Total de visualizações de página

domingo, 7 de maio de 2017

#DA COR-AGEM AO COR-AÇÃO SEDENTO DE APETITES# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


A chuva custa a passar, os lábios falam com dificuldade, como se fala numa noite em que o demasiado frio adormece as maçãs do rosto. Creio que se faz necessário que eu aprenda aquilo que é comum nas outras pessoas, como por exemplo o prazer de jantar num Domingo de Chuva. Veja só esta coxa de frango, quando se separa a carne branca e deliciosa do osso, é como se fosse um instante de júbilo! Deve ser para o nosso coração tão sedento de apetites, imemorável e sensível quanto para um jovem pela primeira vez aliciar a face de sua namoradinha.
Não. O meu abandono ao instante de chuva é tão simples e tão completo que estou aberto por inteiro ao mesmo tempo a toda emoção prazerosa, como a toda angústia que provenha dos mais profundos sítios da alma, e tudo saboreio até ao fim, com volúpia e êxtase, e tudo degusto com as retinas do olhar os ex-tases do ser.
Não queremos ser deslocamento histórico, mas observadores da história. Nossa intenção não é olhar para trás para criticar ou erigir opiniões compulsivas, esquecendo o sentimento e a vivência de cada época. Nossa consciência não quer ser cortesia do “eu penso” por “eu sinto”. Não somos “caixa de ferramentas” com peças que só servem para instantes quando algo está errado. Queremos ser “amortecedores” novos de um pensar consciente, desenvolvendo a habilidade de lidar com sentimentos capazes de transformar a intenção em ação e, sobretudo, ter um coração que perceba, sinta e aceite a capacidade que o eu e o outro têm para transformar nossa comunidade, sociedade e mundo, não medindo ou pesando distância, não traçando linhas verticais, horizontes, lineares, isto não interessa, mas fazer reinar o primeiro passo. Queremos ser os corajosos, a exemplo d´Aquele que anunciou o Reino dos Céus, comparando-O a um grão de mostarda.
Ah, ter a evidência ácida do mistério de quem sou, do que sou!... Ah!... Esta fronteira da lembrança e do esquecimento, este sonho de rompimento, entrar em sintonia e harmonia com a construção, com a [id]-{ent}-idade histórica!...
Haveria alguma dúvida da presença de mim a mim próprio e a tudo que me cerca, envolve-me de mistérios, envela-me de anúncios, é de dentro de mim que o sei – não do olhar dos outros, do pensamento dos outros.


(**RIO DE JANEIRO**, 07 DE MAIO DE 2017)


Nenhum comentário:

Postar um comentário