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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Ana Júlia Machado ESCRITORA E POETISA ANALISA E INTERPRETA O AFORISMO /**ALÉM-MUNDO DO TEMPO ULTRA CASUALIDADES**/


Se no meio de gravidade da existência é notado, não nela própria, mas no “além” — no nada —, então se extraiu da existência o seu meio de gravidade. A enorme falsidade da perenidade individual aniquila toda a causa, toda intuição natural — tudo que existe nas inspirações que faça-se salutar, reanimador, que certifique o porvir, hoje é razão de suspeição. Habitar de modo que a existência não possua vivido, presentemente esse é o “sentido” da existência… Para quê a consciência pública? Para que se envaidecer pela proveniência e antecessores? Para que coadjuvar, crer, apoquentar-se com o conforto ecuménico e servir a ele. Outras tantas instigações, outros tantos atalhos do benéfico trilho. — “Meramente uma realidade é essencial”… Que todo homem, por haver um espírito imperecível, possua tanta importância quanto algum distinto homem; que na universalidade dos seres a redenção de todo sujeito um consiga entrosar uma gravidade eterna; que hipócritas banais e dementes possam arquitectar que os preceitos da natureza são incessantemente infringidos sem sua protecção — não existe como expor desdém razoável por crassidade fortalecimento de toda índole de egocentrismos ad aeternum, até à arrogância. E, porém, a cristandade incumbe os seus louros rigorosamente a essa execrável subserviência de presunção individual — foi assim que aliciou ao seu lado todos os desditosos, os insaciados, os derrotados, todo a escória e golfada da humanidade. A redenção do espírito — em outros verbos: o mundo ronda ao meu contorno… O tóxico credo dos direitos afins para todos foi ateado como um princípio cristão, a partir dos esconsos mais ocultos dos ruins instintos a cristandade peou uma peleja de fenecimento contra todas as sensibilidades de veneração e intervalo entre os homens, ou seja, obstáculo à primeira exigência prévia e indispensável de todo progresso, de todo aperfeiçoamento da cultura — do ressaibo do povo engendrou seu primordial meio contra nós, contra tudo que é bem-nascido, divertido, generoso sobre a terra, óbice à nossa dita na Terra… Anuir a perenidade a qualquer ser foi a superior e mais libertina ignomínia à gente bem-nascida já realizada. Hoje ninguém mais tem audácia para os apanágios, para o dever de avassalar, para as sensibilidades de estima por si e seus iguais — para o tipo de experiência humana ou sua representação em arte, que invoca piedade, comiseração ou uma simpatia bondosa no assistente ou ledor, da separação… Os sentimentos nobres foram soterrados e consumidos pela embustice da equidade dos espíritos; e se a convicção nas prerrogativas da maioria concebe e permanecerá a causar náuseas — é a cristandade, não suspeitemos disso, são os valores convenientes que transformam toda a revolta em um folguedo de seiva e flagício! A cristandade é uma insurreição de todas as criaturas répteis em contrariedade a tudo que é sublime-
Ora bem, este texto, de Manoel Ferreira Neto Ferreira Neto levou-me a divagar, como sempre não sei se certo ou errado, mas penso que tudo que verbalizo, está com certeza no texto do escritor Manoel Ferreira Neto mas por outra via…mas, penso que uma delas é esta… em que o Cristianismo minou o ser... o pecado… a imortalidade… enfim, muito mais,. É lógico que é baseado nos grandes seres como: Lutero, Nietzsche e Charles Darwin, que sempre foram muito críticos a este tipo de fé que impingiram ao ser e que logicamente a muitos não deixou evoluir…porque colocaram umas palas nos olhos e não quiseram ver mais nada a não ser o “nada”.


Ana Júlia Machado.


En passant, caríssima escritora e poetisa, Ana Júlia Machado, o seu comentário crítico é percuciente ao meu Aforismo. O texto foi inspirado sim em Lutero, Nietzsche e Charles Darwin no concernente à fé. Não há qualquer devaneio, divagação. A compreensão e entendimento, análise e interpretação dele exige muita sensibilidade, conhecimento da Filosofia, da Arte, pois que o inter-dito é pura crítica, o dito é pura oratória. É preciso mergulhar fundo na linguística, semântica, sobretudo na Filologia - aliás, a raiz do Aforismo é a Filologia, aliás Nietzsche era Filólogo - para trazer à superfície a intenção dele. Sua análise é in totum verdadeira; é esclarecedora da tese "A Hipocrisia da Cristandade" que teço.
Abraços!


#ALÉM-MUNDO DO TEMPO ULTRA CASUALIDADES#
GRAÇA FONTIS: PINTURA
Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Fria é a lua, o vento silencia. Ardente é o sol. Profundo é o mundo, mais profundo do que pensa o alvorecer. Abissal é a terra, mais abissal do que pensa o crepúsculo. Incognoscível é o bosque, mais incognoscível do que a colina banhada de raios cintilantes das estrelas.
Equívocos pintando em filamentos de trama no reflexo de ocos e insignificâncias do tempo, na imago adornada detrás dos horizontes, de por trás das constelações, delírios de Capitólio. Sensibilidades que expiram o genesis do espírito, apocalipse da alma, confiança e quimera do ente, o constante da consciência afundar-se penetrante no transacto de isolamentos, melancolias, saudades, nos pretéritos de desolações, vazios, preâmbulos de fatuosidades. O imperecível de existência encarcerada na autoridade leviana de veras, ufanal, re-nome de ninharia. Capitólio in-verso na sinuada quina rude, genuíno pressentimento de solimão da ofídia, re-presentando o fenecimento absoluto, a morte divina.
Fantasmas do rigor, intelecção, conspecção, abismos, aterradores da in-existência de afectividade que declara o acontecer, re-folhamentos, entremezes, arremedos, logros, admirares videntes de altivezes, argúcias, manhas, subterfúgios, trambiques, tramóias, quimeras e inquirições, enodoando alentas e crença.
Ninharia estúpida, futilidade ridícula, terriço do óbito total, adulterando o primórdio, primevo, prólogo, cata do entendimento, afeição do espírito, ânsia do ser, a perpetuidade, além-mundo do tempo ultra casualidades.
Devoro a transparência. Cega carnação de corrente inércia. Repuxa-me a intensa rapidez do miserável destino, paupérrima saga. A perna surda beira os limites do mistério. Deserto assaz exaltado. A vontade des-locada. A admiração recomeça rios abandonados.
Aléias do peito interrompem cordas encarceradas. Concordâncias de sentidos. Regências de significados, significantes. Ouvidos perpassam sombras. Assombros engendram ecos. Deuses indignados percorrem aparências. Abandonado ao repouso da foice, adormeço serpentes, durmo sacis-pererês. Trago do abismo correntes atulhadas de mortos.
Carme de delírios, poesia de voltar a dimensionar, arte de retornar a re-dimensionar as aspirações do ser, a casualidade nas estâncias evidentes de habitar o imperecível registado nas cruzadas do ser à alma da consciência de adorar o sublime, venerar a pureza, reverenciar o belo, criar a felicidade com medo e náuseas.


(**RIO DE JANEIRO**, 13 DE MAIO DE 2017)


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