam, a lágrima, as estrelas, a busca é eterna.
Os meus sinceros cumprimentos e congratulações por este "comentário" de excelência.
Beijos nossos, Soninha Son.


#ENTRE O ONÍRICO E A VIGÍLIA, O VERBO EIDÉTICO DO TEMPO#
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Epígrafé:


Tine rara kata tera.
Rana pira sole tara
Pora dima yala pena
Mana dia kora grafe.


Abismos, montanhas, vales
Verdades, absolutos, sonhos
Utopias, desejos, esperanças,
Enigmas, mistérios, solidão.


Sete abismos perpetuados por sibilos que trans-elevam sons aos auspícios do infinito, ritmos e melodias às pro-fundezas da terra, onde lídimos artífices dos sons e palavras ouvem e são capazes de re-presentar-lhes.
Sete montanhas cobertas de neblina, de neve, de orvalho, de "securas" são objetos de con-templ-ação e reverência pela beleza que representam.
Sete vales em cujas veredas pastores con-duzem ovelhas, boiadeiros con-duzem o gado, simples, humildes, a vida é-lhes o verbo da sensibilidade.
Sete verdades professam e declamam em cânticos e versos a plen-itude do in-fin-itivo.
Sete absolutos pre-enchem as vacuidades da alma que perscruta os idílios e quimeras da morte, símbolo de felicidade perene, signo de alegria divina.
Sete sonhos da beleza do belo, pura sin-cronia entre o onírico e a vigília, entre os éritos inconscientes e iríasis da sensibilidade, evangelizam forclusions, manque-d´êtres, mauvaises-foi, sacralizam solipsismos, vaidades, orgulhos.
Sete utopias do bem e do mal, em cujas eidéticas do tempo e vento habitam o venerar o verbo do ser, reverenciar o in-fin-itivo da etern-idade, ascendem as chamas das achas de lenha aos confins do vir-a-ser, acendem as velas dos volos da alma que aspiram a trans-cendência do divino.
Desejos da humanidade do ser, sincronia do amor e do sonho in-transitivo do sentimento amar, sintonia da solidariedade e a cáritas da compaixão, harmonia do efêmero e absoluto.
Sete esperanças sobrevoam mares, florestas, re-colhendo e a-colhendo do tempo, em cujas eidéticas do ser habita a luz, a imortalidade in-fin-itiva da vida.


Enigmas.
Mistérios.
Solidão.


Tudo passa, tudo passa, tudo passa.... Luz do uni-verso perpassando a neblina do horizonte, cujas miríades do além estão re-fletidas no espelho das esperanças oníricas da verdade. Sons das contingências da não-correspondência entre as dialéticas que giram no catavento solitário da serra e as contradições do nada e vazio que rodavivam no dia a dia do quotidiano de dores e olhares voltados ao longínquo e distante à espera de alguma a-nunciação da verdade linguística e son-ética da poesia-vida da solidão.
Verbo-de ser
Ser-para o verbo.


Tine rara kata tera. Rana pira sole tara
Pora dima yala pena
Mana dia kora grafe.


O riso não vem, por que rir às sara-palhas das ipseidades, facticidades, pequeno mistério entre o ser e as coisas? Outras chamas ardentes, não perceptíveis, e tão mais acalentadoras, tão mais aquecedoras estilísticamente conduzira sob meus traços satíricos. Se de mim nada possuo salvo a alucinada travessia - vida são desejos alucinantes, despirocados, alucinógenos.


(**RIO DE JANEIRO**, 25 DE JUNHO DE 2017)


#ENTRE O ONÍRICO E A VIGÍLIA, O VERBO EIDÉTICO DO TEMPO# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Epígrafé:


Tine rara kata tera.
Rana pira sole tara
Pora dima yala pena
Mana dia kora grafe.


Abismos, montanhas, vales
Verdades, absolutos, sonhos
Utopias, desejos, esperanças,
Enigmas, mistérios, solidão.


Sete abismos perpetuados por sibilos que trans-elevam sons aos auspícios do infinito, ritmos e melodias às pro-fundezas da terra, onde lídimos artífices dos sons e palavras ouvem e são capazes de re-presentar-lhes.
Sete montanhas cobertas de neblina, de neve, de orvalho, de "securas" são objetos de con-templ-ação e reverência pela beleza que representam.
Sete vales em cujas veredas pastores con-duzem ovelhas, boiadeiros con-duzem o gado, simples, humildes, a vida é-lhes o verbo da sensibilidade.
Sete verdades professam e declamam em cânticos e versos a plen-itude do in-fin-itivo.
Sete absolutos pre-enchem as vacuidades da alma que perscruta os idílios e quimeras da morte, símbolo de felicidade perene, signo de alegria divina.
Sete sonhos da beleza do belo, pura sin-cronia entre o onírico e a vigília, entre os éritos inconscientes e iríasis da sensibilidade, evangelizam forclusions, manque-d´êtres, mauvaises-foi, sacralizam solipsismos, vaidades, orgulhos.
Sete utopias do bem e do mal, em cujas eidéticas do tempo e vento habitam o venerar o verbo do ser, reverenciar o in-fin-itivo da etern-idade, ascendem as chamas das achas de lenha aos confins do vir-a-ser, acendem as velas dos volos da alma que aspiram a trans-cendência do divino.
Desejos da humanidade do ser, sincronia do amor e do sonho in-transitivo do sentimento amar, sintonia da solidariedade e a cáritas da compaixão, harmonia do efêmero e absoluto.
Sete esperanças sobrevoam mares, florestas, re-colhendo e a-colhendo do tempo, em cujas eidéticas do ser habita a luz, a imortalidade in-fin-itiva da vida.


