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sexta-feira, 30 de junho de 2017

#SILÊNCIO ARDENTE DE VOZES EQUÍVOCAS# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Não me afastando, não me envolvendo, conservando uma distância, estou esclarecendo a alma, o mais profundo, o que sinto, o que penso. Em me pensando, não me é possível sentir: não sinto quem sou. Parece que um véu se rasga diante de minha alma e o picadeiro da vida infinita mudou-se, para mim, num túmulo eternamente escancarado. Em me sentindo, afloro-me: sou quem eu sou no que não sou e sou. Afloro este ser e ele se aflora por inteiro. Quando torno a pensar e me lembro da história do cavalo cansado de ser livre, que se deixa arrear e esporear, e o cavaleiro cavalga até estafá-lo, não sei mais o que devo fazer...
A velha e in-sondável meia-noite rumina em sonhos a sua dor e ainda mais sua alegria: pois se a dor é profunda, a alegria é mais profunda do que o sofrimento. Sobre esse monte das Oliveiras, a vigília é inútil; o espírito se une aos apóstolos adormecidos e os aprova. Estariam realmente equivocados? Seja como for, tiveram a re-velação.
Será que haverá alguém quem poderá dizer-me algo, o que será melhor ocultar: as coisas raras e preciosas ou as vis e triviais? Como, não haverá alguém quem me possa esclarecer esta questão? Por que será que todos permanecem imóveis como se não passassem de estátuas? Mas não será o silêncio deste homem ou de todos que me fechará a boca. Os gregos responderão por vocês e dirão que a bilha se deixa sem receio à porta, ao passo que as coisas preciosas se conservam escondidas.
Pergunto-me a todo segundo a razão de Deus haver dado somente a alguns o poder da consciência, de seu conhecimento, e olha que nem eles têm consciência e conhecimento. Difícil ser alguém consciente de sua própria vida. E não suportando esta consciência precisa a todo custo querer convencer a alguém que é necessário ser consciente, ter uma visão-de-mundo. Divide-se o pão de cada dia.
A todo ser humano é dada a possibilidade de acolher em si mesmo a capacidade do espanto, da reverência, da surpresa, sem jamais barganhá-la com um dado pragmático. Uma possibilidade que não leva em conta as divisões de categoria como fé ou não-fé.
Quem é capaz de rir de si mesmo no momento mais atroz e contundente de suas dores por alguma vileza ou canalhice cometida? Talvez seja capaz de rir depois, no instante em que percebe haver superado? Não será o riso ingênuo e puro. Perdeu muito destas características. Se o expressar, será desenxabido e hilário. Quem é capaz de se reconciliar consigo próprio, quando tudo parece faltar de sob os pés? Talvez seja capaz de fazê-lo, mas encostando-se no outro para não sucumbir de todo. E não será mais a reconciliação pura e inocente. Será uma reconciliação para não descer os ossos sob a tumba fria e serena.
Com intenção sobremodo nítida, faço com que não escutar nem mesmo as mais fugazes alusões a esta situação. Porque em muitas coisas a verdade é que os homens se comportam como crianças. Freqüentemente as miudezas mais insignificantes, entre as quais, infeliz, não me posso incluir o procedimento de mim, os ferem de tal modo que até deixam de falar com os que verdadeiramente são bons amigos, afastam-se deles se os encontram em sua passagem e fazem todo o possível para agir contra os seus interesses. Depois acontece, porém, ocorrer que de modo surpreendente e sem razão, aparente ou não, e sem motivo que o justifique, em virtude de alguma pequena brincadeira, que a gente se arrisca a fazer apenas em vista da situação desesperada, rompem a rir e se reconciliam.
Tão difícil isto de desejar sentir compaixão e solidariedade em quem não se pode sentir senão dentro de mim mesmo, e o que desejo é sentir os sentimentos de toda gente, de qualquer raça ou credo, de qualquer ídolo ou culpados, criminosos e ofendidos, a humanidade necessita tanto destes ídolos de nada – diz-me algo, o que a humanidade tanto esconde de si própria? Não seria mais fácil assumir? Dizer, não importa mais quem diz ou o que diz. Sou eu quem diz a mim. Sou eu quem me diz.
O cume das colinas, a princípio, estava coberto de nuvens. Levantara-se, depois, uma brisa, cujo sopro sentia em meu rosto. Com essa brisa, por detrás das colinas, as nuvens se separaram como uma cortina que se abre.
Ascendendo, o abismo revela e nivela as serras e montanhas, e só então o homem ultrapassa os limites determinados à espécie humana em sua materialidade e, assim continua e prolonga a ação divina.
Como surgem as realidades sombrias perante o observador atento? Geralmente, quando o sofrimento e a paixão nos tiranizam. Então, o equilíbrio aparente que nos protege subitamente desaparece. Os sentimentos que turbilhonam no processo da alma rompem os moldes que os contêm e se traduzem em atos intempestivos, insólitos, paradoxais, idiotas. Essas tempestades interiores retorcem e quebram as formas rígidas, e o indivíduo, em sua exuberância, surge sem disfarce. Desvenda-se a realidade mais profunda e quedamos pasmados por conhecer tão mal quem somos, muitas vezes admirados e queridos, e tão pusilânimes.
Durmo na tempestade. Durmo em minha coragem, feliz por ser um homem que já enfrentou as vagas das águas; a imagem dos barulhos oceânicos da cidade está na “natureza das coisas”. Sibilos de vento de entre montanhas despertam os abismos que existem no fundo de cada um de nós; silêncio entre as serras sacodem as profundezas do ser, os mistérios da intimidade, as vozes subterrâneas; os abismos que existem no fundo, nas trevas do inconsciente e que, às vezes, irrompem à superfície e se tornam realidades sombrias.


