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quinta-feira, 15 de junho de 2017

#O SONHO DO VERBO SER NA RODA-VIVA DAS DIALÉTICAS CONCEBE O ETERNO# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Frágil sentir o friozinho dos ventos contraditórios, chamas da lareira acompanhadas de vinho não aquecem, não aquiescem as tramoias, cambalachos, tripúdios com as melancolias, a alma se embrulha toda no sudário das nostalgias.
Con-vexos idílios velados de tempos inestimáveis, tempos inenarráveis, indescritíveis, tempos que nem as chuvas tiveram noção deles, que a memória a-colhe em seu bojo, remontando às "zagaias" do caos, às "onças" do absurdo, tempos estranhos, vãos ideais da verdade.
Côn-cavas quimeras escondidas atrás da superfície lisa do espelho, furtivas idéias da in-fern-itude, alfim de que não são capazes os dogmas e preceitos? São as serpentes a envenerarem na continuidade do tempo a liberdade e a consciência-da-ética. Côn-cavas sorrelfas enoveladas, entrelaçadas nas bordas da moldura do espelho, proscritos pensamentos do purgatório - o purgatório está extinto dos dogmas e preceitos, incorporou-se ao inferno.
Tergi-versadas ilusões trancafiadas nos cofres da memória, fúteis utopias do ab-soluto que re-colhe e a-colhe as luzes do in-finito.
Des-conexas fantasias enveladas de éritos das volúpias e ex-tases, hilárias esperanças do ad-vir a-nunciado nas bordas do uni-verso, e nos horizontes alhures a neblina sarapalha os ventos, algures o orvalho da madrugada paira leve e suave.


Tempo e vento. Tempo e ser. Ventos e tempos.


Tem dias que se se sente como quem idealizou o nada, sonhou o vazio, teve fissuras pelas nonadas, a vida sarapalha de leste a felicidade e amor plenos, resta sentir o sabor do contrário que seduz a língua a criar eruditos vernáculos da decepção para atiçar a alma a re-fletir as sinuosidades da vereda que levam ao ser do efêmero, ao efêmero das metafísicas do inferno.
No entrecorrer da minha presença já tive que transpor as quimeras! Nas pontes partidas de minhas travessias tive nonadear nas curvas das estradas, experienciar os travos, vivenciar os nós górdios, fraternizar com desvigorosos, solidarizar com des-conexos, condescender os traiçoeiros, relevar os injustos e desumanos, mas espicacei preservar-me na vertical, conservar-me na horizontal de meus ideais heréticos, inclusivamente com calhaus acertaram-me em pejado, escorraçaram-me com as mãos nas costas. Expurguei do ser o motim vil, a humilhação pleonástica, a ofensa metafórica, a desinquietação oca, o ceticismo inautêntico, o niilismo inócuo e sem quaisquer sensos, reacendi meu imo à existência. Libertei reflorir amizade, em questão o re-criar o verbo amar dos sonhos. Analisei em redor e para o paraíso sem termo... Interpretei ao longe e para a eternidade obtusa... Ajustei-me com o planeta tão impiedoso, com o mundo tão errado, adaptei-me à existência, com arduidade à existência e ao Universo que granjeava para mim. No entanto, nada olvidei, contudo nada protelei ou posterguei. Os calhaus conservei, não para construir um forte. Já é um cliché démodé….Somente para relembrar quem os projetou.


Terrenos da alma, nada há de baldio neles.
O sonho do verbo ser na roda-vida das dialéticas concebe o eterno.


(**RIO DE JANEIRO**, 15 DE JUNHO DE 2017)


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