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terça-feira, 11 de abril de 2017

**DO LEITE AO ÁCIDO CRÍTICO** - PINTURA: Graça Fontis/SÁTIRA MENIPÉIA: Manoel Ferreira Neto


A ANTÔNIO CARLOS FERNANDES(Toninho Fernandes) In Memoriam: falecido aos 12 DE ABRIL DE 2010))


Se se torna pedante, ao longo da jornada, modo e estilo de tratamento mesmo, identificando falta de criatividade, cremos, com arte, poder reverter o processo - já quase está virando a curva, - dizendo-lhe noutros, pois, se intuídos e assimilados, nada resta senão gargalhar sem eiras e beiras. Poder-se-ia, ao invés de “ácido crítico, dizer “do leite ao caldo de pimenta”, a sutileza das considerações, da segunda pessoa do plural à terceira do singular, sem perder a poesia, sem perder a ardência. Correspondemos-nos já naquela. Sabe da “ardência” solene e radical, apesar das estratégias, a faca contornando as agulhas com destreza e perspicácia. Fora você quem primeiro identificou isto, dizendo não sermos nada flexíveis, mas a imagem mostra com evidência esta flexibilidade.
Sentimos... Talvez não disséssemos assim. Devêssemos dizer “pensamos”; aprendemos a considerar só medíocres vezes o sentimento se revela puro, mesclado de ingenuidade, inocência. Se possível a conciliação... - cremos ser adequada neste instante em que tentamos esfalfar as palavras até revelarem a beleza, destilar os verbos sulfúricos nos dogmas e preceitos, desabrochá-los à medida que se desenvolvem, andam-se e caminham-se, nascem-se e crescem-se com a realidade, enviando-lhe algumas “invertidas” sobre o que inda insistem em dizer andar mui bién, o espírito é respeitado, reconhecido, preservado. Se não “está sendo”, como é possível ser? Se o Ser se faz continuamente, a continuidade é também o Ser. É de duvidar da veracidade, não?
Você, sendo sobremodo inteligente - as criaturas de Deus são dotadas desta dimensão, - sabe ser mister o dicionário a fim de investigar as acepções; refletir e meditar sobre. Ademais, investigar acerca do reconhecimento - está aquém do que o dicionário ensina e o tempo realiza. Pode-se dizer em defesa: “não conhecendo, como se pode reconhecer?”
Bem, dizer não haver História é imbecilidade, pois a realidade e existência estão presentes, uma das mais ricas do país. As artes, então, são de beleza sem precedência e referência – “referência” aqui é só para enfatizar. Diz alguém das relações cordiais e íntimas: “O mínimo que se pode fazer, isto para quem pensa além do normal, é considerar as inteligências que habitam o nosso quotidiano”.
Vivemos do que outros, com dores, sofrimentos, lágrimas, construíram; perderam suas vidas em circunstâncias desumanas, injustas. Referimo-nos a viver do que outros foram, fizeram. Há-de convir com o “parasitismo” de nossa sociedade. Se houvesse respeito, consideração, buscassem a síntese do devir humano e o processo histórico, o parasitismo estaria justificado. Andam adulterando os “caminhos reais” em nome de interesses mesquinhos, temos de andar nas trevas, a luz são os desejos de liberdade, sendo liberdade. Estacionamos no passado. A utilidade da História, questionamento, ação, mudança, é esquecida. Somos o prático-inerte. Alguns não querem que os caminhos do campo sejam trilhados.
As “invertidas” são-lhe enviadas noutro estilo e linguagem, o mínimo que o intelectual, historiador podem fazer é conciliá-los, respeitando tensões e adversidades, engenho traça o perfil de como a vida nesta pacata e provincial comunidade segue a jornada adentro dias. Não somos historiador para descrever os acontecimentos, como transcorrem; ademais, não saberíamos a linguagem jornalística escrever. Utilizamo-nos da nossa, fazendo as palavras falarem, dizerem a verdade, a união difícil e complexa do sonho, da utopia; aprendemos não sem dores e sofrimentos a traduzir. Não conseguem modificá-la, a sutileza com as palavras é dom.
