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quarta-feira, 28 de junho de 2017

#AFORISMO: O ONTEM DE AMANHÃ NÃO PODE SER OS PRETÉRITOS DO PORVIR# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


E com certeza! Lembra-me 28 de junho de 2016, quatro dias antes de embarcar na Rodoviária de Curvelo, rumo ao Rio de Janeiro, viver com Graça Fontis a nossa vida, escrevi este texto. E quando estava subindo o primeiro degrau do ônibus, 01 de julho de 2016, às 19:00 horas, disse-me em voz baixa "O ontem de amanhã não pode ser os pretéritos do porvir". E não mesmo. Hoje, véspera de primeiro ano de nossas vidas de amor e artes, sentimo-nos realizando juntos os nossos sonhos das Artes e vida conjugal.


Reversos in-versos re-vestidos de imagens dúbias plen-ificadas de pers-pectivas a trans-cenderem o efêmero e o eterno, vazio incidindo-se no espelho retros-pectivo do pretérito, intros-pectivo do amanhã, o vir-a-ser.
Sei lá não sei. Quiçá de imagens re-versas aos in-versos dúbios, revestindo pers-pectivas nadificadas do efêmero e do eterno, o vazio trans-elevasse o pretérito incidindo no espelho a intro-specção do vir-a-ser, o verbo nada-do-ser a-nunciasse o ab-soluto da esperança, o divino da fé. Conjuntura da vacuidade perpassando a alma, o seu eidos, sarapalhando sentimentos e emoções, todas as dimensões sensíveis ao léu dos ventos, à mercê dispersa do genesis e apocalipse, às sara-palhas do longínquo que se torna próximo, presente, o próximo, presente tornando-se longínquo, esta dialéctica é eterna, o leitmotiv da vida, dos sonhos e utopias.


Estou indo embora.
Indo embora de mãos entrelaçadas com você, coração, sem versos, sem estrofes, sem palavras e prosas, com a mala de nossas esperanças todas na felicidade plena. Uno-verso de nós. Verso-Uno de nós.


Nada simplesmente. Sinuosas trilhas oferecem outras experiências, vivências, outros encontros, outras realizações, inter-ditos que des-velam segredos e mistérios, o olhar se estende livre pelo in-finito, a falta do ser se mostra nítida e o sonho da compl-etude se mostra aberto às dialécticas do tempo e do ser, contra-dicções do verbo e do tempo, nonsenses do nada e o tempo.
Mais difícil atingir a intenção-verdade que habita o ab-soluto na sua iríada eidética do sublime e estético, o que é nadifica o ser, o que não é efemeriza o tempo. Ventos assobiam no abismo, na in-audita avalanche de neve percorrem os declives dos morros uivantes. Presença incólume, insofismável de recursos e estratégias outras para o mergulho nos interstícios do absurdo que reside na alma.


Estou indo embora.
Indo embora de mãos entrelaçadas com você, coração, sem versos, sem estrofes, sem palavras e prosas, com a mala de nossas esperanças todas na felicidade plena. Uno-verso de nós. Verso-Uno de nós.


Os prazeres do questionamento são ilimitados, o olhar de tudo o que trans-cende incidido na contingência do instante retina o há-de-vir na borda das luzes que iluminam os passos nas trevas enigmáticas até as travessias dos in-auditos às verdades do silêncio que identifica o ser-solidão, o ser-só, o resto é andar no meio, por entre os homens. O nós do ser: verdade e busca do amor...
Ah, coração! Recomece a sentir os raios numinosos dos desejos no alvorecer das manhãs de inverno, o frio sempre aquece sentimentos e emoções, a força do amor liberta o verão de suas seguranças, tem poder de mover as montanhas - quê friozinho gostoso, a vida aquecida sem a presença da lareira. Solidão, silêncio são inspirações, são motivos para escrever os versos e estrofes do sublime. Pulse o orvalho do inverno no seu íntimo, sinta o calor de entregar-se ao frio das contingências, passeando nas alamedas de buscas, vontades.
Letras in-versas, palavras re-versas são pedras de toque para mergulhos profundos nos interstícios das verdades inauditas, mesmo que dores inomináveis se presentifiquem, mas o arco-íris da vida se mostrará pleno, suas cores brilharão cintilantes.
Trilhei, coração, sendas e veredas, estradas, nada me é agora das vivências, e este frio habitando-me os recônditos da alma aquece o que há-de vir, as esperanças que trouxe desde a eternidade em mim só agora sinto que é tempo de realizá-las com perfeição, apesar das imperfeições.


Estou indo embora.
Indo embora de mãos entrelaçadas com você, coração, sem versos, sem estrofes, sem palavras e prosas, com a mala de nossas esperanças todas na felicidade plena. Uno-verso de nós. Verso-Uno de nós.


Se me questiona enfim estou amando, sou-me amor no verbo de mim, agora vejo com transparência o horizonte além dos uni-versos, só posso res-ponder-lhe que sim, o meu coração feito de sublimes inspirações está aberto àquela eternidade das páginas brancas: "Vivi o para quê fui vocacionado".
Mas amar apenas não significa coisa alguma, nada diz, se não contemplar o in-fin-itivo in-finito da entrega plena à busca da verdade do espírito, o eterno de ser.
Ser e amor, almas gêmeas, um feito para o outro. Trilhei caminhos, fui revoltado, fui rebelde, fui carente, levantei a bandeira dos orgulhos, vaidades, poder, um calor sem precedentes, o ontem de amanhã não pode ser os pretéritos do porvir, hoje o frio, o friozinho delicioso de um amor que aquece o ser de meus verbos.


Estou indo embora.
Indo embora de mãos entrelaçadas com você, coração, sem versos, sem estrofes, sem palavras e prosas, com a mala de nossas esperanças todas na felicidade plena. Uno-verso de nós. Verso-Uno de nós.


O ontem de amanhã não pode ser os pretéritos do porvir.


(**RIO DE JANEIRO**, 28 DE JUNHO DE 2017)


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