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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

#AFORISMO 142/A RODA VIVA GIRANDO NOS CÔNCAVOS E CONVEXOS DO ESPELHO DAS SENSAÇÕES INAUDITAS!...# - GRAÇA FONTIS: ESCULTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Tecido minucioso com fragmentos de metáforas que inscrevem nos espaços de entre o climax divino do gozo o sentir corpo e alma voando aos ceus, prazer contingente elevado ao verbo do encontro com o espírito do verbo, do tempo de koinonia do "eu" e "outro". Destituída de instinto, a carne sente o esplendor do instante, êxtase, volúpia, a alma se suspende no tempo que se esvaece de segundo em segundo, o resto não é o silêncio das dimensões sensíveis e espirituais, mas as ruminâncias de compl-etude do verbo doar a entrega da querência do clímax e a regência nominal de con-sentir, permitir a leveza do sentir livre e espontâneo a satisfação, conúbio de ganache, o ser na continuidade dos momentos, estrelas cadentes, fases da lua no jogo lúdico de mudanças instantâneas no instante-limite, a roda viva girando nos côncavos e convexos do espelho das sensações inauditas esplendendo no silvestre da floresta de sendas e veredas de orvalhos notívagos, seivando o broto das flores para o despetalar no amanhecer, no lírico dos campos de lírios e trigos de neblina do amanhecer, envelando a visão do longínquo e distante, do próximo e perto, de confins e arribas, fecunda de libidos pronominais do espírito o ad-vir pleno do "nós", ab-solut-idade do corpo e alma no baile anti-sáfico da natureza, na dança anti-erótica defectiva da felicidade no proscênio de katharsis da pureza, sentimentos e emoções sui generis do amor do verbo afagar as dimensões do prazer.


Make love not full time, even though the short moments of feeling the contingences of being alive and able to feel pleasure as the image, efigie of the absolute.


Então um silêncio, longo, enorme, enquanto trago a fumaça do cigarro, expelindo-a, olhando-a desaparecer, deitado à rede de minha residência, perscrutando o imenso quintal todo arborizado, pássaros trinando, borboletas voando. Depois de longos e longos anos, eis que desfruto desse prazer novamente, sinto como se re-tornasse à minha infância, adolescência, e o sentimento é tão forte e verdadeiro que me ponho a passear por esse quintal como o fazia na infância, na adolescência, maturidade(instantes e momentos de reflexão, pensando, pensar o pensamento, sentindo-, sentir o sentimento). Estende-se pelo alpendre, sacada, a gosto de quem ouve e olvide, não me responder. Um mergulho com lentidão precisa e segura, um nada irreal, de escafandro. Não é verdade que não exista amor feliz. O que acontece é que a felicidade é experienciada, primeiro o desejo, depois a luta por a construir, e isso é no tempo... Se digo noutra linguagem: a felicidade dá tempo ao tempo, a arte trilha os caminhos da entrega. A agonia ou a ansiedade, creio que estão unidas, buscam as vozes simuladas em quimeras, palavras dissimuladas em fantasias, e não se é possível ouvir os cânticos que a felicidade entoa no espírito.


Amar. Intimar no eidos da entrega solidão e silêncio do eterno quanto efêmero, vice-versa, nos solstícios barros da beleza sensual, do eterno enquanto vazio, vice-versa, nas noctívagas madrugadas das erosias do belo, no crepúsculo romântico da perfeição entre o ato do amor livre e a atitude do amor eivado de verdades e esperanças do ad-vir das deus-itudes e deus-idades da verdade.


Delícia do amor íntimo. Degusto da intimidade sensível do ser-prazer eterno da vida.


