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quarta-feira, 14 de junho de 2017

#COMO GRATULAR À CLARIDADE QUE NOS LEGAM OS CORISCOS PARA ALUMIAR O QUE SE ACHA NAS OBSCURIDADES E OPACIDADES?# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Dôo-me às quimeras gélidas!
Entra-me uma revoada de memória na alma. A imagem vem postar-se ante mim, acompanhando-a eu em todas as perspectivas, em todas as suas visões, em todos os seus ângulos, sem perder o ar de riso sublime, sem perder a fisionomia de alegria sublime, a face resplandecente de revelações mágicas do absoluto. Às vezes, enquanto a contemplo, vejo-a inclinar-se, revelando alguns sonhos que porventura desejara realizar e me tornassem diferente de quem sou, diferença esta que, em princípio, sugere a de sentir dimensões da alma e do espírito que alguns homens sentiram presentes em suas vidas, registraram-lhes, mas, ao longo dos anos, outros homens também sentiram, mas não registraram, e, de repente, surjo eu em cena quem também as sente, tendo o dom das palavras, revelo-as, mas sendo sincero com a diferença existente entre mim e o verbo perfeccionante do tempo.
Parvo crocitar tateia do mundo a realidade da língua. O som existe no coaxar absurdo, no gralhar descoordenado e informe, no cricrilar altissonante e des-afinado. Toda a gralhada alheia passa por mim – a claridade turba-se, certa impotência atinge a pronúncia, labirinto de caminho imprevisível.
Sinto-me em um oco imutável, submerso em um tanque gélido insubordinado de cerrações. Meu espírito sumido sob a maciça série de indiferença que resgata o tanque do bosque faz-me apregoar a devoção da querença da bonita sereia que um dia essa ânimo viveu.
Entrego-me às sorrelfas de ressoar tanto no presente quanto no passado o suspiro dos insurrectos, proscritos, hereges.
Poesia da filosofia - e a coruja canta no silêncio da noite a linguística das querenças do belo sublime, da suave beleza da sabedoria que sacia a sede do pleno plenificado de outros uni-versos do verbo que à lareira verseja as chamas dos idílios do silvestre porvir da floresta de místicos mistérios do eterno. Filosofia da poesia - no alvorecer, o canto dos pássaros saudando os raios numinosos do sol, a natureza que diviniza o panorama de estesia simples e inocente, a estética do sublime, que gerundia de éritos do tempo os abissais sonhos de sabedoria e sapiência, a consciência-estética-ética, Ser e Verbos... Na amplidão de longínquos pretéritos presentes na memória, o prazer de re-versos desejos, o clímax de in-versas vontades, a extasia de ad-versas visões-do-espírito, de re-vezes às antemãos...
Poesia-pensante - a idiossincrasia do eterno esquecida no tempo, a flor de cactus presenciada nos alvores de outro ser do verbo, que me alimente de outros subjuntivos e gerúndios do saber-verbo-uno, do verbo-uno-saber, uno-saber-verbo das buscas e querências, a miríade de luz de minh´alma resplende de nonadas a luz das travessias, assim vou perfilando ou performando as poeiras das estradas à luz do picadeiro de gargalhadas, os pós que cobrem os móveis de casa velha, do palco de desejâncias da leveza do ser, da choupana de dialécticas e contradições, precisamente na porta de trás, de onde se ad-mira a lua enamorada das estrelas.
Num compasso de deslumbramento, igualmente, advogo a luminosidade argêntea reflectindo sobre as linfas! Como gratular à claridade que nos legam os coriscos para alumiar o que se acha nas obscuridades ou na opacidade? Como ser fidedigno às linfas que nos extingue a sofreguidão, percebendo, desde entretantos e até entre tantas comoções, sensibilidades, padecimentos e mágoas, exultações e enaltecimentos.

(**RIO DE JANEIRO**, 14 DE JUNHO DE 2017)


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