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quinta-feira, 13 de abril de 2017

**ILHA DO FOGO NO CREPÚSCULO PÁLIDO** - Graça Fontis: PINTURA/Manoel Ferreira Neto: AFORISMO


Aportar à ilha do fogo no crepúsculo pálido...
Não é fácil ficar sem metáforas, é ficar sem água no deserto real, aos raios incandescentes do sol, é meter o rabo entre as pernas, emitir um desconsolado au! au!, esgueirar para dentro do inferno, alfim elas cobrem e en-velam as incapacidades de dizer de modo nítido e transparente o que habita as dimensões con-tingentes da alma, o que perpassa a veia, quando o sangue nela corre e segue o seu itinerário, o que na retina dos olhos observa as perspectivas das buscas do belo por inter-médio de todas as mazelas da vida,
Julguem-me ilusionista, o que isto importa? - ilusório, um reflexo de nada, até mesmo um reflexo baço de uma cericória, como desejam alguns que seja assim, a realidade seja inconteste, a verdade seja divina, o sentido dela seja ab-soluto, não suscite questionamentos, desconfianças, por mais absurda seja esta idéia, por mais verdadeira, questionável, merecedora de pequena atenção, sem fervores nem ardores, não merecedora de qualquer observação, mas, podendo afiançar e asseverar que a ilusão, o nada consomem a ilusão e o nada, a cericória consome o reflexo baço, por mais que o contra-senso se revele, de imediato, diante de afirmação até sem sentido algum, “a ilusão e o nada consomem a ilusão e o nada”, havendo sim sentido envelado, as palavras amam ocultar-se e revelar-se, mas nas entrelinhas, deixe-me dizer logo, antes que efemerize no tempo, há coelho atrás do mato, há outras perspectivas e ângulos a serem intuídos e vislumbrados, des-lumbrados e a-lumbrados; isto querendo significar o caminho sem margens continua sendo virgem, puro, inocente e ingênuo, sob os pés, sob a imaginação das mãos, dos dedos performando os caminhos do ser, sob a razão da cabeça, quanto mais o meu coração de pena e tintas deseja abrir os uni-versos de palavras e ritmos, mais notas se a-nunciam dentro em si, quanto mais ando, tenho de andar mais ainda, sem andar sou é nada, ser alguma cosita quantas léguas se fazem mister pisar? Para chegar a essas letras aqui registradas nesse início de Semana Santa e de outros olhares às sementes da vida e de suas luzes de amor, andei por cinqüenta anos, engatinhando, tropeçando, arrastando, seguindo em frente, caindo, levantando, acreditando, desacreditando, perdido e confuso diante das discriminações, pré-conceitos, invejas e despeitos dos que nada são e ostentam valores insofismáveis, sendo, aliás, agora o que entendo e compreendo o que são gorgolejos, escarros e cólicas viscerais, merecedor de ser comemorado, com vinho francês, deliciosa bacalhoada, com outros sorrisos na face trazidos da sombra milenar.


(**RIO DE JANEIRO**, 13 DE ABRIL DE 2017)


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