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terça-feira, 13 de junho de 2017

#NO SILÊNCIO DO CALAR-ME, EMUDEÇO-ME# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Calo-me. Silencio-me. Emudeço-me. No emudecer do silêncio, calo-me. No calar do emudecer, silencio-me. No silêncio do calar-me, emudeço-me
Levo um grito sufocado encravado num sentir emudecido. Impossível “re”-tê-lo, “re”-presá-lo por mais tempo: domá-lo. Estilhaço-me. A palavra, se em represa, é um murmúrio de arribas, sussurro de confins, cochicho de alhures e algures; se correnteza, brado, estampido.
Ando para a luz levando o fardo de desejos, esperanças de ver-me “ser” nas linhas do espírito e eterno, esforço-me para não ruir, seco e falido. Se o passado me dói no corpo e na alma, é só quando me aproximo dele com a alma de presente, este é o sentimento latente. Fracas possibilidades de letras reais nos sentimentos verdadeiros, de vozes imaginárias nas emoções re-criadas, in-ventadas, esboçam-se e des-aparecem – quase verto lágrimas pujantes! -, roendo entranhas, re-vezando mordaça, ruminando aparências, e a escuridão em que tateio o trajeto arrasta correntes, mas sigo na busca des-esperada de me ver sendo. Cada dia debulho uma letra de minha fala, perco-a nos sonhos, e dou um passo para a distância. Breve me perderei no horizonte.


Sonhos da vida, degraus no infinito.


(**RIO DE JANEIRO**, 13 DE JUNHO DE 2017)


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