(**RIO DE JANEIRO**, 30 DE JUNHO DE 2017)


#SILÊNCIO!... LEITO DE JAMAIS E OUTRORAS# - GRAÇA FONTES: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


"Só na intimidade as palavras se tornam verbos."  

Sim.
Interessante observar que no leito de jamais e outroras jamais iniciei meditações, reflexões, críticas, apenas brincadeiras bem sucedidas com as amadas-amantes palavras, se me dada a licença de assim estar a dirigir-me a elas, desejando dizer que me dão alegria e júbilos, com uma afirmação tão categórica “sim”, dizendo estar de acordo com o que projetei de início, estar encetando outros caminhos, os de desenvolvimento de origens em nível de algum silêncio que me habita, denominando-lhe desde sempre de astúcias, mas em suas entranhas habita-lhes a inteligência e sabedoria divina que me ditam nas entrelinhas o leito de jamais e outroras que conquistarei ao longo de sedes e fomes milenares pó-eticamente a habitarem os desejos mais profundos de encontro com a Verdade, esta que se encontra nas origens do vernáculo bíblico e sagrado, a que mostra ao homem as suas atitudes e ações com o outro, com quem juntos deverei cumprir a missão de quem com palavras busca despertar nos homens o desejo de expressarem o que lhes vai no espírito e alma, sentindo as asas da águia que atravessa águas, florestas, abismos, serras, indo em direção ao horizonte em que se perderá nas nuvens e neblinas distantes longínquas e tudo o que se conservará na memória e no espírito será o seu grito de felicidade e entrega ao afago de carinhos e carícias.
Sim.
Se me é dado crer as únicas esperanças que poeticamente habitam-me as experiências e utopias que me levam nas asas a aflorarem serenas as delícias que é reconhecer a liberdade depende da “terra da liberdade”, lembrando-me dos ensinamentos bíblicos de Moisés a quem fora entregue por Deus levar o seu povo à Terra Prometida.
Silêncio... Oh, homens, quem buscais a audiência eterna com Deus, não sobre as ações e atitudes, compaixões e solidariedades, deixai esta palavra criar raízes nos interstícios de vossas almas sedentas milenares e seculares da água límpida das fontes onde se encontra a Verdade do Senhor; deixai esta palavra “silêncio” fazer-se carne, ossos que nunca emagrecem, quem sabe devesse dizer imaginariamente de um verbo pronominal “ossos que nunca se emagrecem”, contrariando os cânones da gramática, normas e regras que, mais das vezes, não deixam a palavra mesma sonhar com a Terra Prometida...
Deixai esta palavra fazer-se sangue de vosso sangue, na alegria de aos domingos dirigir-vos à Casa de Deus, deixar em mãos d´Ele vossas compaixões e solidariedades, por que não as volúpias do sonho de integração, de mergulho profundo na águas, criando e re-criando o leito de jamais e outroras, quando o homem po-eticamente habitava suas esperanças e utopias.
Na alegria de rezar, de contemplar os sonhos do verbo amar,  de silenciar em Deus.
Sim.
No silêncio de um canto, ouvi o “recado” do Senhor. Se me sinto, Senhor, livre para ser a pessoa que sou, mais do que o “personagem incubido”... Livre para sorrir, cantar, abraçar. Livre para escrever e para modificar e completar e enriquecer o que pensei, o que pré-escrevi, o que achei. Recebi a missão de as letras levarem mensagens de sabedoria e inteligências, muitas vezes, vêm envolvidas no leito de jamais e outroras.
Nada como o sibilo de vento de entre serras, à noite, para me persuadir, mover, impulsionar, empolgar, com as emoções, sentimentos, intuições, e tudo o mais que o mais milenar e secular dos homens, se é que exista algum, estou desconfiado não exista, enfim, os entusiasmos e euforias, a imprevisibilidade, a ESPERANÇA, que nos orienta, é a bússola de poder compreender a proximidade do homem são a cruz e o tempo.
Nada como a noite para recordar, lembrar, rememorar, memorizar, os gestos, atitudes, compaixão e solidariedade, o silencio!... leito de jamais e outroras, os olhares deste homem quem se entregou à “magia” das palavras que tocam os íntimos, despertam a fé às vezes desde silêncios milenares fora esquecida.
Sim.
Quem sabe através de palavras que se fecham em si, tudo o mais se recolha no sono de sonhos de FÉ, a relva na crista do vento, a macieira aninhada no espaço, tudo a conceder-me a solidão de oliveira no céu de verão?
A isto não posso arriscar a afirmar munido que esteja de originalidade, enfim os sonhos se confundem com o dom gratuito das palavras, eu quem acredito que as “palavras só se tornam verbo na intimidade”, em cujos caminhos sou quem deseja o encontro e alegria de colóquio de paz e respeito;.
Sempre acreditei que algo fora invertido ao longo da história dos homens, algo que, se compreendido em sua profundidade: dizem que o amor precede o respeito, mas acredito ser o in-verso que me identifica com a luz que ora se incide gloriosa e resplandescente neste leito de jamais e outroras que busco com voluptuosidade e volúpia nesta noite que é passagem para a Luz.
Então, se reunir estas três dimensões do Espírito,  ESPERANÇA, FÉ, LUZ, quem sabe o homem-de-treva torne homem-luz na comunhão de irmãos e companheiros
Crio a intimidade com Deus, com os outros na “comunhão dos “santos”, com o AFAGO na comunhão da  “criatividade e do amor”.

