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terça-feira, 30 de maio de 2017

ESCRITORA POETISA CRÍTICA LITERÁRIA Ana Júlia Machado ANALISA E INTERPRETA O AFORISMO /**A FELICIDADE BROCHA**/


Mais um texto de Manoel Ferreira Neto ambíguo e complicado. O passar por uma crise existencial, o que não é estranho num filósofo e erudito Manoel Ferreira Neto. Pois de tanta sabedoria tudo coloca em causa... Como refere no início do seu texto… Em realidade, ninharia habita, habita o ser-da-existência, cursa a planície de trilhos tortuosos de sinuosidades e caracóis, ou querendo apaixonadamente a elocução do ser-amor, ora contestando todas as sensibilidades e emoções, ou enjeitando todas as númenes do estético e da realidade, ora arrastando-se nas valetas sebentas do dia-a-dia das condições e eventualidades, ora sensivelmente esmolando nos quiosques de todas as ermas, tascas, entradas de habitações, basílicas, bares, vendas.
Com insignificância residir…. Concebe parte da vida… pode é não habitar na totalidade...mas habita
E o isolamento suplica permissão, sinais rotulados, pois que caminha muito mais de si próprio o que se aponta, e, se suplica permissão, é que ali não encontra-se. As obscuridades se apartam à gálica, vão escoltar outros que delas encontram-se carecendo.


No seu caso, é algo que lhe verbaliza no seu intimo e que o fere de alguma forma, seja uma realidade ou não… algo que o concebe cogitar… uma alma que não pára de o fazer.
Esse é um instante relevante para si… um instante de reexame de si próprio!
Actualmente atravessa por um instante assim e afirma que perto abateu-se na cilada… podia desmoronar-se…. o transacto apoquentou-o.
Muitas ocasiões na existência, adquirirmos resoluções que diferentes seres não estimarão, proferiremos realidades que as criaturas não estimarão de escutar, seremos o que as criaturas não aguardam que sejamos, enfim…desiludiremos!
Até aí tudo bem, porque não se está neste mundo para deliciar todo planeta!
O risco acha-se no fato de que as criaturas avaliam somente por uma acontecimento separado, por aquilo que você causou e não encontrava-se de pacto com as esperanças delas, e tudo, absolutamente tudo o que você edificou a respeito de si próprio…suas qualidades, suas marcas, seu lado benéfico são sacudidos no cisco!
Ditosos aqueles que entendem isso a tempo de não admitirem isso como realidade, e se grudam rigorosamente ao seu superior para perfilhar em vanguarda. Conhecemos o que somos mas não o podemos conseguir saber o que viremos a ser…
O acometimento ou seja a crise transita, porque compreende que ser como é, não o concebe inferior, nem superior do que ninguém. Concebe-lhe somente confiar que sempre vai conceber o que ele topar real e cada um elege um lado!
Não possui dificuldade, se não elegerem o seu


Na escuridade das suas ladeiras,
E nesse tempo por ele já sentido,
Contempla lá aquém, o que remanesceu dos
seus desacertos nessas digressões...
Aflui a obscuridade de dubiedades que
Arruína o que ele já possuía amargado,
Vomitando corjas para os seus
Letargos de almas apregoadas!


A polpa áspera lhe pesa num gemido,
Que destas inocuidades a nutre,
arremessando-as nas reminiscências
De um demo..., sina que agora sou!


As claridades em si jamais alvorecem,
Não contempla as claridades dos seus indultos...
Remorso cicatriza-lhe essa mágoa,


Na energia da labareda que tanto demanda,
Pujante, vem sem começos a norma dos bem-quereres
Que nos momentos embacia
Sempre obstinado e audaz,


E esse ardor que o patrulha..., até contínuo,
Tem denominação, não era. Ao chamado constante...
É ela, meu benéfico espírito,
Que imprimo seu semblante!


Mas, ela se entrega sem possuir temor e crueldades;
Acarreta-lhe a comparência da existência, gracejando, tateando,
E assimilando as realidades,
abrangendo-se em anseios,
No assim, tudo querendo!


Vai distante como uma ave, adeja sem velocidade...
Triunfadora, neste testemunho
De cada escuridão tão pulcra!


Cada deleite em aljôfares, o seu espírito habita...
Ah, seu coração que adeja…ele está finalmente ver
A felicidade desabrochar com sua bela Graça….


A dita não é uma inexistência de enigmas;
mas a idoneidade de pelejar com eles….


