Total de visualizações de página

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

#AFORISMO 88/DAS ÁGUAS LÍMPIDAS DO ETERNO-RIO# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


"Tempo de vento.
O vento não pode ser preso. Só uma pedra." (Manoel Ferreira)

Epígrafe:

"É no plenário atemporal silente, solitário e reduto da multiplicidade planteada dos sonhos que o Ser colhe e notabiliza sua reconciliação linguística poeticamente verbalizada" (Graça Fontis)


Tempo de ódio. Tempo de amor. Tempo de nada, abrindo as venezianas para a con-templação do in-finito.Tempo de esperanças do in-finito onde habita a plen-itude. Tempo dos efêmeros se esvaindo no nada. Tempo de verbos de espírito. Tempo de espíritos da vida, quando as plen-itudes amalgamam as divin-idades.
Tempo do vazio do nada, porque é na ausência que os sonhos chegam à perfeição. Tempo da náusea das nonadas, porque é na imperfeição que a alma sobrevoa o inaudito. Tempo do paradoxo do nada do vazio, porque na ausência de horizontes e uni-versos adquire-se o sentido da semântica do in-finito para o verbo do ser, da estilística do eterno para a uni-versal-idade do sensível. Tempo da graça que atinge mais profundamente ainda que o inconsciente descanse no sono dos mistérios. Tempo de atravessar a alma e o corpo. Tempo de demolição e reconstrução, ferir e sarar. A graça constrói sobre a natureza, e pode elevá-la.
Tempo de enumerar, elencar as obras que podemos fazer para nos estruturar com a presença do vazio do nada, com a presentificação do nada do vazio, para nos estruturar e nos preparar para a Arte Espíritual do Ser do Verbo. Tempo de conviver com os erros e fracassos, cacos da vida, de outro modo. Os sibilos do vento forçam-nos a voltar atrás de nossos projetos idealistas e descermos à realidade. Assim podemos descobrir quais são os bloqueios, mas também todas as energias que existem no nada.

Sou alegre por olvidar a hora.
Afigura-se-me ser a egocentricidade,
A susceptibilidade clemente.
Todas as veredas acarretam-me a ela.
Requesto em mim a cadência de modinhas antigas.
Só me rememora o jeito nímio deficiente.
O fecho de que não me escureça, suspendo-me.

Intenciono-me ser, excluir-me de mim,
Aportar, estacar no meu íntimo,
Ser ele,
Outorgando-me inteiriço.

Nulo aprazimento
Ajuízo-me impender a mim análogo.
Sendo o exclusivo a frui-la,
Componho-o tão-somente por ufania e embuste,
Teço-o tão somente por picardia e compulsividade.

A fome de querença penetra mutuamente à retentiva do dédalo
Sujeito esquisito e comovente, zoada abeira entre o arrebatamento,
As locuções, estilos, posturas,
Clamor afável e terno,
O físico são nostalgias absolutas e plenas
Da tonteira do espertar.

Apreendo agora o que anda sendo de mim,
Porque flúmens e abismos encontro-me a marear.
Paralelismo primeiro e interno,
Retentivas e anamneses de ocorrências.
Prezo mais os cimélios das planícies.
Apreendo ou me exorto
De que amadurecido estou,
Enfim,
Para talhe novel.
Para além de minha elementar tenção resido.

Tem-se medo do nada porque nele os efêmeros se esvaecem, mas se esquece de que nesse esvaecimento dos efêmeros se a-nuncia o in-finito, o verbo da esperança. Tem-se medo do vazio porque os segredos e mistérios da verdade se revelam, verdade que outra não é senão a morte das ilusões, quimeras, idílios e sorrelfas, a alma vendo-se diante do deserto que tem de atravessar para se ajoelhar aos pés do vir-a-ser, verbo do espírito, sempre a caminhada para o Tempo-do ser.

Tempo da Arte da Espiritualidade. Mas em quem reside no regaço da alma a hipocrisia, trá-la em si dentro como resposta ao verso do a-poema da con-ting-ência que eleva seu eidos aos desejos e vontade da plen-itude, jamais o nada será a veneziana do In-finito. E nesse tempo , aqui e agora, nas letras e nos versos não há a presença do Vazio do Nada, do Nada do Vazio, somente os idílios da glória e poder, as letras são para a fuga das con-ting-ências, mauvaise-foi dos princípios da Arte serem a busca da Verdade.

Ópera do absoluto
Em cânticos da con-tingência.
Etern-idade
Sin-tese: sonho e utopia
Soneto da solidariedade
Em versos do verbo,
Tornado carne da cáritas,
Em estrofes do espírito,
Tornado sensibilidade da alma.

Espiritual-idade,
Sublim-idade,
Etern-idade
In-finitos do amor,
Verdades do ser,
Ser de "nós"
Entre-laçando querências e desejos,
Ser para o há-de vir do divino
Comungando vontades e êxtases
Do bem, do belo, da estesia
Ser em buscas e encontros
Harmonizando,
Sin-tonizando,
Sin-cronizando
Uni-versos poi-éticos
Inter-ditando a Vida
Presente na passagem
Das águas límpidas do Eterno-Rio...


(**RIO DE JANEIRO**, 10 DE AGOSTO DE 2017)

Nenhum comentário:

Postar um comentário