(**RIO DE JANEIRO**, 01 DE SETEMBRO DE 2017)


#TRANSEUNTES ANÔNIMOS E A SOLIDÃO DO CÁRCERE - UMA LEITURA DO POEMA "TRANSEUNTES ANÔNIMOS" DA POETISA, ARTISTA-PLÁSTICA, PINTORA E ESCULTORA Graça Fontis


Ano apenas após a escritura deste poema, a escolha da pintura que iria ilustrá-lo, lembra-se-me haver comentado com a Poetisa e Artista-Plástica, Pintora e Escultora, Graça Fontis, sobre as grades no verso "... Aqui, detrás dessas grades...". Disse-lhe acerca de quem está atrás das grades vê o mundo em concomitância com as suas dores e sofrimentos, a sua solidão, e quem está fora das grades, as fugas, medos, condutas e posturas equivocadas levam à solidão. Hoje, relendo o poema, o olhar de fora e o olhar de dentro do cárcere, não necessariamente de prisão por delitos em todos os níveis. Digno de tirar-lhe o chapéu, reverenciando a artista pelos versos finais da solidão dentro do cárcere e fora dele: "E mergulhar neste mundo intenso,
Enigmático, um colorido fantástico
Camuflando segredos invioláveis
Subjetivados em rostos e sorrisos
Atitudes relevantes e previsíveis
Desconhecidos casuais... sensuais
Por instantes... imortais." A humanidade está condenada à falsidade, à farsa, à hipocrisia. A dor do personagem, espreitando, da janela do cárcere, a solidão dos homens livres, a sua própria solidão. Imortais por estas condutas, que sentido tem? E que sentido tinha o seu delito, para fugir de sua solidão, carência? Eis o sonho da solidão: a "Imortalidade..." Como criar, inventar, fazer a imortalidade? Eis os sonhos, os ideais da personagem, aquando fosse libertada; a res-posta ao questionamento o poema não oferece, a intenção da artista fora a reflexão. Mister descrever as coisas para melhor compreensão e entendimento de minha interpretação deste poema inestimável. Graça Fontis encontrou nas Lembranças do Facebook esta obra escrita há um ano, marcou-me na Lembrança, enviou-me. De imediato lera. Escrevia esta interpretação, quando ela estava escrevendo. Não sabia ela que estava eu fazendo uma crítica ao poema. Escreveu: "Viver é arte de se caminhar no nirvânico universal com o pé na realidade, recolhendo poesia." Eis a resposta que deixara suspensa no poema. A liberdade das grades é viver a realidade e criar Arte.


Manoel Ferreira Neto
(Rio de Janeiro, 31 de agosto de 2017)


**TRANSEUNTES ANÔNIMOS**


Espreitando da janela
Via rostos brancos, negros,
Descontraídos e risonhos,
Outros tristes.
Pessoas soltas e jocosas
Aparentemente livres.
Iam e vinham a todo momento
E em cada cabeça...
Pensamentos diversos,
Planos e ambições,
Só eu os via.
Ali permaneci horas e horas,
Analisando suas fisionomias
E o que trariam na alma.
Quanto a mim... ninguém
Que perceba minhas angústias
Ou que sequem minhas lágrimas,
Principalmente ao entardecer.
O pôr do sol me deixa mais triste,
Talvez pelo medo de não mais
Vê-lo ao amanhecer.
Aqui, detrás destas grades
Invulneráveis, torno-me vulnerável
Aos próprios pensamentos
Sentenciam-me a alucinações
Constantes, a auto-punição
Pelo que não fiz
E o que não entendo, mas sinto.
Por instantes desejei ser um
Desses transeuntes anônimos
E misturar-me ao povo,
À poeira do asfalto ou
Ao burburinho das lojas;
Fugir para sempre deste mausoléu
Trépido e frio
E mergulhar neste mundo intenso,
Enigmático, um colorido fantástico
Camuflando segredos invioláveis
Subjetivados em rostos e sorrisos
Atitudes relevantes e previsíveis
Desconhecidos casuais... sensuais
Por instantes... imortais.


Graça Fontis
(31 de agosto de 2016)


#AFORISMO 143/SIBILO DE VENTO PARA ALÉM DE ENTRE AS MONTANHAS# - GRAÇA FONTIS: ESCULTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Sorriso trigueiro, alma circunspecta, introvertida
Aforismaria uma balada do bosque de mistérios,
Nos olhos a a-nunciação da alma à busca de uni-versos
De místicos hieróglifos de pretensas utopias e ideais,
O ritmo, ah o ritmo... balalaika nos lotes vagos de San Petersburgo
A in-vestigação sombria e nostálgica da alma à cata de seu destino...
Aforismaria o quê,
Além desta investigação?