Só na intimidade as palavras se tornam verbos.  


(**RIO DE JANEIRO**, 30 DE JUNHO DE 2017)

#AFORISMO: A PALAVRA É O ESPÍRITO DA EC-SISTÊNCIA# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


#O desejo de amor só vive de entrega, onde têm raízes a iluminação e a redenção, cujos frutos são os sonhos que alimentamos e AFAGAMOS, e quem a outrem, que en-vela e re-vela, não poderá, Señor, alguma vez, desalgemar de mim as mãos rápidas de gestos, deixando-me-ser aos olhos e ouvidos atentos e à minha nítida simplicidade de Alma?#


“Há procissão de águas na moldura da vidraça”.
Iluminação.
Amor.
Misericórdia.
Ágape.
Deus.
Nous.
Inner.
Numinoso.
Assunção.
Theos.
Luz da maturidade, caminho para a velhice, para a morte, as cinzas acompanhadas de alguns ventos de lembranças, de alguns outonos e invernos de esquecimentos... Esta Luz mostra-me os devidos caminhos para sacudir a todos, arrancar-lhes de dentro, jogar-lhes na sarjeta de suas misérias, e encontro os modos de atingir estes objetivos, ainda que, no fim, seja condenado como alguém constantemente em busca de escândalos, de auto-afirmação.
É glorioso para o amor ver cair as folhas à medida que amarelecem. A rocha, sobremaneira nivelada pela erosão e coberta de espesso leito, forma vastas pradarias inundadas, sobre as quais se estendem, quase sempre, reduzidas ondulações.
A chuva, quando a chuva é precisa, não sentimos solidão, medo, tédio, a falta de algo a fazer, uma lembrança de tempos idos e de tempos que estão indo, uma memória de prazeres e satisfações, angústias e medos, uma melancolia, nostalgia. Sentimos o vento, as tempestades, às vezes, as árvores que continuam a florescer, a darem inúmeros frutos, o rio que rola suas águas continuamente, as estações do ano se unem e se afastam, se ligam e se separam...
Apenas o silêncio de perto e os rumores ao longe, distantes, podem ser belos: quem isto não consegue compreender – o que quer que digam, que dirão, que tenham dito – não me atacam em nome da Arte, mas em nome de seus segredos e fugas particulares.
Travessia do dia e noite, o sono que me vem revelar o desejo de sonhos que se manifestam em imagens.
A palavra é o espírito da ec-sistência.
Deus.
Com o correr do tempo, quando a fé primitiva me modificasse pela experiência, os sentimentos todos não sofreriam súbita revolução. Teria inda fé no destino brilhante e, talvez, amasse mais a vida, ao reconhecer que pouco posso fazer em benefício próprio. A altivez ceder-se-ia à humildade, quando conhecesse distintamente os elevados ideais; talvez percebesse claro, por qualquer dos sentidos, onde caem as sombras o terreno é sagrado; talvez apreciasse o pensamento sábio e meditado; talvez distinguisse que nenhum escrúpulo me impediria de sondar toda a profundeza da alma; talvez discriminasse o verdadeiro valor estaria no reconhecimento da força interior que transforma as vicissitudes; enfim, talvez discernisse os melhores esforços do homem são uma espécie de sonho, enquanto Deus é o único construtor de realidades, o único revérbero de outonos e memórias.
Iluminação.
Morrer no inverno. À hora absoluta, delírio de luz. Não no outono, de monco caído. Ou no verão, quando se está sem qualquer coberta ou cobertor, inteiro nu. Mesmo na primavera em que tudo está ainda para ser. À hora máxima, os olhos em chamas, mesmo fechados, a luz estrídula em todos os interstícios da vida. É para isso que vim, não tenho interesses em ensinar, em aprender, o que isto pode significar nesta derradeira hora? Vim para ser todo onde for. Até já me disseram, e confesso haver ficado orgulhoso, que não vim para aprender, e sim para ensinar. Passado o orgulho, perguntei-me o que teria para ensinar. Não encontrei qualquer resposta, e isto foi o melhor, pois que se houvesse elencado o que teria para ensinar não encontraria verdade alguma. Creio sim que atingi um nível bem diferente do que era esperado. Descobri que devo continuar exercendo a função – se não a exercer como estabeleci, nada terá sentido.
