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domingo, 14 de maio de 2017

ESCRITORA, POETISA, Ana Júlia Machado, COMENTA O AFORISMO /**ÁDITO DA ENTRADA**/


Neste texto, Manoel Ferreira Neto refere uma modificação em si como nunca, que o deleita, sua índole presente, de nebulosos pronunciares, presenteiam-lhe um saciar inenarrável como se albergasse uma sabedoria de chegados fulgores. Sua fala presente, de desconfiadas elocuções, doa-lhe eloquências proteladas na idade.
Ingressou num templo que o transformou…quiçá um templo designado, Graça Fontis. O que atesta o que outrora era despojado. Um ser Não ser....
Somos no vivido mais penetrante, responsabilizáveis por nós próprios. Somos, como classificou Sartre, os feitores de nós próprios. Através do agregado de nossas eleições, nossos feitos e nossa preterição em operar, acabamos por desenhar a nós próprios. Não podemos banir essa imputação, essa independência. Nas locuções de Sartre, foca, residirmos sentenciados à liberdade.
Por inacreditável que o enredo seja, surgiu como alguém normal entre tantos outros triviais. Variantes da mesma trivialidade. E no veloz do rejo deste planeta, foi adquirindo o palanque da alegria. Ícone estremado para seu coração impreciso, expoente de perfeita existência para seus olhos esfalfados de cacetear na mesma perseverança. Abrilhantando o momento com seu semblante de embriaguez, seus olhos a estimularam tantas recordações. Entre elas as que deliu por simples dúvida. Alma que era enfraquecida por histórias desprotegidas. E a fábula da revelação da pulcritude, num instante tão trivial quão outros. Logo convertido ironia de inspiração pela valentia de alguém fazer-se assistente. E que diferenciava-se pelo pó volátil do que o vindouro afiançava ao verbo. Até o inexequível de uma quimera irrealizável ela conseguiu. Reabitou a escuridão em prata.
Cada um nomeia os seus despautérios da sua vereda
Pode eleger aquela que o pode embeber de claridade e querença pela perenidade.
Cada ser, pode eleger ser, o sémen da erudição e não alongará a regenerar no chão farto que lhe é entregue a cada instante, em que a alma declamar em designação do bem-querer.
Este texto, embora, pequeno, não é fácil de todo tirar todo o seu significado…poderá ter muitos caminhos e pensamentos.


Ana Júlia Machado


Sim, caríssima escritora e poetisa Ana Júlia Machado, duas foram as grandes transformações de minha ec-sistência: em primeira instância, o encontro com a minha esposa e companheira das Artes Graça Fontis; em segunda, a des-coberta do AFORISMO, o meu ícone literário.
De excelência o seu comentário.


Manoel Ferreira Neto


#ÁDITO DA ENTRADA#
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Meu modo de agora, de instantânea dita, presenteia-me um deleite indomesticável como se apanhasse um escol de esquiva formosura, brotada em loco inconsolável, ao gosto da ventosidade. Meu estilo atual, de metafísicos dizeres, doa-me um refestelamento indescritível como se colhesse uma erudição de adjacentes esplendores, ao saber de chuviscos. Minha linguagem atual, de suspeitas falas, lega-me verbos suspensos no tempo, e com eles vou tecendo sentimentos e ideias do que precede a essência, a existência. O sigilo, enquanto assim possa ser designado, conceituado, retem-me num gênero de extasio, num isolamento entre os homens, num divórcio tão perfaço como o de um algar no meio da serrania.
O mundo me avalia esquivo, pérfido e adverso, errado, re-verso, in-verso, alheio, avesso. O meu transcorrido, isolado e sombrio. O vindouro, uma melancolia tosca que incumbia delinear em formatos toldados. Ultrapasso o ádito da entrada, importando fé, canícula e júbilo, exportando náuseas, vazios e nada. O instante travo converte-se, imediatamente, num instante bem-aventurado, num momento de júbilo.
A luz engolfa-se, condensa-se na borda fronteira do relógio - o mostrador escoa-se. No escuro, disco suspenso no nada. Caos. Som imerso no primitivo. Alucinante. Ritmos que não podem ser pensados, verbalizados.
Ando a vagar. Ventos percebidos no espírito. Palpitação de asas sobrevive no mistério, enigma. Dilatado. Esquecido de mim. Olvidado de lembranças, visões. Logo, não além da eternidade, sim aquém da contingência.
O universo imputa todo o seu progresso a sujeitos des-venturados. Os ditosos limitaram-se dentro de modelos clássicos, regressivos. Postam as mãos à terra, os pés ao céu, agradecendo a sublime inteligência e sensibilidade com que foram dotados. Possuo a intuição de que, daqui por defronte, a minha legação será cultivar sémenes de diferentes mastros, confeccionar vedações, e, quiçá mesmo no tempo propício, edificar um lar para distinta gênese, e, numa locução, conciliar-me aos preceitos e às praxes pacatas da agremiação. Meu comedimento será mais pujante do que qualquer propensão titubeante da minha parte.
Nesta hora tão repleta de receios e perplexidades, verifica-se o portento sem o qual toda existência humana é um vazio. A graça, que converte tudo real, divino e estético, descai sobre mim.


(**RIO DE JANEIRO**, 13 DE MAIO DE 2017)🦋


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