Qualquer demônio diferente, qualquer demônio fracassado numa missão específica só consegue se libertar da severa e verdadeira punição a lhe ser imposta, se porventura compense o fracasso multiplicando sua tarefa por inúmeras vezes. Difícil isto de não se compreender a presença de instantes de cinismos, ironias, galhofas, de não se entender que de imediato surge algo vindo de muito profundo, atabalhoa as idéias, os pensamentos, é quase necessário ir à busca de reuni-las a todas, correndo o risco de as ter perdido.


Tenha aquilatado a dimensão do dilema sugere um destes instantes, alguém muito íntimo a indagar se já experimentei os dilemas comigo próprio, e a petulância de colocar em mãos de quem se digne a isto, viver os próprios dilemas, a escolherem as letras com que irá tecer os seus valores, a sua capacidade de idealizar coisas e lhes dar proporções morais. Contudo, toque de sutilezas e perspicácias, quase não perceptível a olhos nus.


Árias de sons d´água, ritmo e melodia serenos
Que me enternecem - sentimentos da canção e acorde sussurrados -
Líricas notas dedilhadas na harpa, que, por pré-cântico, des-cântico,
Se me toca dimensões profundas, dimensões íntimas, jamais sonhara,
O que, cochichando, sibilando,
Inspira-me o vento perpassando os silvos silvestres,
Pelo vôo da entrega plena, inteira, nua e eterna,
O "harpítico" - que nome mais estranho, quiçá escalafóbetico -
Das nonadas, hiatos, nadas, vazios, náuseas suspende o sonho
No instante das notas de angústias, tristezas, saudades,
Miríades de luzes entre lâminas de águas,
Vozes murmuradas nas alcovas, nos quartos, cubículos,
O olhar...
Como um sibilo de vento para além de entre as montanhas, as emoções vão alegres e felizes. O caminho passa fora da grade do portão. Antes de me tornar um homem esclarecido, as margens do rio já não eram margens do rio e as luzes que iluminavam as ruas e avenidas já não eram luzes que iluminavam as ruas e avenidas. Palavras um poucochinho agressivas, se não as entender como uma mensagem, algo a ser tornado uma verdade, mesmo que as controvérsias existam, se revelem fortes, dominadoras, opiniões em contrário, um sonho de multiplicar os desejos de uma expressão verdadeira, um estilo de vida, algo que revele orgulho: “... qualquer demônio fracassado numa missão específica só consegue se libertar da severa e verdadeira punição a lhe ser imposta, se porventura compense o fracasso multiplicando sua tarefa por inúmeras vezes”.


O olhar de esguelha ao cinismo, ironia, sarcasmo, mexendo e remexendo dentro, a necessidade é que revelem o véu de mistérios e enigmas, algo seja capaz de livrar das teias irônicas, sarcásticas, não há possibilidade de compreensão dos limites de suas nobrezas e de suas vulgaridades, de suas burguesias e viperinidades.


O canto considerado perfeito parece serem vozes uníssonas nascidas de uma única garganta. Com efeito, o sublime coro de vozes se destaca como fonte sonora inesgotável, a atravessar paredes, frestas de janelas fechadas, de portas fechadas, a ascenderem, e de repente são os homens que os ouve, buscam inspirações, como fonte sonora inesgotável, dotada de afinação admirável.


As súbitas pretensões, não sinto quaisquer impedimentos, recusas, renúncias de as incluir nos itinerários das estradas a serem cruzadas, se não andar, não sou é nada, surgem sob um certo nervosismo, originadas da visão da deliciosa amostra grátis das impossibilidades de as realizar, é-se necessário dons e talentos para qualquer empresa; originadas, repito com malícia e perspicácia, originadas da visão da deliciosa amostra, cujos trejeitos indicam a facilidade de atingirem a perfeição, nesta matéria de interpretações divinas. Indubitavelmente é a esperança que perpassa as dimensões humanas, esta que é o passaporte para a arte de viver, arte e vida se confundem, interessante é quando criam raízes. Diria até para enfatizar bem o que porventura esteja a revelar. Tem de as regar cotidianamente, tem que ser como a vida, dia a dia.


