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segunda-feira, 12 de junho de 2017

#INSTANTE-LIMITE SABIDO# GRAÇA FONTIS: PINTURA Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Recordações, sempre recordações, como se não fossem mesmo recordações. O evocá-las é mágico. E ausência. Recordações e seus in-finitos elos desre-cordados. Re-volve o coração, prosa reta e inter-dita, poesia in-direta e in-audita, traz de lá o que não tenho qualquer noção, o que não sinto presente, o que não sabe a mente enovelada em si mesma, en-velada em seus interstícios de mistérios, empanzinando de idéias, pensamentos, memórias, planos, projetos - revolve o coração, prosa reta e inter-dita, dá-me o prazer, legue-me a volúpia e êxtase, dá-me o que em mim é verdadeiramente, é plenamente, é eternamente, é completamente! E tudo re-torna, como re-torno do meu pretérito sono em cujo des-conhecido deslizava imagens, do nome que um dia tive, re-criei-o com os fonemas sonoros das ondas do mar tocando as docas, do que fui no tempo ignorado, do que não fui no instante-limite sabido - como re-torna in-forme des-facelado, círculo mágico, chamas ardentes na lareira.
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição
Em mim, outro homem nasceu e este homem agora sou eu, novos horizontes me habitam, sonhos e esperanças outros perpassam-me os abissais recônditos da alma. Onde estão aqueles mitos daquele homem passado? Onde estão aquelas idéias e ideais daquele homem que desejava a verdade perfeita? Onde estão aqueles mestres e sábios que ensinavam àquele homem a poética do espaço?
A solidão me cerca, fico em silêncio como um poeta que mora ao lado de minha casa que na madrugada se senta à soleira da porta de sua casa, ouve o latido dos cães, o canto dos galos, pensa na namorada distante. Só, autopalhaço, faço tamanha alacridade que nem ouço as palmas que não batem para mim. Espectador de mim mesmo, cerro as cortinas e com um toque (mágico), (inaudito) de dedos faço surgir milhares de espectadores a ovacionar-me. Apago a luz. Fecho os olhos. Conto carneirinhos para dormir o sono idílico da esperança
O que vejo não é real e o que sinto apenas circunstâncias. As verdades amoldam-se às variações climáticas - agora é inverno, estou sensível, a sensibilidade é a verdade, os pensamentos con-vergem num só ponto, mas atravessam coordenadas diferentes. A consciência é um trapézio tripudiando o equilibrista.
A prosa me cumpre e eu com ela me redimo das solidões e amplos apelos. Não há verdades nos meus olhos nem destino nos meus passos. Só o passado, inda que mais-que-perfeito, tão perto na distância, tão distante no espelho.


(**RIO DE JANEIRO**, 12 DE JUNHO DE 2017)


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