Enigmas.
Mistérios.
Solidão.


Tudo passa, tudo passa, tudo passa.... Luz do uni-verso perpassando a neblina do horizonte, cujas miríades do além estão re-fletidas no espelho das esperanças oníricas da verdade. Sons das contingências da não-correspondência entre as dialéticas que giram no catavento solitário da serra e as contradições do nada e vazio que rodavivam no dia a dia do quotidiano de dores e olhares voltados ao longínquo e distante à espera de alguma a-nunciação da verdade linguística e son-ética da poesia-vida da solidão.
Verbo-de ser
Ser-para o verbo.


Tine rara kata tera. Rana pira sole tara
Pora dima yala pena
Mana dia kora grafe.


O riso não vem, por que rir às sara-palhas das ipseidades, facticidades, pequeno mistério entre o ser e as coisas? Outras chamas ardentes, não perceptíveis, e tão mais acalentadoras, tão mais aquecedoras estilísticamente conduziram sob meus traços satíricos. Se de mim nada possuo salvo a alucinada travessia - vida são desejos alucinantes, despirocados, alucinógenos.




(**RIO DE JANEIRO**, 25 DE JUNHO DE 2017)


#O QUE É ISTO - A ETERNIDADE?# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


"O que é a eternidade senão ilusões e paixões desvairadas, alucinadas e alucinógenas?!"


Sentimentos afluem livres, tranquilos, à mercê das dimensões sensíveis, sarapalhas (às) .meiguices do inferno, ode aos valores que eternizam, sátiras às in-verdades e mentiras que glorificam as exegéticas heresias da con-tingência e das facticidades dos verbos, aforismos aos versos de lírios e à verdade do eterno e efêmero, é nas cordas das dialécticas e contra-dicções que equilibramos nossos passos, cujos traços e marcas são a consciência e a liberdade, à prosa dos questionamentos e indagações, a procura eterna da verdade, tributos às hipocrisias e falsidades que saciam a fome e sede da solidão, cristalizando o não-ser, o que é a eternidade senão ilusões e paixões desvairadas, alucinadas e alucinógenas.


Obtusas sorrelfas de compactas glórias, volúveis quimeras de ínfimos poderes, voláteis fantasias de pequenos conúbios entre sonhos e desejâncias, egrégias efígies ornamentam templos de falácias e verborréias, atrás das constelações a imagem suprema de infinito resplendor re-fletida, às ad-jacências do crepúsculo, mistério do outro lado do perpétuo, às sara-palhas da madrugada, enigma do outro lado do des-perpétuo.
Equívocas quimeras de "extensa" sabedoria, voláteis fantasias de mínimos orgulhos da raça, estirpe e laia, susceptíveis criações de entre-laçamento das mãos e das ideologias que ilustram com esplendor e resplendor o solipsismo, o egoísmo, a imagem suprema da hipocrisia e da farsa, o século XXI perpetuar-se-á hipócrita, estão atingidos os seus auspícios aqui e agora.


Bertas turpa clara rila
Bone mora sen dasfera
Nacli suna, sora culo


In-auditas idéias re-criam de in-versas mentiras das in-verdades as miríades de luzes resplendendo lâminas de verbos defectivos que conjugam com excelência as pectivas do etéreo, e as corujas no silêncio da madrugada de sereno de inverno harmonizam o canto circunspecto e introspectivo das melancolias do que aos poucochitos e cavalitas se perdeu no tempo, das nostalgias de éden que a-colhem em si dentro as dimensões futuras das conquistas e realizações por intermédio da liberdade de sentir e pensar, de se lançar à busca da vida, na querença do sublime, as cintilâncias das estrelas velam as poeiras da estrada sobre as folhas das pequenas plantações, as poeiras da metafísica da razão.


Furtiva falácia do credo in-verso versando "ipsis caliptus" do absoluto sob a contra-luz de obtusos éritos do infinitivo, a fênix re-nasce das cinzas, as sereias des-frutam o movimento das ondas do mar tocando as docas, felizes e alegres, con-templando os oásis do deserto com a doçura do lince dos olhares, gaivota sobrevoa o vale, enquanto o saci-pererê baila à beira da lagoa, Mefistófeles é crucificado atrás do montículo de terra, roda-viva de lendas e mitos.


Nissu poli rela sana
Dola yara pera vola
Sisla matra kina tora


Verbos prosaicos de interditos significados e sentidos per-fazendo dimensões sensíveis do silêncio e solidão que performam vestes dos retalhos e vestígios da imagem das veredas que con-duzem à paisagem do universal con-templado dos auspícios da colina sob a chuvinha fina e lenta que cai e o vale das orquídeas se re-veste de lâminas de águas.


Brindar para re-cordar as meiguices insolentes do inferno que desejam as volúpias do prazer da entrega, ao querer a sublimidade das flores da liberdade.


Koru lala lesse tana
Fuli gras mardi es gale
Lota pen ela luga sus imo
Rena pala rele tala.


(**RIO DE JANEIRO**, 25 DE JUNHO DE 2017)