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sexta-feira, 12 de maio de 2017

#LITERATURA E Ana Júlia Machado, VERSO-UNO DA EXISTÊNCIA# - Manoel Ferreira Neto



POST-SCRIPTUM: Eis aqui a CRÍTICA LITERÁRIA da Antologia Poética de Ana Júlia Machado, "O EU POÉTICO". Muchas gracias, minha querida amiga, por figurar no seu livro, mais uma vez estar aí nas terras lusitanas como crítico literário, dois Prefácios de Maria Isabel Cunha, agora esta crítica. Muitas felicidades e alegrias.

A Literatura na Con-temporaneidade per-vaga por terrenos baldios procurando um re-canto onde sitiar-se, mas não encontra as condições onde possa crescer, des-envolver-se, evolver-se. Per-vaga, per-vaga, per-vaga.
Seu per-vagar seria um devaneio eterno, se nas sendas e veredas não encontrasse a escritora e poetisa Ana Júlia Machado quem lhe, no instante do encontro, não a olhasse de soslaio, aquele olhar de quem sentia profundo a sua solidão, tristeza, desconsolo, aceitando fazer-lhe companhia nas suas andanças, uma amiga solidária, mas sem se lhe entregar, sem lhe dar a mão para a jornada juntos. Mas algo é in-estimável: quem anda nos sapatos da Literatura não tem escolha, alternativa senão re-colhê-la, a-colhê-la, entregar-se-lhe de corpo e alma. Se antes o olhar de soslaio para a solidão e tristeza da Literatura significava não acreditar trazer em si dons e talentos, insegurança, quiçá medo de uma jornada eterna, a Literatura des-fez-lhe o olhar, mostrou-lhe além de dons e talentos que Ana Júlia Machado possuía, mostrou-lhe a ec-sistencialidade de suas buscas, desejos, sonhos, esperanças. Em princípio, a alegria da escritora parecia breve, um vislumbramento, alfim uma das dimensões da Literatura é a sedução, sabe seduzir com perfeição, mas ao longo do tempo o que parecia breve, momentâneo re-velou-se eterno, e Ana Júlia Machado tomou da pena, colocou as palavras na mochila, dizendo: "Eis-me aqui, Literatura... Sigamos nossos caminhos juntas".
O que esta fábula tem a dizer: não é o homem quem escolhe a Literatura como seu objeto, utensílio para a vida, é a Literatura que escolhe o homem para a realização dos anseios e esperanças da Humanidade, para o fazimento, feitura do Ser que se faz continuamente na continuidade do tempo.
E por que a Literatura escolheu sua companheira de jornada, a amiga inseparável que lhe devolveu o sorriso na face, a fé de que não pervagaria mais pelos terrenos baldios do mundo? Porque Ana Júlia Machado não dá voltas no "Cogito" das experiências adquiridas, das vivências, sim mergulha nos abismos dos sofrimentos e dores da alma humana, nos subterrâneos do espírito da vontade de liberdade, de conhecimento, de consciência. Traz dos interstícios da alma a realidade humana que não pode desgarrar-se do mundo, ela é a pedra de toque dos desejos, vontades do Ser; traz das profundezas dos subterrâneos do espírito a consciência-{de}-mundo, a visão-{de}-mundo, que são a luz do Ser.
São caminhos de questionamentos, indagações, perguntas abissais, abismáticas sobre o que é isto - a ec-sistência?, sobre o que é isto - o Ser?, sobre o que é isto - as intempéries do estar-no-mundo?
Mas a escritora e poetisa Ana Júlia Machado, consciente de que a sua companheira de jornada não dá res-postas, sim coloca em suas mãos mais e mais questionamentos, entrega-se mais e mais às buscas do Ser, sabendo que a Eternidade é justamente o Sonho do Verbo Amar, e ela revela nas suas Letras o que é isto - amar a Humanidade.
Literatura e Ana Júlia Machado fizeram-se Verso-Uno da Ec-sistência, da Vida.

Manoel Ferreira Neto
(**RIO DE JANEIRO**, 20 de abril de 2017)


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