Amor.
É preciso perder o paraíso terrestre para vivê-lo verdadeiramente, para vivê-lo na realidade de suas imagens, na sublimação absoluta que transcende qualquer paixão. É preciso perder o odor frágil e ameno da flor que nasce logo ao amanhecer de um novo dia para senti-lo verdadeiramente no íntimo, dando formas e estilos a novas emoções, novos sentimentos e intuições, a verdade plena vigiando no coração aberto do dia.
Misericórdia.
Haverá imagem de intimidade mais condensada, mais certa de seu centro que o sonho do porvir de uma flor ainda fechada e encolhida em sua semente? Se não há imagem desta intimidade, dizendo que a flor seca perfuma a gaveta em que murchou, quem sabe fora eu em absoluto infeliz em dizendo assim, quando deveria dizer que o sentimento ficara na semente, a flor fica sempre na semente aquando emurchece. Como se há de querer que não a felicidade, mas a antefelicidade, permaneça fechada na gaveta.
Ágape.
Gravou-se-me na memória a imaginação. Gravou-se nela a flor seca que perfumou a gaveta em que murchou. As verdadeiras imagens aprofundam lembranças vividas, deslocam recordações vivenciadas, para se tornarem lembranças da imaginação. Interessante isto!... As palavras também são guardadas em gavetas, esperando de lá serem reveladas ainda com mais sentimentos e emoções, pois que o tempo as tornaram mais reais, mais essenciais para a vida. Por que relaciono a flor com as palavras?
Nous.
E o espírito paira sobre o abismo. Não há de ser por os olhos não se dignarem a contemplar e vislumbrar neste momento em que o espírito paira sobre o abismo que perderei a oportunidade de trazê-lo à superfície – talvez tenham eles alguma vertigem, se olharem com muita atenção e entrega, são capazes de não resistir à profundidade, respeito-lhes a vertigem, mas não posso deixar de me furtar ao prazer deste instante de contemplação. Neste caso, não é o silêncio que é diferente, não é o sublime que mostra suas nuanças, o sentimento é que é outro. Tal explicação à luz de uma justificativa parece-me viável para a compreensão: a alma volta à serenidade de antes, de outrora, naquele momento mesmo em que intuí um sonho muito forte em mim, em princípio vaguei os olhos pelos horizontes, um vazio sem medidas tomou-me por inteiro, não me pude controlar, saí correndo, mas após descansar veio-me à mente que o desejo era de trazer os abismos à superfície.
Theos.
Experimentar a intimidade, uma vez vivida e sentida não se apaga mesmo que os homens se amesquinhem, ridicularizem-se, degenerem-se. A réstia de luz que perpassa o tempo, o espaço, envolve um mistério de doação “escondido na beleza, na volúpia, na quebra da solidão, no a-núncio da esperança, no afastamento do medo, na presença e re-velação do silêncio”.
Inner.
Instante inesquecível em que torno a sentir! Escuto o riso da ampulheta, diante do tempo – o vento invade-me a voz que é sonho, o desejo da mente que é imensidão, a vontade da alma que é eternidade. O espelho procura a imagem, buscando aprimorar com ousadia o registro de mim – desço pela janela do que já se tornou inevitável, como a taça que se estiola no chão e eu não quero, insisto e persisto em não “emendar” – diria ser eu um teimoso, um burro empacado? A imagem constrói a matula de lacaios, busca a taberna de difusos, desejando a transparência de cinismos e ironias.
Numinoso.
Luzes não são suficientes para iluminar a longa área de mato e capim que se estende adentro mistério entre árvores, galhos, esquecimentos, de alguém que, sentado no meio-fio, a noite segue seu caminho, se há outra significação para o pouco ou demais de olhos que desejam com que gestos ou modos de revelar o erro abstrato da criação, e o silêncio perpassa momento difuso, profuso, completo de viver tudo de todos os lados.
Assunção.
Creio que diante de tantas dimensões divinas e humanas, a Terra-Mãe está cheia do Amor de Deus, e por isso mesmo deseja, tem vontade do Sublime e do Sagrado.


