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quarta-feira, 31 de maio de 2017

#BRECHA ENTRE O "EU" E O MUNDO# - Graça Fontis: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Revolvo-me inquieto e perspicaz, incongruente de ideais e percuciente de questionamentos, como se intencionasse uma posição para viver o sono, sonhar os sonhos. Amplio o significado dos gestos, detalhes, nuances, palavras, e a lucidez é a própria nitidez crua pela vida.
A ironia, resultado da antítese do indivíduo versus o mundo e como atributo da irreverência. Na ironia, o homem afirma para negar e nega para afirmar, encomia para satirizar e satiriza para encomiar, cria um objeto positivo, cuja essência é o nada. Estágio do pensamento dialéctico a ser desenvolvido.
A música interrompe-se, o silêncio é aspirado numa curiosidade. Se a ironia é um modo precário de enfrentar a brecha entre o eu e o mundo. Curiosidade metafísica. Tanto mais o pensamento se torna metafísico (e menos irônico), mais ele amadurece a dialéctica a ser desenvolvida. Eu e o mundo se formam no mesmo composto lírico.
E as relações com a luz como se tecem?
Pressinto, com alegria e serenidade, como sou novo, inexperiente, indecifrável. E o coração quente de uns instantes: o branco da neve dos sentimentos polidos deambula pelo espaço da verdade.
- O que é isso, o tempo? O dia se embranquece, irá se desenrolar até a noite, um indivíduo inteiro sente outra formação.
- O que é isso? Tempo? As horas lentamente processam-se e um deslocar-se (ser), consciente e inconstante, forma o real sútil e a realidade emola-se e outra surge límpida.


Metamemória.


(**RIO DE JANEIRO**, 01 DE JUNHO DE 2017)


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