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sexta-feira, 12 de maio de 2017

#CRÍTICO LITERÁRIO E ESCRITOR Paulo Ursine Krettli COMENTA O AFORISMO /**ASSIM FALAVA O GURU FESMONE**/#


Característica concisa e horizontal do Barroco Moderno, o sofrimento fomenta a caminhada do homem. Há razão e razões para esse trâmite existencial. O sofrer ou sentir-se sofrer, mesmo cercado pessoas, conversando e debatendo com elas, e por propulsivos meios que ensejam comunicação verbal, visual, circunstancial.
Esse sofrer vem desde lá da concepção, talvez antes, ou depois dela: o infortúnio dos antepassados causado pelas alcunhas do mundo imperfeito, angustiado, amargo; ou nalguma patologia física/psicológica ou nalguma perda incomensurável.
Nesse desastre peremptório de não se achar ou achar o mundo imperfeito, angustiado e amargo na face da sensibilidade e da esperança, caminha-se na busca ofuscante do absoluto. Do absoluto divino, do absoluto material, do absoluto humano.
Aqui, de novo (como sempre fora desde o princípio), o confronto. E esse confronto é mais susceptível a quem, por alguma razão hereditária, patológica ou perda incomensurável, se fecha, se solidariza com sua solidão e sofre o sofrer maior que ele, sofre o tormento de se sentir aflito; e contém-se.
E, para não se conter presumidamente de sua busca e esperança, para não esmorecer de sua autoestima, para não reprimir a existência integralmente, o homem continua o embate e o crivo que lhe são peculiares: desvendar mistérios, viver a particularidade dos mistérios de algum modo. Esses mistérios estão na liturgia dos deuses, dos pagãos, dos sábios, das Escrituras, assim como na liturgia de todas nossas imperfeições, sátiras, sofrimentos, holocaustos.


Paulo Ursine Krettli


**ASSIM FALAVA O GURU FESMONE**
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Há escritores sem saber e escritores sem querer - as letras autênticas são cada vez mais agulhas no palheiro, especialmente os escritores autênticos.
Há quem re-vire a ampulheta sempre que a areia termina, há quem não a re-vire, tornando-a apenas um ornamento, arrebique sobre o móvel da sala de visita, sobre a escrivaninha no escritório. Qual deles acredita solenemente que a areia é símbolo da vida passando no gargalo do tempo?
Há toques e gestos que alimentam o amor, fá-lo florescer, fá-lo crescer, e crescer, e crescer, transbordar-se de felicidade e alegrias. Há palavras que a cada sílaba pronunciada fazem o amor tornar-se mais grande, mais grande, mais grande, semelhante aos eucaliptos no coração do sertão, sentindo ele que ultrapassará o eito celestial, que se refestelará na sombra da eternidade na hora bem-aventurada do entardecer, e na aurora criará novas conquistas a serem real-izadas.
Há momentos que se efemerizam de imediato, não deixando quaisquer vestígios de sua presença. Há outros que são assimilados pela memória, e nada há que os en-vele ou dissipe-os, são estes que alimentam a alma no prosseguimento de sua jornada na vida.
Há virtudes que tornam o homem modesto e manso como uma ovelha; com isto transformam a água em vinho delicioso. Há valores que transformam o homem no melhor animal doméstico do homem.
Há princípios que dignificam, elevam, engrandecem a liberdade e a consciência de o destino ser criação e re-criação; há princípios que alienam, destroem, a liberdade torna-se escravidão e a consciência torna-se in-consciência.
Há veredas, apesar de todas as suas sinuosidades, que levam à colina de onde se pode con-templar o panorama do vale, comer com os olhos a sua beleza e esplendor. Há veredas, apesar de não haver qualquer sinuosidade, que levam ao abismo e a sua profundidade é o destino irreversível.
Há a aurora que inicializa o dia a ser vivido com as suas con-tingências e sonhos; há o anoitecer que desperta a vontade de outro alvorecer. Há o tempo que acorda para a responsabilidade com a vida, a liberdade com os desejos e vontades do "Ser"


(**RIO DE JANEIRO**, 08 DE MAIO DE 2017)


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