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domingo, 30 de abril de 2017

#HABITAR EM ERA DESACERTADA/CASA-DO-SER# - PINTURA: GRAÇA FONTIS/Ana Júlia Machado-POEMA/Manoel Ferreira Neto-AFORISMO


Habitar em era desacertada


Ser Vate ou outro tipo de arte é como habitar
em uma quadra desacertada,
Incessantemente em demanda de tamponar
o orifício oco da alma,
que chora muito ou ri demasiado.
É na harmonia onde abdicámos nosso bem-querer e aspereza.
É povoar sempre à aguarda de um local
que alvitra ser extasiado, impensável.
É aguardar que as veredas conduzam
a criatura que experiência
da mesma maneira o que vivenciámos
Só que não existe consonância e sim semelhanças.
Nesse caso os aljôfares deslizam por ser sensitivo à condição
de perceber que residimos solitários no planeta...
Por isso, quando a pluviosidade abate-se tocando na ventana.
Em meu intelecto cogito um local, uma palhoça,
ou um borralho e os tentáculos daquele
que não questione ninharia nesse instante,
tão-somente experimente que na existência encontra-se
muito mais do que o palpável e sim o sensível, incorpóreo...
Nesse caso apodera-se a nostalgia desse loco que sem elucidação, apenas o conhecimento que permanece...
E que diligenciamos infatigavelmente
e por não descobrir, lacrimejamos.
Mesmo encontrando-me rindo exteriormente ainda sim,
pelo âmago propaga o oco que não silencia, somente
agita-se com a agitação enérgica oscilando as folhagens ..
Constantemente importando aquela representação
que é conhecida e que entendo
que já assisti a isso em algum local distante daqui
em diferente existência em diferente época.
Em qualquer era do ano...
As claridades são eternamente afins...
A não ser quando redigimos, ai sim transbordamos o intelecto,
a sensibilidade e nos acarretamos para esse espaço
onde apelidamos do lar de nossa querença.


Ana Júlia Machado.😰


CASA-DO-SER


Somente habitando na casa-do-ser, dançando, re-presentando gestos e performances, con-sonantes à música do espírito de desejar, semelhantes à alma de sonhar, sei falar em imagens das coisas mais elevadas, querer dançar para além de todos os céus, como ainda não dancei nunca; e, assim, fica-me silenciada nos membros a minha mais elevada imagem, "que alvitra ser extasiada, impensável." Fica-me a mais elevada esperança.
"Em meu intelecto cogito um local...", uma casa-do-ser, pouco importando que a ondas de luz e do mar revolto, ao romperem-se, espumejem e, furiosas, se oponham à quilha. Inesgotável e geradora vontade de viver. Tudo o que inquietante há no vir-a-ser, inquietância que in-troniza as perspectivas do além na imagem do Ser, e tudo o que um dia fez tremer pintassilgos, cabeças-de-fogo, curiós, aves perdidas é ainda, em verdade, em verdade, mais familiar e tranquilizador "que a oscilação enérgica oscilando as folhagens". Para onde ainda deverei subir, agora, com o meu anseio, com as minhas expectativas? De todas as colinas, olho em redor à procura de pátrias. Errante sou eu em todas as cidades e um decampar de diante de todas as portas de cidades. Sou expulso de todas as terras pátrias e mátrias.
Todos falam de mim, borrifam ideias e ideais que em mim afloram e fluem, quando, à noite, estão sentados em torno do fogo, olhando, observando, perscrutando a luz da clareira; falam de mim, mas ninguém pensa - em mim!, "nesse caso apodera-se a nostalgia desse loco que sem elucidação, apenas o conhecimento que permanece...", isto se deve à minha doutrina da felicidade e da virtude que são eternamente afins.


Manoel Ferreira Neto


(**RIO DE JANEIRO**, 30 DE ABRIL DE 2017)


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