COMENTÁRIO DA AMIGA VIVIANE FERREIRA AO TEXTO //**ANJOS DO SENHOR**//


Boa noite, amigo Manoel Ferreira Neto! Estava ansiosa aguardando este texto, e agora lendo-o, sinto que valeu esperar, pois é extremamente belo, demonstrando toda a sua sensibilidade espiritual.
O que habita no amor, além das luzes da paz, das realizações, da felicidade, do prazer, é o próprio amor em toda sua essência divinal!



Vivíane Ferreira



**ANJOS DO SENHOR**



Sendas de melancolias, Anjos do Senhor, projetando édens de re-cord-ações enoveladas de pers-pectivas da inocência que con-templa, no eidos do tempo, a felicidade plena de verbos tecendo de versos as metáforas do amor e do bem, metáforas moventes de semânticas do eterno, nas linhas horizontais do além, nas margens verticais das estradas de poeira, a ingenuidade do ser perpétuo de imagens que bailam nos re-cônditos da alma a sinfonia sin-crônica, harmônica das con-tingências que se esvaecem, das trans-cendências que perpassam por entre os dedos de neve do tempo e dos ventos, sobrevoando o silvestre de campos idílicos habitados de estesias do alvorecer sob a esperança do Ser.
Veredas de nostalgias, Anjos do Senhor, trans-elevando nas asas leves do verbo de proscênios ampliando a visão da cortina que se abrirá e no palco das linguísticas diáfanas do sonho a performance do uni-verso sob a luz das poiésis do divino tecendo de espíritos a essência das fontes de águas cristalinas, em cujos itinerários de travessias lua e estrelas são guias para o in-finitivo infinito e inaudível do silêncio que a-nuncia as vozes do tempo, vozes de rogos, vozes de clamores, vozes antigas de verbos do prazer da paz e liberdade, vozes de desejos e vontades do ad-vir revelado de lembranças in-transitivas do genesis e apocalipse.
Alamedas de saudades, Anjos do Senhor, do que fora a plen-itude perpassando nas bordas da pureza sensível, tecendo estrofes sin-estéticas do ser atrás do espelho dos cosmos, re-n-"ov"-ando de pectivas as éresis do absoluto perfeito, as iríadas efêmeras do nada obtuso que origina o caos do vazio esplendido de vácuos, res-plendido de abismos da solidão de cem anos perpétuos, cem anos em cujos tempos efígies do tempo eivadas de saudades, ausência do sentimento presente que se nutre do vir-a-ser da vontade do encontro, re-encontro para o re-nascimento de outras esperanças além dos instantes-limites, aquis-e-agoras, além do que trans-cende quaisquer trans-cendências, e outros inter-ditos de inauditos mistérios pres-"ent"-ificando o espírito que jorra a alma na fonte da vida em estado de concepção da carne e do verbo, das dimensões trans-subjetivas do corpo que figura o movimento de gestos e passos à luz diáfana e trans-lúdica do puro.
Res-pondam-me, Anjos do Senhor, o que habita no amor além das luzes da paz, das realizações, da felicidade, do prazer.



Sucederia que, ao final deste dia,
O há-de afluir procrastina o sossego,
Preterindo quimeras de ser – da – eloquência,
Hipoteticamente brotando
As pétalas do devir em rosáceas,
Cujos odores extasiam
As crenças solares do ultra,
Cuja pulcritude da alma,
Guarnecida de espírito,
Arrebata as intuições,
Sobrepujados de argueiros e fantasmagorias
Às azémolas do perene,
E o rigor do limitado
De literaturas exaram
O póstumo título do "Ente",
Preceitua a lápide da origem
Entrada ao anteriormente era a eloquência,
Após a carnação,
Carnação dos temores,
Carnação dos despojados,
Carnação das ansiedades,
Carnação das melancolias e taciturnidades,
Carnação dos piáculos, escapadelas,
Carnação das inculpas, contrições,
Só os amásios das favilas
Engravidariam as ociosidades da veras?



Manoel Ferreira/Ana Júlia Machado.
(Rio de Janeiro, 22 de agosto de 2016)


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