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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

#AFORISMO 81/INTERSTÍCIOS DA IN-CONSCIÊNCIA# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/ Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Epígrafe:


"No âmago da sensibilidade, o floreio inopoturno das palavras provoca síncope na reverberação sistêmica e irrelevante à supremacia poética." (Graça Fontis)


Todos dizem
De sublimidade, sublimitude, subli-minis-cências
De pureza, puro
Nada de criações, re-criações do desejo,
Nada de intuições, percepções da vontade,
Nada de revelações, anunciações da utopia,
Nada de esperanças da estética
Verborréias da fantasia,
Verbetes das ilusões,
Falácias do nada,
Mentiras da língua solta, fogachos da sensibilidade,
Almas perdidas, almas sombrias, almas obscuras.


Ninguém disse seria assim
- estranhos dias, com efeito.


Todos dizem
De poética, poiésis, poiética
De poesia, poema, poemática
Nada de pers de linguística
Nada de pectivas de semântica
Nada de sin-estesias de estilística
Nada de sonhos da beleza do belo
Poética do vazio
Poiésis do evasivo,
Poiética do efêmero
Poesia da alma que vocifera
Melancolias do primevo, nostalgias de antanho
Poema dos sofrimentos e dores que ruminam
Tristezas, angústias, medos do há-de ser
Poemática dos desejos oblíquos, obtusos, inócuos
Permeados de fracassos, frustrações, falências, faltas,
Salpicados de neuroses, psicoses, sou um homem desequilibrado
Sou um homem-desequilíbrio,
Sarapalhados de hipocrisias, falsidades, aparências, farsas.


Ninguém disse seria assim
- estranhos dias, com efeito.


Todos dizem
De esperanças, utopias, sonhos do verbo amar
Nada de verbo amar que eiva o espírito
De dimensões do in-finito, do uni-versal
Nada de verbo amar que concebe o pleno,
Nada de verbo amar que gera o ser do eterno
Nada de verbo amar que dá a luz à verdade
Nada de verbo amar que tece o verso-uno das querências
Da Vida "si-mesma", da Vida para a plen-itude,
Da Vida para a dialéctica do encontro e des-encontro
Elucubrações, contra os pensamentos
Fantasias, contra as ideias,
Quimeras, contra a sensibilidade, dimensões
Sorrelfas, contra os ideais, utopias
Mentiras, contra o "eu", o outro que habita atrás
Omissões, contra a verdade,
Equívocos, contra o Vento
Felicidades que emurchecem nos recônditos da alma
Alegrias que secam nos interstícios da inconsciência,
Prazeres que se esfriam nos âmagos da memória.


Ninguém disse seria assim
- estranhos dias, com efeito.


Versos e estrofes de palavras insossas
Amor e amar de verbos defectivos, irregulares.


(**RIO DE JANEIRO**, 06 DE AGOSTO DE 2017)


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