Os sentimentos vêem do fundo do coração, e só tenho, como guia, como mentora, a consciência.


(**RIO DE JANEIRO**, 30 DE AGOSTO DE 2017)


#AFORISMO 141/DÁDIVAS DE ESPÍRITOS LIVRES QUE MORAM NAS MONTANHAS# - GRAÇA FONTIS: ESCULTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Lá fora, a noite tão longínqua! Sonho e de por trás da minha atenção sonha comigo alguém... E eu, que pela manhã da distância, da lonjura que vai o dia quase a esqueço, é ao lembrar-me dela que sinto em mim desejos os mais excêntricos, os mais inusitados de num recanto afastado da sabedoria o ritmo íntimo das vozes que ouço a dizer-me próximo à alma do alto silêncio; sinto em mim o espanto que as horas de desassossego, para além da linha externa das montanhas são hábitos de estilo, costume de formas, e para além dessa não há nada...


Os olhos não são escuros, mas claros, e é apenas a sombra das longas pestanas que os escurece. Penso poderia estar alhures. De mim já se afastou a última esperança. Acaso a natureza ou nobre alma agora um bálsamo não têm, que me traga bonança? Por vezes, não sinto limites no corpo. Con-templo ora o sorriso cínico e irônico, revelando rebeldia e meditação acerca de o cristianismo com-templar a morte e não a vida, dizendo-me da melancolia e nostalgia. Ponho em nível de suas sensações as extremidades algo longínquas das mais nobres emoções. Imagino estar algures.


Hesito, agora, em continuar a idéia que se me revelou na mente. Não há muito que, encostando-me ao parapeito da janela, após a estiada da chuva, olhando à distância a neblina, e agora, tudo se me afigura um sonho. O coração bate descompassado, não estou nem um pouco consciente da emoção que se me revelou a ponto de o coração bater descompassado, para isto, para o fazer bater descompassadamente, há-de ser algo emocionante, inusitado. Em princípio, ouço com um sorriso calmo e paciente, que raras vezes me abandona; mas, pouco a pouco, uma expressão de espanto e, em seguida, de medo transparecem e se me fixa no olhar. O sorriso não desaparece de todo; mas, por momentos, parece vacilar.


Na neblina da montanha, chovera por quase três dias seguidos, pela manhã de hoje estava toda encoberta, já vislumbro e vejo as musas passarem dançando, e, em que depois, descansando quieto no equilíbrio da alma matinal de por baixo de alguma árvore, encostado ao seu tronco, dessas copas e ramagens me sejam lançadas coisas novas, inusitadas, excêntricas e claras, dádivas de espíritos livres que moram na montanha, no bosque e na solidão...


Tudo aquilo, das coisas, que pode andar, caminhar, não deve já, uma vez, ter percorrido esta vereda da montanha? Tudo aquilo das coisas, que pode suceder, acontecer, não deve já, uma vez, ter acontecido, passado, trans-corrido, de-corrido?


E se tudo já existiu?


(**RIO DE JANEIRO**, 31 DE AGOSTO DE 2017)


#AFORISMO 140/RECANTO AFASTADO DA SABEDORIA# - GRAÇA FONTIS: ESCULTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Despojando de significado todas as coisas do mundo, o silêncio, os elfos, os gnomos, a idéia de uma águia sobrevoando as serras, a idéia de uma vela colocada do lado de fora da janela consolam-me prematuramente das dores merecidas e absolvem-me de tristezas e desilusões. Não possuo nenhuma das idéias que tivera a ingenuidade, a inocência de atribuir ao silêncio e solidão deste quarto onde me encontro, a minha arte do cinismo e do sarcasmo, da ironia e da galhofa, revela-se, com o tempo, tristemente monótona.