E Manoel Ferreira Neto, embora com suas crises existenciais, que de vez em quando o cercam ou deixam desorientado….Mas, chegou ao seu juízo final… E mais crises terá….A vida é mesmo assim…


Quem foi que disse que a existência é só ornatos?
Quem foi que articulou que seria só dita?
Quem cedeu em você essa sensação de luminosidades imortais?
Quem foi que asseverou que bem-querer é só júbilo e concórdia?
Onde foi que você avistou uma via sem ascensões ou descensões?
A imensidão é concebida apenas de bonança?
As rosas não possuem mais aguilhões?
Será que os valentes volveram animais de consideração?


Ana Júlia Machado


#A FELICIDADE BROCHA#
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Não vivo a travessia de nonadas, não vivo o passar nas pontes partidas, não vivo o pisar nos mata-burros de estradas poeirentas e trincadas de raios numinosos do sol ardente, não vivo o alvorecer de veredas perpassando os uni-versos do não-ser... Em verdade, em verdade, nada vivo, vivencio o ser-da-vida, sendo-em-sendo-do-ser-da-vida sigo o campo de caminhos sinuosos de curvas e ziguezagues, ora amando apaixonadamente o verbo do ser-amor, ora negando todos os sentimentos e emoções, ora recusando todas as inspirações do belo e da verdade, ora rastejando nas sarjetas imundas do quotidiano das situações e circunstâncias, ora quase mendigando nas tabacarias de todas as solidões, tabernas, portas de casas, igrejas, botequins, mercearias.
Com ninharia habitar…. faz parte dela… pode é não viver na íntegra.
E a solidão pede licença, gestos etiquetados, pois que vai muito além de si mesma o que se mostra, e, se pede licença, é que ali não está. As sombras se retiram à francesa, vão acompanhar outros que delas estão necessitando.
Só em face desta alucinante di-vergência entre quem fui eu, como fui eu, é possível divisar os limites desde onde posso sonhar a construção do meu reino sobre a terra. E é porque é difícil estabelecer esta di-vergência, ter a aparição de mim a mim próprio, que os homens podem construir uma redenção com uma aparência de segurança que os ilude e os escarnece.
Nada vivo... Ah, quem dera vivesse, a vida se me contemplasse no espelho das imagens perpétuas!..., se me perscrutasse nas perspectivas do rosto ou da face. E nas perspectivas e ângulos re-versos às cavalitas das lusitanas jornadas por mares desconhecidos, inversas às carioquicéias do crepúsculo à beira-mar, respiro a serenidade do inferno nas lareiras chamejantes da perpétua morte ou da morte na perpetuidade da vida...
Apreciar de tudo na existência é benéfico? As realidades nefastas corrigem-nos a habitar? Os factos, benéficos, conserva-nos viventes?! Assim, as boas e más experiências são elementares na vida…nada é nada…
Face a estas paisagens irradiantes de luz, a estes cenários de puro resplendor de verde, em que, como um viajante da redenção e da ressurreição, caminho ao sol, às vezes à chuva, a vida das coisas nas suas mais humildes parcelas se me impõe, descubro as palpitações secretas da natureza nas amendoeiras em flor, nos campos de lírios, nos pomares, nas searas, nas aldeias de telhas castanhas que se apertam à volta da igreja, nas ruas trepidantes e coloridas ou no respirar lento. O que o outono me tem prometido é-me confirmado pelo Inverno e satisfaz o meu desejo; à minha volta tudo brilha e se tinge de muitas cores, transcende o meu delírio, alucina-me e me possui.
Verbaliza, que realidade, ninharia reside, adota uma posição valorizante, sintética, que não é unicamente inerte e emocionante, pois abarca igualmente um recado intelectivo activo. O ser-da-vida, sendo-em-sendo-do-ser-da-vida perfilha o chão de trilhos tortuosos de dobras , ou adorando enamoradamente a eloquência do ser-amor, ora contestando todas as sensibilidades e agitações, ou declinando todas as númenes do sublime e da realidade, ora arrastando-se nos escoadouros repugnantes do dia-a-dia das condições e conjunturas, ou sensivelmente esmolando nas tabacarias de todos os isolamentos.
Muitas flores são recolhidas prematuramente. Algumas, mesmo ainda sem rebento. Há sêmenes que jamais desabrocharam e há aquelas flores que habitam a existência completa, até que pétala por pétala, pacíficas, experientes, restituem-se ao vendaval. Mas o ser não sabe acertar por quanto tempo residirá ornamentando de arrebiques e contornos esse Paraíso e sequer aquelas que foram cultivadas ao nosso redor.
Sou um homem tão estranho que a felicidade no de-curso, per-curso, trans-curso do tempo acaba por me nausear, angustiar, sentir-me entediado, mergulhado e refestelado no abismo.


A felicidade brocha.


(**RIO DE JANEIRO**, 29 DE MAIO DE 2017)


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