Total de visualizações de página

sábado, 24 de junho de 2017

#À SOLEIRA DO TEMPO, O VENTO SIBILA A SINFONIA DO ETERNO...# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO.


Sin-estesias de linguísticas. Poiésis de semânticas - versos re-versos da facticidade. As estrelas cintilam raios de brilhos. A lua cheia brilha na grama à beira do rio. Rio sem margens. Rio de águas cristalinas. Rio de águas límpidas. Rio sem pressa. Rio cuja ponte é partida ao meio. Metáfora de semióticas. Poética de semiologias.
No in-fin-itivo do verbo de sonhos, oníricas imagens inconscientes da verdade, sarapalhas de volos da felicidade, melancolias, nostalgias, saudades melancólicas. À soleira do tempo, o vento sibila a sinfonia do eterno; aos quiças das esperanças, o sublime sussurra desejos, vontades, palavras, sons e solidão, inter-dictos, ritmos e inspirações, inauditos, melodias e literatura, espiritualidade do além, leveza do ser, luz, contra-luz, na alma idílios compactos do eterno.


Sine para ren mira
Pina lora senla cera!...


Angústias, medos, tristezas, crepúsculo de sombras numinam-se
de serenidade do vir-a-ser sóis, plen-itude de ad-jacências, perfeição do belo, liberdade do efêmero, amar in-transitivo da solidão, amar amando o amor, amar idiossincrasia da entrega. Peren-itudes, amplidões.
Fals-itudes plenas e divinas... Versos, re-versos da morte, fim con-tingente do corpo, re-citando evangelhos do sem-verdade de ovelhas em rebanhos da ausência de fé, im-plorando o des-paraíso terreno, o baldio dos becos sem saídas, nos tabernáculos de templos edificados às glórias chifrudas da infidelidade ornamentada de prazeres, saltitâncias, perecendo da alma as quimeras da felicidade, fantasias do amor, quimeras da Cáritas, estrofes in-versas de pós-cinzas, nada do Ser, nonada do espírito, ads-tringentes do frio milenar, secular da des-ética, des-moral, vivenciadas nos mata-burros da não-travessia da noite da Idade Média pós-moderna aos raios de sol que de-clamam as vers-itudes lusitanas da esperança da glória eterna, as luzes da ribalta mundial com que os palhaços brincam, di-vertem-se, riem de angústias e tristezas, sonhando o camarim da alegria, idealizando a imagem re-fletida no espelho da re-presentação da imagem do ser-com-os-verbos-do infinito...


Sine para ren mira
Pina lora senla cera!...


Pers de pectivas deslizam nas ondas do mar, circuns de "stâncias" plenificam o sonho de sendas silvestres à mercê do sereno da madrugada, silêncio, estrelas e a lua, às sara-palhas da neve caindo nos telhados, auspício dos edifícios, nas ruas.
Semânticas ilusões preenchem espaços, distâncias campesinas. Presente sem vírgulas entre verbos defectivos. Pretéritos sem ponto-e-virgula entre substantivos abstratos. De forma alguma pers palavras significam. Multiplicam sentidos nos uni-versos multifacetados, dispersos. Lâminas afiadas ceifam signos, significando sorrelfas. Ando sozinho, perscrutando arribas de sombras. Voo nas asas da águia, con-templando o espaço.


Tempo perfeito. Lugar perfeito.
Não me diga que o meu coração permanece o mesmo. Não me diga que os meus sonhos giram em torno do catavento, do ser e não ser, giram, giram. Não me diga que na vigília perscruto e reverencio a linguagem inconsciente dos sonhos. Não me diga que as luzes da ribalta são contra-luzes do proscênio, são efeitos da sátira das verdades e in-verdades. Não me diga que as sombras são reflexos das trevas. Não me diga que o silêncio é representação das entre-linhas da verdade por vir a ser.
Não me diga que obscuridades intro-vertidas concluem de in-fin-idades a lividez da tarde em propósitos fantásticos ao limiar do sol que se esvaece detrás da serrania à extensão, à frontaria da extensão remota, cruze de todos os sistemas do Orbe o anúncio frescor e pacífico da escuridão, sob as propedêuticas testemunhas dos destinos, tremeluzindo de insonolências benevolentes as utopias da ninharia, sonsices do despojado, à graça de primícias exteriorizações da fulgência da veneta a recair em número indeterminado de veras meio-perpétuas que aldrabam a decessa atrás do simulacro do reflexo além de enaltecendo os báratros do sem- finalização ao cume do sem significado do não – ente. A chama da lareira, fora de mim, ganha e traduz coisas que ainda não conheço, o desejo de fazê-lo existe latente, saber-lhe a diferença entre ser e ec-sistir. Saber-lhe a sin-cronia, sin-tonia, harmonia entre o verbo e o espírito.
Se re-conheço conhecê-las, revisto-as de espaço interno, espaço que tem seu ser em mim, que tem seu sentido em mim, que me habita o mais íntimo, que me é, e quem me sendo é-me.
E profundo; cerco-as com sentimentos de agressividade e violência.
Se isto não é blues da alma preludiando o estado de tranquilidade, calmaria das dores contingências, angústias, náuseas!


Tempo perfeito. Lugar perfeito.
Não me diga que o in-audito é símbolo, signo do desejo de des-velar os mistérios, enigmas da contingência. Não me diga que ao redor das constelações, o sol re-festela-se à beira da Lagoa da Rosa de Profundo Roxo. Não me diga que a vela esplendendo suas chamas no canto da janela fora é metáfora da espera o alvorecer ser pleno de lúdicas imagens do uni-verso e da felicidade há-de vir.
Se isto não é blues dos sentimentos místicos do além, do in-finito que são o inter-dito da verdade e do absoluto, da linguística e semântica do medo do que trans-cende a razão e o logus!


Tempo perfeito. Lugar perfeito.
Não me diga que as bolas de cristal da cartomante são a poesia romântica do amor pleno. Não me diga que as cartas de tarô são símbolos e signos da harmonia da contingência, facticidade e transcendência, verbo do sonho e da utopia, a semiótica da espiritualidade. Não me diga que tenho sempre sido sendeiro da luz, à luz do vazio e do nada, estou voltando para casa de mãos vazias. Não me diga que o tempo nada apaga, apenas fingimos que nos esquecemos das forclusions e manque-d´êtres. Não me diga que morrer é esquecer-se da face oculta da ec-sistência.
Se isto não é blues das mais puras, singelas, meiguices da alma que degusta a solidão da madrugada, enquanto o orvalho respinga suas gotículas na grama silvestre das sendas e veredas, das trilhas e estradas.


Sine para ren mira
Pina lora senla cera!...


Saio de pequenas frases, entro no abismo de ventos frios, perpassando as dimensões da contingência, atingindo os auspícios do inaudito.
Não me diga que não há que estranhar na expansão da consciência temporal venha inserido o germe da destruição, que compromete e impulsiona a consciência em trânsito. Não me diga que fumar seja acender o cigarro com fósforo ou isqueiro, tragar e expelir a fumaça, fumar vai mais além. Não me diga que o sono seja a casa, o lar, a residência oficial dos sonhos. Não me diga que frases de efeito são aforismos e aforismos, escritos sorrelfos, aforismo vai muito mais longe que isto, é no deserto que ele se define com trans-parência.


Quiça a roda-viva do ser e não-ser movimente o redemoinho das volúpias e êxtases.


(**RIO DE JANEIRO**, 24 DE JUNHO DE 2017)


Nenhum comentário:

Postar um comentário