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terça-feira, 16 de maio de 2017


Posso amá-las íntimo, profundo, senti-las no verbo de meu ser, na metafísica de meus projectos, na semântica de utopias e fantasias, na linguística de esperanças e medos.
Amo-as solene, incondicional, ouço-lhes as vozes a sussurrarem entrega, a algazarrem o aconchego, a murmurarem o afago.
Lâminas de luzes e águas a desenharem no in-fin-itivo da alma a felicidade, as alegrias, desejos e sonhos da plen-itude, da eter-itude que caricatura as fumaças e neves do tempo.
Vozes de silêncio a cochicharem-me a sabedoria do tempo e do vento.
Rouxinóis de símbolos eternos trinam o prazer e o gozo da verdade além con-tingências, além buscas e volos do eterno divino. Saboreio-as em mim dentro, sabor de maçã, sabor de uva, maracujá que serena as tensões do saber o que liberta e sensibilidade, o que escraviza e insensibiliza, o que aliena e bestifica.
Simplesmente nos teus olhos por instantes mergulhei. Intima, profunda a visão da plen-itude na íris de suas verdades, por vezes in-verdades ornamentadas de estéticas, de beleza, que é mister arrebicar de sonhos e fantasias, de outras formas e metáforas.
Música cessa, as luzes se apagam, lá fora densa cortina de orvalho.
Há tantos grandes pensamentos, ideias, ideais que não obram mais do que um fole: produzem vento e tornam mais vazio. E o grande segredo, sigilo são a inusitada diferença que enviesa as ipseidades e facticidades, tornando-as outros objetos de con-templ-oração, con-templ-ação.
Habituar-me a determinadas realidades, não exequíveis a sojornar sob inalterável insensibilidade. Não amargar na polpa o tormento dos factos, a gustação doce-amargo da inspiração, das realidades. Factos desmesurados. Pretendo a claridade, a chama
e sua abrupta ablepsia. Que persista um instante, ou a existência integra. Sem me economizar de mim próprio. Sem me aclimatar com a usança. Sem me temporalizar com as pujanças das con-tingências. Sem que a fogosidade seja trivial, impudica, desejada. Arrogada ou mascarada, débil, ilimitada. Elejo a mágoa da alvura na tina. Decido eleger a pigmentação veemente sem agonia. Nente de hinos furtivos, de des-piedade. A mágoa re-signada do retiro. Que todos vislumbrem que elejo a luminosidade, quer seja a do lince ou a minha que por momentos apenas remanesce-me eleger. Entre a obscuridade e as trevas. Que me abriga, de mim inerente e dos distintos, ausente. Que me estrangula, constringe, alicia. No espaço pardacento, o qual incumbo, exalo ao meio vítreo, cintilante. Esfarrapado de quebranto. Amontoando os fragmentos, ainda intactos, uma realidade somente. Perambulo de indizíveis resplendores, que a lua ocorre aclarar.
Criatura ou facto. Ainda não assimilo.
Plen-itude de um novo re-nascer, re-fazer horizontes e uni-versos, re-construir perspectivas e ângulos até que sinta paixão e ciúmes da etern-itude das palavras, elas que são o maior poder da vida, de todas as suas dimensões.
Luzes testemunham o alvorecer, felizes num quase adormecer.
Enlaçamos nossos espíritos, tornamo-nos letras de amor.
Somos verso-uno, somos sons, ritmos, melodias de silêncio e amor.


(**RIO DE JANEIRO**, 16 DE MAIO DE 2017)


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