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quarta-feira, 24 de maio de 2017

#RESPOSTA AO CRÍTICO-LITERÁRIO Paulo Ursine Krettli# - CRÍTICO-LITERÁRIO: Manoel Ferreira Neto


Consta-me o vosso interesse específico e sine qua non, excelentíssimo crítico literário Paulo Ursine Krettli, é a de-monstração do Barroco Moderno na minha obra, ser ela "barroca moderna". No que concerne à de-monstração, que nos termos significa "pres-ent-ificar" as características nela existentes que fundamentem a ideia levantada, os pro-jectos a serem atingidos, vós haveis de concordar que as questões filosóficas vinculadas à obra, em todos os níveis, não apenas do eu/personagem, devem estar presentes. Cientifico-vos de que a minha obra na sua ampl-itude é literária-filosófica, filosófica-literária, e des-considerar a filosofia vinculada a ela nada mais é que adulterá-la, re-duzi-la, não atingindo o seu "eidos", a sua "eidética".
Se vós ob-servardes e con-templardes com percuciência, ensaios, monografias, dissertações, teses, seja em que nível for, literário, poético, sociológico, etc., a pedra de toque é a Filosofia, e isto por duas razões singulares e peculiares, nada existe sem a filosofia, nenhuma ciência, nenhuma arte, ela é o "movimento" de tudo, e em segunda instância, a Filosofia numa crítica literária é a pedra angular que vai abrindo as perspectivas para o aprofundamento, para o mergulho na obra.
Se vós des-considerardes estas questões na vossa crítica literária de minha obra, não sereis capaz de adentrar-vos nela e demonstrardes o Barroco Moderno presente nela, nem mesmo qualquer outro nível de idéia levantada para a definir e conceituar. Compreendi e entendi que as vossas críticas até o instante presente se fundamentaram na História da Literatura, inclusive havendo uma que muito me admirou: vós colocastes um "artigo" do Google sobre o Barroco, não havendo qualquer modificação de sua escritura. Desconfiei dela e fui ao Google pesquisar, encontrei-a nos seus termos ipsis litteris e ipsis verbis. Endosso o fato de que a História da Literatura deva estar presente nesta vossa de-monstração, de início, mas a permanência dela prejudica in totum a amplitude dela. As idéias filosóficas nela presentes é condição sine qua non para o seu entendimento e compreensão.
Um exemplo simples para adornar, ornamentar. Nos nossos estudos universitários da obra de Franz Kafka, aqueles ensandecidos professores viam a obra somente sob o prisma da Psicanálise, e muitos uni-versos da obra sendo desconhecidos, capengavam, coxeavam a obra kafkiana com suas neuroses psicanalíticas, como aliás era práxis de muitos críticos literários. Hoje, felizmente, os críticos, mestres, doutores, ensaístas deixaram a visão psicanalítica da obra kafkiana e mergulharam noutros uni-versos, trazendo todo o universo da obra à superfície. O mesmo fizeram com o filósofo Nietzsche, centralizaram-se no "ateísmo" nietzschiano e adulteraram a obra.
A ampl-itude da obra é o interesse do Crítico Literário. Levaram-me oito consecutivos anos para escrever a minha Tese O ESPÍRITO SUBTERRÂNEO sobre a obra completa de Dostoiévski, e nela estão presentes a Teologia, a Sociologia, a Filosofia, a Psicologia, a Psicanálise, porque na obra estão presentes. Hoje estou pensando revisitá-la, pois que outros estudos foram realizados desde 2007, quando a terminei.
Sou o autor da obra, portanto tenho o direito inalienável de defendê-la de reduções críticas, de adulterações de seu uni-verso. E o que mais me preocupa: o leitor tem o direito de compreender e entender a obra. O escritor não é escritor porque escreve, mas porque é lido, então sou eminentemente responsável com ele. Não ataco vós o crítico, defendo a minha obra. Que isto fique ipsis litteris e ipsis verbis dito com todas as letras para que não hajam dúvidas.
Os meus cumprimentos e respeito.


Manoel Ferreira Neto.
(**RIO DE JANEIRO**, 24 DE MAIO DE 2017)


Ao crítico literário os pormenores do texto produzido e não a íntegra da conceituação histórica da literatura para a cristalização ou gênesis da arte, tão pouco questões filosóficas vinculadas ao “eu”, quando o caso não requerer. Ao comentar, mencionar, abrir o leque para o entendimento do eu/personagem em alguma obra literária, o crítico literário não especula evidências literárias e filosóficas do autor e sua própria vida, o que seria possível somente com estudos e pesquisas – confrontando, dissecando, alavancando algo novo etc - de tudo que ele produziu e viveu. Manoel Ferreira Neto, no texto em questão diz “(...) serem verbos para ninguém e serem verbos para todos -, não digo de aceitar e endossar minhas palavras, mas saber que são as minhas verdades únicas, diria simplesmente que o melhor para mim teria sido não haver nascido, não ser, ser nada (...)” ou “(...) Desejaria ser mais um espírito livre do que posso ser. Seria isto uma quimera, e nos instantes em que penso e sinto esta liberdade de espírito a que tanto aspiro eu não ser possível, agarro-me a ela, fantasiando-a, dando-a contornos de realidade e de uma verdade minha?(...)”, o que fica claro que não se pode não se acreditar nem creditar-se apenas nas estruturas e nos conceitos literários e filosóficos para fazê-los verdades a outros o que se nega a si mesmo ou se busca nalguma liberdade de espírito para fantasiar uma realidade e uma verdade, a sua. Creio, que ao texto, o crítico literário não infringiu estruturas ou conceitos literários ou filosóficos, justamente por não conhecer e os sabê-lo todos, em especial os da filosofia, diga-se, de passagem, difícil, questionadora, inacabável!


Paulo Ursine Krettli


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