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quarta-feira, 7 de junho de 2017

#O ATRÁS VEM DEPOIS DE TUDO# - GRAÇA FONTIS: PINTURA E TÍTULO/ Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Porque um "tu" é um "eu" que estamos vendo em alguém, um "eu" fugitivo, escorregadio, in-apreensível e todavia tão presente, tão aqui, tão agora, que nos perturba de inquietação, des-assossego. Quem me abre a porta de ti, para eu ser tu sendo eu? Que eu saiba o que pensas e sentes, o que lhe perpassa o íntimo, que sentimentos e emoções se lhe a-nunciam nos interstícios de tua alma - mas como ser tu a pensar e sentir? E como ser eu a pensar e sentir em ti?
Morrer no verão. À hora absoluta, delírio de luz. Não no outono, de monco caído. Ou no inverno, quando se está encolhido pela metade. Mesmo na primavera em que tudo está ainda para ser. À hora máxima, os olhos em chamas, mesmo fechados, a luz estrídula em todos os interstícios da vida.
Fora, a noite resplandece límpida, ponteada de estrelas que velam o ossuário da terra, como de flores de ramo não invisível de todo, mas a visão quase pouca lá não chega inteira. A cidade imobiliza-se desde toda a eternidade, cristaliza-se desde a gênese do mundo e da terra, imensidão do espaço, o ar é leve e suave - um êxtase.
Imagens re-fletidas no espelho: re-versas a-nunciações verbalizam a luz que re-vela a alma de desejos lúdicos do amor que se esplende por todo o infinito, no peito o pulsar de sentimentos, cáritas de palavras manifestam a linguística da felicidade, o verbo feliz do tempo na continuidade do ser vers-ifica, mares-ifica êxtases e volúpias prefigurando o absoluto pouco a pouco no tecer de contingência em contingência as linhas do universo, no nada vazios passeiam livres, entregues às circunstâncias da travessia, o atrás vem depois de tudo, a coruja re-templar no canto dos mistérios o ad-vir da sabedoria a exalar a gnose do conhecimento, amar no sonho do amor a essência lívida, transparente do espírito que vela na soleira do efêmero a esperança do eterno, sentir do amor a dimensão diáfana da alma que alça voo profundo no infinitivo, além quaisquer inspirações do belo, além quaisquer querências da beleza, ser tao da sensibilidade que perscruta os abismos do pleno efêmero desejando as miríades de luz orvalharem o silêncio de gotículas frias, suaves, leves, trans-elevando aos píncaros do sublime o ser-krishna e que na noite de lua cheia trans-ilumina a passagem ao alvorecer de iríadas na divina comédia de ouros e risos a metafísica pura do paraíso celeste, jardins terrenos des-velando as cores múltiplas das flores, pintando de brilhos lúdicos o retrato retros-pectivo de genesis nas efemeridades do apocalipse re-verso da morte, do morrer verbo de eternizar as metáforas do verso-crepúsculo da vida na orla marítima das águas que trans-correm os itinerários da fonte ao silvestre das origens subjuntivas e gerundiais.
Amor puro. Amor verdadeiro. Amor de entregas do ser e não-ser. Amor do tempo na poesia poiética do divino. Amor do sonho na poiésis da utopia que origina a sarapalha de silvestres contingências.


(**RIO DE JANEIRO**, 08 DE JUNHO DE 2017)


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