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Mostrando postagens de Agosto, 2016

ARTISTA-PLÁSTICA E POETISA GRAÇA FONTIS COMENTA O TEXTO /**VÉU DE MISTÉRIOS E ENIGMAS**/

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Realmente eis aí um véu de mistérios e enigmas...porém esse mesmo véu deixa claramente transparecer emoções, sentimentos e sensações aparentemente camufladas, mas também com a nítida intenção de revelar-se para que sejam compreendidas e aceitas mesmo com suas imperfeições e inquietudes frente a indecisões inerentes a esse ser que faz da solidão e do silêncio múltipla faceta dando vida a um outro quiçá o ajude a desvendar mistérios e indagações impregnados na alma atormentada!...Todavia segue em devaneios ao mais longínquo...a eternitude onde por fim só Deus que o brindou divinamente com intelecto perspicaz, sensível e sábio responda-lhe a mais...quem sabe um último questionamento:...Até onde irá a dimensão desses dilemas quanto à existência do ser humano ou da sua própria existência?..Prbns.Poeta por mais um magnífico texto!


Graça Fontis


Questionamento que não quer se calar, jamais irá se calar: Até onde irá a dimensão dos dilemas quanto à existência do ser humano? Eis o cerne do texto,…

**VÉU DE MISTÉRIOS E ENIGMAS** - Manoel Ferreira

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Porque venho com freqüência mergulhando no silêncio, conversando com alguém, dizendo de minhas emoções e sentimentos e sensações mais ardentes, a eternidade se faz com a fé e a esperança, enquanto cofio o bigode, amarelado pela nicotina, não me refiro aos muitos cabelos brancos por isto não ser do início da velhice, da senilidade, mas o que mais importa se a calvície e os cabelos brancos foram-me legados devido a tantas inquietudes e indecisões. Ergo os olhos para mim com uma sabedoria compadecida. Posso sentir obscuramente uma presença, uma “pessoa”. Quando distingue os meus passos, alvoroça-se, murmura palavras com a voz rouca. Aproximando-me, ergue-se, levanta a cabeça, acaba por se deitar com os braços em cima do travesseiro, a cabeça enfiada neles, a respiração comedida. Ampliando as emoções, olhos umedecidos tornam-se difusos, adquirindo nítidos sintomas de opúsculo, findadas as preces e os tributos, as odes e homenagens, renuncio às cátedras, aos cargos, às funções, e parto à pr…

**CORCOVADO DE ILUSÕES CRISTALINAS** - TRIBUTO AOS CARIOCAS - Manoel Ferreira

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Ilusões cristalinas perfazendo dimensões con-tingentes do que há-de trans-cender angústias e náuseas perpétuas do absoluto, trans-elevar tristezas e fracassos gerundiais do infinitivo que sarapalha sombras e luzes ao longo do deserto sem ad-jacências e oásis, sem peregrinos, sendeiros a atravessá-lo à mercê de bússola na corcova de um camelo.


Corcovado de ilusões cristalinas Tranquilidade de espírito, segredo De verbos o sudário a agasalhar as carências Viver e existir agora significam as coisas Acontecerem livremente, cuidar Dos sonhos, esperanças Tudo atrás ficou lendário: sem lenço, sem documento.


Fica mal com Deus quem não alça vôo nas asas do condor de esperanças, real-izando os clímaces voláteis do gozo da estirpe. Fica mal comigo quem não trans-eleva a fé no divino eterno aos auspícios da liberdade que exala suas nuanças de desejos de compl-etude com os termos acessórios do nada e efêmero, como o pássaro de fogo que choca os ovos das chamas perenes a aquecerem o inverno das espécies s…

**RECANTO AFASTADO DA SABEDORIA** - Manoel Ferreira

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Despojando de significado todas as coisas do mundo, o silêncio, os elfos, os gnomos, a idéia de uma águia sobrevoando as serras, a idéia de uma vela colocada do lado de fora da janela consolam-me prematuramente das dores merecidas e absolvem-me de tristezas e desilusões. Não possuo nenhuma das idéias que tivera a ingenuidade, a inocência de atribuir ao silêncio e solidão deste quarto onde me encontro, a minha arte do cinismo e do sarcasmo, da ironia e da galhofa, revela-se, com o tempo, tristemente monótona. Mas apenas metade de minha inteligência consegue acreditar a alegria e exultação de, à noite, enfiar-me debaixo da coberta, do edredom. Se há algo que ansiara permanentemente em todos os anos fora por uma intimidade completa comigo, uma intimidade de compreensão e conhecimento. Se a compreensão e o entendimento afastam-se, resta um espaço vazio, e toda a luta e desejo profundos são de preencher este vazio, resta um espaço cheio de sombras. Se pudesse ser frio, de não dar a mínima …

**SURDA AFLIÇÃO DAS ORIGENS** - Manoel Ferreira

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Êxtases portáteis poderiam ser engarrafados, e não por pouco tempo os clímax de conveniências expostos em galerias, e a paz de espírito poderia ser remetida em galões pela diligência do correio. Expressando-me neste estilo, e se houver intrujice e galhofa, ficam a piedade e lástima,  a comiseração e a caridade, o leitor e ouvinte poderão pensar que estou brincando, experimentando o risível, sem deixar de figurar sutilmente a sátira e o sarcasmo, ironizando, e sinceramente é um dos poucos instantes em vida que me encontro bem instalado no mundo, ouvindo músicas, com o cigarro no canto esquerdo da boca, sem camisa, descalço, de shorts, à vontade, em derradeira instância, digitando no computador, cuidando de minha espiritualidade e redenção, de minha contingência e vasconços, alfim o mundo inteiro precisa saber que estou "de bem com a vida". O néctar dos deuses não é tão saboroso quanto isto de cuidar dos vasconços. Posso assegurar, entretanto, que ninguém brinca muito tempo qu…

**ESCREVER SEM VERBOS - O QUE É ISTO?** - Manoel Ferreira

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Este sol dói-me os olhos. Acho-me em cima da ponte. Olho a água. Enfio a mão direita no bolso esquerdo da camisa, procurando cigarro. Tiro o maço vazio. Jogo na água. Passa por debaixo da ponte. Por momento, vi-me encostado ao corrimão da ponte no Parque Municipal, tendo as mãos a amparar o queixo, vendo a água passar. Estava muito distante, pensando em não sei o quê. Perpassara-me a mente alguém haver dito que irá escrever sem verbos, estes são frutos das vaidades da raça e da estirpe; se lhe convier descer a pua, descascar os pepinos, no momento da inspiração, fá-lo-á com a língua dos adjetivos simples. Compreendi que escreve por ser um homem sem quaisquer verbos ou regências. Venhamos e convenhamos, se este digníssimo e conceituadíssimo indivíduo e homem, conseguisse regenciar seus sentimentos e emoções, sem os verbos, o que seria de sua ec-sistência à luz dos baldios da alma? Tirei um cigarro do maço e joguei este na água. Senti o ricochet e logo após começou de ser levado pela águ…