Mas apenas, metade de minha inteligência consegue acreditar a alegria e exultação de, à noite, enfiar-me debaixo da coberta, do edredom. Se há algo que ansiara permanentemente em todos os anos fora por uma intimidade completa comigo, uma intimidade de compreensão e conhecimento. Se a compreensão e o entendimento afastam-se, resta um espaço vazio, e toda a luta e desejo profundos são de preencher este vazio, resta um espaço cheio de sombras. Se pudesse ser frio, de não dar a mínima para o espaço vazio com a ausência da compreensão e o entendimento, ao ponto de imaginar-me rindo tanto do vazio como das sombras, riria sem dúvida de me imaginar vivo. Não me afasto dos desejos mais percucientes de uma intimidade completa comigo, mexendo-se-me, remexendo-se-me, pelas fadas do silêncio e pelos elfos da sombra e pelos gnomos do esquecimento...


Instantes caídos nessas verdades
De verdades outras cheias
De orgulho de ter inconcebíveis angústias,
De vaidades de haverem in-auditas náuseas,
De lisonjas de serem as cintilâncias das estrelas
Ad-versas às certezas in-versas da vida.


Com que alegria, com que exultação, enfio-me à noite debaixo da coberta, do cobertor, do edredom! O importuno rumor da vida, o importuno sussurro dos questionamentos muitos, dos desejos de sobrevoar os campos, os rios, os mares, seguindo os horizontes à frente, o importuno rumor da vida quotidiana, o seu dia a dia, sofre uma trégua e no silêncio noturno a minha imaginação, a minha criativa inteligência segue o seu curso à vontade.

Todos os homens têm, assim o creio desde há muito, desde tempos imemoriais, como tenho costume de dizer, aprecio muito esta imagem, todos os homens têm o direito de expandir suas opiniões e seus conceitos ao vento que sopra. Se, então, seguindo este pensamento, aliás, uma convicção que dentro trago em mim, deveria expandir, deveria permitir que com o soprar do vento de sombras a reflexão da vida seja algo que mude vez por todas a vida.


Observo de repente, como quem repara que é vocacionado à felicidade, como quem repara que é vocacionado ao seu conhecimento íntimo, como quem repara que vive e sonha a vida, sonha o sentido da vida, sonha a união da vida e do sentido da vida, o quarto está cheio de vozes que comigo dialogam, mas termina por ser um monólogo porque só se ouve a minha voz trespassada de tantas vozes. Nenhuma ânsia teria razão de ser.


Sombras se projetam por todos os cantos do quarto onde estou. Caminhando sempre e sem o saber ou querer, parece ainda assim que me demoro á beira de alguns rios. Sombras que são relíquias de outroras felizes. Um vento de sombras, a janela está aberta de fio a pavio, e o dia estivera ensimesmado devido à chuva que caiu por quase três dias continuamente, sopra as cinzas que foram sendo armazenadas no íntimo, cinzas sobre o que sou de vigília, sobre quem sou no sono. O espírito vagueia sem limites e sem fronteiras, sinto a profundidade das águas que seguem o trajeto rumo ao mar, à amplitude, e a profundeza do olhar que a acolhe e recolhe de um desejo, de uma vontade.


Instante de um nada-sublime
Nada-sublime de re-versos ideais da beleza
Nada-sublime de in-versas razões do eterno
Nada-sublime de ad-versas idéias dialécticas
Recanto afastado da sabedoria.


Aqui a paisagem tem os olhos rasos da fonte originária do rio de águas límpidas, olhos parados cheios de tédio inconcebível de ser quem sou, de revelar a profundidade de meu espírito, os sonhos e esperanças que me habitam a alma, o espírito. Cheio sim do tédio de ser qualquer coisa, de não me importar nem um pouco se não conseguir mais reconhecer-me, se decidir vez por todas tirar as máscaras com que fui envelando a minha realidade até não mais reconhece-la em lugar algum, mesmo no recanto afastado da sabedoria.

