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sábado, 24 de junho de 2017

#AFORISMO DE GRÃOS DE AREIAS BRANCAS AO LONGO DO VALE# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


#O melhor aforismo é sempre uma súmula da verdade, uma sinopse do verbo de ser, síncope do tempo e do silêncio.#


Delírios à luminosidade da ec-sistência - canastro de cogitações da concupiscência, dificuldades da consciência acidental. Sequazes à antojar do excelso, metro da querença assente verbo–alma–de-inerência, inspiração do não-plectro à graça da ninharia, oco, carência, báratro do não-ser, ao não encanto do estético, cataclismo da ontologia psicanálise do Érebo - alvoroços, retentivas extintas, acarretando o espírito no termo da jornada, érebo transcendente do cataclismo psicanalítico - sensibilidades, urdido rude que cerca a alma na sémis da vereda, cataclismo do érebo teórico da psicanálise.
Uno as mãos, aperto-as contra o peito, como se desejasse reprimir os sentimentos que me perpassam o coração. Observo o gesto e compreendo o que se passa: um ímpeto novo como que me percorre o corpo, endireito-me, levanto a cabeça que, por instante esteve baixa, a mente circunspecta, a alma intros-pectiva, enquanto os olhos percrustavam o abismo, o vento sopra agitando os grãos de areias brancas ao longo do vale, eriçando os cabelos dos braços.


Quem sabe com estas imagens, tornadas palavras, não esteja mostrando a aura intraduzível das imagens das areias brancas, dos seres votados à inocência. Assim é que devo imaginá-la, um gesto esboçado sem conivência íntima, uma dádiva destituída de graça, uma graça destilada à luz das des-graças. Um outro sentimento já fermenta no espírito, e eu calculo quantas vezes o dissera, em que situações idênticas, e diante de quantos homens diferentes.


Como saber a inocência inteiramente, e possuí-la sem vislumbre algum de memória, sem intromissão dos seres que a hajam amado ou rejeitado, e que, provavelmente, tenham sido com ela saciado a fome e sede de absoluto.
Fosse logo ao amanhecer que estivesse no topo desta montanha, contemplando o vale de areias brancas, provavelmente não teria invocado testemunho invisível mais sublime que a comunhão do espírito e dos sonhos.


Ao entardecer, devendo de imediato descer a montanha, a noite já está caindo sobre o vale, brilha o traço de uma lágrima que se anuncia no rosto por modelar esta expressão, este testemunho da oculta energia que me vitaliza o ser, e o entusiasmo de que sou dotado para todos os esplendores e glórias da natureza que intimamente habita-me os recônditos.


Como a vida me parece grave e bela, com um sentido que não adivinhara até então, mas que existe, dando cor às arvores e folhas, às nuvens, ao vale de areias, dando tonalidade à grama viçosa e verdejante do bosque, a tudo, enfim, que res-plandece e palpita de in-finito amor, de uni-versal livre-pensar. Sinto-me grato por ec-sistir, e chego a pensar em ajoelhar-me, e agradecer à Terra-Mãe, qualquer que Ela seja, a graça de me ter feito presente a todas esses esplendores.


No claro-escuro dos dias, visto e des-visto uma série de disfarces, que, no entanto, não escondem a sempre presente angústia do Ser diante do tempo. O melhor aforismo é sempre uma súmula da verdade, uma sinopse do verbo de ser, síncope do tempo e do silêncio.


Pasmos de avisos da claridade a recaírem no que há-de advir, meditação da realidade na contiguidade do tempo que se faz ininterruptamente, geração da quimera, aspergir de protótipos, ânsias, querer a energia da expectativa, matriz de mundos, contaminados de simulacros, orquídeas cãs de amplas ópticas à pesquisa da claridade das estâncias da existência, enredada à contiguidade de existências, ensaios, matriz de dilúvios, gênese de vulcões em erupção, prenhe do verbo–ser-de-afeições, ânsia de dita, o raiar é espanto, as lâminas de cintilâncias são surpresas.


Eu próprio, enquanto continuo a olhar o vale de areias brancas, vogo um pouco ao sabor dos minutos poucos que antecedem o cair seco e categórico da noite, medindo, compondo, re-compondo, aclarando uma ou outra sede que se vai mostrando, expressão cuja chave, à luz da face nova, abre exuberante o que em torno constitui demonstração de vitalidade.


Articular os fragmentos e re-integrar a essência na aparência, eis a vida que sobre-existe além da morte.


Na quietude e silêncio de minha alcova, onde me refugio para poder pensar e sentir as experiências espirituais adquiridas com a visão do vale de areias brancas, no cume da montanha, percebo que o espírito da alcova não é mais o mesmo. Ninguém pode imitar o particular. Todos podem imitar o uni-versal.


