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segunda-feira, 19 de junho de 2017

#DEPOIS DA NÁUSEA, ADVÉM A SEDE DE LIBERDADE, CONHECIMENTO, SABEDORIA# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/ Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Quem ama, ama além de prêmio e de castigo. Para quem ama, o feio torna-se de uma beleza inestimável, sem precedentes, diz o senso vulgar.
Quem reverencia, gaba, encomia Deus como um Deus do amor, não sabe o conceito, definição de amor, não forma do amor uma visão elevada. Não queria esse Deus ser também Juiz? Os bons, os humildes desfrutarão o paraíso celestial, os bufões, os pulhas, orgulhosos inferno neles. Deus viu seu filho pregado na cruz, o seu amor pelos homens tornar-se o seu inferno, e nada fez para impedir ali agonizasse de sofrimento e dor, morresse - que amor de Pai é este?
Não sou eu agora o mais sem Deus? Não sou eu agora o ímpio? Opiniões não são consciência. Resolveu, então, meu coração que eu tivesse fé em outra coisa, acreditasse em algo diferente. No limiar da fé, o adultério se a-nuncia, re-vela-se, manifesta-se. Seja lá como for e de um modo ou de outro, sou adúltero. Acreditar em algo des-acreditando é atitude improba, mostra com excelência ser eu vulnerável, des-acreditar acreditando é não saber o que habita as coisas, a essência delas.
Tenho fé que o efêmero é janela aberta para o eterno, e efêmero vivido, vivenciado com muitas dores, agonias, questionamentos, indagações; que o nada é o princípio inalienável da liberdade, da busca não do tudo, porque este habita o imaginário, mas aquilo que institui valores, virtudes, faz a vida valer a pena; que o vazio re-colhe e a-colhe o múltiplo, e este múltiplo é semente, é raiz de buscas de verdades, inda que passageiras, de outras conquistas, de o imperfeito aperfeiçoar-se; que a náusea é demonstração de insatisfação, ojeriza, urticária com o que está sendo, mentiras, hipocrisias, farsas, falsidades, cretinices, estas cositas tão vangloriadas pelos homens, o sudário que os aquece no inverno, depois da náusea ad-vem a sede de conhecimento, de sabedoria, de con-templar o que há-de vir.
Ao gosto de meus olhos e ouvidos, vou trilhando as estradas, vou andando por bosques, assim faço a vida valer a pena. Assim, a morte é apenas a impossibilidade do corpo de se aguentar em pé, após ter gasto tantas energias.


(**RIO DE JANEIRO**, 19 DE JUNHO DE 2017)


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