Afasto-me da janela, sentando-me à cadeira de sofá. Olho em todas as direções do quarto em que estou, em silêncio, esperando ver algo, não sei que algo é este que espero, mas espero. A grande lâmpada eléctrica sobre minha cabeça lança uma luz amarelada e intensa, fazendo-me parecer mais claro e pálido do que habitualmente, tirando até a cor dos olhos, de um castanho claro. A luz amarelada e intensa que me traz a grande lâmpada parece vir-me de dentro. Aqui me detenho e começo de pensar que há tempo que vivo instante cheio de um outro senti-la, instante de uma perfeição vazia, instante de um nada-sublime, tão adversos às certezas inversas da vida. Instantes caídos nessas verdades de verdades outras cheias de orgulho de ter inconcebíveis angústias.


Instante de perfeição vazia,
Perfeição de falhas,
Perfeição de desmembramentos,
Perfeição de atos falhos,
Olhar disperso na imensidão do mundo


O sossego inquieto da fonte originária do rio de águas límpidas parece vir-me de dentro, sim é de dentro que me vem, encontro-me encostado ao parapeito da janela de minha residência, no terceiro andar, dando-me as mãos de concordância espiritual ao entristecer longínquo.

São horas de cinza de espírito, não tenho a ousadia, não sou um espírito aventureiro, pudera sê-lo, não me pergunto para que é isto que não é para coisa alguma, para nada, estaria apenas tentando preencher o vazio das horas com algo sem sentido, não há resposta, nem posso entender que, não tendo resposta, como uma pergunta fora criada, fora feita, fora pres-ent-ificada. Tenho-me esquecido do tempo, em verdade. Vivo um tempo que não sei decorrer, um espaço para que não há pensar, um decorrer fora do tempo, uma extensão que desconhece as emoções e sentimentos, conhece o saber como é suave saber que a espiritualidade, o conhecimento, a contemplação, na clepsidra deste imenso desejo, sonho, vontade do sublime, entregar a vida a esta busca, esperançoso de vir a sentir o gosto do sublime, gotas regulares de esperança, de fé, marcam horas irreais.


(**RIO DE JANEIRO**, 31 DE AGOSTO DE 2017)


#AFORISMO 139/NO TEMPO SORRÉLFICO DAS ILUSÕES# - GRAÇA FONTIS: ESCULTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Ruminâncias de ouro e riso. Gritos antigos de arco-iris e lágrimas. Vociferâncias de coriscos e lábios eminentemente fechados, por vezes olhos frios e apagados de qualquer visão turva e nula do beco sem saída, ladeados de terrenos baldios, por vezes olhares calientes e faiscantes de todas as ab-solutas visões cristalinas e trans-parentes das othon alamedas, em cujos canteiros brilham palmeiras em cujas frinchas das alturas não cantam sabiás, que no longínquo e distante espaço ao longo desemboca no limite que inicia o tao do ser que, nas entre-linhas do vervo, solsticia os sujeitos da alma, nos inter-ditos dos temas e temáticas crep-usculam os crep-interstícios do vazio nas eter-minâncias ad-versas de re-versos e in-versos às caval-itidades do abismo sonhando o vazio, o vazio perscrutando a resenha do efêmero, o croqui do além, o efêmero evangelizando o anti-cristo das plen-itudes,


Plen-itudes faiscantes de todas
As ab-solutas visões cristalinas e trans-parentes.
Plen-itudes ruminantes de ouro e riso
Do vazio nas eter-minâncias ad-versas de re-versos e in-versos
Às caval-itidades do abismo sonhando o vazio.


O pretérito há de ser, será o que jamais existiu, existe ou existirá no tempo sorrélfico das ilusões, o sino da igreja badalando às duas e meia da tarde.
Fica mal com as memórias da contingência quem não re-colhe e a-colhe, acolhendo o re-colher, re-colhendo o a-colher o espírito, da alma que se arrasta nas linhas de luzes antes da cortina do palco catártico, proscênio dos idílios às óperas, sinfonias, tragédias opusculares do nonsense.