(**RIO DE JANEIRO**, 30 DE JUNHO DE 2017)


RESPOSTA AO COMENTÁRIO DA PINTORA Graça Fontis AO AFORISMO /**SER O SILÊNCIO NO SILÊNCIO DO SER**/


A priori, não creio ter havido tal dissecação ao estado silencioso nem sempre possível/viável nesse mundo onde os sons predominam... numa fuga inquestionável e necessária, o espírito debruça seus questionamentos, angústias ou prazeres, necessários à maturação de grandes aspirações e, sem dúvida, canteiro de belas inspirações, ressurgindo milagrosamente como o texto presente... presentificado graças ao Silêncio... onde o arquiteto das letras pode com perfeição agrupar sensações, sensibilidade... sentimentos linguisticamente verbalizados, tornando-nos possível a visualização com todas nuances desse habitat momentâneo e primordial à criatividade que todo artista anseia no mais profundo Ser, com certeza aqui o grande Escritor objetivou-se como frequentador assíduo deste bem-estar rico e fértil na sua máxima totalidade sob todo prisma abordado, sentindo-se vivendo com o silêncio na alma! PARABÉNS e obrigada querido por mais este magnífico texto!


Graça Fontis


Imperam no mundo atual os sons, altissonantes e estrídulos, em cujos âmagos a Linguagem se perdeu, todos estão conversando sem falarem única palavra, todos estão ouvindo sem nada escutarem. O Não-Ser se des-entranha do Ser através da Linguagem e na Linguagem inicializa-se a busca do Ser.
O silêncio habita os recônditos da alma, e é através dele que nascem os questionamentos, as indagações, as buscas, respostas para as contingências da ec-sistência. A "Algazarra" envelou-lhe, retirou-lhe de cena, e a humanidade caminha perdida, sem definições, sem conceitos, com a boca cheia de dentes esperando a morte chegar.
Amor, solidariedade, compaixão, liberdade, sonho, esperança, fé habitam o silêncio, por inter-médio deles é que se re-velam em sua Poesia, em seu Eidos. Consideramos que tais dimensões se perderam ao longo da Algazarra, ao longo da História. E quando poetas e escritores buscam mergulhar nelas, manifestando-as, fá-lo com o barulho da algazarra, nada de Arte, nada de consciência-estética, nada de Voz da Vida. A Literatura, a Poesia, a Filosofia prescindem do Silêncio, dele estão carentes, para exercerem as suas funções que, não há duvidar, são o Ser, são a Voz da Vida. Tudo perdido. E só há um caminho para a libertação: escritores e poetas encontrarem o silêncio nos interstícios de si mesmos, estão todos mergulhados na Algazarra, anseiam que a humanidade os ouça, o coração nada escuta, o ouvido nada ouve, unicamente palavras perdidas, espalhadas no lote vazio. Onde a Poesia? Onde a Literatura? Onde a Filosofia? Em lugar algum. Como elencar sensações, sensibilidade, sentimento, emoção, desejos, vontades, como agrupá-los, tornando-se possível a verbalização, a visualização da Voz Poética, Voz Filosófica, Voz Literária? Como sentir a presença do Ser? Como presentificar o Ser?
Quando você, Caríssima Pintora e Companheira das Artes, diz que sou frequentador assíduo do Silêncio, sentindo-me vivendo com o silêncio na alma, é incólume verdade, pois não concebo as Artes, a Filosofia sem o Silêncio. Mas ouvir, escutar as Vozes do Silêncio é uma busca contínua que se faz continuamente. Se me embrenhei nesta jornada desde tempos imemoriais, é que a intenção exclusiva é a CONSCIÊNCIA-ESTÉTICA-ÉTICA, e para traçar o seu itinerário faz-se mister viver com o Silêncio na Alma, ser o silêncio no silêncio do ser.


(**RIO DE JANEIRO**, 30 DE JUNHO DE 2017)


