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quarta-feira, 26 de abril de 2017

#SILÊNCIO ÚLTIMO DO MISTÉRIO# - GRAÇA FONTIS: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Da morte, a fonte mais bendita, o regaço mais mágico - uma voz de contralto, profunda e poderosa, como se ouve às vezes no teatro, e por falar nisso, resta-nos o "Teatro da Re-versão e In-versão", quando possível, atores, atrizes, diretores?; da vida, a origem mais divina, almas sublimes, heróicas e reais, capazes de réplicas, de decisões e de sacrifícios grandiosos, atitudes paradoxas e cor-agem ilimitada, ações de deuses corruptos, a con-tingência mais hadisíaca; da eternidade, o silêncio último do mistério, mistério das parcas seren-itudes, mistérios dos pórticos cócitos das plen-itudes, a solidão primeva do desconhecido, da imortalidade, imortalidade dos dogmas, dos preceitos, dos princípios retros-pectivos do absoluto, a con-templação da verdade, da esperança, o enigma das coisas simples, puras, inocentes, ingênuas da fé.
O indizível da redenção e ressurreição, o in-audito e in-expressável do espírito e trans-cendência, da alma é imanência da finitude. O que penso ser não o sou, o que sinto ser será o que sou, cuidando de conscientizar-me do que é a vida para mim, da raiz íntima de mim, a beleza que se pro-jeta para o que há-de ser, há-de vir, para o que há-de se perder, esvair-se, esvaecer-se, para o encontro de outras metas e rumos, outras labutas e dificuldades, para a construção de valores e virtudes eternos à luz da espiritualidade, algo que "faça a vida valer a pena", de outros propósitos e interesses, na rarefação de mim, o tempo salta para além, na música de outrora, tudo se re-vela e acontece, nada se manifesta e morre.
Faço versos e conjugo verbos do in-dizível e sondável, do dizível e im-palpável, do sensível e im-pensável. Deixo fluir a morte, ser o outro de mim, ser o que em mim sou, ser o "eu" que de mim não sou, ser o "outro" que de mim vive, não ser a vida de mim; re-flito nas estrofes as querências do amor e sentimentos de compaixão - passarinho verde sussurrou-me no ouvido que andam investigando a musicalidade na estrutura da poesia, dizem que nascera das sofrências dos homens... sei lá! - medito nos ritmos do sentido e desejo, as in-fin-itudes do tempo e ser, as in-fin-itiv-idades do uni-verso do saber e conhecer.
Com-templo a terra de céu sem nuvens, de nuvens sem céu, vales sem abismos, vice-versa, vis-à-vis. Espero o amanhã para outras idéias, pensamentos que me in-diquem as poeiras da metafísica, efêmeras e etéreas, as fumaças da antropofagia, da carne viva, da antropologia da passagem, travessia do ser ao conhecimento, da cultura à consciência, do nada de trevas à luz do nada..
Oh, Anjo da consciência idiota, dizei-me com a idiotice toda que lhe habita o mais íntimo do ser, sabendo eu que a regais com as vossas novas experiências e vivências, desde a aurora ao crepúsculo, a questão de ainda não terdes aprendido que a ignorância é irmã gêmea do atraso? O atraso é amancebado com a miséria e a criminalidade. E que juntos, - mesmo que não podeis perceber isso claramente, a conservação e preservação dos princípios morais e éticos, espirituais e históricos, culturais e artísticos eliminaram-lhe toda e qualquer possibilidade de visualizar o outro que lhe habita – de mãos dadas, são parceiros con-templando um ao outro.
O que se faz tarde demais para salvar a vós e o futuro de vossa excelentíssima prole.
Portanto, digníssima prole do futuro morto, escuta meu rogo! Aproxime-se de mim, toca em meu rosto! Porque ele, o meu rosto, é tua imagem de gente apaixonada, irada, enquanto for humano à eterna busca da sublimidade.
Ele, o meu rosto, agora, é seu espelho exoticamente insurrecionado, reluzido no cio de um sentimento chamado raiva pulcra e imaculada, por causa dos dramas de teus sonhos traídos e usurpados pelo explícito e vil desprezo político dos homens do crime, do roubo e da corrupção do Estado.
Anjo, eis-me aqui. Por sobre a terra podeis ver-me a caminhar com o amor, dentro do fogo e de por baixo da água. Tragédia e espetáculo, que vieram a mim e que por vós estão por vir.


(**RIO DE JANEIRO**, 26 DE ABRIL DE 2017)


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