Luz, sentido e palavras... Viver febril. O coração forte, descompassado. Tudo, nada. Vazio, caos, abismo. Luz, sentido e palavra. Sons, inter-dictos e letras.
"Acabemos com isto e
Tudo mais,
Ah, que ânsia de ser rio
Ou cais..."
In-ventemos com isto e
O que mais for,
Ah, que fissura de ser fonte
Ou genesis...
Palavra, sentido e luz. Nada, vazio. Espreguiçam-se em ressacas.Vácuo. Subterrâneo frouxo. Eternidade. Fosso chilro.
"Quem é sensível sabe,
Ou ao menos já soube,
Onde coube o paradoxo".
Pequena passageira que fala, gesticula, monologa, goza. Forças para amar. Além do medo. Disposição para ouvir. Além das resistências, dúvidas. Sensação de sonho. Natureza diferente. Cor-agem para viver. Além das inseguranças, carências. Êxtase. Razão e raciocínio. Segurança para pensar. Além de pensamentos e idéias. O campus cria segunda realidade para habitar. Olhar desviado. A luz rodopia sobre a cabeça. Tudo suspenso. Loucura e insanidade. Sangue no corpo. Conheço o som de caixão. Morte... Morte...
Luz, sentido e palavra.
Palavra aqui, outra ali. Reflexos. Contingência. Especulo, medito e reflito.
"Desço desta solidão
Espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortadas em jornais de folhas amiúde..."


O proscêncio absolutamente vazio. O tablado nu.
Pequena estiagem que disfarça o olhar fixo numa alegoria ou num pó. Única vela que retoma santos num símbolo nu, num signo despido. O país prende a respiração. Salmos na igreja de Cristo estendem os braços... Desejo recente, forte, definitivo.


Eu próprio, enquanto continuo a olhar o vale de areias brancas, vogo um pouco ao sabor dos minutos poucos que antecedem o cair seco e categórico da noite, medindo, compondo, recompondo, aclarando uma ou outra sede que se vai mostrando, expressão cuja chave, à luz da face nova, abre exuberante o que em torno constitui de-monstração de vitalidade.


Na quietude e silêncio de minha alcova, onde me refugio para poder pensar e sentir as experiências espirituais adquiridas com a visão do vale de areias brancas, no cume da montanha, percebo que o espírito da alcova não é mais o mesmo.
Luz, sentidos e palavra... Ruas imersas em sombra progridem da arte a consciência humana.
Solidão. Delito inconsciente. Correntes internas. Tudo. Vento. Mudo vestígio do caos. Silêncio, silêncio, silêncio... Muros mitológicos de sonhos.
Perscrutando folhas e flores primaveris, orvalhadas da alma, pressinto em mim miudezas de sensações que de pers em pers, iríadas em iriadas, éresis em éresis do não-ser nasce o in-verso precedendo o verso, surge o re-verso antecipando a verdade às sara-palhas do vai-e-vem que é concebido de gerúndios, particípios, in-finitivos das ilusões e idílios a-temporais, a perfeita leveza do ser .
Quê sujeiras o vazio deixou - vento-bordas do perpétuo! Inimaginável!... Indescritível!... Inconcebível!!! Vento algum vindo de algures leste digna-se a soprá-las aos confins.dos horizontes. É entregar-me solene e solícito nos braços parnasianos das insolências de saber-me desprovido, destituído de essências. Entrega que não tem fin-itude.


Ergo-me para uma nova manhã – o meu caminho é feito de caminhar -, docemente viva. Minha felicidade é pura, transparente, como o reflexo do sol na água do lago. Cada acontecimento vibra em meu corpo, como pequenas agulhas de cristal que se estilhaçassem inteiras. Depois dos instantes curtos e profundos, vivo com serenidade durante largo tempo, compreendendo, recebendo, resignando-me a tudo. Meu rosto é leve e impreciso, meu olhar é sereno e indiferente, a respiração encontra-se lenta e comedida, boiando entre os outros rostos, olhares, respirações entre os outros rostos vazios e opacos, seguros, como se eu ainda não pudesse adquirir amparo e conforto em qualquer expressão. Todo o corpo e alma perdem os limites, perdem as estribeiras, matizes e enredos, misturam-se, fundem-se num só caos, suave e amorfo, lento e de movimentos vagos como matérias simplesmente viva. É a renovação perfeita, a anunciação pura e a criação solene.


Seria que a imperfeição perfeita alucinasse, fascinasse, extasiasse por a perfeição ser mera quimera, imaginação fértil?


(**RIO DE JANEIRO**, 24 DE JUNHO DE 2017)


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