quinta-feira, 29 de junho de 2017

#MELHOR A DES-HONRA QUE SE IGNORA À HONRA EXPOSTA A OPINIÃO ALHEIA# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


A subjetividade re-veste a leitura de sentimentos e emoções, deseja mostrar-se na sua plenitude e absolutidade.
Os homens somos eternos questionadores, “devotos” dos porquês! (Pobre de quem não pergunta: nada tem dentro de si, vive dos medos das respostas, vive na escuridão dos desejos e vontades!). A pobreza dos homens, hoje, ultrapassa todos os limites; ninguém se dis-põe às perguntas, ninguém se angustia com a ausência de respostas; estamos todos enchafurdados nos prazeres materiais – tanto melhor, pois que nada nos exige, nada nos obriga, não sentiremos qualquer dor ou sofrimento de uma busca verdadeira.
Onde estou, infeliz de mim? Que escuridão é essa, que trevas me rodeiam? Estou no paraíso de minha inocência ou no inferno de minhas culpas? Quem me toca? Ó tu, quem quer sejas, que estás aqui comigo, se é que tua alma admite qualquer espécie de súplica, suplico-te, já que dispuseste de minha reputação, dispõe também de minha vida.
Estou pronta a deixar-te reconduzir-me à meia-noite, a qualquer hora, de olhos vendados, aonde tu quiseres para comunicar a notícia de minha boa sorte, retirando-me a venda dos olhos num quarto escuro, iluminado apenas por uma lampadazinha, colocada numa prateleira, mas esplendidamente mobiliada com sofás do brocado mais rico e tapetes persas do mais custoso feitio.
Convido-te, sem mais preâmbulos, a exibir aos teus olhos a lisonja abjecta e insignificante da dignidade de tomar conhecimento de minha pessoa... Sem espírito nem finura, tenho eu, entretanto, certa falsidade natural, se ouso exprimir-me assim, que por vezes me espanta a mim e que dará êxitos tanto maiores quanto minha fisionomia oferece a imagem da candura e da ingenuidade.
Seria bem feliz se a escuridão da madrugada que em breve se fará presente durasse para sempre, sem que meus olhos voltassem a ver a luz do mundo e que este quarto, onde agora estou, sirva de sepultura para minha honra, pois é melhor a desonra que se ignora à honra exposta à opinião dos outros.
Não, o sonho não ultrapassará este quarto, a esperança não irá mais longe que o fim da rua principal, a mentira cairá como uma guilhotina, o racismo permanecerá fiel a si mesmo, as asas da corrupção ultrapassarão século e milênios num voo de prazeres e felicidade, lava-jato funcionará a carvão molhado até a consumação dos tempos.
Onde as gavetas se abrirem de luto, a casa se confunde com a morte num ESPELHO que se turva. Em cada lembrança transporto pedras do riacho para o alto das paredes. Tudo o que fazem os bosques, os rios ou o ar tem lugar entre as paredes que creem fechar um quarto.


(**RIO DE JANEIRO**, 29 DE JUNHO DE 2017)


**LÍRIOS BRANCOS NAS PÁGINAS DOS DESEJOS** - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Cáritas eidéticas do sublime, pretéritos não me são póstumos, não me são efêmeros, não me são. Passados me não são pósteros.
Inverno in-verso de outros frios sentidos, vivenciados, sentimentos e emoções inda des-conhecidos perpassando a alma, miríades de imagens campesinas a-nunciam-se longínquas, serenitudes.
Idílios re-versos de poesia, há de vir lírios brancos nas páginas dos desejos que se lançam ao além, perspectiva do absoluto re-nascido no crepúsculo do não-ser, concebido no alvorecer nublado - lembranças de estar encostado do parapeito da janela, manhã fria, quase quatro décadas de existência esta lembrança, ouvindo Stand by me cantada por Lennon -, quiça o ser preceda a vida, o verbo do frio projeta-se no infinito, a busca incólume do que trans-cende o instante, momento, instante-limite do nada. Sonho do Verbo Vida. Vida do Verbo Sonho. Verbo do Sonho Vida. Sorrelfa de ídílios compactos.
No fim do arco-íris um pote de ouro. O re-nascer: é a alma se presentificando e os desejos sarapalhados alhures e algures, nada vazio. Não me sou pretérito. Não me sou há-de vir, não me sou. Sem margens, sem pressa o rio de sonhos, antes de quaisquer origens e esperanças, antes de quaisquer fontes e quimeras do in-audito. Quem sabe a vida jamais tenha existido, existe o verbo de carne e ossos, e nas suas conjugações do tempo e contingências intemporais a querência seja carne e ossos a tornarem-se vida, tornarem-se ser, tornarem-se arbítrio da morte. Idílios de sorrelfas compactas.
Solidão. Silêncio. Ausência. Carência. Medo. As estrelas têm cinco pontas. O tempo tem cinco conjugações: infinitivo, indicativo, subjuntivo, gerúndio, particípio. Sou-me quem tece de vazios e nadas, nonadas e travessias, temas e temáticas , o mundo chegando e ninguém, o éden retros-pectivando e nenhuma terra. Cócito de águas límpidas, sombras de árvores arbítrias de espírito, livres de alma.
Há-de vir me não é subjuntivo, me não é gerúndio. Cocito a esperança, o sonho. Res-pondo o nada, o vazio entre-laçados na ausência da primeira pessoa do uni-verso presente do mais-que-perfeito. O verbo precede o ser.
Mesmo que o verbo preceda a vida, mesmo que a poesia preceda a esperança do ser, mesmo que o ser venha depois do absoluto, me não seria a mim pura e nobre contingência, se o coração não pulsasse o silêncio, a luz eidética do trans-cendente, do que trans-eleva o limite-instante do eterno-divino.
Metáforas do inaudito. Inaudito da metafísica. Semântica do amor à luz do sublime desejo do amor. Linguística do espírito à mercê do celeste azul que cintila horizontes do in-finitivo in-finito do não-verbo.


