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sexta-feira, 28 de abril de 2017

#SURPRESAS QUE SURPREENDEM# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Amo as surpresas que me surpreendem, deixam-me suspenso entre o ser e o nada, entre os caminhos de luz nas trevas e os terrenos baldios na escuridão, levam-me a questionamentos profundos, levam-me a sentir os interstícios da alma con-templando o universo, o além.
Há tempos que nada me surpreende, tudo mais que quotidiano, trivial, atingindo o limite do tédio, alcançando a dimensão do vazio. Surpresa é o que não estava por acontecer, não esperava pela presença. Desejar algo, ser realizado, não é surpresa. Surpresa alguma.
Era seguir a estrada do quotidiano, do mesmo, con-viver com as coisas, aquilo sim de "Seja feita a vontade de Deus...", "Quem não tem cão caça com gato", em suma, "Antes pouco do que nada". Aquilo de estar mais que acomodado, solícito com as coisas do mundo.
De repente, não mais que de repente, se é que nisto se possa acreditar, tomando em consideração as coisas acontecem no seu devido tempo, a surpresa que, no ato de surpreender-me, não em termos de suspender-me, mas enfiar-me inteiro no íntimo para sentir a veracidade, investigar a profundidade. Tanto tempo sem surpresa, a imaginação, fantasia, sorrelfa, quimera criam senão para justificar as carências, para tripudiar com as esperanças.
Não sei como não me escafedi do mundo tal fora o mergulho, acho que fiquei na dúvida se fora do mundo as coisas seriam diferentes, era meu lugar de estar, a vida valendo a pena, até o corpo foi junto, nada de me surpreender, o corpo estava carente, inteligível, concebível, fosse eivar-se de algo que lhe preenchesse as necessidades, que lhe devolvesse as sensações perdidas e esquecidas.
E a surpresa se velou em palavras, ditas com tanta verdade, sinceridade, seriedade, com a alma, os interstícios dela, com o espírito e o ser, que acordou, despertou o que estava escrito teria de se pres-"ent"-ificar na minha vida, o para quê havia nascido, a água que me saciaria a sede, sedes outras nasceriam, mas seriam saciadas.
Até pensei com as casas de meus botões: "Desde não sei quando isto estava por acontecer, escrito na vida por se tornar real, e só agora é o momento" E quais foram as palavras que tocaram tão profundo, que fizeram tanto rebuliço no meu ser, retirando-lhe as contingências, trans-elevando-lhe às abism-itudes da vocação? Dizendo-as, são simples: "Gostava de uma vida sincera, relação verdadeira." Eu e meu ser sermos com tanto carinho e ternura recebidos, amor, na continuidade do tempo a felicidade sendo construída, o amor sendo pres-"ent"-ificado" nas situações e circunstâncias, por inter-médio das dialéticas e contradições, o que fora escrito desde a eternidade se tornando verdade. Tais palavras arrancaram-me de dentro a vida minha que tinha de ser. Sem metáforas, sem re-presentações, sem eidos poiéticos, sem a alma do espírito, sem o espírito da alma, a mim próprio no amor que me habita. Almas gêmeas se encontravam, enlaçavam-se, entrelaçavam as vidas à busca do absoluto contingente do ec-sistir. Senti. Entreguei-me por inteiro, corpo e alma juntos.
Mesmo que não nos conheçamos, a distância entre Minas Gerais e Rio de Janeiro seja enorme, vamos nos amar verdadeiramente, usufruir nossos desejos e esperanças, mas sempre o sonho do encontro real, nossas vidas juntas, vivermos em conchinha nossos sentimentos de amor, nossas vidas.


(**RIO DE JANEIRO**, 28 DE ABRIL DE 2017)


Um comentário:

  1. Grandes lições têm preenchido as sedentas profundezas do meu imo, grande Manoel Ferreira. Muito obrigado.

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