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segunda-feira, 29 de maio de 2017

#LATE-SE COMO SE MORRE, TUDO É OFICIO DE CÃES# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Lembraram-me as gargalhadas por dois ou três dias, quase que contínuas, não necessito de exagero nem de situação vivida, nem de recurso de estilo, nem de tripúdio, aquando lera em Memorial de Aires, Machado de Assis: “Meu amigo, não lhe importe saber o motivo que me inspira este discurso; late-se como se morre, tudo é ofício de cães, e o cão do casal Aguiar latia também outrora; agora esquece, que é ofício de defunto”. E muitas vezes, diante de alguns acontecimentos, situações, circunstâncias, digo o mesmo “late-se como se morre, tudo é ofício de cães”.
Eis o corvo, o nunca mais, chegado tardio a um mundo velho. Creio que tentarei reunir as duas imagens, a de “late-se como se morde, tudo é ofício de cães", "a perfídia da serpente e da desobediência do homem, tudo são seduções, bolinações...", dizendo que agora estou completamente só diante dos sonhos e desejos, o de que mais careço é de uma canção lírica, a canção que o silêncio entoa para mim, revelado em meu íntimo. Enfim, a desobediência da serpente é morder o fruto de seu prazer, a perfídia dos cães é engolir os ossos.


(**RIO DE JANEIRO*, 29 DE MAIO DE 2017)


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