(**RIO DE JANEIRO**, 29 DE JUNHO DE 2017)


#LAREIRA DO VENTO E DO SILÊNCIO# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


E agora, José, que o uni-verso come com linces do olhar os in-fin-itivos de confis e arribas?
E agora, José, que o instante-limite do nada é o absurdo das facticidades?
E agora, José, que as páginas em branco dos ideais da beleza do belo permanecerão vazias de letras?
E agora, José, que a vida é somente a última esperança da eternidade?
E agora, José, que o tempo silenciou os sibilos do vento?
E agora, José, que o vento espalhou as folhas secas ao longo da colina?
E agora, José, que os janeiros do rio passam de por baixo das pontes partidas?


Trevas. Sombras. Vazios. Nonadas.
Silêncio. Vento. Solidão. Nada.
Tempo. Silêncio. Náusea. Verbos
E as esperanças iluminam o ad-vir.
E os sonhos a-lumbram perspectivas do In-finito.
E as utopias verbalizam as con-tingências dos ideais e volos do póstumo.
E as estrelas velam o ossuário da terra.
E a lua brilha no horizonte inspirando o in-trans-itivo verbo de amar.
E as ausências do ser re-fletem nos terrenos baldios da alma.
E a sede de conhecimento aquece as vontades de con-templar as dialéticas do efêmero e o eterno.
E as dialéticas da iluminação crepitam na lareira do vento e do silêncio.
E as luzes da ribalta cintilam raios de cores na moldura do mundo suspensa no cabide do absoluto.
E as sendas silvestres são trilhas para as perpétuas buscas do Ser.
E as mauvaises-foi são anestésicos para as impotências da sensibilidade e inteligência.
E os manques-d`être são os prazeres e êxtases da libertinagem conciliada às heresias à luz da morte.
E o pórtico partido para o impossível reverencia as imperfeições do pretérito, aplaude com veemência os efêmeros silêncios do nada.
E a poética do espaço espiritualiza os re-versos e in-versos da razão.
E as in-verdades da morte e seus delírios do eterno projetam as sorrelfas compactas ao auspício da colina dos insurrectos.


(**RIO DE JANEIRO**, 29 DE JUNHO DE2017)


Maria Isabel Cunha ESCRITORA E POETISA COMENTA O AFORISMO /**NA LIBERDADE DA CAMINHADA NOS ENCAMINHAM OS CAMINHOS SILVESTRES**/


Este texto ressalta a relação que o homem trava com o seu semelhante e pelas coisas que o circundam. É através da linguagem falada ou escrita que cada Ser se define e assume perante os demais. Segundo o autor, todos oriundos de uma mesma matéria sentimos necessidade de comunicar e até unir com os outros na caminhada da vida. Na linguagem, o não ser desentranha-se do Ser, revelando assim as características próprias e singulares que distinguem e identificam cada Ser isolado e único. Texto riquíssimo pelos conceitos que apresenta e justifica, merece toda a atenção do leitor. Parabéns, escritor amigo. Um abraço.


Maria Isabel Cunha


#NA LIBERDADE DA CAMINHADA NOS ENCAMINHAM OS CAMINHOS SILVESTRES#
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


"O caminho se presentifica frente aos obstáculos que a vida nos apresenta" (Graça Fontis)