Conhecendo o sentido que damos à vida, se podemos tomar o leite todas as manhãs, realizando os desejos de fazê-lo, também o ácido crítico molhará todo o corpo, ensopando-o. Não nos criticam em nome da arte e sim de interesses e ideologias chinfrins, não nos banham com ácido crítico em nome da transparência clara da luz e sim do oportunismo de servirem das construções – assim se tornam inteligentes e intelectuais. Se temos a dizer, e conscientes somos, fazemo-lo com todas as letras e vírgulas, enfatizando solenemente. Estamos a interferir, contribuir para a consciência de seus valores? - não importa a nós sabê-lo, estamos agindo em nome de utopias, de sonhos, traduzir-lhes, tornar-lhes realidade.
Verdade que a muitos isto não importa. Dizermos-lhe incomoda mais do que o fazemos. Não apenas numa linguagem literária, mas científica. Não aceitam que outros saibam as verdades. Romper as serras e montanhas, sair para o mundo é algo sério, seriíssimo. Depois fica difícil resgatar a imagem, ocasionando até a perda de privilégios. Mais fácil censurar em nome da polêmica, “há coisas que se vivem não se dizem...”. Não ligamos a mínima.
Você conhece: “Se alguém tem que morrer, que seja para melhorar”, da lírica de Geraldo Vandré, Réquiem para Matraga. A partir do instante em que o incômodo atingir o limite, medidas são tomadas, com rigor e sapiência. Pedimos a Maria Santíssima que nos proteja; conhecemos a tempestade as palavras podem causar. O ácido crítico habita a “terra da liberdade”. A senhora é intransigente neste aspecto, domingo vamos juntos à missa das sete, pedir a Deus iluminação e proteção. Não podemos é silenciar.
Dirigirmos-lhe as palavras numa linguagem poética e filosófica não é fácil, o que consideramos o húmus de quem quer merecer reconhecimento e respeito... – tratando-se de as palavras serem ações, a lâmina tirar o osso da carne de pescoço.
Embora já nos tenha chamado a atenção sobre utilizarmos a imagem da “faca particular e própria”: é “plágio”. Sabemos do apreço por ela. Eis porque a escolhemos neste particular do leite ao ácido crítico. Interessante é que cai na gargalhada, quando nos ouve pronunciando as devidas palavras; de imediato, a sua tendência paternal de a mim se dirigir, com a sinceridade que lhe é autêntica: “O fracasso precede o orgulho”. Verdade sim: este orgulho nasceu de sentimentos de fracasso na infância, embora a imensa contribuição.
Impossível nos plagiar. O estilo e linguagem, sendo originais e autênticos, não há quem seja capaz de fazê-lo. Aliás, embora conheça o sentido, o que nos interessou foi investigar no dicionário se o verbo é pronominal nalguma acepção, sentido figurado; é um verbo transitivo direto. O que podemos fazer é atribuir outras idéias às metáforas e símbolos a partir da imagem. O que fazemos se chama “recorrência”.
Entendemos as gargalhadas, especialmente no que concerne à correspondência que lhe enviamos com apreço, pois que é mister olho de lince para intuir os ácidos críticos, o caldo de malagueta para alguns, cuja taça tomamos em mãos para uma reflexão e meditação sobre o homem sem História tornar-se imbecil, idiota, o nada, em verdade.
As experiências ensinaram-nos que, se comer angu saído do fogo, é conveniente que coma pelas beiradas, colherada a colherada, isto se não quiser queimar a boca, seria bastante desagradável, ademais não sentimos a delícia de comer um angu saído do fogo, delicioso. Quando se assusta, nada restou no prato. As experiências ensinaram-nos. De quaisquer modos que se pense, intua, nos não esquece – a precedência do “nos” ao “não” é recurso de estilo, recurso com os verbos “lembrar”, “esquecer”, a movediça fronteira do desejo e realidade - um lema que adotamos em vida: articularmos as preocupações e não nos afastarmos delas.
Compreendemos as gargalhadas. Referimo-nos à imitação, plágio. Ao longo da escrita, tentamos ouvir no espírito Chico Buarque de Holanda, Meu Caro Amigo: “Meu caro amigo, me perdoe, por favor, se não lhe faço uma visita...”.


(**RIO DE JANEIRO**, 06 DE ABRIL DE 2017)


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