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domingo, 28 de maio de 2017

#VOZ DA PRÓPRIA TERRA... PALAVREADO DES-ENFREADO# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Verbo do não valor de ser.... Coração recluso... sossego... âmago do mundo... mar claro com ondulação leve dos morros, barcos escuros de habitação... os mastros que seguram os barcos.... neste caso uma viga de ramos de árvores..... Sou do verbo o vazio de ser.... sossego profundo.. silêncio equiparado ao do espaço universal.. de astros rodando pelo espaço oco... Nuvens libertam-se rastilhos de neve... que devastam... em vale... a última altivez das coisas... Ser do verbo do nulo sou... frágil recordação de um instante jamais abrangido pelas sensações, de uma veracidade somente memória... sem tempo.... Odor real do enigma passado na hora, inúmeras vezes chamado com nostalgia..... sou o vácuo do verbo ser e verbo do zero de ser.... Com uma estrela branca... portanto, ofusca, não cintilante... aos pés e ao lado.... E uma meia lua vermelha... que só pode estar a receber reflexo de algo... contrário à sua natureza... e ao alto.... trouxe á tona... enfim entre os astros..., meigo e belo... acasalado ao absoluto dos seus momentos-baliza, regressado à in-provável candura que desconhece em si...... Um ser que se sente angustiado e se menospreza... e que acabou por trazer a si mesmo a candura que ele possui... mas que com sua humildade, ou não, diz não reconhecer... Imagem que ilustra os caminhos tortuosos deste pobre ser, onde estão patentes várias cores.... local de sossego.. e do odor do passado.....
O homem foi "lançado" pelo próprio Ser na Verdade do Ser, a fim de que, ec-sistindo nesse lançamento, guarde a Verdade do Ser; a fim de que, na luz do Ser, o ente apareça como o ente que é.
Neblina do eterno, orvalho de flores salpicado do alvorecer de neblina, espiritualidade do ser de tempos, a esperança é dimensão da vida do amor que bebe na fonte do paraíso a felicidade dogmática do Amor-Eterno.
Monotonia rítmica com que as coisas se sucedem e no risível desfecho que elas têm... As coisas acontecem sem-mais-nem-pra-quê. Misto de idealismo, realidade: realidade física e realidade moral cristalizam-se. O ato de sofrer que tanto ad-verte se cristaliza, encanta.
O mundo antigo torna-se em imagens, sensações, cheiros, sons, e reponta aqui de um modo não muito lógico, transforma-se numa sombra que acompanha, refletindo a vida, ai, não segue uma direção, mas uma entrega, re-flito pela consciência intelectual, evoco um abismo de melancolia, de um abismo de cepticismo. Ouço-os de novo, cânticos anônimos que sobem das regas algures, nenhures, alhures, em parte alguma, como voz da própria terra, sussurros e murmúrios de suas cavernas, buracos e grutas, como lamúrias de suas próprias entranhas rasas e profundas, como ruminação da ampl-itude da memória, eu as revejo a essas luas enormes na ascensão majestosa e uma noite quente de Verão, eu os sinto ainda a esses aromas no vento, e que aspiro ainda de narinas dilatadas para que a sua realidade entre em mim e seja real, que os possa sentir e deliciar-me com eles.
Alfim, quem não está diante de homem cindido em dois que tenta soldar as duas metades; do leite ao caldo de pimenta, ao ácido crítico andam as idéias, pensamentos sobre o devir?
Isto sem interferir na estrutura, imagens, idéias, utopias, a partir de ouvi-las dizerem as verdades, e eis a razão de, enquanto re-flito, penso, ouvir músicas; sei despertam sentimentos e emoções profundos, mesmo não os conhecendo, a preeminência do intelecto interfere.
Cântico composto na solidão de ruas boêmias, cantadores tropeçando nas pedras, nos buracos das calçadas, no silêncio de estrelas, da lua, das alamedas desertas, pirilampeando a escuridão, o breu de terrenos baldios.
Aquém imaginações, prolusão avessa, repercussões longínquas no ultra do tempo, ditando distantes sonsices, soletrando longínquas sem-noções, galhofas submersas em prantos, plangeres de nostalgia, quesito do eterno, re-quisito da náusea que precede o vazio.
Sensibilidades esparramam-se, no frêmito âmago de minha entidade, cerzindo de pequeníssimas númens, ideados no simulacro denso, enredado da obscuridade, circunspecto, pelo corisco de resplendor confinante, a vidraça do período de bambinelas de cerda, a cara sentimental da evo, evitando o manancial, a luminosidade cintilante da existência, báratros exauridos de ventosidades sobrevindas das perspicazes ignotas, enjeitando o pélago do firmamento, entre serranias desprovidas de zunidos da insignificância em absoluta deleitação por aliciar o perpétuo vidente, pelo fulgor lunar, fojos recônditos à soalheira de labirinto inabitável, desvendo as rebos que lhes resguardem o intróito, declarando o espiritual de locuções declamadas à graça de destinos.
Aos Calígulas de meu tempo, esgoelo, esgoelo ao custo das milhares humanidades concebidas, geradas, sob a beleza, sofrimento e bravura de Madalena. Mas entre a imperatriz, a freira e a Prostituta, fico mesmo com a salvação imaculada da Prostituta.


(**RIO DE JANEIRO**, 27 DE MAIO DE 2017)


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