Por seus atos, o homem se determina, sai do magma das coisas, enquanto impõe seu ato livre: ele ek-siste, mantém-se de fora de si mesmo, no seu projeto, sua relação com o que é. O existente é o único ente capaz de abertura ao ser. Assim, se a existência do homem é autêntica, faz sentido por si mesma.
Uma vez que falar é comprometer-se, o sentido dessa moral é manifesto: trata-se, como no sistema do filósofo Kant, de realizar o universal com sua própria carne. Uma vez que se escreve ou se diz, fá-lo sempre a partir da verdade de quem somos, de quem re-“presentamos” na vida e no mundo, nas relações com os homens, as coisas e os objetos, a partir da res-ponsabilidade em/de buscar e desejar a nossa autenticidade, verdade, a superação de nossos problemas, tornarmo-nos homens-Deus.
Há no ser humano o apelo pela fusão, para a unificação, para a comunhão com todas as coisas e para ser um com elas. Os raios que se fundem lentamente à noite delirante e caprichosa são a nossa inarredável saudade do momento em que estávamos todos juntos, éramos energia originária com imensas virtualidades de realização.
Na liberdade da caminhada nos encaminham os caminhos silvestres, enquanto nos levam a pensar a essência do real na radicalidade das diferenças de ser e não ser. Na linguagem se trava a luta em que o não-ser se desentranha do Ser, dando ensejo a que os entes apareçam. Nada na alma, “a força da semente/que rompe a terra e surge vigorada”, a semente que é a-núncio e promessa, luz que re-vela a “árvore-da-vida” que trará frutos, se a regarmos de sinceridade, seriedade, dignidade e honra, se a vivermos de modo autêntico, e nas trilhas da vida vamos sentindo o gosto delicioso e essencial de nossa felicidade e alegria, contentamentos e prazeres, e desejamos chegar ao nosso destino. Os sentimentos, a espiritualidade que nascem, re-nascem em nós, rompem nossas dificuldades, problemas, angústias, tristezas, depressões, e surgem vigorosos, plenos e sedentos de VIDA, de realização, lançando ao céu, aos horizontes e universos, o broto resistente de que somos vocacionados à plenitude, à sublimidade e eternidade, num “excelso brado”, re-presentados e arquetipizados, literalizados e anunciados, re-velados e manifestados pelas orações em voz silenciosa, quando a nossa expressão é real, eivada de sonhos de redenção, salvação, ressurreição, sobretudo de espiritualidade.
O silêncio se dá na impossibilidade e como impossibilidade de falar e escrever sobre ele. A voz silenciosa se revela na possibilidade se ouvirmos no mais profundo de nós, nos interstícios de nossa alma e espírito, as “palavras” de nosso ser que anseiam pela luz do mundo, nas re-(l)-ações com os homens, as coisas, os objetos, a vida na sua essência divina.


(**RIO DE JANEIRO**, 28 DE JUNHO DE 2017)


quarta-feira, 28 de junho de 2017

#NA LIBERDADE DA CAMINHADA NOS ENCAMINHAM OS CAMINHOS SILVESTRES# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


"O caminho se presentifica frente aos obstáculos que a vida nos apresenta" (Graça Fontis)


Por seus atos, o homem se determina, sai do magma das coisas, enquanto impõe seu ato livre: ele ek-siste, mantém-se de fora de si mesmo, no seu projeto, sua relação com o que é. O existente é o único ente capaz de abertura ao ser. Assim, se a existência do homem é autêntica, faz sentido por si mesma.
Uma vez que falar é comprometer-se, o sentido dessa moral é manifesto: trata-se, como no sistema do filósofo Kant, de realizar o universal com sua própria carne. Uma vez que se escreve ou se diz, fá-lo sempre a partir da verdade de quem somos, de quem re-“presentamos” na vida e no mundo, nas relações com os homens, as coisas e os objetos, a partir da res-ponsabilidade em/de buscar e desejar a nossa autenticidade, verdade, a superação de nossos problemas, tornarmo-nos homens-Deus.
Há no ser humano o apelo pela fusão, para a unificação, para a comunhão com todas as coisas e para ser um com elas. Os raios que se fundem lentamente à noite delirante e caprichosa são a nossa inarredável saudade do momento em que estávamos todos juntos, éramos energia originária com imensas virtualidades de realização.
Na liberdade da caminhada nos encaminham os caminhos silvestres, enquanto nos levam a pensar a essência do real na radicalidade das diferenças de ser e não ser. Na linguagem se trava a luta em que o não-ser se desentranha do Ser, dando ensejo a que os entes apareçam. Nada na alma, “a força da semente/que rompe a terra e surge vigorada”, a semente que é a-núncio e promessa, luz que re-vela a “árvore-da-vida” que trará frutos, se a regarmos de sinceridade, seriedade, dignidade e honra, se a vivermos de modo autêntico, e nas trilhas da vida vamos sentindo o gosto delicioso e essencial de nossa felicidade e alegria, contentamentos e prazeres, e desejamos chegar ao nosso destino. Os sentimentos, a espiritualidade que nascem, re-nascem em nós, rompem nossas dificuldades, problemas, angústias, tristezas, depressões, e surgem vigorosos, plenos e sedentos de VIDA, de realização, lançando ao céu, aos horizontes e universos, o broto resistente de que somos vocacionados à plenitude, à sublimidade e eternidade, num “excelso brado”, re-presentados e arquetipizados, literalizados e anunciados, re-velados e manifestados pelas orações em voz silenciosa, quando a nossa expressão é real, eivada de sonhos de redenção, salvação, ressurreição, sobretudo de espiritualidade.
O silêncio se dá na impossibilidade e como impossibilidade de falar e escrever sobre ele. A voz silenciosa se revela na possibilidade se ouvirmos no mais profundo de nós, nos interstícios de nossa alma e espírito, as “palavras” de nosso ser que anseiam pela luz do mundo, nas re-(l)-ações com os homens, as coisas, os objetos, a vida na sua essência divina.


(**RIO DE JANEIRO**, 28 DE JUNHO DE 2017)