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domingo, 18 de junho de 2017

#TODO HORIZONTE EM AÇÃO É DE NULO SENTIDO# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


**No sono de cinzas o exílio se reconhece**


Neste fim de tarde, não existem letras, não existem sílabas, não existem palavras, os olhos miram pálidas sombras. Este instante é uma melancolia única, nostalgia dupla, tristezas triplas, angústias e vazios múltiplos, envelados, camuflados, encapuzados em silêncio; momento de coisas terminadas como se cada corpo, de carne e ossos, desfeito em cinzas seculares, poeiras milenares, repousasse na vigília da decomposição, no sono de cinzas o exílio se reconhece. Nesta desesperança de brancas páginas vazias, nesta angústia de folhas empoeiradas, imóveis e esbranquiçadas, imóveis e cinzentas, entre as estrelas e a ausência de fôlego, entre a lua e o suspiro, entre o sol e a falta de inspiração, a vida não tem pre-fundas, a morte não tem fundo, perduram, perenizam-se, eternizam-se como a bolha de sabão que a boca sopra e o fragmento explode.
Neste segundo à luz do tempo, neste instante à mercê de nonadas, todo horizonte em ação´ é de nulo sentido, todo uni-verso em movimento é de nítida significação, este tempo trans-mudado em écharpes cinzas, lenços azuis, expira exalando o perfume de lembranças, fenece respirando o ar de recordações,
na pronúncia afônica de vernáculos, na voz rouca da palavra, na inutilidade da matéria na distância.


(**RIO DE JANEIRO**, 18 DE JUNHO DE 2017)


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