Ruminâncias de ouro e risos
Ex-tases sin-estéticos crep-usculam
Sim de estéticos ex-tases alvorecem
Vervas plen-itudes solsticiando, do abismo,
As ab-solutas visões cristalinas e trans-parentes
Das othon alamedas, onde iniciam as eter-minâncias,
Minas de re-versos e in-versos taos do ser,
Grutas de re-vezes e contramãos, etéreos cristais,
Proscênio dos idílios à ÓPERA DO SILÊNCIO...


(**RIO DE JANEIRO**, 31 DE AGOSTO DE 2017)


#AFORISMO 138/CORCOVADO DE ILUSÕES CRISTALINAS - TRIBUTO AOS CARIOCAS# - GRAÇA FONTIS: ESCULTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Ilusões cristalinas perfazendo dimensões con-tingentes do que há-de trans-cender angústias e náuseas perpétuas do absoluto, trans-elevar tristezas e fracassos gerundiais do infinitivo que sarapalha sombras e luzes ao longo do deserto sem ad-jacências e oásis, sem peregrinos, sendeiros a atravessá-lo à mercê de bússola na corcova de um camelo.


Corcovado de ilusões cristalinas
Tranquilidade de espírito,
segredo
De verbos, o sudário a agasalhar as carências
Viver e existir
agora significam as coisas
Acontecerem livremente,
cuidar
Dos sonhos,
esperanças
Tudo atrás ficou lendário:
sem lenço, sem documento.


Fica mal com Deus quem não alça vôo nas asas do condor de esperanças, real-izando os clímaces voláteis do gozo da estirpe. Fica mal comigo quem não trans-eleva a fé no divino eterno aos auspícios da liberdade que exala suas nuanças de desejos de compl-etude com os termos acessórios do nada e efêmero, termos essenciais das nonadas e travessias, enovelados ambos às utopias verbais e in-verbais de sonhos serem o destino e o póstero, como o pássaro de fogo que choca os ovos das chamas perenes a aquecerem o inverno das espécies susceptíveis às caliências do "nunca antes de quais jamais", carências do "sempre antes de quaisquer pretéritos" perfeitos ou imperfeitos.


Corcovado de angústias e náuseas perpétuas,
paraclímaces da liberdade in-finitiva
enovelada de utopias verbais
e in-verbais sonhos de sonos im-perfeitos
Corcovado de luzes e sons,
Ao longo do deserto sem
ad-jacências e oásis,
Às margens sinuosas do
cócito in-audito de vozes,
A Phoenix dos verbos gnósticos choca os ovos
Do sublime e da beleza,
E re-nasce das cinzas dos dogmas e preceitos,
Vozes que permeiam a noite de lua cheia
E centenas de estrelas cadentes.


Fica mal com a vida na sua vocação de ser o absoluto perfeito, inda que, este, tardio, inda que, in-ec-sistentes, as ruminâncias de ouro e risos a satirizarem com veemência e re-verência o surrealismo das laias côncavas e convexas das viperinidades da natureza humana, quando o perfeito desde a eternidade encontra-se refestelando-se às margens sinuosas do cócito inaudito de vozes que permeiam a noite de lua cheia e centenas de estrelas cadentes. Fica mal com as linguísticas e semânticas não levar as sendas da floresta ao fim do arco-íris, por não vislumbrar o pote de ouro sob a cintilância dos numinosos raios do sol, e não poderá a-lumbrar as luzes do alvorecer.


Calientes, cadentes,
Caliências, cadências
Cadências calientes,
Caliências cadentes.


Pelo meu caminho vou, vou como quem pisa com toda delicadeza e acuidade os ovos da "garnisé", grávidos de réquiens para as ipseidades do pretérito iluminando as trevas e sombras da terra do bem-virá. Vou como quem saltita nas brasas de lenhas da lareira, incandescendo a sola dos pés para sentir o prazer e volúpia das estradas na jornada sem limites, fronteiras, obstáculos, enfim sem o instante-limite do zero a prenunciar o "um" dos solilóquios e colóquios da aritmética dos "noves fora um".


A linguagem é condenada pelos princípios, o estilo é indecente pelas lógicas, mas antes sendo do que dar com as mulas no mata-burro, com os jegues no abismo.


(**RIO DE JANEIRO**, 31 DE AGOSTO DE 2017