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sexta-feira, 26 de maio de 2017

**VIAGEM ATRAVÉS DO TEMPO** - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Se a vela alumia de chama o há-de vir de rogos e pedidos, há-de ser de lástimas e vanglórias, contingências do não-ser protelam os instantes de nonsenses, o verbo no espelho de dores, de inconsciência o templo imperfeito de milagres, a luz do nada resplandece na esperança litteris de lâmina de machado que toca o tronco da árvore, o tronco da árvore toca a lâmina do machado, os olhos comem as coisas e as coisas degustam os olhos.
O numinoso dos vazios adentra a porta: a seiva da verdade, húmus do absoluto, raiz do divino.
Vida, pensamento, idéias, utopias são uma viagem através do tempo. O tempo é uma viagem em vida. Ideais, utopias, sonhos são as imagens que fluem livres ao longo dela, cumpre estabelecer-lhes a claridade.
O jazz sibila nos ouvidos. Digo assim.
Palavras, sentido, luz...
Som - re-criação do indivíduo da parte de si mesmo.
Meus sentimentos pesam assim como pesam os meus ausentes, falhas, faltas, lapsos. Na saída, sombras jazem mortas. Viver a liberdade de ser consciência. Nunca pude compreender a consciência é liberdade e, no entanto, há tantas resistências no processo de conscientização. Um medo de ser. Viver o ser da liberdade numa consciência a desejar a pureza da liberdade, do amor. Ser consciente é ser livre e, contudo, a insistência em fantasias e quimeras. Talvez seja uma verdade incontestável o inferno serem os outros. Por mim, não tenho dúvidas.
Tudo são palavras mesmo, viu?, ouviu bem, escutou? Tudo. Onde estão as realizações, são elas que levam à vida. Sei que não sou homem fraco - não, não sou -, frágil sim. Aquela velha e surrada situação: nessas condições quem irá acreditar não seja? Por mais alienadas que sejam, as pessoas não são tolas. Não tenho coragem, ousadia, não dou aquele pulo da cadeira, arrumo a casa, varro a varanda, dou comida ao cachorro, faço almoço. Vou ao trabalho. Empenho-me. Nada disso.
O mundo é um espetáculo de picadeiro, no circo, que é de curto tempo, mas que não passa, estará sempre presente. O humor do palhaço é válvula de escape das tensões.
Generosidade. Ternura. Carinho. Meiguice.
Silêncio de cítaras. A melancolia acende o esquecimento. Tempo - templum. Palavras escritas seguem a grafia, ortografia em desuso. Razão e consciência, longe. O chão de giz, os bosques de cinza, as florestas de argila.
O chão escoa-se pelo ladrilho. O copo de gim faz silêncio sobre a mesa. Olhos sonolentos descansam no colchão. Eternidade. Pupilas esgarçam coisas.
Palavras, sentido e luz.
Pensamentos giram. Cores confundem a retina.


Palavras, sentido e luz... No fogo, voluptuosas, eufóricas, sílabas mostram olhos. Nas águas, excitadas, ondas enormes, emitem sons, reflexão, raios...


(**RIO DE JANEIRO**, 26 DE MAIO DE 2015


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