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quinta-feira, 18 de maio de 2017

**O PASTOR SEGUE CON-DUZINDO AS OVELHAS** - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto:


"Quero, terei - Se não aqui,
Noutro lugar que ainda não sei.
Nada perdi. Tudo serei."
Fernando Pessoa


Efêmeros raios de sol numinosos, brilhos de presente "Ser", luminâncias de pretéritos do “Tempo”, amorâncias de gerúndios nos "Ventos", sibilos do tempo ritmando o ser, soul de melancolias, nostalgias, saudades, jazz de tristezas, solidões, murmúrios de sofrimentos e dores, folks de desejâncias e querências, pular, dançar, etc., classicismo de beleza, belo, estesia, barroco de náuseas e a estética das dúvidas e inseguranças, neoclassicismo de ovelhas no campo, o senhor de cajado na mão, conduzindo-as, uma das ovelhas se foi pelas sendas e trilhas do campo, solitária, deslizando suaves no crepúsculo de melancolias, luminosas esperanças de fin-itude outra, perpassando o tempo de in-finitos desejos do Verbo "Ser" tecendo ilusões em cujos idílios nonadas re-fazem travessias, em cujas elegias pontes partidas re-criam espaços, comungam mistérios e magias em laços de amor pelo que há-de vir de alegrias, dores, pelos projetos por virem no tempo, pelas utopias por se a-nunciarem no vôo da águia, no trotear do alazão, de outros caminhos e sendas em direção à plen-itude do in-finito, aos caminhos-da-roça da montanha coberta de neblina, em cuja essência habita o uni-verso, em cujo cerne habita o além, trans-literalizado do sono profundo que sonha a verdade, re-nascendo de estrofes o ritmo do silêncio - as letras não se calam sem o homem, o homem sim se cala sem as letras: "Sou alegre... Sou poeta... Sou escritor..." - que re-vela a luz a iluminar o entre-árvores do silvestre da floresta aberta às estrelas a guiarem o caminheiro do verbo "brilhar", a orientarem o sendeiro da luz “resplandecente”, outras gêneses, princípios outros da alma que con-templa o espírito da vida.. é coisa divina das terras de bem-virá à luz da solidão, levando alegria onde há paixão, ao espírito do silêncio, luminando felicidades onde há amor, suprassumem vozes que murmuram ao peito o cântico de pássaros na aurora de novo dia saudando a natureza, jubilando a glória ipsis litteris do amor ao Ser-{da}-Vida, ipsis verbis da vida ao Ser-{do}-Amor de poetas na poiésis do verbo declamando a fé.
Na esperança do amor se tornar a felicidade, da amizade ser o segredo de ser-[de]-outro-eu, de boêmios na des-lucidez da alma e dos sensos, noções, dedilhando nas cordas dos amores não correspondidos, dos fracassos dos sonhos não realizados, das quimeras molhadas no travesseiro dos medos, de escritores na estética da utopia sertaneja versificam palavras-esperança-e-fé, a consciência-ética do Ser-Verbo-de-Esperança.
Só o Amor é a Esperança da Vida.
Só a Fé é o Sonho da Eternidade.
Só a Amizade é a Iluminação da Verdade.
Só as Iríadas, as Éresis são a perfeição perfeita.
Só o desejo da verdade inspira o Ser.
Só as letras da alma, palavras do sonho revelam o escritor. Quem é da plebe, sua memória recua até o avô - com o avô, porém, o tempo acaba.
Oh, melancolia!... Dos sítios distantes ou longínquos que não foram bastante con-templados às primeiras luzes do dia, raios do sol, trinados de pássaros, amados na hora passageira, como amaria eu de lhes dar à distância o toque esquecido, o gesto negligenciado, a ação suplementar. Invento-os eu, minhas mãos desenham um semi-arco-íris, um barco à luz do céu por sobre as florestas, um nublado que se esvaece e que des-aparece como num fogo de imagens, chamas crepitando lenhas de perspectivas.
Haverá sempre uma resposta. Haverá sempre luz para iluminar as estradas. A ovelha segue solitária, tranquila, serena. O pastor segue con-duzindo o seu rebanho, rebanho perdido, confuso, alienado, não reconhecendo nem o caminho onde pisa.


(**RIO DE JANEIRO**, 18 DE MAIO DE 2017)


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