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sexta-feira, 12 de maio de 2017

#COMENTÁRIO DA ESCRITORA POETISA Sonia Gonçalves SOBRE O AFORISMO /**O SORRISO NÃO DESAPARECE DE TODO**/#


Bom dia Manu" Que maravilha de texto meu querido, a essa hora da manhã, ter o privilégio de viajar além das fronteiras da mente poética é sem dúvida um privilégio para os que amam a poesia, as fábulas e o mundo da utopia desejada e sonhada. Parabéns! Viajei legal pelo seu texto, pelo seu estado de poesia teorético, mais que poético seu texto que reverencia, o clima, a neblina, a chuva, enfim, seus devaneios tão inerentes ao poeta. Gracias pelo lindo texto Manu. Destaco um trecho que amei sobre o tempo...Bjos lindo dia, ótimo final de semana.

"Tenho-me esquecido do tempo, em verdade. Vivo um tempo que não sei de-correr, um espaço para que não há pensar, não há imaginar, não há sentir, não há desejo e nem vontade, um de-correr fora do tempo, uma extensão que desconhece as emoções e sentimentos, conhece o saber como é suave saber que a espiritualidade, o conhecimento, a contemplação, na clepsidra deste imenso desejo, sonho, vontade do sublime, entregar a vida a esta busca, esperançoso de vir a sentir o gosto do sublime, gotas regulares de esperança, de fé, marcam horas irreais, marcam dias quiméricos, marcam tempos fantasiosos."

Sonia Gonçalves
#O SORRISO NÃO DESAPARECE DE TODO#
PINTURA: GRAÇA FONTIS
AFORISMO: Manoel Ferreira Neto

Na neblina da montanha, chovera por quase três dias seguidos, chuvinha fina, pela manhã de hoje estava toda encoberta, já vislumbro e vejo as musas passarem dançando, os querubins performando os gestos e passos sonorizados, e, em que depois, descansando quieto no equilíbrio da alma matinal de por baixo de alguma árvore, encostado ao seu tronco, dessas copas e ramagens me sejam lançadas coisas novas, inusitadas, excêntricas e claras, dádivas de espíritos livres que moram na montanha, no bosque e na solidão...
São horas de cinza de espírito, são cinzas de um tempo indescritível, inenarrável, não tenho a ousadia, não sou aventureiro, pudera sê-lo, não me pergunto para que é isto que não é para coisa alguma, para nada, estaria apenas tentando preencher o vazio das horas com algo sem sentido, não há resposta, nem posso entender que, não tendo resposta, como uma pergunta fora criada, fora feita.
Hesito, agora, em continuar a ideia que se me revelou na mente. Não há muito que, encostando-me ao parapeito da janela, após a estiada da chuva, olhando à distância a neblina, e agora, tudo se me afigura um sonho. O coração bate descompassado, não estou nem um pouco consciente da emoção que se me revelou a ponto de o coração bater descompassado; para isto, para o fazer bater descompassadamente, há-de ser algo emocionante, inusitado. Em princípio, ouço com um sorriso calmo e paciente, que raras vezes me abandona; mas, pouco a pouco, uma expressão de espanto e, em seguida, de medo transparecem e se fixa no meu olhar.
Tenho-me esquecido do tempo, em verdade. Vivo um tempo que não sei de-correr, um espaço para que não há pensar, não há imaginar, não há sentir, não há desejo e nem vontade, um de-correr fora do tempo, uma extensão que desconhece as emoções e sentimentos, conhece o saber como é suave saber que a espiritualidade, o conhecimento, a contemplação, na clepsidra deste imenso desejo, sonho, vontade do sublime, entregar a vida a esta busca, esperançoso de vir a sentir o gosto do sublime, gotas regulares de esperança, de fé, marcam horas irreais, marcam dias quiméricos, marcam tempos fantasiosos.
Lá fora, a noite tão longínqua! Sonho e de por trás da minha atenção sonha comigo alguém... E eu, que pela manhã da distância, da lonjura que vai o dia quase a esqueço, é ao lembrar-me dela que sinto em mim desejos os mais excêntricos, os mais inusitados de, num re-canto afastado da sabedoria o ritmo íntimo das vozes que ouço a dizer-me próximo à alma do alto silêncio, mostre se a vaga à pressa resvala como um cúmplice fugaz, perante a noite confusa; se a poesia íntima dos versos da canção embala o que está perdido e as sendas que servirão de trilha para o encontro revelam a saudade que o sudário esconde; sinto em mim o espanto que as horas de desassossego, para além da linha externa das montanhas, são hábitos de estilo, costume de formas, e para além dessa não há nada...
Os olhos não são escuros, mas claros, e é apenas a sombra das longas pestanas que os escurece. Penso poderia estar alhures. De mim já se afastou a última esperança. Acaso a natureza ou nobre alma agora um bálsamo não têm, que me traga bonança? Por vezes, não sinto limites no corpo. Con-templo ora o sorriso cínico e irônico, revelando rebeldia e meditação acerca de o cristianismo con-templar a morte e não a vida, dizendo-me da melancolia e nostalgia. Ponho em nível de suas sensações as extremidades algo longínquas das mais nobres emoções. Imagino estar algures.
O sorriso não desaparece de todo; mas, por momentos, parece vacilar.

(**RIO DE JANEIRO**,12 DE MAIO DE 2017)🌄


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